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    Odiar. 

    Essa era uma palavra muito forte para dizer o que ele sentia por este personagem. Poderia ser descrito mais como uma frustração e relutância no lugar do próprio personagem. 

     

    Primeiro de tudo, Silver Crawford, este era seu nome. Um jovem com cabelos curtos negros e de rosto bonito, onde, ao menos no meu mundo anterior, faria muitas mulheres se apaixonarem mesmo somado a expressão fria usual.

    Ok, retirando sua aparência da equação ele era incrivelmente talentoso em esgrima. O autor por si só, escreveu que seu talento na mesma ultrapassava o próprio protagonista da obra. Além de ser um gênio nas artes marciais bem como um [Variante].

    E aqui se iniciam os problemas. Durante o livro, foi descrito que Silver abandonou a esgrima, ignorando seu enorme talento em tal arte e por que? Tudo por conta de uma única mulher, Fumiko Mari. Onde ela nem mesmo ligava tanto assim para o garoto. 

    Assim recebeu o apelido de ‘sombra’ por outra garota, chamada Mia Rosenfeld. Há muito para se dizer sobre esta, que veio a ser de suma importância ao enredo da novel.

    O tempo passou, e logo seu talento em esgrima junto ao fato dele ser um [Variante] foi completamente esquecido pelo autor. 

    Bem este termo fora repetido diversas vezes, mas o que é um [Variante]?

    Este seria alguém que pode manipular os elementos à própria vontade, sem necessariamente ter feito um contrato com os espíritos. Enquanto um [Contratante] precisa concluir o acordo com o espírito, para assim poder usar seu elemento específico através da [Armadura real do espírito contratado], [Variantes] podem fazê-lo de forma mais ágil. 

    Tornando-os versáteis, além de serem escassos, assim trazendo alta demanda em posições relacionadas ao combate como por exemplo, entre as linhas do exército.

    Agora imaginando a esgrima misturada com seu controle de elemento, adicionando eventualmente artes marciais para cobrir suas aberturas ou falhas durante a luta. O quão poderoso isso seria? 

    Todas essas coisas foram esquecidas, em prol de uma mulher sem graça e tão rala em talento que, mesmo sem treinar, o jovem poderia vencer usando pura esgrima.

    Porquê estou dizendo tudo isso? Simples, eu acabei de me tornar Silver Crawford, tal personagem tão incrível quanto odiável. 

    Acredito que isso foi causado pela luz de antes. Mas o que foi aquilo? Um caminhão? Um satélite? Ou talvez um carro? Bem, não importa. O fato é que de uma forma ou de outra, acabei me tornando ele.

    Olhando pro espelho, dei de cara com um lindo rosto infantil o qual, graças a novel, sei que vai me tornar muito popular quando crescer. E pelas memórias do próprio corpo, descobri ter cinco anos de idade neste ano.

    Eu estava quase dez longos anos longe do rumo principal da história, no pouco tempo que este corpo viveu, não houve nenhum acontecimento realmente significante então é desnecessário detalhar. 

    — Silv! Desça que o jantar está pronto — A voz de uma mulher soou, me tirando do meu pequeno diálogo interno.

    — Já vou mãe! — Respondi enquanto descia as escadas.

    Logo fui em direção à cozinha, onde um banquete me esperava. A casa onde vivíamos era boa, tendo vários quartos, cozinha, sala de estar e quintal.

    — Pequeno Silver, você tem passado muito tempo no seu quarto. Aconteceu algo? — Meu pai, um homem de corte militar, rosto sempre irritado e corpo excessivamente musculoso me perguntou com preocupação.

    Trabalhando como soldado por muitos anos, se tornou um grande hábito dele me incentivar a entrar no exército. Além disso, o mesmo foi aquele quem ensinou o jovem Crawford a ser quase inexpressivo, brincando ao dizer que homens de verdade não demonstravam sentimentos.

    O homem claramente não esperava o fato do garoto se esforçar para seguir isso à risca. As horas passadas no quarto eram em busca de aperfeiçoar este estilo.

    — Não pai, tudo bem, eu só estava brincando… — Respondi fazendo o rosto mais fofo possível, algo que incrivelmente funcionou já que ele pareceu aceitar.

    — Ara, parece que Silv já se tornou um homenzinho — Quem disse foi minha mãe, com uma expressão maliciosa na face. 

    Ela era uma beleza de cabelos longos negros e olhos azuis. Não sei muito sobre seu trabalho, ao contrário do pai, a mulher sempre evitou sutilmente tal assunto.

    A única coisa que foi possível retirar das conversas anteriores, seria seu ódio inexplicável por seus avós e alguns outros familiares.

    — Mãe! — O que há com essa frase sugestiva? Eu só tenho 5 anos, controle-se! 

    — Haha…— Ambos começaram a rir, me fazendo mostrar alguma irritação, causando ainda mais risos. 

    ❂❂❂

    Após um grande e caloroso jantar, voltei ao meu quarto mas não dormi imediatamente. Preparações eram necessárias para os eventos futuros.

    Daqui a onze anos, se iniciaram os principais incidentes do livro. Pode parecer muito tempo, porém podem não ser suficientes para me tornar forte o suficiente para sobreviver aos inimigos aparecerão futuramente.

    Bem, sem narcisismo nenhum, eu sou talentoso. Se conseguir explorá-lo completamente é possível superar o protagonista desde o começo.

    O básico, deveriam ser os métodos de treinar o poder mental. Primeiramente, tenho que escolher dois tipos diferentes, para aumentar a capacidade e aprimorar meu controle à perfeição.

    Poder mental é essencial quando se é um [Variante]. Afinal é ele quem define o uso do elemento, este também poderia ser considerado uma restrição pois, embora os [Contratantes] estejam na mesma situação, graças ao contrato seu desempenho era muito melhor do que o deles nos estágios iniciais.

    O controle do poder mental era o ponto mais simples entre os dois, a principal forma de fazê-lo focar em manipular algo criado por si com seu elemento. Após isso, repetir constantemente este processo e aguardar a melhora

    Por outro lado, havia também o método espartano de treino. Neste, você se cerca do tal elemento e tenta não deixá-lo tocar seu corpo ou… Bem, você morre.

    Este método já foi abolido por razões óbvias, quer dizer, quantos não morreram por terem escolhido esse método para treinar ou mesmo ser forçado a segui-lo.

    Para aumentar a capacidade do poder mental, o regime de treino também é direto e básico. Gastar e recuperar, enxaguar e repetir.

    Mas não é isso que eu quero. Vou precisar  de mais do que uma reserva decente, ela deve ser larga o suficiente para encarar um [Contratante] sem confiar no fator surpresa trago por ser um [Variante], nem a vantagem na velocidade da liberação.

    A fim de chegar aí, preciso no mínimo chegar às 4 estrelas. Geralmente por conta da falta de métodos necessários para isso, grande parte dos [Variantes] não conseguem chegar a esse nível. Felizmente, graças a quantidade de vezes que li a novel, não faltava variedade nos métodos que eu possuía.

    Depois do controle e capacidade do poder mental, era essencial afiar a minha esgrima. Algo que graças ao meu corpo, imaginei não ser a parte mais difícil de tudo, enquanto o talento estava sobrando a idade faltava.

    Uma criança de cinco anos balançando uma espada por aí, não importa o quão infantil parecia, era improvável que meus pais aceitassem. Portanto esse assunto vai ser adiado por agora.

    Haviam também as artes marciais, algo no qual como um ex-delinquente eu me sentia confiante com, afinal, usei esses punhos em várias situações anteriores, quer dizer, não literalmente esses mas… né?

    Antes de tudo, preciso de treinamento especializado para usar este corpo direito. Com os reflexos que tenho agora mesmo correr é uma tarefa complicada.

    Enquanto eu estava armando meus planos futuros, acabei caindo em um sono profundo.

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