Capitulo 5 - Revelações
O clima se estabeleceu trazendo o prelúdio de uma batalha que Mayck nunca tinha vivido antes. O mundo que havia conhecido até então, se mostrou como uma caixinha de surpresas, sendo imprevisível e muitas vezes, assustadora.
A realidade era rígida e não priorizava ninguém. Mas o maior problema sempre foram os seres humanos, com uma mente que podia alterar a realidade e transformá-la no que bem queriam. Esse era o fundamento da ID.
“Então, como vai ser? Você vai tentar me matar?” Yang apertou os olhos na direção do garoto, mas mantendo o sorriso.
“Esse é o meu plano. Se você se arrependesse do que fez, eu poderia ser mais complacente.” Ele não dava o braço a torcer.
“Sabe, eu não queria recorrer a violência aqui. Então vou te fazer uma proposta, já que era a ideia inicial.”
“…”
“Venha comigo, Mayck Mizuki. Eu preciso do seu poder.” O assunto foi mudado completamente.
Mayck olhou para ele com um olhar confuso; a forma como o homem o abordou, excluiu qualquer chance de uma conversa amigável. Então porque ele só disse isso aquela hora?
“Você sabe que eu não vou aceitar.” O garoto se firmou em seu pedestal.
“É claro que não iria. Por isso, eu preparei um plano B.” Com confiança, ele exclamou e levantou o indicador da mão direita.
Um show extraordinário estava prestes a começar, tendo, como único espectador, o corpo do homem velho, que aparentava ter entre 40 a 45 anos. Era o que eles pensavam. Havia também, a vários metros acima deles, um pequeno dispositivo com quatro hélices e uma câmera, vigiando o local.
Uma tensão pairou sobre os dois. A luz do sol já era quase nula e a lua tomava as rédeas da iluminação noturna, juntamente com as estrelas.
Yang levantou a mão direita e entoou algumas palavras em voz baixa. Em seguida, uma luz roxa tecia uma espiral na frente dela e o ar em volta se moveu.
Mayck ficou abismado. Essa seria a tal ID? Um mal pressentimento brotou dentro dele.
“Deixe-me te mostrar um pouco da minha superioridade.” Deixando essas palavras, a luz roxa ficou mais intensa e subiu aos ares, se dividindo e formando várias esferas pequenas.
“Setas de vácuo.” As esferas se moveram rapidamente contra o garoto, que cobriu o rosto com seus braços. As setas cortavam o ar rapidamente e atingiam toda a área ao redor do garoto, criando uma pequena nuvem de poeira que o cegou.
Urgh! Droga, reclamou rangendo os dentes e apertando os olhos.
A chuva de setas durou 3 segundos e eram tão rápidos quanto um tiro de uma sniper. Depois que acabaram e a poeira diminuiu, via-se a roupa dele com vários rasgos e cortes em seus braços e pernas.
“Surpreso? Eu não acabei ainda.” Yang repetiu o procedimento e coordenou outro ataque contra ele. A chuva de setas avançou.
Quando se aproximaram, Mayck correu na direção oposta para tentar fugir delas e conseguiu evitar algumas. Caindo no chão exausto.
“Aguentou bem. Mas eu vou continuar.” A mão foi levantada mais uma vez e uma haste se formou, tomando a forma de uma lâmina reluzente. Levantou a espada e o ar se moveu outra vez, porém, mais forte que antes.
“Nível 1: Dominância.” A figura de um dragão surgiu no ar, no lugar das setas que se desfizeram. “Esse é bem especial. Aproveite.” Yang sorriu e brandiu a espada, apontando-a para Mayck.
O dragão seguiu as ordens e caiu sobre ele, atingindo o chão à sua frente.
Huh?!
A onda de choque jogou poeira e pedras do asfalto para cima e o garoto também foi empurrado, caindo de costas no chão a uma grande distância.
Que merda! A dor fez ele cuspir um pouco de sangue. Isso é um ID?
|×××|
Em um lugar que parecia uma base de operações, havia uma mesa redonda. Um total de seis cadeiras estavam ocupadas por um número igual de pessoas. Todas trajadas formalmente, passando a impressão de pessoas poderosas.
Eram os líderes da organização conhecida como Strike Down.
Em sentido horário estavam: John Miller, George Wilson, Jin Li, Amélie Leblanc, Kuon Park, Yamamoto Akira. Todos sendo os membros de maior escalão da base situada no Japão.
A Strike Down era uma organização que atuava no mundo inteiro. E cada base possuía seis líderes de diferentes países, sendo eles: EUA, Inglaterra, China, França, Coreia do Sul e Japão.
Uma silhueta feminina se levantou da cadeira e fez sua voz ecoar pelo local.
“E o que faremos quanto a isso? A Ascension já fez contato com o garoto.” Amélie parecia exasperada.
John, que estava sentado à sua frente, se pronunciou.
“Isso é um erro nosso. Tiramos os olhos do garoto por um segundo e isso aconteceu. Uma grande falha.”
“Se acalmem. Vamos mandar um time para contê-los. Se deixarmos Yang levar a melhor dessa vez, estaremos perdidos. Pois não sabemos o que ele planeja.”
“Vamos mandar o time dos novatos? Todos os veteranos foram mandados em missão para segurar os Ninkais que se espalharam pelo Japão.” George mencionou, com incredulidade na voz.
“Não temos opções. Se quisermos que nenhum dano grande seja feito, temos que usar o que há em nossas mãos. E eles não são novatos. Apenas foram juntados recentemente.”
“Não vem com essa. No quesito experiência, Yang está anos a frente de nossas equipes ativas no momento.”
O ambiente dava a impressão de que todos ali estavam pensando seriamente sobre a investida de Yang e não podiam ficar parados.
Enquanto a discussão se estendia, uma grande porta foi aberta e um grupo de cinco pessoas adentrou a sala.
“O que estão fazendo aqui? Não demos permissão para entrarem”, Amélie repreendeu a atitude dos recém-chegados.
Um homem que parecia ter 1,80 de altura, curvou a cabeça em respeito aos seus superiores.
“Senhores, peço que nos deixem ir nessa missão.”
“Por que faríamos isso?”
Em resposta à questão feita, uma mulher tomou a frente.
“O alvo em questão foi entregue a mão de um de nossos companheiros. Nossa obrigação era manter os olhos nele, mas nos descuidamos. Então pretendemos dar um jeito nisso por nós mesmos.”
“Isso está certo? O incidente de 5 anos atrás foi mantido em segredo por todo esse tempo. Se o garoto recobrou suas memórias, então a responsabilidade não é de vocês.” George cruzou os braços querendo recusar a oferta.
“Isso não é verdade, senhor. Eu garanti que iria manter qualquer coisa que pudesse trazer sua ID à tona, mas eu negligencie minha função e isso aconteceu”, outra garota afirmou, dando um passo à frente.
“Por favor, peço que considere nosso pedido”, a mulher reforçou.
Os superiores ficaram em silêncio. Se isso aconteceu por descuido de todos, então a responsabilidade poderia ser dividida entre eles.
Os superiores ficaram em silêncio. Se isso aconteceu por descuido de todos, então a responsabilidade poderia ser dividida entre eles.
“Por que não tentamos? Manter um time parado só porque ele é novo, vai fazer nossas forças diminuírem.” Amélie olhou para todos os presentes.
Pensando logicamente, alguém fraco se torna forte depois de enfrentar perigos maiores que ele. Ela seguiu esse método e tentou convencer os demais.
Todos os que estavam na mesa se entreolharam e chegaram à mesma conclusão.
“O alvo ainda não mostrou seus poderes, mas ainda tem uma ID incomum. Se Yang ou qualquer um dos outros colocarem as mãos nele, ficaremos no fundo do poço”, Kuon lembrou.
Akira, que parecia ter a maior patente dentre todos ali, se levantou.
“Equipe de ataque número 8. Vão até o local, interfiram no ataque de Yang e tragam o garoto”, ordenou.
“Se ocorrer algum problema, retornem imediatamente”, Amélie completou.
“Sim.” Os cinco bateram continência e se retiraram da sala, fechando as portas em seguida, deixando os superiores para trás em silêncio.
“Você acha que é realmente a decisão certa?” Indagou Jin.
“Vamos esperar para ver. Aquela garota esteve com ele no dia do incidente e eu prometi que ajudaria a mantê-lo seguro.” Levando uma xícara com café até sua boca, Akira depositou sua confiança no grupo.
“Se é assim, só nos resta esperar.”
Todos se levantaram e saíram da sala, para continuarem seus outros afazeres.
Em um corredor extenso, as cinco pessoas caminhavam de forma inabalável. Estavam se preparando para o início de uma operação de última hora.
“Se eles tivessem tomado uma decisão quando recebemos o sinal, não seria preciso toda essa comoção”, A mulher reclamou.
“De qualquer forma, nós todos ficamos desatentos e isso aconteceu. A culpa é igualmente nossa. Você está bem com isso não é? Tsubaki-san.” O homem se dirigiu a garota que estava andando na frente.
“Eu vou ficar bem. Não se preocupe. A maior culpada aqui sou eu. Estive com ele todos esse anos e não percebi nenhum sinal.”
“A Hana-nee é forte, certo? Ela vai conseguir salvar o amigo dela.” Uma voz infantil e energética veio de outra garota que não parecia ter mais de 1,55.
“Be-bem, quem sabe, né?”, falou coçando a bochecha.
“É melhor nos apressarmos. É contra Yang que ele está lutando”, Asahi mencionou.
Eu não posso deixar aquilo acontecer de novo. Eu prometi para ele que iria protegê-lo a qualquer custo, Hana dizia para si mesma.
Os cinco se apressaram e pegaram um elevador, clicando no botão que levava até o último andar. Estavam em uma instalação subterrânea, então tocaram o botão que fazia o elevador subir para que chegassem até o térreo.
Hana saiu na frente. O lugar estava cheio de pessoas com trajes militares, portando armas que pareciam ter saído de um filme de ficção.
“Estão indo para uma missão? Senpai.” Uma garota usando uma roupa preta militar se aproximou. Diferente dos outros ela usava apenas um chapéu.
“Olá, Mei-chan. Nós estamos indo em uma missão de última hora”, Hana respondeu.
“É mesmo? Tenha cuidado, senpai.” Mei desejou boa sorte a ela e saiu, acenando.
Hana balançou a mão se despedindo e seguiu para um veículo preto, daqueles 4×4 que eram usados pelo exército.
Seus companheiros eram Irina Airi, Yuji Ryuunosuke, Asahi Ito e Yui Hikari.
Juntos com Hana, formavam o time de ataque número 8, da Strike Down. Pelas informações contidas, era um grupo que rivalizava com a organização de Yang.
O veículo partiu e eles seguiram pela estrada isolada, em direção a localização do alvo.
|×××|
Com a luta iniciada, o garoto seguia apenas seus instintos para desviar dos ataques de Yang, que não pareciam que iriam cessar tão cedo. Sempre que a espada era movimentada para alguma direção o dragão fazia o mesmo.
Ele entendeu que para poder se safar teria que ler esses movimentos. Como o sol já tinha se posto completamente, a visibilidade ficou mais baixa e, consequentemente, afetou o desempenho de Mayck em se esquivar dos ataques.
O ambiente era iluminado pela luz roxa que emanava do dragão enquanto perseguia o garoto.
Até que pudesse entender de forma concreta esses padrões, ele foi atingido várias e várias vezes.
Isso dói demais. Que porcaria.
A respiração dele ficou pesada e o gosto de sangue subiu na sua garganta.
“Não se preocupe, eu não vou te matar. Ainda preciso de você.”
“Mas vai me torturar por um bom tempo, né?”
“Bom, eu quero ver até onde você aguenta. E eu ainda estou pegando leve.” Yang inclinou a cabeça em forma de deboche.
Mais uma vez a espada foi balançada e o dragão avançou. Mayck pensava que seria atingido em cheio, levando em conta a velocidade do ataque e que o fôlego dele já tinha ido embora.
Habilidade liberada: Observação. Uma voz ecoou na cabeça do garoto e o ambiente ao seu redor ficou lento.
O dragão que vinha em uma velocidade surpreendente, começou a se mover quase imperceptivelmente.
“Mas o quê?” Com isso, ele andou alguns passos para o lado e o tempo voltou ao normal.
“O quê?!” Surpreendido, Yang exclamou.
Mayck não sabia o que tinha acontecido, porém, se fosse ajudá-lo, seria algo bem-vindo. Era como se seu corpo lembrasse disso.
Yang, vendo aquilo, ficou perplexo, mas logo sua expressão de espanto se transformou em um sorriso. Para ele, quanto mais difícil, mais divertido.
“Que empolgante… não sabia que você poderia desviar de algo assim. Talvez eu deva usar um pouco mais de poder.” Soltando essas palavras, Yang segurou a espada com as duas mãos e começou a reunir seu poder. O dragão ficou maior e a luz brilhava mais intensamente.
“Nível 2, sopro da morte.”
O dragão se movia com mais velocidade, sua força aumentava consideravelmente e não fazia mais nenhum barulho.
Quando o ataque se aproximava, o tempo ficava lento para Mayck, o que dava a ele a chance de desviar como se não fosse nada.
Isso é realmente incrível. Mas eu não sei quanto tempo vai durar, pensou.
Medidas eram necessárias para que a luta acabasse rapidamente. Esperou que o ataque viesse outra vez e, quando veio, ele começou a contar os segundos de forma que pudesse descobrir quanto tempo ele tinha para desviar.
O ataque veio. 1, 2, 3, 4, 5. Em cinco segundos o tempo voltava ao normal.
É isso. Quando o ataque passou, começou a correr, diminuindo a distância entre eles.
“Eu não vou deixar você fazer o que quer.” Yang estava determinado a não deixá-lo realizar seu plano.
Os ataques iam aumentando a velocidade gradualmente. E, quando estava perto o suficiente, ele recebeu cinco segundos com o tempo parado.
Agora.
Mayck correu para Yang a todo o vapor. Ele contava esses cinco segundos em sua mente e se aproximou.
Quando o tempo acabou, uma palavra veio em sua cabeça e ele a repetiu.
“Delete.”
Com a palma da mão aberta, atingiu o estômago de Yang. Ao mesmo tempo, uma esfera de eletricidade se formou, o acertando em cheio e arremessando para longe.
Um estrondoso som como o de um trovão após o raio cortar os céus foi ouvido, depois de um flash de luz, que deixou o ar vibrando.
O choque fez a espada de Yang sumir e seu ataque foi cessado.
Mayck não saiu ileso. Suas pernas fraquejaram e ele caiu de joelhos, completamente exausto.
Será que deu certo? Pensou.
“Hahahahaha!” Uma risada descontrolada ecoou pela escuridão.
A rua e as paredes foram bastante danificadas. Com os ataques do dragão de Yang, uma cortina de poeira havia se levantado.
“É sério isso?” Mayck encolheu os ombros já sabendo o que viria a seguir.
As luzes dos postes estavam piscando por conta da eletricidade mas, quando a luz acendia, a silhueta de Yang se mostrava em meio a fumaça.
“Isso foi melhor do que eu esperava. Para alguém que não sabia nada sobre seu poder, isso foi sensacional.” Andou na direção de Mayck com os braços abertos e soltando vários elogios.
O garoto, por sua vez, ficou perplexo. Como ele tinha resistido a tudo aquilo? Uma explosão elétrica daquela escala deveria, ao menos, ter paralisado ele.
“Fique tranquilo. Não foi um ataque fraco. Isso teria matado de forma instantânea. Claro, se não fosse eu.” Como se lesse sua mente, Yang respondeu.
Droga!
Ele se aproximou. Seu terno foi danificado e ficou com alguns rasgos.
“Agora, vamos aumentar a potência, que tal?” Com ambas as mãos para cima, uma grande esfera de luz começou a se formar em espiral.
A poeira e os escombros começaram a ser sugados em direção a ela. O ar também se movia para o mesmo lugar, criando uma forte ventania.
“Talvez eu tire um braço ou uma perna sua. Você estando vivo já basta.” O corpoque estava no chão também foi arrastado.
Mayck, recuperando um pouco das suas forças, fazia o possível para se manter no chão, no entanto, a força que o puxava ficava mais forte e Mayck começou a ser arrastado.
“Abismo.” Uma voz desconhecida chegou aos seus ouvidos. Após dizer a palavra, um círculo negro se formou e engoliu a esfera de luz, sumindo rapidamente.
Três figuras surgiram no meio dos dois e Yang estalou a língua já sabendo quem eram.
“Que coisa decepcionante. Parece que eu me empolguei demais.”
“E parece que chegamos por pouco.” Airi foi vista em cima do muro com a mão estendida. Aparentemente o ataque havia vindo dela.
“Ei, garoto, você está bem?” Outra figura apareceu no muro do lado esquerdo e se dirigiu a Mayck, que estava sentado no chão, descansando e surpreso.
“Imagino que sim…” Mayck se perguntava quem eram essas pessoas.
Ele fez isso? Talvez seja tarde demais, Hana pensou e rangeu os dentes, analisando as faíscas que corriam de um lado para o outro.
“Você foi longe demais, Yang. Fazendo bagunça no meio de uma área civil”, Yuji gritou.
“Você estraga minha diversão e ainda me dá bronca… está pensando que é meu pai, é?” Com um tom frustrado na voz, Yang expressou suas emoções. A tal diversão poderia acabar em desastre, mas esse homem não batia bem da cabeça.
As pessoas que acabaram de chegar vieram para ajudar Mayck. Yang sabia disso, por isso, ficou irritado.
“Não vamos deixar você pôr as mãos nele.” Yuji levantou uma lâmina extensa e apontou na direção de Yang, o ameaçando.
“Eu poderia simplesmente matar todos vocês, mas eu não posso destruir o nosso alvo. Por isso, vou me retirar aqui. Mas não quer dizer que não vou atrás de você ainda, Mayck Mizuki.” O homem declarou suas intenções, deixando claro que ele não desistiria tão fácil.
Mas o time da Strike Down não queria deixá-lo ir tão rapidamente.
“Espera, lute comigo, velhote”, Yui desafiou.
“Temo que isso não possa ocorrer agora.” Recusando de forma gentil, Yang saltou para trás e desapareceu nas sombras.
“Ei, seu covarde! Porque fugiu? Volte aqui.” A garota saiu disparada também sumindo na escuridão e deixando sua voz ecoar.
“Sua idiota, volte aqui!”
“Não adianta. Ela não vai mais ouvir.” Asahi acabou com as esperanças de Yuji.
Os quatro soltaram um suspiro cansado, desistindo da pequena garota.
“Cof-cof.” Mayck deu uma tosse falsa para chamar a atenção dos presentes.
“Sinto muito lhes incomodar, mas quem são vocês?”
“Ah… desculpe. Nós somos o time de ataque da Strike Down. Viemos aqui para te levar conosco.” Asahi apresentou o grupo.
“Strike Down? Não vai rolar.” Mayck recusou de imediato.
“Mas você tem que vir com a gente. Se não estamos ferrados.” Claramente preocupado, o garoto balançou os braços no ar, como se pedisse socorro.
“E o que eu tenho a ver com isso?”
“Nós te ajudamos. Não é normal você ouvir o que temos a dizer?” Hana mudou o tom de sua voz para não ser reconhecida por Mayck. Mesmo com uma expressão rude, ela se sentia aliviada, seu amigo não parecia ter voltado ao que, uma vez, já foi.
“Eu vou reforçar minha recusa. Afinal, vocês vieram até aqui por vontade própria, não é? Eu não me lembro de ter pedido ajuda a alguém ou algo assim.”
“Você… nós salvamos você!” A garota ficou exasperada. Ela sempre odiou esse lado grosseiro de Mayck, porém, ele tinha suas razões.
“Você ouviu o que Yang disse, não foi? Ele não iria me matar.” Ele tinha plena ciência de que estava sendo rude. Afinal, estava fazendo de propósito.
“Vamos, vamos. Se acalmem, tá bom? Vamos conversar direito.” Irina tentou apaziguar a tempestade.
“Lamento, mas minha decisão não vai mudar.” Mayck cruzou os braços e lançou um olhar frio para ela.
A garota chegou ao seu limite e saltou para perto dele ficando com o rosto bem próximo.
Os cinco portavam óculos escuros e as bocas cobertas, então não tinham seus rostos reconhecidos.
“Você não entende? Desse jeito ele vai atrás de sua família! Vai querer perder mais alguém…” Ciente do que estava prestes a dizer, fechou sua boca e engoliu suas palavras. Ela quase soltou algo que não deveria. Ao menos, se não quisesse manter sua identidade escondida de Mayck.
Porém, algo assim não ia passar despercebido por ele.
“E? Se eu me juntar a algum grupo inimigo, a situação pode ficar pior”, ele falou, levando em consideração o casamento de seu pai, que iria ocorrer em breve. Não queria envolver pessoas aleatórias nesse mundo que ele tinha acabado de conhecer.
“Mas…”
“Eu já disse. Não quero me envolver mais do que isso. Porém, vou dar uma informação útil.” Fez uma oferta em troca de ser deixado em paz.
“Uma informação?”
“Isso mesmo. Os pets foram soltos.” Lembrando-se do que Masato tinha lhe dito e ligando com os pets que Yang mencionou, ele pôde formular uma teoria sobre o que significava.
“Os pets? Você quer dizer os Ninkais?” Yuji perguntou com um tom surpreso misturado com atordoamento.
“Deve ser isso. Então eu já vou indo.” Mayck passou por eles, encontrando o caminho de casa. Ele pegou sua bolsa que estava jogada no chão e seguiu sem olhar para trás.
“Você vai mesmo ficar assim?” Hana fez sua última pergunta, porém ele apenas acenou com a mão de costas. O grupo só pôde observá-lo sumindo no horizonte.
“Nós podemos deixar ele ir assim? A missão não seria um fracasso?” Migi observou.
“Não. Nós evitamos que Yang o levasse, então completamos ela pela metade”, Irina afirmou.
Sem outra escolha a não ser recuar, eles esperaram que Yui voltasse. Quando a garota retornou, Yuji deu um peteleco na testa da garota.
“O que tá fazendo? Bobão”, reclamou com a mão na testa.
“Quantas vezes eu tenho que dizer para você não sair sem ordens?”
“Bleh! Eu não vou fazer o que você manda, Yuji bobão.” Yui mostrou a língua e saiu correndo novamente.
“Ei!” Ele tentou seguí-la, mas foi impedido por Airi.
“Deixe ela.” Yuji estalou a língua. Os quatro seguiram para o carro que ficou estacionado um pouco mais longe.
No caminho, Airi notou que Hana estava meio aérea, mas decidiu não tocar no assunto.
Aquele idiota. Ele sempre agiu assim, ela reclamava em sua mente com os braços cruzados. Mas eu não posso culpá-lo. Se eu tivesse sido mais esperta eu poderia evitar qualquer contato que ele pudesse ter com esse mundo…
Quando chegaram ao carro, Yuji pegou um rádio e fez um pedido à organização, para que dessem um jeito no local destruído, o que foi atendido imediatamente.
Em alguns minutos vários veículos grandes como vans chegaram e pessoas vestidas de branco com máscaras no rosto, começaram sua tarefa. Corriam de um lado para o outro, consertando e retirando os escombros do caminho.
Hana e seu grupo retornaram à base e fizeram o seu relatório, que foi um pouco mal aceito pelos superiores.
Estando de volta ao lar, Mayck trocou suas roupas.
O que eu vou fazer com meu uniforme? Ele olhava para a roupa rasgada por todos os cantos. Apesar de ter três do mesmo uniforme, jogar um deles fora era uma perda enorme e costurar aquilo não passaria despercebido por ninguém.
Não tendo escolha, o garoto levou a vestimenta para uma gaveta. Quando a abriu, viu o aparelho de Nariyuki.
“Minha quantidade de problemas acabou de aumentar, certo? Tsubaki Hana.” Ele olhou pela janela e observou as estrelas.
Era isso o que você queria dizer quando disse que cuidaria de tudo?
Ele se voltou para um retrato emoldurado em cima da escrivaninha, que mostrava duas crianças sorrindo. Sendo elas Mayck e Alana.
Deitou-se na cama e fechou os olhos.
O que é essa merda de ID? Uma maldição?
Uma lembrança tentava invadir sua cabeça, mas em vão, tudo o que ele via era uma imagem borrada de algumas pessoas a sua frente e uma voz.
Me desculpe, garoto… A voz sumia depois disso e a cabeça do garoto doía com essa memória.
Argh! E isso agora?
Enquanto lutava contra a dor, o cansaço tomou conta do garoto e ele adormeceu, depois de se lembrar de coisas que foram trancadas no fundo de sua mente.

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