Arco 3: Capítulo 21 - Uma Madrugada Divertida
Para o garoto aquele momento estava rolando em câmera lenta. Não tinha entendido de primeira, mas percebeu que já não estava mais no chão. Com o canto do olho pôde ver o seu Anjo da Guarda sorrindo gentilmente, enquanto ele caía para a morte.
Seu corpo inteiro estava fora daquele prédio, e a sensação de desespero tomou conta de si gradualmente. Seus olhos começaram a se encher de lágrimas quando entendeu seu destino.
— Ah… ah…! Eu vou morrer!
Seus gritos ecoaram, mas a madrugada reinava naquele horário, era pouco provável que alguém tivesse ouvido, porém, não impossível.
Dante bateu os braços com força em meio ao desespero. O jovem não conseguia pensar no que fazer naquele momento, como se ele pudesse fazer algo. Pensar na situação não estava passando pela sua cabeça.
Foi Angel que o empurrou de um prédio, o fazendo cair para a morte certa. A pessoa que, segundo ela mesma, deveria protegê-lo. Se não tivesse pensando nada além de que iria morrer, com certeza ele iria se sentir traído.
Dante só aceitou o que iria acontecer e fechou seus olhos usando as mãos. Ele esperou o pior enquanto tremia de medo.
Foi que, repentinamente, sentiu seu corpo ser levantado e parar de cair. Ele tirou a mão de seus olhos, e viu Angel com suas asas angelicais batendo vôo.
— Desculpe, te assustei?
Ouvindo sua fala, ele pôde ligar todos os pontos e concluir o que havia acontecido.
— Você é imbecil?!
A garota começou a rir esteticamente, o que assustou o garoto. Dante se encolheu no canto, enquanto via seu anjo cair na gargalhada.
— Me desculpa, okay? Huh… heh… Eu quero me divertir com você.
— Eh?
O garoto se calou por um momento, tentando entender como diversão e jogar uma pessoa de um prédio estavam relacionadas. Ele lançou um olhar monótono com um pouco de raiva para cima dela.
— Não faça isso de novo!
— Huh… huh… Pode deixar.
— Você está se segurando para não rir, né? — As bochechas da mulher estavam inchadas e seus olhos estavam com poucas lágrimas de alguém que estava segurando o riso — E o que tem de tão engraçado nisso?
— Sua reação foi muito exagerada.
— Não tem nada de exagerado nisso! Babaca! Sua babaca!
— Tudo bem, tudo bem, mil perdões. — O garoto afastou o seu olhar ao pedido de desculpas nada convincente dela — Mas, estamos mais perto das estrelas, não?
Dante olhou para o céu estrelado novamente. Vendo de novo o quão lindo era, ele deu um sorriso.
— Viu, não é legal?
— É… mas você quase me matou.
— Nem.
Angel começou a voar um pouco mais rápido. Ela girou seu corpo de ponta cabeça, enquanto carregava Dante em seus braços.
Foi uma experiência muito boa para os dois. Quanto mais alto subia, o garoto ficava ainda mais animado, abrindo cada vez um grande sorriso em seu rosto, ao mesmo tempo que seus olhos brilhavam cada vez mais naquele momento. Para alguém que viveu em uma área urbana, ver aquele céu era algo fantástico.
Angel estava satisfeita só em ver o sorriso no rosto do garoto, que era parecido com o de uma criança quando ia a um Parque de Diversões.
Eles estavam aproveitando muito bem a brisa daquela madrugada.
— Se divertindo?
— Sim, isso é muito animador!
A garota sorriu à essa resposta.
Ela olhou para baixo, e viu que as ruas estavam iluminadas.
— Iluminação?
Ouvindo ela, Dante também olhou para baixo, e percebeu o que ela se referia.
— São tipo postes — o garoto comentou.
— Será que isso é por causa da Alfrey?
— Talvez.
Olhando com mais atenção para a rua, a garota pôde ver um homem dormindo em banco.
— Tem um moço ali, bora falar com ele?
Ela requisitou essa ideia, fazendo Dante tentar achar o rapaz dormindo no banco. Enfim, ele o achou, mas o garoto não queria pertubar alguém tão tarde o acordando.
— Huh? Mas ele está dormindo.
— Vamos dizer para ele ir para casa também.
A garota ignorou a recusa de Dante e eles acabaram descendo de uma enorme altura. Já no chão da rua, eles observaram a vazia capital na hora da madrugada.
Angel andou até o rapaz que estava vestindo um terno e, ao lado desse homem dorminhoco, tinha uma bolsa. Por essa primeira impressão baseada na sua roupa, a garota pensou que o homem poderia ser um trabalhador. Dante ficou um pouco longe, pois queria ver como essa conversa iria se desenrolar. Ela deu tapinhas em seu ombro, o acordando na hora.
O homem acordou assustado e olhou para todos os lados procurando o responsável por tirá-lo de seu sono. Por ter acordado tão repentinamente, ele não estava conseguindo raciocinar direito.
— Ei, moço — o homem finalmente viu a responsável por o ter acordado —, por que você não vai para casa? Não é muito seguro dormir na rua, ainda mais parecendo que tem dinheiro. Sabe, pode haver bandidos.
O homem, processando o que acabara de escutar, bocejou e se espreguiçou. Angel estava aguardando a sua resposta e, pelo menos, um agradecimento. Porém…
— Ih, moça, te falar que acho que nem tenho.
A garota que, anteriormente, mantinha um sorriso gentil em seu rosto, acabou tendo um sorriso de vergonha no lugar. Com a resposta que o rapaz deu, a mulher ficou completamente pálida. Suas pernas começaram a tremer junto de seus olhos.
— Sé-Sério?
Atrás dela, Dante começou a rir histericamente daquela situação. Angel se virou irritada e envergonhada para o jovem.
— Não ria! Isso não teve graça! — gritou.
Infelizmente para ela, aquela reação e seu rosto fizeram a situação ficar ainda mais hilária para o garoto.
— Vocês são interessantes. Mas acho que dormir até a madrugada na rua… vai fazer eu ser despejado…
O rapaz comentou esse triste evento que achou que iria acontecer. Angel voltou seu olhar para ele, ainda corada por causa do que aconteceu, mas ela estava com uma expressão preocupada no rosto. Dante que já estava acabando de rir, perguntou:
— Como assim?
O homem estava com uma cara de peixe morto, apesar de parecer que dormiu por um bom tempo, seu rosto não demonstrava isso. Suspirou fundo, enquanto coçava sua cabeça.
— Bem, uma esposa pode ficar preocupada quando seu cônjuge está sumido desde sua ida ao trabalho… Mas o que mais me preocupa é ela achar que estou a traindo.
Angel, esquecendo da vergonha que estava sentindo, abriu um enorme sorriso.
— Então é por isso que você disse aquilo? Bem, se sua esposa te ama de verdade, com certeza ela não desconfiará de você. Pelo que falou, parece ser um homem fiel — A garota levantou o dedão da sua mão, deixando o resto fechado —, continue assim! — Mostrou seu lindo sorriso.
O homem ouviu bem as palavras da mulher, e decidiu não se preocupar, pois explicaria tudo para sua esposa quando chegasse em casa.
— Inclusive… — o homem disse enquanto abria a bolsa e deixava Dante e Angel com olhares confusos — Toma aqui, como um agradecimento. — Ele entregou algumas roupas para ela, deixando-a surpresa.
— É umas roupas que comprei para minha esposa, mas o tamanho estava errado. Ninguém nunca usou essa roupa porque ela percebeu que não a servia, então ainda é nova. Pode ficar.
Angel um pouco ainda mais surpresa com essa declaração, estava indecisa sobre aceitar ela ou não.
— Tem certeza?
O homem concordou com a cabeça. Após isso, pegou a bolsa, se levantou da cadeira e foi em direção para casa. Ele acenou para os dois antes e disse:
— Adeus. E obrigado pela conversa, moça.
Dante e Angel acenaram para ele de volta.
— Bom, se você queria roupas que não fossem um terno, então conseguiu — Dante comentou — Quer vesti-las agora?
— Agora? Onde?
— Você pode usar um beco.
— Hm… Certo.
Eles foram em direção a um beco da capital, e Angel começou a trocar de roupa, enquanto Dante ficava vigiando na entrada.
“Bom, está bem tarde… Mas deve ter algumas pessoas acordadas por aí.”
Angel estava demorando um pouco para vesti-las, e Dante estava pacientemente esperando encostado no muro. Uns minutos se passaram, e a garota havia saído do beco.
— Eai? Como que eu tô? Pra ser sincera, gostei.
Ela estava usando uma camiseta branca junto de uma calça marrom. Era uma roupa simples, mas a deixava muito bonita.
— Eu aprovo, cê tá bem bonita.
Angel deu uma pequena risada.
A garota também estava segurando suas roupas anteriores, dobradas em suas mãos.
— Acho que vou colocar essas roupas em cima daquele banco. — E ela fez, colocando as roupas que estava usando anteriormente naquele no banco — Depois venho buscar.
— Será que é seguro?
— Qualquer coisa eu arrumo outra. — Angel se aproximou ainda mais de Dante — Vamos continuar, a diversão ainda não acabou.
O garoto deu um sorriso e concordou com a cabeça.
Após isso, Angel havia feito suas asas surgir novamente, e ela estava pronta para levar o garoto à alturas novamente. Até que eles ouviram um miado.
Olhando para o lado, os dois viram um gato de rua.
— Oh, um gato, que fofo!
Angel rapidamente guardou suas asas e andou cautelosamente até ele, logo depois, se agachou perto do gato de forma cuidadosa para não assustá-lo, e colocou sua mão no queixo animal, o acariciando. O gatinho estava adorando esse carinho que estava recebendo da mulher, ele também ronronava.
Dante também estava querendo acariciar o animal, então, tentou andar até ele cuidadosamente.
Porém, alguém havia tampado a sua boca, o impossibilitando de falar alguma coisa, e o arrastou até o muro que estava do outro lado da rua, aquele mesmo onde Dante se apoiou enquanto esperava Angel se trocar.
O garoto tentou chamar a garota, mas sem sucesso, ela estava distraída com o animal e nem percebeu. Até que, Dante e essa pessoa que o estava sequestrando atravessaram o muro.
— Aí, Dante! — Angel estava com um sorriso bobo no rosto com a fofura daquele gatinho — Você quer… Ué?
A garota havia percebido o desaparecimento do jovem. Ela se levantou e o pequeno gato subiu em seus braços. A mulher estava olhando para os lados, em confusão.
— Pra onde ele foi?
Ela se perguntou, enquanto ouvia o ronrono do gatinho que estava confortável em seus braços.

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