Capítulo 38 - juntando forças
Os detalhes da missão de Alexander e Diogo foram enviadas por e-mail. Eles não sabiam a razão disso e Mayck não quis lhes dizer. Mas isso não era uma situação tão desesperadora para que eles buscassem o cerne da questão.
O e-mail dizia o que eles deveriam fazer e como deveriam fazer.
Ao todo, a missão era simples, ela se resumia a desafiar Roger para um torneio de pura força bruta, sem a utilização de habilidades fora da realidade humana. O que o tornava diferente eram as regras que Mayck dissera. Obviamente, havia a possibilidade dos envolvidos não aceitarem tais regras, nesse caso, o desafio seria cancelado e um encontro diretamente com Mayck seria proposto.
Apesar de Diogo ainda estar incrédulo com tudo a situação, ele não questionou mais nada e decidiu apenas fazer de uma vez. Alexander, por outro lado, nem se importava com o que tinha que fazer — ele já sabia o quão malucas poderiam ser as ideias do garoto, que davam certo muitas das vezes. Era difícil dizer se ele era sortudo ou inteligente além de sua compreensão.
Enfim, as regras no e-mail eram as seguintes:
[O torneio será disputado em lutas individuais de um contra um com um limite de tempo de dez minutos;
As lutas deverão ser feitas sem o uso de habilidades sobrenaturais — apenas com a atual força física dos lutadores;
Se caso houver uma grande diferença de força física entre dois oponentes, vence o mais fraco se não tomar dano físico dentro do prazo estipulado;
As condições para a vitória são: Nocauteando o oponente dentro da área estabelecida para a luta. Causar mais dano do que a quantidade recebida — caso os oponentes possuam massas parecidas.]
E isso era tudo. Mayck preparou o forno, agora Alexander e Diogo iriam pôr a mão na massa para garantir a vitória.
No dia seguinte à reunião, eles se encontraram no parque que ficava no centro da cidade.
Para não parecer suspeito, já que era dia e havia muitas pessoas e policiais patrulhando, Alexander se absteve de usar seu chapéu de côco, o que fazia seus cabelos balançarem com o vento, e seu sobretudo, substituindo-os por um terno preto — mas ainda manteve sua máscara escondida abaixo do blazer.
Diogo estava trajado com o mesmo terno e os dois aparentavam estar se encontrando a negócios. Em uma sociedade tão preconceituosa, ninguém desconfiaria deles, o que seria uma situação ultrajante, mas conveniente de certa forma.
Sem perder muito tempo, os dois trocaram algumas palavras sobre as regras e o que deveriam fazer, antes de irem se encontrar com Roger.
Eles discutiram o que fariam e como colocariam seus homens no torneio. Em um certo ponto da conversa, Alexander percebeu que não precisava participar da luta diretamente. O torneio seria de cinco contra cinco, cada luta sendo individual e com um grande número de homens que Mayck havia conquistado, ele só precisava escolher cinco deles. Esteve se preocupando a toa, ele pensou.
“Mas a questão é: quem nós vamos colocar na luta”, Diogo colocou a principal questão como prioridade máxima.
“Temos que decidir com cuidado. Aquele moleque não nos daria regras sem que existisse uma forma de usá-las a nosso favor.” Alexander disse, enquanto observava o trânsito de pessoas na calçada.
“Sim, você está certo. Mas nós podemos mesmo decidir isso agora, sem antes saber se Roger vai aceitar?”
“É claro que podemos. Se ele não aceitar, então o torneio vai por água abaixo. É nossa missão garantir que ele aceite. Vamos precisar pensar bastante em como persuadi-lo.”
“Entendo. Então, não importa se ele vai aceitar ou não, nós temos que decidir como fazer isso…”
“Uhum. Me diz, você, que já conhece todos ou pelo menos a maioria dos seus subordinados, tem alguma recomendação?”
“Hmm…” Diogo olhou para o céu e pôs-se a pensar. Ele, de fato, conhecia a maior parte dos subordinados de Elias e teria a capacidade de fazer as melhores escolhas dentre eles. Mas existia uma outra questão para tomar uma decisão como essa. “… Eu acho que nós podemos ver os históricos no escritório e decidir com base na nossa necessidade.”
“Necessidade?”
“Isso mesmo. Se formos usar as regras a nosso favor, então temos que escolher com cuidado. Como… por exemplo a regra de não tomar dano até o fim do tempo. Essa regra só funciona quando se tem uma grande diferença de força entre os oponentes, correto? Então, seria sensato nós procurarmos os mais fracos, porém, os mais rápidos e resistentes entre eles.”
Alexander o escutou atentamente. Era verdade. Aquela era uma forma de jogar com as regras e aumentar a taxa de vitória. Mas outro problema era não saber sobre quem Roger escolheria. Era possível que ele mesmo decidisse participar. E uma estratégia daquelas, com certeza, não duraria por mais de duas lutas. Sempre existia a chance de um lutador forte e rápido estar presente.
No entanto, mesmo com vários obstáculos, aquela era a forma mais rápida de escolher os participantes e eles não precisavam decidir naquela mesma hora.
“E se nós fizéssemos primeiro desafio e só depois de conhecermos os participantes da região sul decidirmos quem serão os nossos representantes?”
“É uma boa ideia. Assim, podemos tomar as melhores decisões na hora da luta e vencermos.”
Sem muita dificuldade, os dois chegaram a um acordo. Eles apertaram a mão um do outro com um sorriso que dizia o quão bom era trabalharem juntos. Eles não podiam negar que estavam receosos no começo, mas depois de alguns minutos de conversa, eles conseguiram entender os pontos fortes um do outro.
Até mesmo seus pensamentos estavam sincronizados. Enquanto Alexander achava que trabalhar com Diogo era mais fácil do que ter Mayck ao seu lado, Diogo tinha consigo que Alexander era mais compreensível que Elias.
Sem enrolar muito, eles seguiram para o escritório para encontrar o histórico, que era um grande livro preto. Por que Elias se dava ao trabalho de organizar as informações de seus subordinados daquela forma ninguém sabia dizer. Entretanto, era muito conveniente.
Quando entraram no prédio, driblaram a recepção usando a identidade falsa de Elias como vereador. Alguns dos homens leais dele guardavam a passagem para o escritório. Elias estava fora, então eles se colocaram na segurança do lugar.
Quando viram a dupla chegando, os barraram ali mesmo.
“Onde pensam que vão?” Um deles perguntou de forma bruta.
A princípio, Diogo pensou em repreender aquela falta de respeito, dado o fato de que era o superior daquele guarda fiel. Contudo, ele se absteve disso. Diogo era um traidor, afinal.
“Nós temos ordens para cumprir. Saia da frente.” Diogo tentou ser o mais educado possível.
“Não vamos ouvir um traidor. Se não me engano, você deveria estar indo para a região sul, não é?”
Diogo cogitou responder, mas quando abriu a boca, Alexander tomou a frente.
“Escuta, seu idiota, não importa o que você pense, Elias não é mais o chefe aqui. E eu sou o segundo no comando na ausência do senhor M. Então, trate de mexer a sua bunda daí, se não eu terei que relatar para o novo chefe que a missão foi um fracasso graças a interferência de um certo imbecil”, Alexander falou calmamente. Ele estava usando sua máscara, que colocou no caminho até o escritório, para não ser reconhecido pelo guarda.
“O quê?! Seu desgraçado…” Aquele homem não queria aceitar que seu chefe tinha sido rebaixado a um subordinado. E ouvir alguém dizer isso na sua cara era doloroso como um tapa. Alterado, o guarda deu um passo para frente e cerrou o punho, visando dar um soco no rosto de Alexander, que o olhava fixamente sem se mover.
“Seu idiota. Pare com isso.” Um segundo guarda parou de ser apenas um espectador e interviu, agarrando o braço do colega e evitando que ele atingisse o golpe. “Me desculpe. Você está certo. Podem passar.”
Olhando apenas para frente, Alexander e Diogo prosseguiram.
Depois, eles começaram a revirar por todos os lados, em busca do histórico. Eles o acharam no fundo de uma gaveta na mesa pessoal de Elias. Era uma pasta preta, com dois aros de metal que seguravam as folhas detalhadas com informações de todos os subordinados que Elias possuía, categorizados por posição na facção.
“Vamos ver… aqui tem as habilidades deles classificadas e letras de ‘A +’ a ‘D-‘. Parece que Elias pensou bastante em como gerenciar o seu exército”, Alexander comentou.
“Sim. Desde que eu o conheço, ele sempre foi uma pessoa que levava seus objetivos a sério. Embora visse os meios com indiferença.”
“Então foi por isso que ele perdeu, não é? Acho que se ele tivesse levado totalmente a sério, aquele moleque teria que pensar mais.”
“Pensar mais? Não quer dizer perder?” Diogo olhou confuso para seu parceiro de missão. Ele não esperava uma afirmação de que só aumentaria a dificuldade e nada mais.
“Perder? Olha, eu não consigo ver aquele moleque perdendo tão fácil. Só de ter trabalhado com ele por um tempo, eu posso dizer que ele poderia derrubar vocês e a organização sozinho.”
“Não, não. Isso parece muita fantasia.” Diogo balançou as mãos em negação.
“Enfim, vamos procurar logo…” Alexander esperava dar continuidade ao assunto principal, mas fez uma cara de desgosto ao ver aquele monte de folhas. “Temos que procurar nisso tudo?”
“Acho que sim. Não… espere.” Diogo começou a revirar as coisas outra vez e encontrou um notebook em uma outra gaveta. “Talvez tenha uma versão digital desta lista.”
“E porque não falou antes?”
“Na verdade…” Diogo falou em voz baixa, olhando para a tela do notebook bloqueada. “Eu não faço a menor ideia de qual seja a senha.”
“Por isso sugeriu o histórico?”
“Sim.”
“Ah… fala sério. Que trabalho pé no saco.”
Sem outra escolha, os dois começaram a folhear a pasta preta. Enquanto Alexander lia as informações como o nome, velocidade, força e resistência de cada indivíduo, Diogo ia anotando aqueles com maior e menor classificação.
Depois de duas horas fazendo a mesma coisa, eles conseguiram anotar os mais importantes. Então era a hora de escolher quem eles iam utilizar para a missão.
Para diminuir o tempo que gastavam, eles escolheram alguns por eliminação. Ao todo, havia cerca de 50 homens divididos entre alta classificação de força e alta classificação de resistência e velocidade. Os parâmetros era variados demais, então isso dificultava um pouco as coisas.
Porém, após mais meia hora, eles chegaram a uma conclusão e escolheram seis pessoas. Três deles possuíam uma alta classificação em força e velocidade e os outros três tinham resistência e velocidades altas.
“Acho que dividir assim foi mesmo a melhor forma.” Diogo analisava suas escolhas.
“É necessário. Não sabemos quais serão os lutadores do time inimigo, então é melhor ter um extra, por garantia.”
“Hmm… vamos com isso, então?”
“Sim.
“Okay. Vamos entrar em contato com eles.” Diogo pegou o telefone de gancho e digitou os números necessários para efetuar uma ligação. Ele repetiu esse processo seis vezes e convocou os escolhidos.
Os premiados para participarem da missão eram, daqueles com alta classificação em força Giovanni, Maicon e Luis. Esse trio fazia parte da divisão de Diogo, portanto, não seria difícil usá-los sem precisar convencê-los. O restante era composto por Jonatas, Gabriel e Heitor. Diferente dos outros três, estes precisavam de uma breve explicação e um pouco de intimidação para não contestarem.
Quando eles chegaram ao escritório, foram atualizados com o mais importante da missão. Todos eles já haviam sido notificados anteriormente sobre o que a facção Falcão estaria fazendo, então não estranharam a ausência de Elias e a presença de Alexander.
Com o palco montado, a hora de partir chegou. Eles se reuniram e pegaram um dos carros que a facção possuía e seguiram para a zona sul da cidade.
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Eram seis da manhã e Mayck não havia pregado os olhos. Faltavam apenas quatro horas para o horário marcado com Elias. Eles iriam seguir para a zona oeste da cidade para se encontrarem com Hugo. A ideia era negociar com ele e buscar sua cooperação na luta contra a organização.
Mayck só tinha mais uma semana, então tinha que acabar com toda aquela bagunça naquele tempo. O quanto antes melhor.
Enquanto encarava o teto, Mayck refletia sobre o caso da noite anterior. Ele se perguntava se aquela garota estava bem. Aquilo havia sido um choque para ele e o motivo era simples, com toda aquela bagunça envolvendo IDs e seres sobrenaturais, o garoto tinha se esquecido completamente que esse tipo de problema entre seres humanos existia. Era quase como se ele tivesse voltado no tempo por alguns minutos.
A garota não viu seu rosto, por isso não tinha nenhuma chance de ela procurar ele. Por outro lado, Mayck viu o rosto de todas elas perfeitamente e desejava não encontrá-las nunca mais. Ele odiava intimidação e chantagem, embora algumas vezes tivesse que usar meios violentos para conseguir o que queria — era um tanto hipócrita. Contudo, ele nunca faria piada com os problemas alheios.
Se fosse necessário utilizar métodos sujos como esses, ele faria seriamente, sem se aproveitar totalmente de suas vítimas.
E quanto a brigas, ele gostaria de se manter o mais longe possível. Rixas pessoais não passavam de incômodo e perda de tempo. Era uma simples forma de alimentar o próprio ego.
Desde pequeno, ele sempre observou as pessoas e distinguia entre aquelas que ele poderia se envolver e as que deveria manter afastadas. Obviamente, ele nunca falava nada para ninguém. Se uma pessoa que ele julgou ser melhor manter longe se aproximasse dele, ele, lentamente, se afastava dela enquanto fazia com que tal pessoa esquecesse de sua existência. Essa era a forma como ele levava sua vida.
Hmm… agora que eu paro pra pensar… tem uma coisa que eu esqueci já faz um tempo.
Como se para se lembrar, Mayck pegou seu celular e abriu a galeria. No momento que o aplicativo abriu, ele se deparou com centenas de fotos aleatórias de todos os seus amigos, sendo, a maioria, de Chika e Haruki.
“Aquele dois…” Mayck fez uma cara azeda quando viu fotos suas distraído. “Vou me certificar de deixar meu celular longe deles.” Era chato demais ter que rolar por mais de cem imagens sem sentido até chegar aonde queria. Depois de alguns segundos, ele encontrou a foto que tirou do computador de Masato.
Olhando a imagem com cuidado, ele lia e relia o conteúdo delas, sem querer acreditar que Masato estivesse envolvido com pessoas como aquelas. Se Masato tinha ligação com Kihon, que trabalhava para Yang, pensar que eles tinham alguma relação não era um sonho distante.
Sem querer se achar muito importante, era claro para o garoto que ele era o ‘filho’ mencionado na mensagem e o ‘amigo importante’ era o seu pai. Além do mais, não havia como dispensar aquela ideia sendo que a palavra ‘irmão’ também estava lá. Se Masato estivesse trabalhando com a Ascension pelo seu irmão, então faria sentido.
Hana com certeza não faz ideia do que pode estar acontecendo.
Mayck conhecia a garota muito bem a ponto de dizer quando ela estava triste ou feliz apenas por olhá-la uma vez só.
No entanto, mesmo os conhecendo há tanto tempo, Mayck nunca ouviu a palavra irmão sair da boca de Masato nem de sua família. Nem ao menos Takashi já abriu a boca sobre o assunto.
Ou talvez eu tenha perdido alguma memória sobre isso…?
Mayck pensou sobre a possibilidade de ter perdido lembranças desse fato, por conta de seus problemas no passado. Essa chance era mínima, no entanto.
“Eu vou ter que investigar isso quando voltar.” Ele suspirou, ao ver que não teria descanso mesmo no fim das férias, que estavam mais para horas extra. “Agora que eu me lembrei. Eles devem estar aproveitando a viagem… que bom, hein?”
Enquanto pensava sobre isso, sem perceber, ele adormeceu e acordou desesperado, imaginando que já era muito tarde. Pegou o celular que caiu atrás de sua cabeça e viu o horário. Faltava apenas meia hora.
“Ah…” Depois de um longo suspiro, ele se levantou e foi se arrumar.
Após chegar no local marcado, Elias já estava a sua espera, impaciente, apoiado em um carro. Ele batia o pé no chão repetidas vezes e quando notou a aproximação do garoto, não hesitou em reclamar.
“Que demora, hein?”
“Foi mal. Eu acabei me distraindo”, ele desculpou-se. “Esse carro é seu?”
“Sim, ele é. Agora, entre de uma vez. Se quer fazer as coisas, ao menos faça no prazo.”
“Sim, sim. Claro.”
Só se passaram dez minutos. E qual é a sua? Tá mais apressado que eu, Mayck pensou consigo e entrou no carro.
Ao comando de Elias, o motorista deu partida e eles seguiram para a zona oeste da cidade.
Com o carro em movimento, Elias pensou que era um momento oportuno para compartilhar os planos.
“Você já sabe em como vai convencer o Hugo? Sabe que não será tão fácil, né?”
“É, eu imagino. Eu não criei plano nenhum. Vamos apenas compartilhar nossos objetivos e negociar de maneira racional.”
“Tá falando sério?”
“Tô.”
“Às vezes você parece muito metido e arrogante.”
“Já ouvi isso antes.”
“Mas eu acho que você está certo. É difícil admitir, mas Hugo é uma pessoa problemática. Tentar manipulá-lo é uma péssima ideia.”
“Por isso é melhor conhecer ele e pensar em como convencê-lo na hora. Eu vou precisar da sua influência como colega líder de região para conseguir uma reunião com ele.”
“Eu não sou mais o líder. Você me venceu, lembra?” Apesar de estar admitindo, Elias tinha uma voz amarga, como quem está fazendo o máximo para reprimir seus sentimentos.
“Eu não tenho interesse na sua região. Como falei antes, só preciso fazer isso para derrubar a organização. Depois disso, vocês podem fazer o que quiserem. Não vou mais interferir.”
“Ora, é mesmo? Então eu ainda sou o líder?”
“É. Mas não quer dizer que está acima de mim. No momento, você é meu subordinado.”
“Você sabe que eu posso simplesmente te matar agora, não é?”
“Sei. Mas você não vai fazer isso. Precisa de mim para alcançar seu objetivo também. Isso vale para os outros líderes. Eles, com toda certeza, não querem ser líderes abaixo de alguém.”
“É por isso que você acha que vai ser fácil conseguir a cooperação deles?”
“Exatamente.”
Ao ouvir aquilo, Elias pôs-se a rir. Não porque era algo tão idiota a ponto de ser engraçado, mas porque aquela era uma verdade irrefutável. Mayck estava usando os sentimentos pessoais de todos eles para conseguir um objetivo. Era como se Mayck observasse os outros e fizesse do objetivo deles o seu próprio objetivo. Algo inteligente, porém, assustador.
“E quanto ao Adriano?” Depois de se acalmar de sua crise de riso, Elias continuou. “Não vou acreditar se você disser que vai tentar convencê-lo também.”
“Então não acredite. Assim como você e os outros, ele também está atrás do topo.”
“Você pode afirmar com tanta certeza? Se estiver errado, você vai cair.”
“Eu tenho certeza. Afinal, se ele não quisesse isso, não teria se tornado um líder de região, em primeiro lugar. Me diz, por que você se tornou um líder?”
“Obviamente, porque eu queria controlar o país e fazer as pessoas sofrerem de forma magnífica.”
“É um motivo nojento, mas vamos com isso. Eu posso dizer o mesmo dele. Você falou que o objetivo do Adriano é ter uma vida sossegada, enquanto está acima dos outros. Não é difícil imaginar que ele aceitaria, de bom grado, alguém que pudesse fazer o serviço sujo para ele.”
“Está dizendo que não vai usar ele?”
“Não necessariamente. Talvez você esteja entendendo algo errado. O que eu quero não é a ajuda dos líderes, mas sua influência. Se eu tiver ela, eu posso controlar o seu exército tranquilamente.”
“Você vai ficar nos bastidores, mexendo as cordinhas dos líderes para movimentar o exército e brigar com a organização.”
“Só agora você entendeu? Se eu fosse pedir ajuda dos líderes, nós teríamos que ter uma relação diplomática e eu não quero nada assim. Eu sou só um inspetor fazendo o seu trabalho.”
“Inspetor, é?” Elias pensou um pouco sobre a metáfora, mas deixou de lado. Ainda havia outra questão. “E você acha que Diogo e seu cachorro vão conseguir lidar com Roger?”
“Me diz você. Eu confio no meu cachor.. no meu subordinado, e reconheço suas habilidades. Mas não sei quase nada sobre Diogo. Eu ficaria feliz se você me dissesse para deixar tudo nas mãos dele.”
“Bom, pelo menos eu posso afirmar que ele não é péssimo. Conseguiu esconder seu descontentamento comigo por tanto tempo, afinal. Sabe porquê eu o coloquei como meu subordinado mais fiel?”
“Hum?” Mayck olhou para ele e inclinou sua cabeça levemente, esperando a continuação.
“Porque ele tem a convicção que eu mais procurava.”
“Convicção?” Foi a vez de Mayck ouvir atentamente.
“Isso mesmo, convicção. Diferente dos meus outros subordinados, ele não começou a me seguir por causa do meu poder ou por medo da morte. Quando eu o recrutei, sabe o que ele disse? Ele falou: Eu vou mostrar pro mundo que eu sou o mais forte. Ele disse isso na minha cara.” Elias riu com a lembrança.
Mayck escutou as palavras, mas não respondeu. Ele encostou a cabeça na janela, de onde tinha uma visão da cidade passando por eles rapidamente e se perdeu em pensamentos.
Mostrar que é o mais forte… que idiota.
Com os assuntos encerrados, a viagem prosseguiu silenciosamente.
Após mais de meia hora, eles chegaram ao local de destino. Elias avisou que o lugar onde Hugo morava era uma casa grande e antiga, que ele também usava como base. Não que Elias o tivesse visitado, essa informação veio de seus espiões infiltrados na região.
Um diferencial entre os líderes, era o tamanho de seus territórios. Quanto maior sua área, maior seu poder, mas isso não se aplicava aqui. Elias possuía uma área maior que Hugo, mas ele era o mais fraco dentre os líderes.
A maior área era a zona sul, governada por Roger. Contudo, não eram todas as subprefeituras que estavam sob seus poderes. Em um acordo com a organização, eles mantinham livres ao menos três das subprefeituras, para que elas servissem de território neutro, assim como o centro de São Paulo.
Eles desceram do veículo em frente a casa e Elias ordenou ao motorista para esperar no carro até que os assuntos fossem resolvidos. Elias não percebeu, mas Mayck pode ver a cara que o motorista fez de quem sabia que teria que esperar dentro do carro no intenso calor do meio dia. Afinal, ninguém sabia quanto tempo iria durar.
Quando Mayck saiu, ele apenas avisou as pessoas de sua casa que iria sair e não sabia a que horas voltaria. Mas se precisassem de algo, deveriam mandar uma mensagem e ele voltaria imediatamente.
Ambos caminharam até o grande portão. Era um casarão antigo, mas as cores brancas das paredes pareciam passar por reformas ao menos uma vez por ano. O jardim recheado com diversas flores que vigiava a entrada era bem cuidado e a garagem parecia suportar até cinco carros.
Mayck acabou ficando admirado que, apesar de ser uma casa muito antiga, ela fora mantida em ótimas condições. Era um sinal de que os residentes prezavam por sua moradia — ou eles só queriam ostentar a casa luxuosa.
Eles foram impedidos por um vigia na entrada, mas, após Elias dizer quem era, o guarda consultou seu superior pelo rádio em seu bolso e foi dada a permissão para eles prosseguirem.
Andando por aquele corredor de pisos rústicos, o garoto se sentiu hipnotizado por aquela aura tradicional. Até o ar parecia mais puro.
Chegando a grande porta de madeira escura, eles foram barrados pelos dois guardas que vigiavam a entrada. Sem hesitar, eles logo questionaram os dois.
“Quem são vocês? Quem autorizou a entrada?”
Os dois ficaram em silêncio. Mayck olhou para Elias pelo canto do olho, se perguntando se ele não diria nada e foi isso o que aconteceu. Apesar da insistência dos guardas em obterem respostas, eles foram completamente ignorados pela dupla, o que os motivou a tentarem retirá-los de lá à força.
Entretanto, eles foram interrompidos pelas portas se abrindo e uma voz calma lhes repreendendo.
“O que estão fazendo? Deixem minhas vistas entrar.”
“A-ah, chefe. Nos perdoe. Não sabíamos quem eles eram, então tomamos cuidado”, disseram eles de forma submissa.
“Tudo bem. Fico feliz em saber que estão fazendo seu trabalho corretamente.”
“Muito obrigado, senhor.”
Mayck não sabia o que dizer. Ele deu um pequeno chute na perna de Elias, insinuando que ele deveria tratar seus subordinados daquela forma, algo que o homem chamado Falcão não gostou nem um pouco, mas se absteve de contestar.
O homem com um suéter acinzentado e uma xícara nas mãos, olhou para as pessoas que chamou de vistas e sorriu.
“Poxa, pensei que iam demorar mais. Ainda bem que chegaram bem a tempo do almoço.”
“Por que parece que você estava nos esperando?” Elias franziu uma sobrancelha.
“Não se preocupe com detalhes. Entrem, vamos nos servir”, ele falou sem tirar seu sorriso elegante do rosto.
Apesar de não ver nada de tão especial no homem, de certa forma, Mayck sentia arrepios ao ver seu olhar calmo e seu sorriso gentil. Era como se ali houvesse a máscara mais perfeita do mundo. Uma que pudesse ocultar qualquer intenção maligna existente.
Era tudo tão perfeito, desde a sua voz serena e ao mesmo tempo imponente, até o seu caminhar suave e confiante. Mayck percebeu que, com aquele homem, ele não poderia pensar tão superficialmente como fez com Elias.
É melhor eu me cuidar. Esse cara é problema.
Sem motivos para recusar e, aproveitando que eles já estavam ali, os dois aceitaram o convite e seguiram Hugo através do corredores até a sala onde seria servido o almoço.
No caminho, Mayck admirou a estrutura da residência. Por fora era impressionante, mas por dentro a história era bem mais épica. Cada peça de mármore se encaixava perfeitamente no ambiente e as cores deixavam uma imagem aconchegante, fazendo qualquer um esquecer da era moderna.
Havia também vários empregados domésticos transitando pela casa, cumprindo suas tarefas. Mayck evitava abrir a boca e dizer o quão fantasioso era aquele lugar. Ele nunca havia pensado que poderia existir um lugar daqueles na vida real.
Um homem vestido em um terno elegante abriu uma outra porta e uma sala enorme com uma mesa para oito assentos foi revelada. A mesa já estava posta. A comida era variada, desde uma bela panela de arroz branco até um frango assado no centro. Taças e garrafas de vinho tinham destaque ali.
Mayck foi convidado a se sentar e, junto com Elias, se aconchegou nas cadeiras de madeira com duas almofadas vermelhas.
Não não não. Isso não pode ser… é luxo demais. Quem é esse cara afinal?
O garoto mal aguentava manter seus pensamentos em sua cabeça. Ele estava completamente perdido. Nunca esteve em um ambiente daqueles e lhe dava ânsias estar ali. Elias tinham uma expressão indiferente em seu rosto. Talvez ele estivesse reprimindo algum tipo de aborrecimento.
Sentado na cadeira única da ponta, Hugo ordenou que fossem servidos.
Uma das serviçais se aproximou de Mayck, na intenção de encher sua taça com vinho. Mas o garoto a alertou sobre ser menor de idade e a bebida foi trocada por suco natural.
“Então você é só uma criança?” Hugo olhou para o garoto após ele rejeitar a primeira bebida.
“Às vezes, até eu me esqueço disso.”
“Hmm… Sabe, eu não me importo que você tenha entrado aqui, mas sabe que é um tanto desrespeitoso comer com uma máscara, não sabe?”
“Peço desculpas. Mas eu não quero arriscar minha identidade aqui.”
“Fufu… então senhor M é esse tipo de pessoa? Eu confesso que fiquei meio incrédulo quando Leon me falou sobre você. Eu não queria acreditar que um garoto tão jovem havia derrotado Elias”, Hugo falou com um tom sarcástico através de seu sorriso. Aquela afirmação deve ter dado uma pontada no coração de Elias, que comia ferozmente.
“Bom, eu entendo como é.” Mayck estava evitando ao máximo passar alguma informação importante antes do tempo.
Enquanto almoçavam, eles conversavam sobre vários outros assuntos, como quando ele conheceu Elias. Naquela época, Roger desafiou Elias para uma disputa calorosa de 10 minutos, se Elias aguentasse pelo menos metade daquele tempo, ele venceria. Mas esse homem não se chamava Falcão à toa. Usando suas habilidades ao máximo, ele evitava qualquer golpe de Roger e sobreviveu a dez minutos frenéticos de porrada e destruição.
Com este tópico aberto, Mayck pensou que Elias poderia ter dado muito mais trabalho caso ele tivesse levado tudo a sério. Elias não poderia subir no topo e se tornar um dos líderes sendo muito fraco. Além do mais, antes da disputa, existia uma pequena chance de Elias perder de propósito, já que seus objetivos de derrubar a organização estavam alinhados.
Após o término da refeição, veio a sobremesa. Mayck não esperava por aqueles bolos decorados e sorvetes variados. Elias comeu como se fosse da casa, sem levar em conta a possibilidade daquelas guloseimas estarem envenenadas. Mayck, por outro lado, apenas beliscou um pouco de sorvete de chocolate. Ele só queria que aquele almoço acabasse para que o que tinha de fazer fosse realizado.
Todo aquele banquete levou cerca de duas horas. Quando Mayck consultou seu celular, já era perto de uma hora da tarde. Ele pensou que as negociações começariam logo após a refeição, no entanto, Hugo afirmou que tinha alguns assuntos para serem resolvidos então eles teriam que esperar por mais algum tempo, enquanto isso, eles poderiam fazer um tour pela casa.
Sala de jogos, sala de estar, área de lazer e muitas outras coisas voltadas ao entretenimento viviam naquele lugar. Mayck estava perto de pirar, querendo sair dali imediatamente.
“Isso só pode ser uma tentativa de me desnortear e depois me destruir. Só pode ser isso.”
“Sua cabeça pifou, é?”
“Falei muito alto. Mas, fala sério, isso não é ser amigável demais com um inimigo?”
“Não caia na dele. Ele está tentando te manipular.”
“Me dá conselhos, mas foi você quem se esbanjou com aquela comida toda.” Mayck relembrou alguns minutos atrás.
“Isso não é importante. O que eu quero dizer é que ao nos oferecer uma refeição, ele nos fez dever uma a ele.”
“E mesmo sabendo disso você comeu?”
“Você também sabia e comeu.”
Mayck sentiu o peso daquelas palavras. Hugo foi bastante hospitaleiro com eles, mas era claro que ele possuía segundas intenções. Como dito antes, ninguém conseguia ler seus verdadeiros pensamentos por trás de sua elegância e gentileza. Cautela não era o suficiente para se proteger dele.
Naquele momento, o garoto começou a simular algumas situações que poderiam surgir com aquele ato. Uma delas era a possibilidade de Hugo lhes pedir algum favor em troca da refeição oferecida. Outra, era a chance de não ser nada, porém, essa era a mais irrealista de todas.
Olhando ao redor, toda a calmaria do lugar com o som da cidade movimentada ao fundo era relaxante. O garoto olhou pelo jardim, em uma área gramada, e viu, dormindo tranquilamente, um gato branco. A princípio, Mayck quis ir atormentá-lo, mas se conteve.
Alguns minutos depois, quando Elias e Mayck já haviam explorado a casa quase toda, Hugo os chamou. Ele havia terminado suas tarefas e pediu que um dos mordomos buscasse os dois e os levasse para sua sala pessoal.
Mayck não se surpreendeu com a beleza antiga do lugar. Depois de tudo o que tinha visto que pensava só ter em histórias, nada mais o surpreenderia.
“Então, o que acharam da casa e das refeições?” Hugo perguntou sentado em um sofá de couro preto, enquanto os convidava para entrar e sentar.
“Como o esperado de você. Não perde tempo em gastar com seus luxos”, Elias falou sem intenção de esconder seus sentimentos.
“Bom, é uma casa bonita, eu diria. Não tenho nenhuma reclamação acerca do almoço.”
“Ora, ora. Que bom que gostaram. Agora…” ele fez uma pausa proposital. “Eu quero que vocês façam algo por mim.”
“Como imaginei. Você é muito pilantra.”
Ambos esperavam por aquele pedido. O pedido que não poderiam recusar de jeito nenhum. Sem tirar o sorriso do rosto, Hugo continuou:
“Tem umas pessoas que me devem dinheiro. Eu gostaria de cobrá-los, mas Leon e seus homens estão de folga hoje.”
Sem muito o que explicar, Mayck e Elias respiraram fundo e deixaram a casa, com um caderno de anotações nas mãos. Esse caderno estava preenchido com nomes e endereços de dezenas de pessoas que precisavam ser cobradas. Quando questionado sobre como conseguir o dinheiro, Hugo deu de ombros e mandou que eles dessem seus próprios pulos.
“E aí? Como vamos fazer isso?” Mayck encarava os nomes no caderno e o total de suas dívidas.
“Você nunca cobrou dinheiro antes?”
“Não. Essa é minha primeira vez.”
Elias suspirou.
“Deixa eu te mostrar como se faz.”
Mayck quis contestar, mas ele não tinha escolha. Por outro lado, ele se sentiu mal por fazer trabalho de agiota. Se seu pai descobrisse…
“Onde fica a casa do mais próximo?”
“Hmm… parece que só alguns metros daqui. Ele mora na frente da loja de bijuterias, número 243.”
Eles seguiram para o local. Quando chegaram, Elias bateu na porta algumas vezes e esperou ser atendido. Um homem abriu o portão. Ele estava com a roupa toda amassada, aparentando ter acordado há poucos minutos. Quando ele abriu a boca para falar, dava para sentir o cheiro de álcool e, da sua roupa, o odor de cigarro.
“Hã? Quem são vocês?”
“Poderia me dizer onde está o dinheiro?”
“Que merda você tá falando?” O homem, de nome Jessé, fingiu não saber do que estavam falando e os expulsou, fechando a porta. Entretanto, Elias puxou a porta, o impedindo de fugir e meteu a mão em seu blazer, trazendo de volta, uma arma e colocando-a na cara do homem.
“Cadê o dinheiro?”
Apavorado, Jessé correu para dentro e voltou com um envelope estufado, contendo o dinheiro que devia para Hugo.
“Cara… sério?”
Mayck não teve reação.
Após três horas andando de um lado para o outro, eles retornaram para o casarão e reportaram o término do trabalho para Hugo, que os agradeceu gentilmente, sem mudar seu comportamento habitual.
O que mais surpreendia o garoto, era que Elias fez tudo aquilo sem reclamar de nada. O que era estranho, dada a sua posição até um dia atrás. Ser rebaixado de chefe para um cobrador não feria seu orgulho? Sendo sim ou não, Mayck não abriu a boca sobre o assunto. Em vez disso, havia algo mais importante.
Depois de terem que esperar mais meia hora com Hugo no telefone, eles finalmente conseguiram a atenção dele.
“Então, vão me dizer o que vieram fazer aqui?”
“Era o que pretendíamos desde que chegamos. Não viemos aqui para sermos seus serviçais.”
“Ora, me desculpe por isso. Eu estava precisando de mão de obra, sabe? Mas agora eu posso ouví-los. Do que precisam?”
Mayck relaxou por alguns segundos e respirou fundo.
“Okay, senhor Hugo, eu serei direto.” Ele se levantou e estendeu a mão para o líder da região oeste. “Eu quero que você trabalhe para mim.”
O silêncio se instaurou na sala. Nem mesmo Elias esperava que Mayck fosse dizer aquelas palavras. Após alguns segundos com um silêncio tenso, Hugo desatou a rir.
“O quê? Trabalhar para você? Você tá brincando?”
“Estou falando sério. E acredito que você pode se interessar quando ouvir o que tenho a dizer.”
“Caramba, que engraçado. Muito bem, deixe-me ouvir.”
Interessado, Hugo apoiou a cabeça nos dorso de suas mãos e olhou para Mayck fixamente.
“Eu acredito que você não esteja satisfeito com seu território atual. Além disso, não deve gostar de estar preso a um acordo com uma organização que não os deixa fazer nada.”
“E se eu disser que estou mais do que feliz de estar onde estou agora?”
“Você estaria mentindo.”
“Como pode afirmar isso?”
“Por que você se interessou no meu duelo com Elias?”
“Ah, isso foi porque parecia interessante. Um garoto desconhecido desafiou um líder de região… Qualquer um gostaria de saber onde isso iria dar.”
“Claro. Isso é, se fosse em circunstâncias comuns.”
“Hum?”
Mayck pôs a mão em seu bolso e tirou um pequeno aparelho, do tamanho de uma bolinha de gude, e pôs sobre a mesa de Hugo, que sorriu ao ver aquele objeto familiar.
“Por quais motivos alguém iria grampear o território alheio?”
“Você encontrou isso? Leon é muito bom em esconder coisas.” Hugo pegou o objeto e o analisou. “Mas isso é o suficiente para você me dizer que estou insatisfeito com o que tenho.”
“Por que você tentaria nos espionar e ainda dizer que estava nos esperando? Além do mais, quem é o idiota que deixa seus inimigos entrarem em sua casa sem nenhuma segurança e ainda os alimenta?”
“O que você…”
“Por acaso… queria invadir a nossa área enquanto estivéssemos fora? É uma pena pra você, mas eu já coloquei aqueles idiotas do Miguel e do Albert para trabalharem. Eles vão vigiar fortemente a região. E aqui temos dois. Você não pode fugir.”
“Fufu… Okay. Eu desisto. Você conseguiu prever até tão longe? Eu me pergunto se você é algum tipo de monstro.”
“Para sua decepção, eu sou apenas um garoto. Então, Hugo, você aceita ou não vir comigo para derrubar a organização?”
“É um pedido bem ousado. Você acha que consegue?”
“Com certeza.” A voz de Mayck não tinha um pingo de dúvida. Ela já havia chegado muito longe para se acovardar e voltar atrás. Só existia um caminho e ele era só de ida.
“Bom, muito bem. Eu vou aceitar isso. Leon, retirem-se.” Depois de apertar um botão no telefone e dizer aquelas palavras, Hugo apertou a mão de Mayck, firmando aquele trato.
Com isso, Mayck garantiu seu segundo reforço para a luta contra a organização.

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