Capítulo 85
Quando Juvelian foi embora, Mikhail, bêbado, praguejou e se ajoelhou.
(Kwang!)
No entanto, ele não teve escolha a não ser abrir os olhos diante de um rugido que despertou seu corpo do cansaço.
«O que está causando esse barulho?»
Ele tinha uma forte dor de cabeça por causa da ressaca, mas com o som contínuo e a luz, Mikhail se levantou, esfregando a cabeça de forma brusca.
Tropeçando, Mikhail abriu a porta e se dirigiu para a escada rugindo. No instante em que olhou, sentiu que sua sorte de bêbado havia acabado. O altar de mármore, que sempre esteve lá, havia se partido ao meio.
— O quê…!
Mikhail se perguntou se aquilo era real ou apenas uma ilusão causada pela embriaguez.
Então, outro rugido foi ouvido.
(Kwang!)
— Será que meus pais estão bem?
Mikhail correu para o local de onde vinha o rugido. Ao ver a porta da frente quebrada, as paredes externas do prédio e os rastros de destruição, a preocupação com seus pais disparou.
— Onde diabos eles estão…?
Nesse momento, ele ouviu uma voz suplicante vinda da sala de jantar.
— Pare! Por favor, pare agora!
Era sua mãe.
«Quem ousa fazer minha mãe implorar… Não vou deixar isso passar.»
Com ressentimento, Mikhail abriu a porta da sala de jantar e arregalou os olhos.
— Sim, senhor Duque. Por favor, acalme sua ira.
Porque, ao contrário de seus pais, que rezavam de joelhos, suas irmãs mais velhas e os servos estavam aterrorizados, enquanto um homem estava de pé com elegância.
— Você…
O homem virou a cabeça ao ouvir a voz de Mikhail. Ele parecia calmo, mas no fundo de seus olhos azuis, a ira transbordava.
— Mikhail Albert Hessen.
Quando seu nome foi pronunciado, Mikhail estremeceu e disse…
— Querido Duque de Floyen, faz muito tempo.
Normalmente, ele não teria permissão para levantar a cabeça, mas o Duque de Floyen apenas ficou em silêncio.
«Será que Juvelian falou sobre o que aconteceu?»
Suando frio, Mikhail pensou que estava seguro, já que não tinha feito nada demais. Nesse momento, ouviu a voz fria do Duque de Floyen.
— Seus pais estão de joelhos, mas ainda se acham orgulhosos.
Mikhail engoliu seco ao ouvir aquele som frio. Ele percebeu, sem levantar a cabeça, que olhava para o Duque de Floyen com esperança. Logo, o Duque falou friamente.
— Marquês de Hessen, você alguma vez foi sarcástico? Você é um fiscal que conhecia bem os tempos.
Foi algo que eu disse numa festa particular de bebidas, mas o fato de que o Duque sabia disso foi um choque.
— Bom, é isso! Não sei onde você ouviu isso, mas é uma pena!
O Marquês de Hessen negou urgentemente, mas o Duque manteve um olhar cínico e virou-se para o outro lado.
— Não, você está certo. Eu continuo reprimindo a vontade de me matar.
Aquelas palavras frias fizeram todo o Marquês ficar rígido. Isso porque ele acabara de destruir a mansão com as próprias mãos.
«Se um monstro como esse está determinado a nos matar… Tenho certeza de que seremos exterminados!»
Todos os membros da família Hessen estavam aterrorizados, mas o Duque continuou falando sem se importar.
— Durante esse tempo, eu sabia como o Marquês tratava minha filha, e a razão pela qual eu permiti isso é porque era algo que Juvelian queria.
Nesse momento, o Duque apertou o punho e bateu na longa mesa.
A mesa do Marquês tremeu ao ver a mesa se partir com um forte estrondo.
— Mas você continua mexendo com minha filha, e isso eu não posso tolerar.
Mikhail abaixou a cabeça ao ouvir o som de gotejamento. Ele temia ser machucado se fizesse contato visual. Nesse momento, o Duque falou com um tom duro.
— Esta é a última advertência. Não toque mais na minha filha. Da próxima vez, não vou poupar sua casa.
O Duque, que havia terminado de falar, se afastou calmamente do Marquês. Mesmo após a partida do Duque de Floyen, os descendentes do Marquês não conseguiam levantar a cabeça, exceto um.
— Desistir dela assim?
Juvelian passou pela mente de Mikhail.
Ela era uma mulher que sempre o olhava com um rosto sedento.
— Mikhail, eu gosto de você.
A pele branca como a neve, o cabelo prateado e limpo, os lábios vermelhos e o sorriso doce deveriam pertencer a ele, e agora diziam que ele deveria desistir.
«Ha, ha, ha! Com que direito!»
Mikhail olhou para o chão com os olhos vermelhos e injetados de sangue e cerrou os punhos.
— Mikhail, o que diabos está acontecendo com você?
A esposa do Marquês estava chorando, mas Mikhail continuou socando o chão, sem se importar com o que acontecia ao seu redor.
— Por favor, pare, irmão!
Giselle gritou, mas Mikhail fingiu não ouvir. Finalmente, o Marquês de Hessen se adiantou.
— Sei que é irritante, mas você acabou de ver. Ele é um homem que sabe o que eu disse sob a influência do álcool. Não podemos fazer nada além de aguentar.
Enquanto a dor crescia cada vez mais, Mikhail avançava como um touro.
Era patético, meu segundo em comando, e meu pai, que era apenas um segundo em comando, minha mãe e minha irmã, que foram cruéis com Juvelian. E eu, que tive que me curvar impotente. Mikhail voltou a socar o chão. O punho ensanguentado já não doía.
— Vou destruir o Duque de Floyen.
Mikhail abriu a boca, olhando para o Marquês de Hessen, consternado.
— E eu vou recuperar o que é meu.
Regis, que voltou para a mansão, olhou ao redor.
«Max deve ter cuidado de tudo.»
Por um momento, esses pensamentos passaram enquanto ele entrava no quarto de sua filha sem deixar rastros.
«Ela está dormindo?»
Fazendo um forte ruído com isso.
«Ei, você está rangendo os dentes…»
Nesse momento, Juvelian murmurou um pouco.
— Mikhail, você me incomodou… Vou te matar.
Regis pensou com um leve sorriso.
— Papai!
Quando ela estendeu a mão como um filhote de samambaia, ele a abraçou suavemente, pensando que ela se quebraria. Embora a jovem figura ainda fosse vívida, sua filha estava prestes a chegar à idade adulta.
— Quando você cresceu assim?
No dia em que voltou da batalha, sofreu pesadelos e insônia.
— Lua, por favor, aqueça meu papai para que ele não tenha pesadelos.
Mas a canção de ninar que ela cantou com a voz jovem permitiu que Regis adormecesse.
«Ela se tornou meu refúgio sem nem perceber.»
Enquanto olhava para Juvelian com olhos dolorosos, Regis murmurou em voz baixa enquanto arrumava o cabelo desordenado de sua filha.
— Então eu posso fazer qualquer coisa por você.
Desligando a vagueza que existia dentro de si, Regis tentou se virar. Nesse momento, ela segurou seu pulso.
— Não vá.
Juvelian murmurou novamente, enquanto Regis se assustava com a voz suave.
— Papai, não… Não vá.
Regis pensou com um sorriso amargo enquanto se apressava em atender a Juvelian.
«Você disse isso sem estar consciente…»
Você sabe que eu vou e volto do céu ao inferno com uma única palavra sua?
Não quero que você se lembre daquela vez, mas, por outro lado, sou um pai feio e ganancioso que quer que você venha até mim sem hesitar.
Regis lentamente soltou a mão, incapaz de pronunciar as palavras que estavam em sua boca.
«Sim, isso é por você.»
Convença-se assim.
— Juvel.
Vi meu pai abrir os braços para mim. Corri para seus braços, rindo de empolgação pelo que eu gostava e então soltei um título assustador para chamá-lo.
— Papai!
Era ridículo, mas subi nos ombros do meu pai, gritando…
— Arre, arre!
Não sei se era meu pai, com quem eu costumava me divertir, mas acho que estava feliz. Logo, a tela piscou em vermelho e a cena mudou. Eu, que era corajosa, fui embora, e chorava de medo.
— Não! Não venha! Estou com medo!
O homem que eu rejeitava veementemente, surpreendentemente, era meu pai. O mais surpreendente é que ele me olhava com um rosto ferido, como se não fosse escapar mesmo que eu cravasse uma agulha nele.
— Desculpe.
Quando ele terminou de falar, forçou um sorriso e virou as costas.
«Não, não é isso que eu queria dizer. Não vá. Não vá.»
Só então percebi que havia cometido um erro e tentei seguir seus passos, mas meu corpo não respondia e ele se afastava cada vez mais.
«Não, papai, não vá!»
Foi assim que perdi a consciência.
—
— Oh?
Minha cabeça doía de forma estranha assim que abri os olhos e as lágrimas corriam pelo meu rosto.
— Por que estou chorando?
Se eu estava chorando assim, devia ter tido um sonho, mas estranhamente não me lembrava do conteúdo.
«A propósito, acho que hoje acordei mais cedo do que o habitual.»
O amanhecer ainda era tênue no céu azulado. Deveria voltar a dormir? Isso é um pouco…
«Não, às vezes é bom ser uma pessoa madrugadora.»
Assim que me levantei, apertei as mãos e as estiquei para frente. Naquele momento, tive uma sensação estranha de deja vu e, inconscientemente, olhei para minha mão. Quando a luz se filtrou através do esticar das minhas mãos, abri a janela, que lentamente atraía minha mão para baixo.
«O ar fresco do amanhecer.»
A confissão de Max ontem, e a do meu pai. Muitas coisas aconteceram de repente, mas me perguntava se algo mais aconteceria hoje.
Assim começou um novo dia.
—
O Imperador, que ouviu o relatório do Conde Pyrex, líder da Família Real, estava com uma expressão de fúria e desesperança.
— Você está dizendo que aqueles que foram designados para vigiar o Duque de Floyen não vão voltar?
— Sim, exatamente.
— Foi o Duque de Floyen que cuidou deles?
Diante da pergunta do Imperador, o capitão da guarnição respondeu balançando a cabeça negativamente.
— O contato se perdeu ontem depois que o Duque de Floyen informou que havia saído.
— E a família de cavaleiros Floyen?
— Dizem que os melhores não saíram de suas casas.
Se alguém pode vencer todos os informantes que a maioria dos melhores nem conhece, terá que ser, no mínimo, um fiscal de primeira. O Imperador distorceu o rosto.
«Droga, quem diabos fez isso? Talvez ele não esteja aliado a outras forças, certo?»
Nesse momento, cercado de impaciência, a porta do gabinete se abriu bruscamente.
— Pai, bom dia!
Ainda assim, no meio da confusão, o Imperador afundou a expressão ao ver seu filho entrar de repente.
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