Capítulo 04
Fidelis levantou a criança deitada e sacudiu a poeira de seu corpo, uma janela translúcida flutuou para o lado.
「Nome: Russell」
A janela, que tinha apenas um nome simples, desapareceu. Fidelis olhou para Russell, que estava soluçando.
─ Por que você está aqui, está perdido?
─ E-eu não sei, eu acordei e não consegui encontrá-la! Mãe!
A temperatura quente da criança a levou quase às lágrimas. Não fazia muito tempo, mas foi a primeira temperatura corporal de uma pessoa que ela sentiu em muito tempo.
Fidelis abraçou Russell com força, sem perceber.
Uma sensação de alívio tomou conta dela enquanto abraçava o garotinho a ponto de a ponta do nariz dele quase formigar. Com um pequeno suspiro, ela deu um tapinha nas costas de Russell e tentou abraça-lo com mais força, mas parou quando viu o tornozelo do garoto. O tornozelo de Russell estava esfolado, como se alguém o tivesse roído.
“Não acho que tenha sido…”
Sua espinha ficou fria. No momento em que ela percebeu isso, um som intermitente começou a tocar atrás dela.
Chuck, Chuck, Chuck.
Fidelis não queria olhar para trás, mas tinha que olhar. Não havia nenhuma chance de ser outra vítima.
Falando francamente, a melhor maneira de sobreviver era fugir com Russell, mas e se fosse outra pessoa que eles estivessem comendo?
Fidelis, segurando Russell firmemente em seus braços, levantou-se com a criança, virou-se e olhou para trás. Uma estranha criatura estava rastejando pelo chão e se aproximando lentamente dela, arranhando o braço com os dentes.
Fidelis, vendo aquilo, apertou os braços com força, e Russell, que também tinha visto aquilo, parou de chorar, prendendo a respiração.
As palmas de suas mãos já estavam úmidas de suor, e o suor frio que já havia parado começou a molhar seu corpo novamente. Segurou a respiração o máximo que pôde.
E começou a se afastar lentamente, sem tirar os olhos da estranha criatura. Felizmente, ela não parecia interessada neles.
Quando ela tentou virar o rosto para olhar para trás, um zumbido repentino a deteve. Fidelis e Russell ficaram rígidos.
A estranha criatura estava de pé, com os ossos desalinhados, uma fina camada de sangue escorrendo pelo corpo, como se estivesse sufocando no ar pesado.
─ …
Ela mordeu os lábios a ponto de sangrar, e a estranha criatura, como se isso fosse um sinal, correu em um ritmo incomum em direção a eles. Fidelis gritou, com a garganta rasgada.
─ Aaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Quando o grito alto foi ouvido, o monstro que corria gritou de uma maneira estranha e depois caiu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ[ Viva! ]ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ
─ Ah, ah, o quê, o quê, o quê?
Respirando pesadamente, Fidelis e Russell olharam nos olhos um do outro e encararam a misteriosa criatura que parecia ter morrido. Então, uma voz familiar penetrou no ouvido de Fidelis mais uma vez.
「Você adquiriu a habilidade rugido de leão. 」
“… sério?”
Ela apenas olhou para a criatura misteriosa com um rosto intrigado, respirando pesadamente.
─ Oh, irmã, o que você fez?
─ Bem, o-o?
— O quê?
Russell inclinou o rosto e Fidelis apenas sorriu levemente, deu-lhe um tapinha nas costas e tratou de sair da sala.
Como ela poderia dizer que obteve a habilidade “Rugido do Leão” depois de gritar uma vez? Aparentemente, a janela que apresentava a <A Mansão dos Mortos> dizia que a habilidade só se aplicava a ela. Ela pensou que seria melhor não dizer isso a menos que pudesse entender.
“Mas é uma habilidade realmente aleatória”.
Enquanto pensava nisso, Fidelis de repente se lembrou de seu irmão explicando o jogo para ela.
‘Haverá uma habilidade em que você possa transformar os outros em ferro, seria divertido transformar cabeças em lata?’
Então seu irmão mais novo riu. Talvez essa habilidade fosse uma dessas habilidades para você se divertir. Fidelis agarrou Russell e se escondeu embaixo da escada. Seria um grande problema se os fantasmas se reunissem por causa dos gritos altos.
Era o único lugar que considerava seguro, tentou colocar a lanterna e Russell no chão para que pudesse rasgar o pijama, mas não foi tão fácil quanto ela pensava.
─ Ugh.
Como as roupas não se rasgavam facilmente como na TV, o garoto pegou uma tábua de madeira afiada.
─ Ah, obrigada.
Ela apertou a calça e a rasgou no meio. Fidelis enrolou o tecido rasgado de sua calça no tornozelo do garoto.
Um lado de sua calça ficou assimétrico e desagradável, mas não se importou. Fidelis, que exalou um leve suspiro, olhou para Russell, que parecia nervoso.
O garoto, que não sabia onde estava, estava muito nervoso com a situação, mas estava mais calmo do que o esperado. Fidelis deu um tapinha na cabeça do garotinho e decidiu levar Russell.
Fidelis não podia nem pensar em deixar uma criança sozinha. Acima de tudo, ela estava desesperada para ter alguém por perto, não se importava que fosse uma criança pequena.
“Não, espere um pouco.”
Fidelis olhou para Russell de uma forma estranha.
“A ‘proteção’ no jogo não era um evento para Russell? Eu pensei que tinha que proteger a criança, eu tinha que fazer mais alguma coisa?”
Ela se perguntou por que ainda não tinha ouvido a voz da máquina dizendo que ela tinha concluído o evento.
“O significado de proteção no jogo será diferente do que eu conheço?”
Ela franziu ligeiramente a testa porque, se não conseguisse concluir o evento, não conseguiria descer as escadas.
“E se houvesse mais alguém para proteger?”
Ela conteve um suspiro, não havia nada de bom em soltar um suspiro na frente do garoto, mas parou de franzir a testa e sorriu levemente.
─ Você gostaria que eu te levasse por enquanto?
Ela não podia deixar o garoto cuja perna estava machucada andar.
— Ah, mas ….
Russell estava preocupado com as costas estreitas de Fidelis, apesar de ela ser muito mais velha do que ele, mas ela parecia tão frágil que parecia precisar de mais ajuda do que ele.
— Eu sou forte, mesmo que pareça frágil. Consegui carregar você antes.
— Oh.
Mesmo assim, Russell hesitou, Fidelis levantou o garoto e o colocou na frente dela.
— Assim é melhor, desse jeito você cuida de mim. Vou olhar para frente.
— Sim, sim!
— Bem!
“Vamos lá!”
Fidelis segurou o garoto e a lanterna em uma mão. Não era o mais confortável, mas ter um companheiro a fazia se sentir mais relaxada.
“Além disso, eu tenho a habilidade do rugido do leão.”
Era uma habilidade estranha que ela adquiriu em um piscar de olhos, mas a ideia do monstro que caiu na sala por causa de seu grito deu a Fidelis um pouco de paz de espírito.
Ela sentiu que tinha mais motivação para continuar explorando, já que tinha a habilidade do rugido do leão, que poderia protege-la. Além disso, ela tinha Russell ao seu lado.
Como eles não podiam descer as escadas, ela decidiu dar uma olhada no andar atual. Ela agarrou a maçaneta de uma porta, pensando que poderia encontrar alguns sapatos, e dessa vez a porta se abriu facilmente.
Bip…
Ela abriu a porta com cuidado, a luz da lua refletiu nos olhos de Fidelis, fazendo-a franzir a testa, viu as inúmeras facas no teto penduradas de forma ameaçadora.
Ela fechou a porta sem hesitar.
— Isso é impossível.
“É, eu não vou entrar aí.”
Fidelis assentiu e se virou para fingir estar calma, mas as lágrimas em seus olhos eram visíveis.
— Oh, espere um minuto, irmã!
— O quê?
Fidelis fez uma pausa, Russell apontou para seus pés feridos.
— Seus pés estão bem?
— Não se preocupe, estou bem.
— Bem, acho que havia alguns sapatos no quarto que você abriu antes.
Quando Russell murmurou baixinho, Fidelis acenou com a cabeça. Ela também os viu. Mas preferiu não entrar.
— É melhor cortar seus pés do que cortar todo o seu corpo.
De qualquer forma, a segunda opção era a pior. Ela sorriu levemente com a ideia.
— É muito perigoso ir procurar os sapatos, mas obrigada por você ter me avisado.
Olhou para Russell em sinal de aprovação, o garoto fez uma reverência e acenou levemente com a cabeça. As orelhas de Russell ficaram levemente coradas.
Golpe, golpe, golpe, golpe, golpe, golpe.
─ …?
Houve um som abafado de passos soando no chão, Russell exclamou com urgência enquanto Fidelis parava para ouvir o som de alguém correndo.
— Corra!
Ela não perguntou por quê. Ela simplesmente agarrou Russell com força e começou a correr a toda velocidade. Ela estava respirando com dificuldade e achou que seu cérebro estava ficando sem oxigênio, virou a esquina e olhou para trás.
Um homem, usando uma grande máscara de urso, estava perseguindo-os com uma serra em uma das mãos.
As roupas e a máscara de urso eram marrons e estavam cobertas de sangue grosso, e a serra estava coberta de carne e sangue.
Quando Fidelis mudou de direção, ela bateu seu corpo pesado contra a parede, incapaz de resistir ao seu próprio peso e velocidade. O urso1 se levantou, aparentemente nervoso, e correu em direção a Fidelis a toda velocidade.
O rosto de Fidelis ficou branco. Ela começou a correr, fingindo não saber que suas pernas estavam fraquejando e que ela estava ficando sem fôlego.
Um aviso soou à sua frente, sua resistência já estava se esgotando, mas a grande serra os cortaria até os ossos assim que parasse.
Apesar do perigo, Fidelis deu um tapinha nas costas de Russell e disse repetidamente:
— Está tudo bem, está tudo bem.
Tentando tranquilizar o garoto.
Ela correu e correu com os pés descalços e ensanguentados, mas seus esforços foram em vão, a serra estava cada vez mais perto.
A barra de sangue tremeluzia a 0% na frente dela. Ela se segurou com os dentes cerrados, embora estivesse prestes a cair.
— Por favor, por favor.
Fidelis mordeu o lábio e implorou várias vezes.
— Oh, irmã!
O som do chamado assustado fez com que Fidelis arrastasse a cabeça de Russell em seus braços e caísse contra a parede.
O homem usando a máscara de urso seguiu com passos ameaçadores atrás deles e balançou a serra em direção a Fidelis. Naquele momento, ela cedeu repentinamente, incapaz de manter o equilíbrio, fazendo com que o homem com máscara de urso caísse escada abaixo.
Foi apenas sorte, mas Fidelis sacudiu os ombros e tremeu. Talvez fosse por causa do aviso e da corrida, mas todo o seu corpo latejava, seus pulmões doíam e suas pernas doíam como se alguém as tivesse quebrado.
Se era um assassino ou um fantasma comum, não importava. Era simplesmente assustador. Mesmo que fosse um jogo com um clichê representativo de um filme de terror, Fidelis morria de medo quando se deparava com eles.
Mesmo que não tentasse reconhecer essa situação irreal, ela se sentia estrangulada pela constante sensação de desespero. A falta de oxigênio a deixava tonta.
─ … irmã.
Escutou um chamado fraco, mas ela estava atordoada. Não conseguia ouvir nenhuma palavra, nem mesmo perto dela. Ela ofegou.
“Por que, por que eles estão fazendo isso…?”
Russell deu um tapinha na bochecha de Fidelis quando seus olhos distraídos estavam prestes a se fechar.
— Irmã! Irmã! Acorde!
— Ah…
Só então sua concentração voltou gradualmente. Vendo Russell através de suas pupilas trêmulas, Fidelis abraçou o garoto com suas mãos trêmulas.
— Você está machucado em algum lugar?
— Sim, sim, você me protegeu. Obrigado.
— Tudo bem, tudo bem, vamos sair daqui.
Ia se levantar rapidamente, mas suas pernas não tinham força suficiente para ficar de pé, então ela caiu.
- no sentido de ser enorme[↩]

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