Capítulo 793 - Morora
Ao ouvir os sons vindos de trás da porta, os rostos de todos os criminosos mudaram, exceto o de Lumian.
Guei perguntou abruptamente: — O que tem atrás da porta?
“O exílio poderia significar, na verdade, ser enviado a algum monstro para ser seu alimento?”
— Atrás da porta há um caminho que leva ao seu lugar de exílio — a bela mulher com o rosto oval respondeu simplesmente. — Não há monstros esperando para comê-lo, mas é realmente perigoso. Não sei os detalhes, mas definitivamente há uma chance de você sobreviver. É muito melhor do que ser enforcado ou baleado.
Guei, Lez e os outros trocaram olhares, então olharam para a clériga em vestes brancas enfeitadas com latão. Eles ficaram tentados, mas eventualmente suprimiram seu desejo. Eles acreditavam que não eram páreo para o clero da Igreja do Conhecimento, especialmente para a bela mulher que claramente tinha um status mais elevado.
Guei olhou para Lumian e viu que o criminoso procurado, que alegava ter cometido vários crimes graves, parecia calmo e destemido.
— Eu abrirei a porta em um momento. Vocês entrarão por conta própria. Qualquer um que ficar para trás terá uma acusação adicional marcada e será sentenciado à morte na hora — disse a bela mulher, levantando as mãos. Em seus olhos azuis claros, inúmeras luzes ilusórias pareciam flutuar.
Uma chuva escura e fraca caía silenciosamente de uma altura de cerca de quatro metros, encharcando Lumian e os outros. Lumian imediatamente se sentiu irritado, uma onda de emoções violentas surgiu dentro dele.
Parecia que o sangue de Omebella estava fervendo.
— O que você fez conosco? — Guei perguntou, inseguro e alarmado.
A bela mulher de casaco bege com detalhes em latão explicou em tom didático:
— Esta é uma técnica mística chamada ‘Chuva de Harpas da Esterilidade’. Ela torna você infértil, mas pode ser revertida com a técnica mística correspondente ou por um médico profissional.
— Não queremos que bebês nasçam no local do exílio. Eles são inocentes.
“Chuva de Esterilidade… Não é de se espantar que o sangue de Omebella tenha reagido tão fortemente… Eu me pergunto se essa técnica secreta vai me afetar ou se as propriedades especiais da linhagem de Omebella vão neutralizá-la… Se funcionar, impediria que embriões se implantassem se eu fosse influenciado pela Grande Mãe no futuro? Provavelmente depende do nível da influência…” Lumian pensou que a Chuva de Esterilidade poderia não ser uma coisa ruim.
Os outros infratores sérios também não viam isso como um problema. Alguns já tinham filhos, enquanto outros eram muito frios ou pervertidos para pensar muito sobre descendentes. A bela mulher deu alguns passos para trás, olhou para as portas de bronze e levantou as mãos no ar. As portas emitiram um som metálico e pesado e se abriram lentamente.
Por alguma razão, Guei e os outros sentiram uma vontade enorme de atravessar as portas e entrar na passagem escura além delas. Eles não perceberam que, com exceção da bela mulher, o clero da Igreja do Conhecimento havia recuado para a beira do corredor, ficando nos degraus quando as portas se abriram.
Lumian sentiu o mesmo desejo, sentindo algo familiar, mas desconhecido, chamando-o das profundezas da passagem. Ele caminhou no meio do grupo, ouvindo o barulho das portas se fechando atrás deles. A passagem escureceu significativamente, iluminada apenas por pedras preciosas brilhantes incrustadas nas paredes.
“Que extravagante…” Lumian pensou instintivamente.
Guei olhou ao redor e sussurrou: — Devemos ficar aqui e esperar até que haja menos guardas lá fora, e então encontrar uma maneira de escapar?
— Você acha que os exilados antes de nós não pensaram nisso? — Vijepan zombou. — E ainda estamos acorrentados. Como escapamos?
Lumian observou friamente, notando que Guei conseguia resistir um pouco à vontade de fugir enquanto os outros criminosos encontravam desculpas para rejeitar sua sugestão.
Depois de discutirem por dois ou três minutos, Lumian perguntou casualmente: — Temos comida? E se os guardas só tiverem uma folga a cada poucos dias?
Sem esperar que Guei respondesse, Lumian continuou: — Na verdade, há comida. Cada um de vocês é comida.
Ele se virou para Lez, o chef canibal, e perguntou com um sorriso: — Como você nos prepararia?
— Adequado para ensopado e conserva. Você precisa dos temperos certos para evitar que o sabor fique azedo — Lez respondeu, seu rosto se iluminando.
Guei ficou em silêncio por alguns segundos, então, algemado e acorrentado, começou a andar lentamente pela passagem. Lumian seguiu no mesmo ritmo. Eles caminharam pelo que pareceram sete ou oito horas, embora Lumian suspeitasse que sua noção de tempo estivesse distorcida.
Durante esse tempo, ninguém escolheu parar. Parecia que eles estavam indo não para uma Cidade de Exilados, mas para uma Terra de Esperança.
Eles frequentemente ouviam os sons aterrorizantes indescritíveis, levando o chef canibal, Lez, a comentar: — É como se estivéssemos andando pelo longo esôfago de um monstro, indo em direção ao seu estômago. Os sons são seus movimentos digestivos.
Lumian concordou, enquanto os outros sentiam os cabelos em pé. Finalmente, eles viram degraus de pedra que levavam para cima. Isso parecia significar que o fim estava próximo.
Subindo os degraus e empurrando uma pesada porta de madeira, Lumian e os outros ficaram momentaneamente cegos pela luz brilhante do sol, fazendo-os fechar os olhos instintivamente. Os sons indescritíveis e arrepiantes cessaram.
Quase simultaneamente, uma voz gentil disse: — Bem-vindos à Cidade dos Exilados, Morora.
“Exatamente como eu pensava…” Lumian suspirou silenciosamente, abriu os olhos e olhou ao redor.
Eles estavam em um grande salão de orações de uma catedral. A luz do sol entrava pelos vitrais, criando uma cena sagrada e radiante. As paredes sem janelas eram adornadas com murais retratando histórias míticas, enquanto abaixo havia estantes de bronze cheias de vários livros e pergaminhos.
Parecia mais uma biblioteca do que uma igreja.
O dono da voz era um velho com uma túnica branca enfeitada com latão. Ele estava na casa dos sessenta ou setenta anos, com cabelos grisalhos, olhos âmbar gentis e claros, e nenhum traço de nebulosidade. Ele segurava um livro grosso na mão esquerda, um erudito-clérigo padrão da Igreja do Conhecimento.
Mas Lumian sentia que não era uma pessoa real, suspeitando que era um fantoche especialmente criado.
— Morora? Este lugar se chama Morora? — Guei perguntou curiosamente, abrindo os olhos.
O velho assentiu. — Eu sou Heraberg, responsável por todos os assuntos teológicos em Morora.
Enquanto falava, ele estendeu a mão direita, apontando para Lumian e os outros. As algemas, grilhões e correntes em suas clavículas amoleceram instantaneamente, como se fossem feitas de lama. Com um estrondo, caíram dos corpos dos criminosos, atingindo o chão de pedra cinza e branco com baques metálicos.
Os corações dos criminosos afundaram, abandonando quaisquer pensamentos ruins. Heraberg entregou o livro grosso e uma caneta com estojo de latão.
— Registrem seus nomes. Isso significa seu status oficial como residentes de Morora.
Lumian obedeceu, pegou o livro e escreveu — Louis.
O próximo foi Guei. Ele pegou o livro e a caneta e perguntou timidamente a Heraberg: — Como você sabe que estamos escrevendo nossos nomes verdadeiros?
Heraberg respondeu calmamente: — O passado não é importante. Em Morora, o presente e o futuro importam.
Guei refletiu por um tempo, inseguro sobre o significado das palavras do clérigo Heraberg. Considerando que a Igreja do Conhecimento poderia trocar informações via telegrama, ele não usou um nome falso, mas escreveu seu nome verdadeiro honestamente.
Depois que todos os infratores sérios terminaram de se registrar, Heraberg olhou para eles e disse: — Vocês devem seguir as regras aqui. A maioria das leis são as mesmas de outras cidades em Lenburg, mas o duelo é legal se ambas as partes concordarem. Protestos não violentos também são permitidos. Temos uma equipe dedicada para manter a ordem em Morora.
A lésbica de meia-idade e aparência honesta perguntou: — Podemos nos juntar à equipe de fiscalização?
— A equipe de fiscalização é composta inteiramente por pessoal experimental, — Heraberg respondeu calorosamente.
Guei perguntou: — Como nos tornamos pessoal experimental?
Vijepan perguntou severamente: — O que acontece se infringirmos a lei aqui? Prisão ou pena de morte?
Heraberg sorriu.
— A pior punição por infringir a lei aqui é se tornar um funcionário experimental.
— Isso não nos tornaria executores? — Guei ficou atordoado.
“Isso não nos encoraja a infringir a lei?”
Lumian lembrou que o termo “pessoal experimental” aparecia com frequência nas informações seladas 0-01. Só por isso, ele percebeu que se tornar um experimental definitivamente não era uma coisa boa.
A expressão de Heraberg permaneceu inalterada.
— Sim, mas lembre-se, além dos supervisores da igreja, pelo menos dois funcionários experimentais são descartados diariamente.
“Descartados…” Guei e os outros acharam esse termo estranhamente assustador.
— Quantas pessoas há em Morora agora? — Lumian fez uma pergunta peculiar.
Heraberg respondeu com um sorriso: — Quase 200.000. A cidade tem fazendas, minas e fábricas ao redor, tudo parte de Morora.
— Quase 200.000? Lenburg tem tantos criminosos assim?
Lumian ficou um pouco surpreso.
Heraberg explicou profissionalmente: — Isso se acumulou ao longo de gerações, e também gastamos dinheiro para importar criminosos do exterior.
“Importar… parece importar talentos…” Lumian ponderou por alguns segundos, sem pressa de cometer um crime, planejando se candidatar para se tornar pessoal experimental, na esperança de chegar perto do artefato selado 0-01.
Ele se despediu de Heraberg e seguiu em direção à saída da catedral, que parecia uma biblioteca, pretendendo primeiro encontrar as duas partes da Mão Abscessada.

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