Capítulo 440 - Conclusão desesperada.
Suor seco escorreu por sua têmpora, mas Morwyna ainda permanecia confiante de sua vitória, mesmo que agora suas chamas não conseguissem desfazer as sombras da princesa.
Flexionando os joelhos, Morwyna avançou com suas espadas de fogo e gelo, mas Rogdruth estava pronta.
Ela desferiu um golpe com sua espada sombria, e apenas o vento gerado pelo movimento foi suficiente para cortar a parede de cristais ao redor, deixando um rastro de destruição.
Braaam!
Morwyna tentou bloquear a onda de choque, mas a força de Rogdruth era avassaladora. Ela foi arremessada para trás, batendo contra a parede com um impacto brutal.
Crunch!
Com agilidade acrobática, Morwyna recuperou-se rapidamente e voltou à luta, suas espadas brilhando.
— Vai continuar repetindo essas técnicas, garota? Isso não funcionará!
A Elfa atacou com precisão, mas Rogdruth parecia invencível em sua armadura de sombras.
Cada golpe de Morwyna era bloqueado com facilidade, e cada contragolpe de Rogdruth era devastador.
Morwyna estava sendo empurrada para trás, suas defesas falhando contra a fúria de sua oponente, deixando cortes em sua pele.
Rogdruth atacou novamente, e desta vez, Morwyna sentiu a lâmina sombria cortar sua carne com violência, deixando uma ferida profunda em seu braço.
Swin!
Ela recuou, ofegante e com dor, mas determinada a não desistir.
“Calma, Morwyna… e daí que ela ficou mais forte e mais rápida… ainda consigo ganhar, mas… eu não consigo me curar, e meus cortes não param de sangrar… se eu não terminar isso nos próximos cinco minutos, irei perder!”
Com um olhar decidido, Morwyna concentrou sua mana e começou a transformar o chão de pedra em lava, seu nariz, olhos e orelhas sangrando sem parar.
O calor intenso encheu a câmara, e o chão tornou-se um mar fervente de lava brilhante.
A lava não afetava Morwyna, mas Rogdruth foi pega de surpresa. Ela gritou de dor quando a lava tocou sua pele, queimando-a e derretendo parte das sombras.
Usando magia sombria, Rogdruth começou a se regenerar, mas Morwyna não lhe deu tempo para se recuperar. Seus ataques de fogo tornaram-se mais poderosos, as chamas intensificando-se com a proximidade da lava.
Chsss!
Tentou acertá-la com a espada de fogo, mas Rogdruth esquivou-se num salto.
— Você não vai vencer! — berrou Morwyna, sua voz firme e resoluta. — Não deixarei que alcance o senhor Colin!
Rogdruth rugiu de raiva e lançou-se para frente, sua espada sombria cortando o ar.
Swin!
Morwyna desviou-se com agilidade, suas espadas de fogo e gelo brilhando enquanto ela atacava, ainda mais furiosa.
Ting! Ting! Ting!
A luta continuou, um espetáculo brutal. Cada golpe era feroz, cada movimento preciso, mas Morwyna estava ganhando terreno.
Rogdruth tentou usar suas sombras para prender Morwyna, mas a elfa estava pronta. Ela desferiu um golpe com a espada de fogo, dissipando as sombras e forçando Rogdruth a recuar.
Com um movimento rápido, a Elfa girou e atacou com a espada de gelo, cortando profundamente a perna de Rogdruth.
Swin!
A sombra ao redor da ferida desapareceu, deixando a carne exposta.
— Sua desgraçada! — gritou Rogdruth, sua voz cheia de raiva.
Morwyna não respondeu. Ela concentrou boa parte de sua mana restante, um círculo mágico abriu-se debaixo de Rogdruth, e fora conjurado um tornado de chamas ao redor dela.
Chssssss!
O calor era insuportável, as chamas queimando com uma intensidade mais que feroz. Rogdruth gritou de dor, suas sombras finalmente se dissipando sob o poder do fogo.
“Essa habilidade não é de um usuário da flama comum, ela também consegue usar gelo muito bem, é raro encontrar usuários tão habilidosos em duas árvores de suas tríades.”
— Eu não irei perder! — bradou a poderosa Rogdruth.
Em meio a intensidade do poder avassalador, ela vestiu as sombras mais uma vez, seu corpo inteiro e espada envoltos em escuridão, criando uma aura de puro terror.
“Merda!”, praguejou Morwyna. “Meu corpo… eu estou quase desmaiando!”
A Elfa negra, percebendo a futilidade de suas chamas contra essas sombras intensificadas, desfez seu tornado e avançou com arma em punhos. Ela começou a atacar com mais agressividade, mas cada golpe era bloqueado e repelido.
Ting! Ting!
A espada de sombras de Rogdruth cortava o ar com uma velocidade e precisão impressionantes, o vento de seus golpes cortando até mesmo as paredes de cristais ao redor.
Scrash! Scrash!
A luta continuava, Morwyna movendo-se com a agilidade de um acrobata, sua espada de fogo brilhando intensamente.
Contudo, Rogdruth era implacável.
Cada vez que Morwyna tentava atacar, ela era empurrada de volta, os cortes de sombra deixando feridas dolorosas em seu corpo.
Ela sabia que estava em desvantagem e precisava fazer algo rapidamente.
Decidida a virar a maré da batalha, Morwyna concentrou toda a sua mana e transformou o chão de pedra em lava fervente mais uma vez, levando todo seu corpo ao limite.
“É tudo ou nada!”
A temperatura na câmara subiu drasticamente, e a lava começou a se espalhar, mais agressivamente que da primeira vez.
— Hehe! Isso é tudo que sua mente patética conseguiu pensar?
— Cala a boca! Mi pir zarikon tula ke zit, primara veko, zira profani!
Centelhas de fogo saíam de seus olhos quando ela avançou para o último assalto, deixando rastro pelo ar. Sua espada de fogo dobrou de tamanho, assim como seus movimentos ficaram ainda mais rápidos e letais.
Ting! Ting! Ting!
Aquele era um balé de técnica e velocidade em meio ao calor extremo. Morwyna estava mantendo muitas técnicas ativas de uma única vez, seu cérebro estava fritando ao ser levado ao limite daquela forma.
Já a princesa do abismo estava tendo que lidar com a lava dentro daquele espaço limitado que restringia em muito sua técnica, além de se proteger de todos aqueles movimentos acrobáticos e imprevisíveis.
Frio, calor intenso, era quase impossível prever qual movimento a Elfa faria a seguir, então, numa abertura, Morwyna finalmente conseguiu ferir Rogdruth, que usava magia para se regenerar rapidamente, mas não conseguia evitar todos os ataques.
Swin!
Um corte rasgou seu busto, respingando sangue no rosto enfurecido de Morwyna.
“Tsc! Essa Elfa maldita, ela não para de evoluir? Quanto de mana ela ainda tem?”
Ting! Ting! Ting!
Apesar das dificuldades, Rogdruth continuava a lutar com tenacidade. No entanto, a vantagem de Morwyna estava começando a se mostrar, seus ataques de fogo tornando-se cada vez mais poderosos.
Com um movimento decisivo, Morwyna conseguiu rebater a espada da oponente.
Ting!
“Merda!”
Os olhos dela não eram de uma Elfa meiga ou tímida, eram os olhos de uma guerreira feroz. E, num movimento rápido, cravou a espada de gelo na testa da princesa do abismo.
Crunch!
Porém, esse ainda não foi o fim da guerreira das sombras.
Com um grito de raiva, Rogdruth empalou Morwyna, sua espada sombria atravessando o abdômen da Elfa.
Scrash!
Morwyna golfou de dor, sentindo a lâmina rasgar suas entranhas, mas não desistiu. Com toda a sua força restante, ela apertou o cabo e atravessou sua espada de gelo na testa de Rogdruth, a transpassando.
Crunch!
O ferimento de Rogdruth parecia ter sido fatal, mas ela sorriu de canto. — É o fim, Elfa. Você lutou bem, mas não foi o suficiente. Afinal, você é só uma mortal.
Golfando sangue, Morwyna recuou alguns passos, o buraco em seu abdômen sangrando profusamente. Suas vestes agora manchadas de vermelho, uma mistura de suor, sujeira e sangue. Cada respiração era uma tortura, e ela sentia sua força esvair-se rapidamente.
Ela caiu de joelhos, sentindo a terra quente contra suas pernas trêmulas. O mundo parecia girar ao seu redor, mas mesmo assim, ela levantou a cabeça, encarando Rogdruth com olhos ainda determinados, apesar da dor.
Seus cabelos caíam desordenadamente à frente do rosto, mas nada poderia esconder a chama de determinação que brilhava em seus olhos.
— Você é teimosa, não é? — zombou Rogdruth, aproximando-se lentamente, saboreando a visão da elfa prostrada. — Achou mesmo que poderia me vencer?
Morwyna inspirou profundamente, ignorando a dor lancinante que rasgava seu corpo. — Ainda não… acabei — disse ela entre dentes, sua voz firme apesar da fraqueza.
— Não precisa se preocupar, você foi bem para uma mortal. Me lembrarei de você, garota.
Rogdruth tentou arrancar a espada de gelo cravada em sua testa, mas o frio mortal começou a se espalhar rapidamente pelo seu corpo.
— O quê…
Cada tentativa desesperada de remover a lâmina apenas acelerava o avanço do gelo, que cobria sua pele em um manto gélido. Seus olhos arregalados refletiam a fúria e o desespero enquanto seu corpo sucumbia ao congelamento, os movimentos tornando-se cada vez mais lentos e rígidos.
— Que merda você fez?!
Enquanto isso, Morwyna lutava para ficar de pé. Seu corpo estava exausto.
Ela viu o gelo tomando Rogdruth e soube que tinha uma última chance. Usando sua espada de fogo como apoio, ela se ergueu, os joelhos quase cedendo sob o peso da fadiga. Respirando com dificuldade, Morwyna arrastou-se lentamente na direção de sua inimiga agora paralisada.
A cada passo, suas lembranças e sua determinação davam-lhe a força necessária para continuar. Visões de seus amigos, de suas batalhas passadas, e do que estava em jogo fortaleciam seu coração.
Arrastando a lâmina flamejante pelo chão, ela se aproximou de Rogdruth, completamente envolta em gelo, a expressão de terror eternizada em seu rosto congelado.
Com um último esforço, a Elfa levantou a espada de fogo, as chamas dançando e crepitando em contraste com o gelo que cobria Rogdruth.
Usando toda a força que restava em seu corpo exausto, ela ergueu a lâmina acima de sua cabeça. Cada músculo em seu corpo tremia de esforço, mas sua determinação não vacilou.
— Isso é por todos que você machucou!
Com um grito de esforço supremo, ela desceu a espada com toda a sua força.
Swin!
A lâmina de fogo cortou o ar com um silvo mortal, encontrando resistência momentânea no gelo antes de partir Rogdruth ao meio.
O gelo rachou com um som ensurdecedor, e a figura congelada de Rogdruth se despedaçou, fragmentando-se em uma chuva de estilhaços brilhantes consumidos pela lava entorno que lentamente se apagou.
— Me desculpe, Colin… — murmurou Morwyna, antes de desabar no chão, sua respiração pesada e irregular. Seu ferimento sangrava sem parar, e a vida começava lentamente a deixar os seus olhos.
“Então… isso é morrer…? É calmo… silencioso… até que essas últimas semanas não foram ruins… até que foi divertido viajar com o senhor Colin… Colin… sinto muito… sou mesmo patética…”
Tudo começou a ficar escuro, e o último resquício de luz que viu era Samantha, as crianças, Colin e seu irmão, uma luz que lentamente se apagava.
Enquanto seus olhos se fechavam vagarosamente, ela lembrou-se de seu avô, suas palavras de confiança ecoando em sua mente. — Eu confio o futuro dos elfos a você e a seu irmão.
Seus olhos abriram imediatamente.
“Eu… não posso me entregar assim, seria egoísta da minha parte!”
Ainda mais determinada, Morwyna deixou sua palma da mão incandescente. Sentindo uma dor tremenda, ela começou a cauterizar seu ferimento, o cheiro de carne queimada enchendo o ar.
Finalmente, com o ferimento fechado, ela esforçou-se para se levantar.
Seu cabelo estava desgrenhado, e seu corpo, coberto de cortes e sangue misturado com sujeira. Ela ergueu o braço e criou um túnel na parede, caminhando vagarosamente por ele, quase se arrastando, apoiando-se nas paredes para não cair.
— Não posso parar… — murmurou ela, sua voz fraca, mas resoluta. — Ainda há inimigos… que precisam ser abatidos…
Com cada passo doloroso, Morwyna avançava, determinada a continuar lutando enquanto conseguisse respirar.

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