Índice de Capítulo

    Colin e as garotas retornaram pelo subterrâneo.

    Samantha olhou de soslaio para Colin, o rosto dele ainda marcado pelo combate brutal. A lembrança do beijo, mesmo que fosse falsa, voltou com força, e ela teve que desviar o olhar novamente, o coração acelerado.

    Morwyna, por sua vez, não conseguia evitar os pensamentos românticos que surgiam em sua mente. Imaginava um futuro ao lado dele, onde juntos poderiam superar todas as adversidades.

    A ideia de um casamento, algo que antes parecia distante e impossível, agora parecia ao seu alcance.

    Enquanto isso, Colin permanecia focado no presente.

    O cenário ao redor era de pura desolação, vísceras de demônios espalhadas por todo lado, todas as residências destruídas.

    À medida que avançavam, a luz fraca da lua iluminava parcialmente o caminho através do colossal buraco deixado pelo dragão, revelando o estado de devastação com nitidez.

    As pessoas, abatidas e exaustas, se aglomeravam na parte iluminada pela lua, seus rostos marcados pelo medo e pela incerteza.

    Todos abriram caminho para Colin passar, e ele se afastou das companheiras, decidindo caminhar sozinho entre a multidão.

    Cada passo que dava era um testemunho de sua resistência, afinal, para aqueles que não viram a luta, aquele homem sobreviver a toda destruição só significava uma coisa: ele era verdadeiramente forte.

    Enquanto caminhava, os olhares se voltavam para ele, cheios de esperança misturados a desespero. Colin sentiu o peso da responsabilidade em seus ombros, mas ele já estava acostumado a isso.

    Ele parou no centro da aglomeração, a lua banhando-o com sua luz prateada. Ergueu a voz, forte e firme, para alcançar todos os presentes.

    — Sei que… a escuridão ao nosso redor parece imensa. Sei que muitos de vocês perderam tudo o que conheciam e amavam. As vísceras dos demônios que infestavam este lugar são testemunhas da nossa luta, e o estado de suas casas mostra o preço que pagaram. Mas hoje, neste momento, quero que saibam que isso não é o fim.

    Os olhos das pessoas brilharam com lágrimas e esperança, seus rostos levantados em direção a Colin, absorvendo cada palavra.

    — Sim, seu lar está em ruínas, suas vidas foram viradas do avesso. — Ele caminhava, a multidão encarando, hipnotizada. — Podemos recomeçar. Podemos reconstruir o que foi destruído. Se tem algo que aprendi, é que não somos definidos pelos obstáculos que enfrentamos, mas pela forma como nos levantamos diante deles, então digo a vocês, isso não foi o fim de nada, foi um novo começo.

    Ele fez uma pausa, olhando nos olhos das pessoas ao seu redor, garantindo que cada um sentisse a sinceridade em suas palavras.

    — E eu, Colin, rei de Runyra, serei o suporte de todos vocês! — Sua fala ficava mais energética. — Vocês estão sob minha proteção agora, e prometo que estão a salvo. O rei anão abusava de seu poder, aqueles que não conseguiam sobreviver sob suas condições era mandado para apodrecer nas minas.

    Colin parou, abrindo os braços e esboçando um sorriso de canto, sua voz poderosa.

    — Reúnam seus familiares, juntem-se! — gesticulava com as mãos. — Este é um novo começo para todos nós! Não ficaremos mais escondidos aqui embaixo, nas sombras e no medo. Subiremos, onde seremos banhados pela luz das estrelas, sentiremos a brisa acariciando nossas peles e o calor do sol nos dar força. Lá em cima, garanto a todos vocês um novo lar, um novo futuro.

    Ele ergueu o braço, apontando para o alto.

    — Tanto lá, na superfície, quanto aqui, eu sou o mais forte, não precisam mais se preocuparem, medo é o que vocês nunca mais vão sentir outra vez.

     A multidão murmurou em concordância, seus espíritos renovados pela promessa de um novo amanhecer.

    Colin sentiu a energia deles, sentiu a esperança crescendo.

    — Vamos em frente, juntos. Nosso futuro começa agora. Partiremos pelo subterrâneo, retornaremos para a prisão e de lá, iremos até Runyra. Vocês terão algumas horas para descansar.

    Enquanto a multidão se dispersava, começando a se preparar para a viagem, Colin se sentou pesadamente em uma pedra.

    Seu corpo estava exausto, mas sua mente ainda estava alerta, observando o movimento ao seu redor. Morwyna se aproximou, seus olhos cheios de preocupação.

    — Você não deveria descansar? — perguntou ela, seria um problema se o mais forte do grupo não estivesse apto para a viagem.

    Colin deu um leve sorriso, apesar do cansaço visível em seus olhos.

    — Posso fazer isso assim que chegarmos em Runyra — respondeu ele, tentando aliviar a preocupação da companheira.

    Três crianças apareceram timidamente, com Ardan logo atrás. Os olhos das crianças brilhavam com admiração.

    O garotinho se aproximou primeiro, tirando um medalhão do pescoço e entregando-o a Colin.

    — Eu cuidei bem dele, como o senhor pediu! — disse o menino, a voz cheia de orgulho.

    Colin bagunçou o cabelo do garoto com um sorriso genuíno.

    — Obrigado por isso. — As duas garotinhas, com os olhos arregalados, perguntaram ansiosamente sobre a luta. Antes que Colin pudesse responder, Ardan interveio.

    — Senhor Colin precisa descansar, deixem-no um pouco.

    O Errante ergueu a mão, acalmando Ardan.

    — Assim que chegarmos a Runyra, contarei tudo, detalhe por detalhe, prometo.

    Ardan assentiu, pegando seus irmãos e se afastando. Logo depois, o anão, Yllastina e o velho Wenrick se aproximaram.

    — Consegue mesmo seguir em frente, Colin? — perguntou o anão.

    O rei de Runyra assentiu firmemente.

    — Sim, consigo — Ele olhou diretamente para o anão. — Sabe algum atalho até a prisão? Há uma saída por lá?

    O anão coçou a barba, pensando por um momento antes de responder.

    — Há um caminho mais adiante, mas ficam alguns quilômetros depois da prisão.

    Colin assentiu, satisfeito.

    — Ótimo. Minhas esposas estão em guerra, não cometerei o erro de deixá-las se virando sozinhas novamente. Teremos outra chance de retornar a Rontes do Sul, pela superfície desta vez, mas precisamos pegar outras pessoas antes de retornar a Runyra.

    O velho Wenrick balançou a cabeça lentamente.

    — Não será uma tarefa fácil essa peregrinação.

    Colin suspirou.

    — Sei disso, mas vai ficar tudo bem. Conto com vocês para protegerem o pessoal de qualquer monstro do subterrâneo. — Ele forçou um sorriso. — A verdade é que estou esgotado. Minha maior preocupação é Walorin e a bruxa aparecerem e forçarem uma luta nesse meu estado. Precisamos ser rápidos.

    Wenrick, Yllastina e o anão trocaram olhares, compreendendo a seriedade da situação. O anão bateu no peito com o punho.

    — Não se preocupe, Colin, o conquistador. Protegeremos todos com nossas vidas!

    O rei sorriu agradecido, ele havia gostado da nova alcunha.

    — Vamos nos preparar para partir — disse Colin. — Temos uma longa jornada pela frente.

    Morwyna e Samantha se aproximaram, ajudando-o a se levantar.

    Enquanto se moviam, os preparativos continuavam. As pessoas reuniam suas posses, ajudando umas às outras.

    Enquanto caminhavam juntos, Colin percebeu o peso do cansaço nos ombros das companheiras que o sustentavam.

    Ele parou por um momento, olhando nos olhos de ambas.

    — Vocês não estão cansadas de serem minhas muletas? — perguntou ele.

    Morwyna sorriu, seus olhos brilhando com um sentimento profundo.

    — Senhor Colin… ser sua muleta não é um fardo. — Ela fez uma pausa, buscando as palavras certas. — É um privilégio. Desde que conheci o senhor, me senti segura… me senti fazendo parte de algo maior… acho que eu… finalmente me sinto fazendo algo útil…

    Colin então olhou para Samantha, que sorriu assentindo.

    — Como seu braço direito, estou apenas sendo leal ao meu rei… leal a alguém que nunca desiste, mesmo quando tudo parece perdido, né? — Samantha apertou sua mão suavemente. — Meu pai diria que sua força não está apenas em seus músculos, mas em sua alma, e é nisso que acredito. Estar aqui ao seu lado é uma honra, e eu faria isso mil vezes, se necessário.

    Sorrindo, ele apenas assentiu.

    — Obrigado, de verdade, só preciso de meia hora de descanso, então estarei melhor.

    O velho Wenrick e o anão caminhavam lado a lado, observando Colin à distância.

    — Você já parou para pensar, Wenrick? — começou o anão, sua voz profunda e rouca. — Esse garoto conseguiu escapar da prisão levando a gente junto, matou demônios e agora nos guia para um novo começo… Será que os deuses o enviaram?

    Wenrick, com sua longa barba branca, suspirou e olhou pensativamente para Colin.

    — Talvez os deuses tenham mesmo um dedo nisso — respondeu ele, sua voz suave, mas cheia de convicção. — Mas seja qual for o motivo, ele nos libertou. Lutou por nós, por esse povo, quando ninguém mais o faria.

    — E você vai segui-lo até o fim? — perguntou o anão, suas sobrancelhas grossas se levantando em curiosidade.

    O velho assentiu lentamente, seus olhos cheios de uma firmeza inabalável.

    — Sim, vou segui-lo. Seria ingratidão dar as costas ao Conquistador depois de tudo que ele fez por nós, pelo povo de Gheskou.

    O anão riu, uma risada grave que ecoou pelos corredores.

    — Conquistador, hein? É uma alcunha adequada a ele.

    Wenrick sorriu, seu olhar ainda fixo em Colin.

    — Talvez ele mereça mais do que isso, mas só o tempo dirá. Vamos ter que segui-lo e ver como essa história termina.

    Os dois mantinham os olhos nas costas de Colin, vendo-o apoiar-se em Morwyna e Samantha. Havia uma determinação na postura dele que inspirava todos ao redor.

    — É melhor ajudarmos os outros — disse Wenrick, voltando-se para o anão. — Nós não lutamos, então é o mínimo que podemos fazer agora.

    O anão assentiu, concordando.

    — Vamos lá, então. Temos muito trabalho pela frente.

    Com isso, ambos se dirigiram aos outros sobreviventes, oferecendo ajuda e suporte, garantindo que todos estivessem prontos para a jornada que os esperava.

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