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    A percepção de Xiao Lin podia não ser tão aguçada quanto a de Gu Xiaoyue, mas seus atributos gerais eram mais elevados. Além disso, ele era o mais experiente no Novo Mundo entre todos ali e tinha interagido com torres de ressurreição mais vezes que qualquer outro. Não havia notado nada antes, mas, assim que Gu Xiaoyue disse que não sentia mais a conexão, ele imediatamente fechou os olhos para se concentrar.

    Após alguns minutos, Xiao Lin abriu os olhos com uma expressão sombria.

    Os outros entenderam a resposta apenas ao olhar para o rosto dele, e as feições de todos se fecharam. Até mesmo Chen Dao, que sempre fora otimista, não encontrou nada para dizer.

    No fim das contas, o principal motivo pelo qual se atreviam a aventurar-se no Novo Mundo sem grandes preocupações era a certeza de poderem se reviver nas torres de ressurreição.

    “Como isso é possível? Nunca ouvi falar de as torres de ressurreição perderem o efeito”, disse um deles, incrédulo.

    “Será que é algum truque dos britânicos?”, sugeriu outro.

    “Os componentes da Água da Vida não vêm das colônias britânicas?” questionou An Luo, franzindo o cenho.

    Cheng Ming e An Luo, tomados pelo pânico, começaram a especular todo tipo de possibilidade. Talvez não fossem tolos, mas, por raramente lidarem com o Novo Mundo, não tinham informações suficientes. Havia muitos segredos que nem mesmo quem vivia lá conhecia sem atingir determinado rank — quanto mais estudantes da academia.

    Por coincidência, Xiao Lin sabia muito — e isso por dois motivos: primeiro, porque já havia vivido algo parecido; segundo, por causa da poderosa demônia da Academia Judge, Lilith.

    Naquela ocasião, Xiao Lin e Lilith tinham sido cercados por uma névoa misteriosa na Vila Fogo Selvagem e presenciado as torres de ressurreição sendo corrompidas. Aquilo fora obra de Asabanor. Aquele sumo sacerdote de um país extinto recusava-se a morrer. Embora não houvesse notícias dele havia muito tempo, Xiao Lin tinha certeza de que o sujeito não descansaria tão cedo.

    Xiao Lin não esperava que Asabanor fosse agir contra ele e os britânicos justamente durante as semifinais, mas, mesmo assim, sua mente estava repleta de perguntas.

    Asabanor era um adversário extremamente difícil de enfrentar e alimentava um ódio profundo. Porém, esse ódio se voltava contra os colonos e as academias. Song Junlang já havia tentado tranquilizá-lo, dizendo para não se preocupar, pois as várias academias certamente se uniriam para lidar com Asabanor.

    Naturalmente, Xiao Lin relaxou depois disso. Afinal, ainda era apenas um estudante do primeiro ano, e esse tipo de assunto estava muito acima de suas capacidades.

    Mas, apesar disso, o problema acabara recaindo sobre ele.

    Após mergulhar nessas reflexões, Xiao Lin suspirou e falou, num tom de desculpa: “Acho que acabei envolvendo todos vocês nisso, então… me desculpem. Suspeito que o alvo seja eu. Acho que os britânicos também já foram arrastados para essa situação. Eu…” Ele conseguia imaginar a razão de Asabanor mirá-lo: não por quem era, mas provavelmente por possuir um talento de nível SS — algo que, por si só, já bastava para deixar o mundo inteiro em polvorosa.

    “O que você está dizendo?! Somos amigos, e eu não sou do tipo que abandona um amigo em apuros!”, interrompeu Cheng Ming, dando um tapinha no ombro dele. A franqueza daquele nortista dissipou parte do peso que pairava no ar.

    “É isso mesmo! Pare com essa história de que nos arrastou para isso. Você já nos ajudou muito antes. Eu não sou alguém que deixa de retribuir favores!” declarou Chen Dao, recuperando seu tom habitual.

    “Você é o líder do nosso ano”, disse An Luo de forma simples, mas com significado claro: estava disposto a seguir as ordens de Xiao Lin sem questionar.

    “Você é o líder desta equipe temporária. Se não estiver confiante, não conseguiremos sair daqui”, afirmou Gu Xiaoyue, com o tom ainda frio, mas deixando transparecer, em seus olhos brilhantes, um raro lampejo de ternura e arrependimento. Ela sabia que Xiao Lin estava se esforçando tanto neste torneio por sua causa — porque queria a recompensa final para curar a doença da irmã dela.

    Xiao Lin sentiu-se tocado e olhou para cada um deles. Só viu confiança estampada nos rostos. Respirou fundo e engoliu as palavras que ia dizer. Era verdade: aquele não era momento para se lamentar, tampouco para desistir.

    E daí se os britânicos estavam todos mortos? E daí se não havia mais torres de ressurreição? E daí se o adversário era o insano e astuto Asabanor?!

    Mesmo que não fosse por si próprio, por seus companheiros que confiavam nele, Xiao Lin os tiraria daquele cemitério e os levaria de volta para a Academia Dawn, custasse o que custasse!

    Xiao Lin já havia enfrentado Asabanor algumas vezes. Deixando a habilidade de lado, conhecia bem a personalidade do inimigo: um predador imortal que agora agia nas sombras, enquanto eles estavam completamente às cegas — o que os colocava em desvantagem.

    “Não podemos mais andar por aí sem rumo. Mesmo que eu não saiba o que o inimigo fez, se ele está confiante o suficiente para nos selar, acredito que não vamos conseguir sair daqui facilmente com as habilidades que temos agora. Em vez de ficarmos desperdiçando energia, vamos enfrentar essa mudança sem mudar nossa postura”, concluiu Xiao Lin, após pensar por alguns instantes.

    Todos concordaram de imediato; era, de fato, a decisão mais sensata. A essa altura, já haviam gasto muita energia — especialmente Chen Dao, que havia derrotado a maior parte dos inimigos. Sua fadiga mental já era grande.

    Xiao Lin e os outros recuaram até encontrarem um antigo depósito de armas vazio e se instalaram para descansar. Antes da partida, tinham recebido permissão para trazer alguns medicamentos básicos de recuperação, e agora não hesitaram em usá-los. Todos começaram a se tratar para recuperar ao máximo suas forças.

    Como Xiao Lin não havia se desgastado tanto, aproveitou para ficar de vigia enquanto os outros descansavam. Havia três entradas para aquele depósito. Embora já tivesse acendido chamas em cada uma delas para afastar temporariamente a escuridão e o frio, a influência da energia de morte tornava as labaredas instáveis e vacilantes.

    Eles haviam escolhido aquele local justamente pela possibilidade de perigo: assim poderiam escapar por outra rota a qualquer momento. Estavam diante de um inimigo desconhecido, e não seria prudente agir de forma precipitada.

    Durante aquele período, Xiao Lin aproveitou para contar aos outros sobre Asabanor. Embora fosse um segredo que, teoricamente, não podia ser revelado a ninguém fora da alta cúpula da academia, ele não iria seguir essa regra diante da situação. Além disso, desde a troca de reitor, Xiao Lin nutria uma profunda desconfiança pelo atual dirigente da Academia Dawn.

    Ele não queria colocar seu destino nas mãos de outra pessoa. Mesmo sendo ainda muito fraco, Xiao Lin sabia que precisava lutar para ter seu próprio destino em mãos.

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