Índice de Capítulo

    Josan permanecia no topo do morro, os olhos fixos no acampamento dos Elfos Negros à distância. Torres fortificadas se erguiam como espinhos negros contra o céu estrelado.

    A mana que emanava daquele lugar era diferente, mais densa, como se alimentada por sombras do abismo.

    Kurth estava ao seu lado, o olhar inquisitivo.

    — Eles são o alvo? — Kurth perguntou, a voz baixa.

    Josan assentiu, a determinação marcando seus traços.

    — Sim, são eles — respondeu, mirando seu olhar em Miogve, o líder dos Elfos Negros. — Devemos nos preparar. Não pode haver falhas desta vez.

    Miogve era habilidoso, isso Josan sabia. Ele sobrevivera ao sacerdote Heien e aos caçadores de espectros. Mas agora, Josan tinha uma chance. Uma chance de pegá-lo isolado, sem brechas para o Elfo escapar.

    Kurth, sempre prático, perguntou:

    — E todos esses Elfos? O que faremos com eles?

    Josan sorriu, um sorriso que continha tanto determinação quanto malícia.

    — Deixemos isso com Yonolondor e Leona — respondeu. — Eles cuidarão disso. Quanto a Miogve, eu o pegarei. Desta vez, ele não escapará.

    Josan estava quieto, seus olhos fixos no acampamento à distância. Ele e seu grupo aguardavam pacientemente que a noite se aprofundasse, enquanto os elfos no acampamento caíam no sono e os guardas se tornavam escassos.

    A lua, parcialmente encoberta por nuvens, lançava uma luz pálida sobre o cenário, criando sombras alongadas que pareciam vivas na escuridão.

    — Há duzentos Elfos Negros no acampamento — disse Josan, sua voz baixa, mas firme. — Pelo que soube, eles estão indo para as imediações de Runyra. Muitos estão exaustos. Vamos usar isso a nosso favor.

    Leona estalou os dedos e se alongou, a empolgação brilhando em seus olhos.

    — Mal posso esperar para começar! — disse ela, um sorriso predatório surgindo em seus lábios.

    Yonolondor mantinha sua mão roçando na empunhadura da espada, os músculos tensos, prontos para a ação. Kurth estava no topo de um morro próximo, sua flecha de vácuo acumulando cada vez mais mana, brilhando com uma luz etérea.

    — Esperem pelo sinal do Kurth — ordenou Josan, seu tom firme e inquestionável.

    Lettini e Eden estavam concentrados, escondidos próximos ao acampamento.

    Woosh!

    Kurth disparou sua flecha para o alto.

    Na ponta, um pequeno círculo mágico se formou, então a flecha se fragmentou em uma miríade de flechas menores, cada uma cintilando com mana acumulada.

    — Agora é com vocês dois — murmurou Kurth.

    Lettini e Eden se concentraram ainda mais, suas energias combinadas escondendo as flechas e sua mana, tornando-as invisíveis aos olhos e sentidos dos Elfos Negros.

    — Preparem-se — disse Josan, seus olhos afiados como lâminas enquanto observava o acampamento abaixo.

    Stuck! Stuck! Stuck!

    A chuva de flechas desabou no acampamento em um instante. Torres desabaram com um estrondo ensurdecedor, nuvens de poeira se ergueram, obscurecendo a visão. Gritos de dor e surpresa preencheram o ar enquanto os Elfos Negros eram atingidos, muitos saindo de suas tendas destruídas com diversos buracos pelo corpo.

    Lettini e Eden deixaram seu esconderijo e avançaram pelo acampamento, suas lâminas brilhando à luz fraca da lua. Eles liquidavam aqueles que estavam bastante feridos, mas ainda vivos, movendo-se com a eficiência letal de assassinos experientes.

    Crunch! Crunch!

    Leona entrou na luta com um rugido, sua espada dançando no ar, cortando Elfos Negros que tentavam se levantar. Yonolondor seguia logo atrás.

    Josan observava a cena, seus olhos escaneando o campo de batalha. Ele se movia com graça predatória, sua espada brilhando enquanto cortava qualquer Elfo Negro que se aproximasse.

    Ele sabia que o elemento surpresa era a chave para o sucesso desta missão, e eles tinham conseguido isso com maestria.

    Kurth, ainda no topo do morro, observava a carnificina abaixo, pronto para disparar outra flecha se necessário.

    Ele sentia o peso da responsabilidade em seus ombros, mas também a satisfação de ver o plano se desenrolando perfeitamente.

    Lettini e Eden moviam-se como sombras, silenciosos e mortais, seus movimentos quase coreografados enquanto eliminavam os sobreviventes.

    Josan avançava, seus olhos fixos em um grupo de Elfos Negros que tentava se reagrupar. Ele sabia que não poderia permitir que se organizassem. Com um movimento rápido, ele cortou o líder do grupo, seu corpo caindo pesadamente no chão.

    Leona, ao lado de Yonolondor, lutava com uma fúria quase animalesca. Seus olhos brilhavam com uma luz feroz enquanto cortava através das fileiras inimigas, seus movimentos um borrão de velocidade e força.

    Crunch! Crunch!

    Yonolondor, mais controlado, mas igualmente mortal, complementava os ataques de Leona, seus golpes precisos e letais. Eles formavam uma dupla imbatível, cada um sabendo exatamente como apoiar o outro na batalha.

    “É hora de ajudar!”

    Kurth finalmente desceu do morro, sua presença adicionando mais pressão sobre os Elfos Negros restantes. Ele disparava flechas com precisão, cada uma encontrando seu alvo.

    O acampamento estava um caos.

    Tendas em chamas, gritos de dor e raiva ecoando pelo ar enquanto os guerreiros de Josan e os Elfos Negros ainda capazes lutavam entre os escombros.

    A poeira flutuava espessa, misturando-se ao sangue que tingia o solo. Josan se movia entre os destroços, atento a qualquer sinal de perigo iminente.

    De uma das tendas ainda de pé, uma figura emergiu, ilesa e imponente. Miogve, com seus olhos sombrios e olhar fixo, encontrou Josan à sua frente.

    Um sorriso cruel se espalhou pelos lábios do Elfo.

    — Eu me lembro de você — disse Miogve, sua voz gélida e cheia de malícia. — Desta vez, você não vai escapar.

    — Escapar? Da última vez quem fugiu foi você!

    — Hehe! Veio vingar os seus companheiros?

    Josan não respondeu. Em vez disso, seu corpo ficou tenso, preparando-se para o confronto.

    Miogve foi o primeiro a atacar, invocando sombras que se alongaram e serpenteavam ao seu redor, formando lâminas negras afiadas que se lançaram em direção a Josan.

    Josan desviou com agilidade, tornando-se invisível em um piscar de olhos. Miogve riu, seus olhos procurando por Josan na escuridão.

    — Não adianta se esconder, Runyriano. Eu sinto sua presença!

    Ting!

    O Elfo conjurou sua espada de sombras, bloqueado a lâmina de Josan, cruzando olhar com ele antes do carniceiro desaparecer.

    — Planeja ficar nesse joguinho…? Por mim, tudo bem, o tempo está do meu lado!

    Miogve atacava com suas lâminas de sombras, cortando o ar em arcos mortais, enquanto Josan se movia silenciosamente, esquivando-se e atacando quando surgia uma oportunidade.

    Suas lâminas se cruzaram várias vezes, cada choque ecoando pela noite tumultuada.

    Os companheiros de Josan continuavam a lutar ao redor, Leona enfrentando um grupo de Elfos Negros com ferocidade, Yonolondor avançando metodicamente com golpes precisos.

    Josan e Miogve continuaram seu duelo, cada um usando suas habilidades únicas para tentar obter vantagem. Miogve desapareceu em uma nuvem de sombras, surgindo atrás de Josan com uma lâmina pronta para perfurar seu coração. Mas o carniceiro, sentindo a presença de Miogve, se virou rapidamente, bloqueando o ataque e contra-atacando com um golpe rápido.

    — Você é habilidoso, mas não o suficiente! — rosnou Miogve, suas sombras se expandindo em uma tempestade de escuridão.

    Josan saltou para trás, sua invisibilidade o protegendo por um momento, mas ele sabia que precisava ser mais inteligente se quisesse vencer.

    Observando os movimentos de Miogve, ele percebeu um padrão, uma fraqueza na defesa do inimigo.

    — Você fala demais — respondeu Josan, seu tom calmo e controlado.

    Com um movimento rápido, o carniceiro se aproximou, sua lâmina cortando através das sombras de Miogve, acertando seu ombro.

    Swin!

    Em meio ao caos ao redor, onde seus companheiros ainda lutavam contra os Elfos Negros restantes, todos sentiram um calafrio percorrer suas espinhas.

    Um silêncio tenso se espalhou pelo campo de batalha. Olhando para cima, os guerreiros viram algo coberto de raios despencando brutalmente em direção ao chão do acampamento destruído.

    Boooom!

    O impacto foi devastador.

    O solo tremeu violentamente, e grandes blocos de terra foram deslocados como se fossem penas ao vento. Elfos Negros e companheiros de Josan foram lançados pelos ares, alguns enterrados sob os escombros.

    Aqueles que sobreviveram ao impacto emergiram dos destroços, suas expressões cheias de confusão e medo, perguntando o que havia acontecido.

    Fumaça e poeira começaram a se dissipar lentamente, revelando a silhueta de Milveg se erguendo das ruínas. Ele cuspiu no chão, uma expressão de raiva e desdém em seu rosto.

    — Foi um golpe de sorte — murmurou o rei dos Elfos Negros.

    Antes que Josan pudesse agir, outra figura despencou do céu, atingindo o chão com uma força ainda maior.

    Booom!

    A terra tremeu novamente e os olhos de todos se voltaram para a nova chegada. A silhueta se ergueu lentamente, revelando-se como a poderosa Thaz’geth, metade de sua cabeça ainda se reconstituindo de um ataque anterior.

    Os olhos de Josan se arregalaram, a confusão e o choque estampados em seu rosto. Como Milveg havia parado ali? O quão perto estavam do país dos Elfos Negros? E quem era aquela mulher com uma aura de mana tão agressiva, densa e torturante?

    Milveg olhou por cima dos ombros para Miogve e, em seguida, ao redor, tentando entender onde estava.

    — Miogve? Onde diabos estamos? — perguntou Milveg, sua voz cheia de confusão e irritação.

    — Senhor, nós…

    Thaz’geth aspirou o ar, seus olhos brilhando.

    Um sorriso cruel se formou em seus lábios enquanto seus olhos encontravam os de Leona. A pandoriana, sentindo a presença opressiva de Thaz’geth, caiu de quatro como um cão, suas caudas ouriçadas e caninos expostos enquanto rosnava freneticamente.

    — Conheço esse cheiro — disse Thaz’geth, sua voz profunda e ameaçadora. — Parece que encontrei uma antiga amiga. O cosmos é mesmo minúsculo, né?

    Josan, ainda sem entender completamente o que estava acontecendo, tentou recobrar a compostura.

    “Tenho que sair daqui! Pegar todos e sair daqui! Mas… meu corpo não se move!”

    — Conhece ela? — indagou Milveg.

    — É claro que conheço, é a cadela do prometido de Kag’thuzir, qual era mesmo o nome dele…? — Ela estalou o dedo. — Colin, né?

    Todos eles estavam paralisados demais para moverem um único músculo. Era a primeira vez que sentiam uma mana tão assustadora.

    — Quero ela! — disse a Apóstola.

    Leona avançou como um cão, atacando sua presa e girou no ar, terminando o giro em um soco poderoso, gerando uma onda de choque que empurrou todos para longe, até mesmo Milveg.

    Bam!

    A apóstola segurou a mão de Leona.

    — Quanta força… parece que andou treinando desde o nosso último encontro, né? É uma pena, cadelinha, não vou te deixar fugir dessa vez.

    Leona respondeu com um rosnado e cerrou seu outro punho, concentrando ainda mais mana.

    Swin! Swin!

    Ninguém viu de onde vieram aqueles movimentos, mas Thaz’geth fez uma cruz no dorso de Leona com sua espada, causando cortes extremamente profundos que, em alguns segundos, se não fossem tratados, seriam fatais. A apóstola então girou a espada e a estocou na direção da testa da pandoriana.

    Ting! Scrash!

    Lettini conseguiu desviar o golpe por pouco, mas isso custou suas adagas, que estilhaçaram como vidro. Eden segurou Leona por trás e desapareceu.

    — Foi um bom movimento! — elogiou a Apóstola.

    Antes que a carniceira fizesse o mesmo, uma espada de raios carmesim a transpassou pelas costas e perfurou o abdômen da apóstola.

    Crunch!

    — Nossa luta ainda não acabou, mulher.

    Ele se afastou e Lettini escorou-se na apóstola, suas pernas bambas.

    — Mer… da…

    — Isso foi deselegante, rapaz. — Ela pegou Lettini pelo pescoço e a jogou de lado. — Posso muito bem acabar com você primeiro!

    Aqueles dois novamente avançaram na direção do outro, seus punhos se chocando, criando outra onda de choque. Empenhados, aqueles dois lutadores desapareceram tão rápido quanto chegaram.

    — Merda, garota, você tá bem? — Yonolondor se aproximou, pegando a companheira no colo. — Josan! Josan! Merda, onde ele se meteu?

    Ting!

    Josan apareceu atrás de Yonolondor, defendendo-o da espada de Miogve.

    — Hehe! — zombou o Elfo. — Acha que nós acabamos? Estamos só começando, seus desgraçados!

    — Kurth tem poções! — disse Josan, disputando forças com o Elfo. — Pegue as garotas e saia daqui, eu cuido do Elfo!

    Yonolondor assentiu.

    — Vê se não morre!

    — Não planejo morrer agora, então vai!

    Yonolondor assentiu e flexionou as pernas, saltando para longe.

    — É uma pena que sua invasão foi um fracasso — provocou Miogve.

    — Fracasso? Todos os seus subordinados estão mortos, só falta você.

    O Elfo começou a manifestar sua mana.

    — Certo, sem reencontros, carniceiro, desta vez será até a morte!

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