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    Peter mal conseguia acreditar em si mesmo desde que iniciou seu treinamento secreto com Jason. Em pouco tempo havia se tornado muito mais forte, descobrindo, além disso, que sua afinidade com o elemento trevas, também chamado de escuridão, era surpreendentemente elevada.

    Por ironia, essa também era a especialidade de seu mestre. Durante uma semana inteira, Jason o submeteu a exercícios físicos, mentais e, sobretudo, ao árduo domínio de sua mana negra. Em diversos momentos, Peter teve certeza de que morreria.

    Seu corpo sempre terminava o dia em completa exaustão, e as surras de Jason eram tão brutais que pareciam verdadeiros espancamentos. Ainda assim, ele não conseguia deixar de respeitar profundamente o homem que agora chamava de mestre.

    De fato, havia se tornado muito mais forte.

    — Consegue continuar? — indagou Jaro, erguendo a lâmina de madeira em direção ao jovem de corte em tigela.

    O corpo de Peter tremia, não apenas pela luta contra Jaro, mas pelo olhar penetrante de Jason, que parecia atravessá-lo como se gritasse em silêncio: “O que você pensa que está fazendo, seu inútil? Quer morrer? Lute direito!” Aquelas lembranças do treinamento o aterrorizavam, mas ele respirou fundo, firmou as mãos e levantou a lâmina contra o adversário.

    — C-claro!

    De súbito, uma energia sombria começou a se expandir pelo corpo do rapaz, e sua aura se transformou em algo completamente distinto. Sem hesitar, avançou contra Jaro com uma estocada direta, que este conseguiu aparar por um triz.

    — Isso está me deixando animado, Peter! — exclamou Jaro, ainda lutando para conter o golpe.

    Uma estranha fumaça branca começou a envolver-lhe o corpo. Os músculos de seu braço se tensionaram e, com um empurrão poderoso de sua lâmina, lançou Peter para trás, fazendo-o deslizar pelo chão até se afastar.

    Os dois voltaram a se encarar, lâminas erguidas, prontos para o próximo embate.

    — E-excelente! porque agora eu não vou me conter! — respondeu Peter, eufórico.

    Os fiscais já estavam estupefatos com a luta entre Jaro e Peter, que se tornava cada vez mais agressiva.

    — Esses dois garotos de máscaras são incríveis, mas o rapaz com a máscara branca… é surpreendente. O mercador Kao é um sortudo, não acha, Carla? — indagou Damien, referindo-se a Lila, que escondia seu verdadeiro nome.

    — Sim… teve — respondeu ela, seca.

    — Não posso acreditar! Aquele garoto é o mesmo que tentou me enfrentar — disse Elias, apontando o dedo.

    Lila permaneceu em silêncio.

    — Não, não posso acreditar! Ele evoluiu absurdamente… já pode ser considerado um Aprendiz de 1 grau!

    — Pelo que eu soube, mesmo com uma mana abaixo da média e com problemas em seu núcleo de mana, ele conseguiu derrotar o Aprendiz do ancião Reff Stein. E não só isso… depois que voltou da missão em que o senhor Kyle o enviou, seu núcleo de mana retornou ao normal e sua mana ficou acima da média. Esse garoto é assustador — comentou Damien.

    — Não apenas ele, mas o da máscara negra também parece ter evoluído muito em pouco tempo — observou Elias. — O que estão dando para esses pirralhos comerem?

    Do outro lado, porém, outra dupla também começava a chamar a atenção.

    — Quem são esses? Estão muito perto de alcançar o estágio guerreiro — perguntou Damien.

    — O de cabelos vermelhos é quem eu protejo atualmente, e também faz parte da equipe que vou fiscalizar — comentou o careca, coçando o nariz se exibindo.

    — A ruiva faz parte da equipe que me foi designada — completou Lila.

    — Entendo… eles são realmente bons, diferentes dos meus. Vocês tiveram muita sorte — respondeu Damien, meio deprimido.

    As espadas se chocavam freneticamente. Parecia que, a qualquer momento, aquelas armas de madeira, feitas de um material bem mais resistente que o comum, se estilhaçariam.

    Isso é irritante… Pensava o jovem de cabelos vermelhos. Ela é mais forte do aquele desgraçado?!

    — Você até que luta bem — debochava Einar, enquanto atacava e defendia.

    — Acho que não posso dizer o mesmo de você! — retrucou Vitória, mantendo o rosto sereno.

    Então, ela avançou, acertando um golpe crítico no estômago de Einar e, logo depois, socando-lhe o rosto. A fúria tomou conta do oponente, que avançou num contra-ataque impetuoso, lançou um corte em direção ao pescoço da jovem.

    Vitória, no entanto, desviou com a serenidade de quem já previa cada movimento e, em um gesto preciso, desferiu um chute certeiro em sua perna. O golpe o fez perder o equilíbrio, caindo de joelhos diante dela.

    C-como?! Pensou o rapaz, com o olhar em chamas, enquanto Vitória permanecia imóvel, sem revelar sequer uma emoção.

    Liam e Lopez travavam um confronto equilibrado. Ambos estavam satisfeitos por terem sido escolhidos pelo professor, já que se odiavam e aguardavam há muito tempo a oportunidade de se enfrentar.

    Já o embate entre Estelle e Serena resultou em uma humilhação devastadora. Estelle castigou Serena durante duas horas, desferindo golpes fracos, apenas o bastante para deixar marcas vermelhas e hematomas espalhados pelo corpo da adversária.

    O mais perturbador era o sorriso constante de Estelle, que, de maneira calculada, controlava sua força para não despertar a atenção dos fiscais e principalmente de Jason. Apesar da fragilidade, Serena não fraquejou em nenhum momento, lutando com todas as suas forças até o fim.

    Aurora contra Alice, Zoe contra Maisie, Greg contra Carter, Sophia contra Trevor e Aisha contra Rivera travavam duelos interessantes, não tão intensos quanto os anteriores, mas, sem dúvida, acima da média.

    No entanto, outro combate começou a chamar atenção: Chen versus Lamir. A jovem destacava-se pela longa trança que lhe descia pelas costas, quase tocando as nádegas, além de exibir um corpo bem definido e, ao mesmo tempo, marcadamente feminino. Seu oponente, Lamir, parecia um jovem comum, de olhos verdes, corpo forte e com um pano verde cobrindo a cabeça.

    À primeira vista, a luta deles não parecia estar acima da média, mas havia uma beleza singular nos movimentos da garota. As técnicas de lâmina de Chen eram absurdamente refinadas e, ao mesmo tempo, deslumbrantes.

    — Estão vendo isso? — murmurou Elias, arregalando os olhos.

    — Sim… — respondeu Garin, O fiscal da equipe IV, um velho de cabelos brancos sob a armadura prateada, não tirava os olhos do combate. — Ela está ajustando a própria mana para se igualar ao oponente. Mas na esgrima… está apenas um pouco abaixo de nós. Essa garota é um prodígio.

    Jason, por sua vez, não apenas observava os jovens lutarem: durante as duas horas de confronto, interrompeu várias vezes para ensinar conceitos básicos de esgrima, corrigir posturas e apontar erros que quase todos cometiam.

    Quando a luta terminou, Jason ordenou que se sentassem em semicírculo. Os jovens, suados, cheios de hematomas, respiravam com dificuldade. Qualquer um deles poderia desmaiar a qualquer momento.

    — Vocês… são um lixo. Em toda a minha vida, nunca vi técnicas de esgrima tão miseráveis — declarou Jason, com um olhar que parecia sair trovões de seus olhos.

    A aura hostil que emanava dele fez os rapazes baixarem a cabeça em silêncio. Ninguém ousou encará-lo.

    Esse rabugento não consegue ser sincero? Pensava Elias, rangendo os dentes. Esses moleques foram excepcionais, acima da média! De fato, em todos os seus anos acompanhando as turmas de um a quatro, jamais havia visto jovens tão talentosos.

    — Mas animem-se! — rugiu Jason, com um sorriso cínico. — Pelo menos… não foram ruins o suficiente para eu matar vocês!

    As palavras foram pesadas, mas, de algum modo, aliviaram um pouco a tensão. Jason cruzou os braços e continuou: — Sei que estão famintos e exaustos. Mas antes, entregarei pergaminhos com o registro das três hierarquias de mana e, para finalizar, ensinarei vocês a visualizarem suas coroas de mana!

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