Índice de Capítulo

    Antes de seguir com o capitulo, uma ilustração do penúltimo capitulo lançado.

    Agora sim podemo seguir.

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    Deixar o pântano não foi apenas um sentimento de alívio e extrema animação, foi também um novo aprendizado e descobertas que as pessoas levarão pelo resto de suas vidas.

    Então, assim que deixaram a floresta e andaram por mais uma hora, deixando o pantano longe de vista, eles finalmente começaram a montar o acampamento com o restante que tinham.

    As luas já estavam dominando o céu estrelado e noturno, cobrindo a vasta planície. O acampamento foi montado em pouco tempo, e já estavam preparando para comer.

    Os guerreiros da casa Skarsgard continuavam a compartilhar seu próprio acampamento, assim como os mercenários tinham o deles. Já Bárbara, Ken, Crystalline e Aela montaram uma fogueira um pouco distante, como se quisessem ter uma conversa que não podia ser ouvida pelos outros.

    “O quê? Vocês foram emboscados por assassinos!?”

    Perguntou Bárbara, quase gritando, chocada e surpresa ao mesmo tempo.

    “Acho que não falaste alto o suficiente, Porque não grita mais alto para todo mundo poder ouvir?”

    Disse Ken friamente sem olhar para ela, mas sem esconder o leve tom de sarcasmo.

    “…”

    Percebendo isso, Bárbara abaixou a cabeça parecendo envergonhada, mas ainda olhou para Aela, preocupada, ainda querendo saber a resposta de sua pergunta.

    Vendo isso, Aela decidiu contar para Bárbara sobre a tentava de assassinato que soferam na floresta do pantano, assim que foram jogados longe pela boca do Jormskalli.

    Vinland é uma terra bastante cultural sobre a guerrilha, portanto, assassinato é praticamente como um tabu para eles, porque ela vai contra toda a honra de um guerreiro.

    Por causa disso, assassinos são tão desprezados que nenhuma agência de assassinos se atreveriam a surgir no reino desde a sua origem.

    Apenas uma agência teve a ousadia e coragem de montar uma filial em Vinland, a agência de assassinos mundialmente famosa. A Névoa fantasma.

    Eles são tão discretos e sorrateiros que se torna quase impossível encontrar os esconderijos deles, chegam até a ser mais discretos que os próprios esconderijos do Culto demoníaco.

    Normalmente, quando um esconderijo da Névoa fantasma é encontrado, tudo que encontram é apenas um espaço vazio, sem a presença dos assassinos assim como a de qualquer vestígio de suas presenças.

    “Ao analisar seus movimentos, pude descobrir que o principal alvo deles era a  senhorita Aela. Eles apenas começaram a mirar em mim quando se aperceberam que não iriam conseguir matá-la sem primeiro me eliminarem.”

    Disse Ken com indiferença, como se a conversa não tivesse nada a ver com ele.

    “…”

    Vendo isso, Bárbara quase não conseguiu esconder sua surpresa, e não conseguiu deixar de achar Ken, e até Crystalline, estranhos.

    Ela não conseguia entender como os dois conseguiam manter uma expressão indiferente mesmo diante de momentos inacreditáveis.

    Diante de uma besta mítica como o Jormskalli, a reação normal de uma pessoa seria de choque, medo, horror, e até entrar em um colapso mental. Mas estranhamente, estas duas pessoas de pele e cabelo branco pareciam sempre calmos, até mesmo quando Ken falava sobre enfrentar assassinos era de maneira tão calma e sem nenhum tipo de flutuação emocional, como se realmente não fosse ele em sua própria história.

    Neste momento, ela não pode deixar de se perguntar pensativamente.

    ‘Que tipo de vida estes dois tiveram, para terem este tipo de comportamento?’

    Ela tinha dúvidas, mas com certeza não se atreveria a perguntar. Apenas podia guardar esta pergunta no fundo de seu coração, sabendo que talvez nunca poderia ter a resposta.

    “…”

    Ken podia praticamente perceber que tipo de pensamento Bárbara estava tendo só de olhar em seus olhos.

    Deixando de lado sobre Crystalline, para Ken, este tipo de situação realmente não o fizeram ter grandes flutuações emocionais. Afinal, desde que chegou a este mundo, sempre foi exposto em situações que até as pessoas deste mundo achariam difíceis de aceitar.

    Uma das causas é por causa das memórias dos antigos portadores do emblema amaldiçoado que herdou, mas ele não apenas herdou suas memórias, como também suas experiências de vida, assim como suas extremas emoções.

    Felicidade, ansiedade, prazer, tristeza, repulsa, angústia, medo, dor, raiva e muitas outras emoções. Com todas estas experiências e fortes emoções que recebeu de forma abrupta, fez com que as próprias emoções de Ken ficaram desorientadas, quase apagando-as, mas que felizmente ainda existem, apenas são difíceis de senti-las.

    E talvez, por causa dos fragmentos so pecados capitais, Ken apenas consegue sentir três emoções fortemente. Raiva, prazer e preguiça. 

    Exceto por estas três, Ken precisaria de um grande estímulo se quiser sentir outros tipos de emoções, o que até agora não aconteceu desde que recebeu as memórias dos antigos portadores do emblema.

    E também, embora nenhum dos antigos portadores do emblema já tenham visto alguma besta mística, o próprio Ken já havia visto uma besta divina, o Fenrir.

    Então, Jormskalli era praticamente uma versão inferior, portanto não havia motivo para ficar chocado ou admirado.

    Aela apenas ficou em silêncio, sentindo um arrepio depois de ouvir as palavras de Ken, e Bárbara parecia perplexa.

    “…E pensar que nos seguiram até o pantano…que ardilosos…”

    Disse Bárbara em um tom de raiva contida e parecendo pensativa.

    Mas então as próximas palavras de Ken deixaram as duas confusas.

    “Eles não nos seguiram.”

    “? Não nos seguiram? O que você quer dizer?”

    Perguntou Bárbara, com certa dúvida em seu tom de voz, que Ken respondeu.

    “Durante todo o caminho, nem eu ou a Crystalline sentimos a presença de pessoas no seguindo pelas sombras, e como percorremos uma planície, não tinha como os assassinos se escondem enquanto nos perseguem. O certo a dizer é que eles já haviam previsto que atravessaremos o pantano de Mykvath, e talvez até também já tivessem conhecimento sobre a vossa rota de passagem. Então eles se esconderam, esperando uma oportunidade para nos atacar.”

    “!”

    “!”

    A revelação de Ken mais uma vez deixou ambas chocadas e confusas, principalmente Bárbara que parecia perplexa. Mas Ken continuou.

    “A razão de vocês terem escolhido atravessar o pântano de Mykvath ao invés do território do condado de Belfort não foi por medo, mas sim para reduzir o tempo de passagem até o condado, e seus inimigos provavelmente já sabiam do plano de vocês de atravessarem, assim como a rota de passagem que vocês planejaram para percorrer o pântano, com tudo isso, tudo o que os assassinos precisavam fazer era entrar primeiro no pântano e esperar até que o alvo de assassinato aparecesse. Claro, coisas inesperadas aconteceram durante tudo isso, o que dificultou o plano deles.”

    Depois de dizer estas palavras, Ken lançou um olhar para elas, analisando suas expressões chocadas e perplexas, antes de continuar.

    “Julgando pelas expressões em seus rostos, posso adivinhar que o plano de atravessarem o pantano de Mykvath era confidencial, e que poucas pessoas tinham conhecimento, talvez pessoas de confiança.”

    “…”

    “…”

    Ambas ficaram em silêncio diante das palavras pesadas de Ken, como se não quisessem admitir que era verdade, mas sabiam que seriam apenas palavras vazias. Mas Ken continuou, seu olhar vagando entre as duas, fazendo-as se sentirem como se estivessem em um interrogatório, o que as deixava nervosas.

    “Ou seja, ou a informação do vosso plano foi vazada de alguma forma para seus inimigos, ou possivelmente exista um traidor entre eles. Seja o que for, vejo que vosso inimigo está realmente disposto a fazer de tudo para ir contra vocês, afinal.”

    “…”

    “!…”

    Mas uma vez elas não disseram nada, não querendo admitir que as palavras de Ken, embora pesadas, certamente continham verdade nelas, e também, elas não puderam deixar de admirar.

    Ken era apenas um estranho de fora, mas com apenas algumas interações e informações ele já conseguiu descobrir de seus planos ao quererem atravessar o pantano de Mykvath, e até descobriu informações que nem mesmo elas sabiam, ou tinham medo de saber.

    O olhar de Ken vagou por elas por mais um tempo, fazendo-as sentir como se estivessem em um interrogatório, depois, Ken cruzou os braços e falou.

    “Devemos manter em segredo sobre e tentativa de assassinato. Seja para os guerreiros que vos acompanham ou mesmo para as pessoas do condado Skarsgard.”

    “!”

    “!”

    As palavras de Ken desta vez deixaram ambas surpresas, e Bárbara se adiantou.

    “Eu não concordo! Tentativa de um nobre é um assunto muito sério! Devemos relatar isso imediatamente e então procurar os envolvidos, ou a vida da jovem senhorita sempre estará em perigo!”

    “…”

    Diante do grito de Bárbara, Ken simplesmente lançou um olhar frio para ela.

    “!…”

    Percebendo que mais uma vez havia se exaltado, Bárbara finalmente ficou calma e abaixou a cabeça envergonhada.

    “Você tem garantia de que conseguirão encontrar o traidor assim que contarem sobre a tentativa de assassinato?”

    “!”

    A pergunta de Ken havia deixado Bárbara sem palavras, e como não houve resposta, ele continuou a falar.

    “No momento em que for descoberto que o assasinato falhou, o culpado, sabendo que será um dos possíveis suspeitos, fará o possível para encobrir seu rasto, pior, ele pode até chegar a criar evidências falsas e colocar toda a culpa em alguém inocente. Deste modo, o verdadeiro assassino ainda estará livre, esperando por mais uma oportunidade para atacar furtivamente.”

    “…”

    Ouvindo as palavras de Ken, Bárbara de repente sentiu sua espinha arrepiar ao imaginar sobre esta possibilidade. Afinal, um inimigo que se esconde nas sombras é pior que um confronto direto.

    Ken continuou.

    “O melhor é fingirmos de que nada aconteceu, e como estavamos no pantano, eles podem chegar a pensar que os assassinos na verdade morreram no pantano, o que os deixará tranquilos e desleixados. Só então teremos a oportunidade de criar um plano e pegar o responsável.”

    “…”

    “…”

    Mais uma vez, ambas ficaram em silêncio, ponderando silenciosamente as palavras de Ken.

    Então, depois de um bom tempo, Aela levantou a cabeça com uma expressão decisiva, e falou.

    “Faremos isso.”

    Seu tom de voz era decisivo, sem um pingo de nervosismo.

    “?”

    Bárbara parecia ligeiramente surpresa e preocupada, mas não persuadiu a negar, afinal, ela mesma sabia que era o melhor que podiam fazer se realmente quisessem pegar o culpado, ao invés de deixar o inimigo se esconder e voltar a atacar quando tivesse a chance.

    “Então vocês parecem decididas.”

    Disse Ken, vendo que ambas realmente não tinham planos de contrariar seu plano, o que o deixou satisfeito.

    Antes, ele planejava se aproximar delas e aumentar a confiança delas para com ele. Mas agora, graças à intervenção da besta Mística Jormskalli e dos assassinos da Névoa fantasma, a confiança delas para com ele não apenas aumentou, como agora se tornaram dependentes dele.

    Vendo como as duas não tinham mais planos de mudar de ideia, então significa que estavam decididas a seguir com o plano, encerrando assim a reunião improvisada.

    “…”

    Assim, Ken fechou os olhos e levantou lentamente a cabeça para cima.

    “…Você não está bem.”

    Crystalline, que estava ao lado, disse estas palavras assim que viu este pequeno movimento de Ken.

    “…”

    Ken não respondeu, apenas abriu lentamente os olhos e olhou para ela. Como se dissesse. ‘Sim, você está certa’.

    Ken realmente não estava bem, por ter utilizado a técnica do [Coração da besta], o [Raio branco], e o [Coração da besta branca], todos os músculos e ossos de seu corpo estavam extremamente dormentes, para além de ter ferimentos nos órgãos internos.

    Além do mais, por causa do [Coração da besta branca], seu batimento cardíaco estava perigosamente baixo do que uma pessoa comum poderia suportar para viver. E também, a cada respiração, Ken sentia como se seus órgãos estivessem sendo perfurados por lâminas, dando uma sensação extremamente dolorosa.

    Tudo o que ele queria fazer era fechar os olhos e descansar, para deixar a recuperação de seu corpo para o pecado da preguiça.

    “?…” 

    Mas foi então que Ken ouviu passos se aproximando, e quando olhou para frente, percebeu que todos os guerreiros e guerreiras do condado Skarsgard estavam se aproximando dele com passos lentos, mas firmes.

    “…Huff…”

    Vendo isso, Ken fechou os olhos e soltou um suspiro pesado. Depois, voltou a abrir, forçou seu corpo a se inclinar ligeiramente e apoiou seus cotovelos sobre seus joelhos.

    Vendo os guerreiros e guerreiras se aproximando, Bárbara franziu a testa parecendo irritada, com medo de que eles planejassem fazer mais alguma coisa absurda e estava prestes a se levantar para impedi-los.

    “?”

    Mas neste momento Ken estendeu sua mão para ela, pedindo que não fizesse nada.

    “…”

    Ela, sem saber o porquê, ouviu as intenções de Ken e voltou a se sentar, mas sem esconder o traço de hostilidade em seus olhos.

    Assim que os guerreiros e guerreiras se aproximaram e perceberam o olhar de Bárbara, imediatamente abaixaram a cabeça, parecendo envergonhados, claramente sabendo o porquê de Bárbara parecer insatisfeita.

    A pessoa que estava na frente era Érika, seu braço direito estava enfaixado sobre o peito, parecendo ter sido deslocado. Seu olhar para Bárbara também era de vergonha, como se não tivesse coragem de olhar para ela.

    Depois, o olhar de todos cairam sobre Ken, só que, ao invés da arrogância e hostilidade que tinham antes, um estranho olhar de extrema vergonha passou em seus rostos.

    Na verdade, eles nem conseguiam olhar em seus olhos, apenas podiam abaixar a cabeça e olhar para a sola de suas botas. 

    “…”

    Mesmo diante do olhar e aparência estranha dos guerreiros, Ken não mostrou nenhuma mudança de expressão. Ele não parecia nem convencido ou sequer irritado, era sempre indiferente, como se o que quer que estivessem fazendo não o importasse.

    Os guerreiros, percebendo isso, pareciam ainda mais envergonhados. E então, no momento seguinte, todos os guerreiros caíram de um joelho no chão enquanto com o punho direito também sobre o chão.

    “!”

    “!”

    Bárbara e Aela ficaram imediatamente surpresa, afinal, um guerreiro Vinlandese se ajoelhar no chão com um joelho e com os punhos cerrados no chão, era uma demonstração de humildade quando querem se desculpar para alguém.

    Para um guerreiro, é praticamente uma desonra, portanto, na maioria das vezes os guerreiros preferem morrer do que demonstrar este ato. Por isso, ela e Bárbara não puderam deixar de se surpreender.

    Crystalline, ao lado, ergueu ligeiramente seus lábios em um leve sorriso, como se estivesse assistindo a um espetáculo interessante.

    “…”

    Já Ken, do início ao fim, ainda assistia a tudo sem demostrar nenhuma mudança de expressão.

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