Índice de Capítulo

    Os guerreiros e guerreiras da casa Skarsgard estavam de joelhos diante de Ken e Crystalline com a cabeça baixa, sem ousarem olhar para eles. Aquela presença arrogância e debochada de antes já não se podia encontrar neles, em vez disso, eles mantinham uma postura humilde, quase submissa.

    Érika, que parecia estar na condição de comando, falou.

    “Eu, Érika Carlet, estou falando em nome de todos os guerreiros aqui presentes. Por causa de nossa visão distorcida e preconceito, agimos com muito desrespeito contra o Sr. Ken Wolf e até a Srita. Crystalline nestes dias em que estivemos juntos. Agora, não temos coragem nem de encará-los nos olhos. Hoje, nós finalmente pudemos presenciar que sempre existe uma espada mais afiada que a outra, e que a nossa a muita esteve se desgastando. Sei que é vergonhoso admitir nossos erros apenas quando finalmente presenciamos o poder de vocês. Mas, mesmo assim, em nome de todos os guerreiros aqui presentes, nós humildemente pedimos perdão a vocês!”

    “Nós pedimos pelo vosso perdão!”

    “Nós pedimos pelo vosso perdão!”

    “Nós pedimos pelo vosso perdão!”

    No momento em que Érica terminou suas palavras de desculpas, os outros guerreiros também desculparam-se em uníssono, a culpa e o arrependimento presente no tom de voz de cada um deles.

    “!…”

    Bárbara, vendo que os guerreiros finalmente abriram os olhos e tomaram a iniciativa de se desculpar, fez um grande alívio tomar conta dela, assim como uma sensação de orgulho por eles.

    “!…”

    Mas no momento em que olhou para Ken, seu coração afundou. Porque, mesmo diante de tamanha humildade expressada pelos guerreiros, a expressão de Ken ainda permanecia indiferente, na verdade, até parecia mais fria.

    Ela ficou imediatamente confusa, se perguntando onde os guerreiros haviam errado para fazê-lo parecer irritado.

    Ken permaneceu em silêncio durante um tempo, criando um silêncio tenso sobre todos eles. Em seguida, seu olhar vagou sobre todos, antes de fazer uma pergunta.

    “Onde está aquele guerreiro?”

    Sua pergunta era desprovida de qualquer emoção, mas ainda carregava um peso invisível, fazendo os guerreiros sentirem-se extremamente nervosos, a ponto de o suor frio escorrer sobre seus rostos.

    Mesmo não tendo dito o nome, não era preciso dizer, pois Erika sabia que Ken estava se referindo a Corgard, o principal e maior causador de problemas.

    Então, sentindo-se ainda mais envergonhada, ela abaixou ainda mais a cabeça antes de responder.

    “Ele ainda não se recuperou dos ferimentos. Por isso não pode estar aqui.”

    Disse ela, mas seu tom de voz era fraco, como se ela mesmo não acreditasse no que estava dizendo.

    Então, após as palavras dela, o olhar de Ken vagou mais uma vez por todos os guerreiros. Até mesmo aqueles que tinham dificuldade em andar e também estavam seriamente feridos também estavam presentes. 

    Mas Corgard, um dos menos feridos, não conseguia estar presente, o que só poderia significar uma coisa. Que diferente deles, ele não queria se humilhar, e Erika, mesmo dando aquela desculpa, sabia que Ken não iria acreditar, mas mesmo assim o disse, porque achava que seria melhor do que dizer a verdade.

    Mas as próximas palavras de Ken ecoaram.

    “Vocês sabem qual é uma das maiores virtudes de um guerreiro?”

    “!”

    “!”

    A pergunta de Ken pegou de surpresa os guerreiros, surpreendendo-os. Não apenas eles, até Bárbara e Aela ficaram surpresas pela sua pergunta repentina.

    “…”

    Crystalline, ao lado, também começou a olhar para Ken com interesse.

    Então, assim que conseguiu chamar a atenção de todos, Ken continuou.

    “Ouvi uma vez, um guerreiro que havia se tornado bastante famoso em algumas províncias de Vinland. Era uma época não muito distante desde a fundação do reino, onde todos os guerreiros renomados eram bastante apreciados, vistos como entidades supremas.”

    As pessoas começaram a achar estranho quando Ken de repente começou a contar uma história, ao invés de responder a própria pergunta que havia feito.

    “…”

    “…”

    “…”

    Mas, por alguma razão, todos estavam prestando bastante atenção e interesse na história, querendo saber até onde Ken queria chegar.

    “Por causa de seu reconhecimento e da fama que estava recebendo, o guerreiro começou a se sentir mais confiante, o que é necessário para um verdadeiro guerreiro. Mas, com o passar do tempo, esta confiança foi se transformando em orgulho, e, no final, em arrogância. Para ele, os fracos e as pessoas de status menor tornaram-se insignificantes em seus olhos, respeitando apenas aqueles que eram mais fortes que ele.”

    Ken então fez uma pausa, deu uma olhada nas expressões dos guerreiros antes de continuar a falar.

    “Um dia, durante seu treinamento, um estranho homem apareceu à sua frente e começou a falar sobre alguns erros em seu treinamento, e de como deve melhorá-lo. As palavras do homem misterioso eram profundas e cobertas de sabedoria. Mas quando o guerreiro olhou para a aparência do velho, que vestia roupas esfarrapadas e cabelo mal penteado, seu rosto se encheu de desgosto e imediatamente expulsou o velho.”

    Ken fez uma pausa por um momento, e continuou.

    “Durante um bom tempo, o guerreiro já não conseguia mais evoluir, ficando estagnado como um guerreiro de aura avançado, e isto o deixava bastante frustrado e desesperado. Com o tempo, guerreiros mais habilidosos foram surgindo, deixando-o para trás. Ele, que sempre vencia em duelos, passou a perdê-los, e sua fama antes conhecida lentamente começou a deixar de existir. Este sentimento de perda e desespero gradualmente foi afetando sua aura até ser completamente consumida por ela, até ser incapaz de manifestar aura pelo resto de sua vida. Um dia, três grandes nomes de guerreiros começaram a surgir pelo reino, chamando a atenção até do próprio rei. Até que o guerreiro descobriu que os três guerreiros famosos eram discípulos do velho que ele antes havia desprezado, o que o fez desistir completamente da vida.” 

    “…”

    “…”

    Um silêncio ensurdecedor surgiu assim que Ken terminou de contar a história. Um final que consideravam adequado e merecido para o guerreiro arrogante. Mas, por alguma razão, eles estavam se vendo como este exato guerreiro contado pelo Ken, o que os deixou envergonhados.

    Eles não conseguiam deixar de pensar, e se fossem eles no lugar do guerreiro, e de repente um velho sujo se aproximasse deles e de repente começasse a ensiná-los, como eles reagiriam?

    A verdade era óbvia para eles, porque assim como o guerreiro arrogante, eles simplesmente o ignorariam, mesmo que suas palavras parecessem sábias.

    Vendo isso, Ken continuou.

    “Não contei esta história para envergonhar vocês ou para repreender, mas apenas para contar que este guerreiro, que tinha talento e teve uma boa base inicial como guerreiro, havia se esquecido da verdadeira virtude de um guerreiro. E isto é a humildade.”

    Depois de dizer a última palavra que queria, Ken pegou um pedaço de galho do chão, olhando para ele com interesse antes de continuar.

    “Embora pareça embaraçoso, mas um guerreiro também precisa de humildade. Não existe e nunca existirá alguém mais forte que o outro, sempre existirá alguém acima de você, seja um guerreiro honrado de uma casa nobre, ou um vagabundo desconhecido. É preciso que um guerreiro saiba aceitar isso, caso contrário, quando você amarra seu coração e se nega a aceitar que alguém que você considera inferior se torna mais forte que você, o sentimento de negação sentimento irá preencher seu coração e sua vontade será desequilibrada. Como ele pode ser mais forte que eu? Um caipira como aquele ousa? Impossível.”

    Cada palavra pesada de Ken parecia como um soco no coração dos guerreiros, fazendo-os estremecer levemente.

    Então, o galho que Ken observava tão atentamente em suas mãos, jogou-a na fogueira à sua frente.

    O som de crepitar ecoou e o galho começou a ser envolvido pelas chamas, sendo consumida até virar carvão.

    “Com sua vontade desequilibrada você será consumida pela sua própria aura, assim como este galho que foi consumido pelo fogo, sem sequer ter a chance de escapar. Isto é chamado de demônios internos.”

    Assim que terminou de falar, o olhar de Ken que observava o galho sendo carbonizado se levantou e olhou para os guerreiros, o que por alguma razão os deixou nervosos.

    Então, pela surpresa de todos, os lábios de Ken se ergueram para cima, revelando um leve sorriso.

    “Estou feliz em saber que os guerreiros da casa Skarsgard não tenham se deixado levar pelos seus demônios internos e tiveram a humildade de se desculpar comigo.”

    Os guerreiros, ao verem o leve sorriso de Ken e ouvindo suas palavras de elogio para eles, fez com que eles começassem a se sentir comovidos. O peso de ansiedade e nervosismo que sentiam no coração começou a se dissipar, assim como o coração amargurado pelo status e superioridade.

    Eles também passaram a admirá-lo, mantendo uma expressão calma mesmo quando eles o ofenderam repetidamente, e ainda teve a humildade de lhes passar um grande conhecimento. Afinal, eles acreditariam que se fosse outra pessoa, os estaria xingando neste momento.

    Érika, que parecia heitante, olhou para Ken e falou com cautela.

    “Então…você nos perdoa.”

    “…”

    Diante da pergunta cautelosa de Érika, Ken permaneceu em silêncio por um momento, apenas olhando para ela durante um tempo, o que começou a deixá-la inquieta.

    Mas depois, Ken simplesmente fechou os olhos e balançou ligeiramente a cabeça em concordância.

    “!”

    Vendo isso, o rosto antes inquieto de Érika logo se iluminou de empolgação e ela bateu o punho direito no peito.

    “Eu, Erika Carlet, agradeço pelo conselho, e obrigado por nos perdoares!”

    “Obrigado pelo seu perdão!!”

    “Obrigado pelo seu perdão!!”

    “Obrigado pelo seu perdão!!”

    Os outros guerreiros também agradeceram em uníssono, suas vozes ecoando pela longa planície. E assim, Ken e os guerreiros da casa Skarsgard finalmente podiam compartilhar o mesmo acampamento sem a presença daquele desconforto. 

    “…”

    Mas ao longe, Ken podia ver os mercenários que haviam montado o próprio acampamento. Eles estavam ao redor da própria fogueira, bebendo e sorrindo pelo luto com amargura, parecendo solitários.

    Afinal, ao contrário dos guerreiros da casa Skarsgard, três dos mercenários do grupo Amaldiçoado haviam morrido.

    Enquanto isso, do outro lado.

    Corgard estava deitado em seu pano no acampamento dos guerreiros da casa Skarsgard fingindo estar dormindo. Seu punho direito estava apertando com força, como se estivesse tentando suportar a injustiça.

    ‘Bando de idiotas…a maior virtude de um guerreiro é a humildade? Não me façam rir! Apenas esperem até eu superar cada um de vocês! Farei cada um lambera minhas botas!’

    Desde o início, ele estava contra irem se desculpar contra o Ken, dizendo que isto era contra a honra dos guerreiros do condado de Skarsgard. Mas neste ponto mais ninguém prestava atenção nas palavras de Corgard, e simplesmente o ignoraram.

    ‘Droga!…’

    Corgard não conseguia aceitar isso, mesmo tendo visto em primeira mão a verdadeira força de Ken e Crystalline ao derrotar o Jormskalli, ele se recusava a acreditar que eles eram tão fortes assim.

    Afinal, se ele aceitasse, teria que admitir que estava errado desde o início e teria que se desculpar. Mas ele não queria isso.

    ‘Sim…nós o enfraquecemos primeiro! Só assim aqueles dois conseguiram derrotá-lo! Sim, é isso! Só pode ser isso!’

    Ele estava convicto de que seus pensamentos estavam certos, e quanto mais pensava, mais certo ele se sentia. Afinal, ele não conseguia aceitar o fato de Ken ser mais forte que ele, e ainda em um diferença tão grande, fazendo-o se sentir como se estivesse sendo consumido por um abismo, a ponto de apertar seu peito com força.

    Neste momento, sem que Corgard soubesse, ele já estava sendo consumido pelos seus demônios internos.

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