Capítulo 54: Visão Aberta
Quando o dia findou e a luz do luar começou a se formar em meio a floresta. Causando uma iluminação natural entre as árvores e o templo.
Kenji e Kallion encerraram o treinamento naquele dia e ambos seguiram para o templo, para descansar e assim continuar no dia seguinte.
As lanternas do lado de fora e dentro do templo se acenderam ao escurecer, criando uma aura mágica e misteriosa.
— Você já entendeu como meu treinamento funciona, mas só cabe a você a decisão se você quer continuar ou desistir. Lembre de tudo que aprendeu, não pretendo te forçar se não quiser, vou te dar esse tempo para pensar. — disse Kallion.
— Não mestre, eu quero continuar! Estou determinado a me tornar um monge que não foge das responsabilidades além de desfazer a besteira que fiz. — disse Kenji de expressão séria e fala firme.
Kallion ri.
— Haha! Muito bem, você aprendeu bem! Amanhã continuaremos, agora descanse.
Kallion seguiu para seus aposentos e Kenji fez o mesmo seguindo para o seu quarto.
Ele abre a porta e ao entrar fecha a mesma, senta na cama e olha para o escrito em cima do espelho.
“Essa é a única pessoa que você pode mudar.”
Ele se deita na cama e olhando para o teto lembra de sua família e seu irmão.
— Como será que ele deve estar? — ele dá um suspiro. — Saudades…
Kenji fecha os olhos ainda pensando em seu irmão, tudo o que fez e não fez. Com um tempo ele foi pegando no sono até finalmente dormir.
Logo cedo, Kallion se levantou e começou a fazer os preparativos para o outro treinamento de Kenji.
Ele pegou cinco jarros de barro e dentro de um deles colocou um japamala.
Aquele japamala era composto por contas de madeira lisa em tom marrom-avermelhado, enfileiradas e unidas por um cordão resistente.
No centro, há uma conta maior e esculpida, seguida por uma borla de fios vermelhos intensos.
Em seguida, Kallion começou a tocar na sua flauta esperando o momento que Kenji acordasse. O som da flauta era suave e acolhedor, soava como o canto de um pássaro, o pássaro com o canto mais belo de todos.
Ao ouvir esse som mágico, Kenji que já havia se levantado se aproxima do mestre que estava à sua espera.
Kallion para de tocar sua flauta e diz:
— Está pronto?
— Sim, sim mestre! — respondeu Kenji.
— Pegue tudo que eu te ensinei sobre concentração, você vai precisar disso agora. Feche os olhos e tente se concentrar no que não vê para passar a ver.
— Não entendi. — disse Kenji confuso coçando a cabeça.
— Feche os olhos e se concentre na ponta do seu nariz, por exemplo, mantenha o foco e respire fundo.
— Mas pra que tudo isso? — perguntou Kenji.
— Você vai treinar o seu sexto sentido agora, não usando seus olhos naturais, você vai me dizer com exatidão onde escondi o item entre esses jarros. — respondeu Kallion e continuou. — É uma habilidade simples, você vai conseguir!
“Ok vamos lá!” Pensou Kenji.
Obedecendo seu mestre ele fecha os olhos e focando sua mente em um ponto fixo, neste caso sendo a ponta de seu nariz ele começa seu treinamento.
Foi de manhã e a tarde e Kenji não conseguiu enxergar o japamala escondido dentro dos jarros, ele sentiu como se sua meditação não estivesse funcionando, teve medo de decepcionar o seu mestre.
Mas Kallion estava focado em outra coisa, horas ele tocava sua flauta e horas ele treinava golpes silenciosos no ar, que mais pareciam uma dança.
Dois dias depois.
Kenji fecha os olhos e faz um sinal de mão com os dois dedos levantados. Uma aura de cor dourada começa a emanar de sua mão.
Em seguida um terceiro olho surge em sua testa, ele está em posição vertical, com a pupila no centro e o contorno triangular alongado de cima para baixo.
Ele brilha em um tom dourado vivo, quase incandescente, lembrando um selo ou runa sagrada.
O brilho não apenas ilumina, mas parece pulsar como se fosse uma fonte de energia, consciência ou percepção além do humano.
Kallion para o que estava fazendo e começa a observar o que Kenji fazia com admiração e surpresa.
Kenji agora podia ver o ambiente ao seu redor não com olhos naturais, mas com seu terceiro olho espiritual aberto ele via como um morcego usando ecolocalização.
Tudo o que via era escuridão e pequenas linhas contornando as áreas escuras que o faziam distinguir o local ao seu redor.
Além de ver todo tipo de energia à sua frente, um pulsar de energia ressoava no ambiente e voltava para seu olho, conseguindo assim a informação de onde o japamala estava.
Bem devagar Kenji anda até onde estavam os jarros, com um soco preciso e rápido ele quebra o último jarro da esquerda e pega o japamala que estava dentro do mesmo.
Abrindo os olhos, seu olho espiritual se fecha, se desfazendo instantaneamente.
— Uau! — disse Kenji surpreso. — O que aconteceu?
— Você chegou num ponto de conexão espiritual! — respondeu Kallion. — Meus parabéns! E como premiação de sua conquista, fique com esse japamala ele é seu!
— Obrigado! — diz Kenji com um largo sorriso no rosto.
Kenji põe o japamala no pescoço, deixando-o por baixo de sua camisa.
— Desculpe a pergunta mas… para que serve isso?
— Japamalas ajudam a manter a conexão espiritual mais forte, sendo útil para fazer preces e meditação. Mas esse é especial, ele está banhado com a mesma magia de um amuleto de sorte e qualquer anel ou item de proteção comum. Então será muito mais útil do que um simples japamala.
— Nunca usei nenhum amuleto de sorte, ou algo que tivesse esse poder. — disse Kenji admirado com o japamala em seu pescoço.
— Então se sinta grato, por que esse não é um simples amuleto de sorte. Agora vamos continuar! No final do outro treinamento você também terá uma recompensa!
Kallion mostra para Kenji uma grande árvore de madeira escura, com galhos fortes e resistentes.
Com uma força sobre humana o monge ergue um grande sino amarrado a uma grande corrente, e o prende num galho na altura de suas cabeças.
— Você terá dois objetivos aqui. Você vai praticar o seu chute, chutes altos e precisos também são importantes para um lutador, você vai tentar alcançar o badalo do sino apenas chutando. E o outro você vai pular e socar o sino, porém dessa vez não com força bruta, usando um soco revestido de poder espiritual. Outra coisa, esse sino só reage quando é imbuído poder espiritual nele, ou seja, tanto os chutes e socos só vão fazer o sino tocar atingindo com energia espiritual. Boa sorte!
Ele termina com um sorriso habitual, algo que fazia sempre que dava uma tarefa difícil para seu aprendiz.

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