Capítulo 1202 - Reencontro
『 Tradutor: Crimson 』
–Boom!!
O reino continuou a tremer enquanto a estrutura do espaço começava a se colapsar. O espaço se deformou violentamente, criando uma cena desorientadora onde o que estava em cima se tornou embaixo e a esquerda se transformou em direita. Em meros segundos, o reino se reorganizou, várias estruturas antigas irromperam do solo como se despertassem de um longo sono.
O Túmulo da Gula.
O local de descanso final do antigo Soberano da Gula, perdido no tempo, oculto até mesmo dos deuses. Até Veinn e Coriel ficaram chocados ao reconhecê-lo. Todo o reino pulsava com a força avassaladora, reforçada por inúmeras runas que brilhavam como olhos famintos.
Esquin franziu a testa e levantou a cabeça.
–Ohm!
Uma mão colossal rasgou o próprio espaço. Dedos como pilares de força bruta agarraram ambos os lados da rachadura dimensional, abrindo à força o reino secreto. A energia que jorrava da rachadura era avassaladora, irrompendo em ondas que ameaçavam engolir tudo ao seu alcance.
–Bang!!
No instante seguinte, o espaço foi violentamente aberto. Todo o reino convulsionou, remodelando-se enquanto a paisagem mudava drasticamente, um oceano infinito num momento, um vasto campo de montanhas imponentes no seguinte.
A realidade oscilava como uma projeção quebrada, cada cena colidindo com a anterior. As rápidas transformações tensionavam o reino, levando seus próprios alicerces ao limite.
–Boom!!
…
Dentro do reino secreto, ocorreu uma mudança repentina.
Todos os seres vivos sentiram uma onda de tontura os invadir. Sua visão ficou turva, seus sentidos falharam e até mesmo sua energia escapou ao seu controle.
–Ohm!!
O terreno mudou violentamente. A névoa branca surgiu como uma maré viva, invadindo a terra que antes permanecia intocada.
Num piscar de olhos, todo o reino secreto, céus e terra, foi engolido pela névoa. Nada escapou ao seu alcance.
Vashno, Doranjan, anjos, anjos caídos e todos os outros seres vivos começaram a perder a consciência, desmaiando um a um, do mais fraco ao mais forte.
Naquele instante, uma enorme onda de energia desceu do céu.
–Whoosh!!
Após algum tempo, a consciência começou a retornar ao caído.
Vashno se impulsionou do chão, agarrando a cabeça. Uma fraca tontura persistia, mas ele conseguiu se estabilizar.
“O que aconteceu…?”
Ele cerrou os dentes e examinou lentamente o ambiente ao redor. Algo parecia fundamentalmente diferente.
Então ele percebeu… A mana, leis, até mesmo os próprios conceitos de existência eram muito mais fortes do que antes.
Um pensamento arrepiante lhe passou pela cabeça.
Talvez… tenha retornado a Imperium.
“Este é realmente Imperium… mas…” Vashno murmurou enquanto examinava os arredores.
O solo ainda estava encharcado por um líquido escuro, e as estruturas arruinadas do império espalhadas por toda parte. Contudo, misturadas a elas, havia terrenos que jamais pertenceram ao Império — pedaços retorcidos de florestas fundidos com formações rochosas, edifícios parcialmente incorporados às montanhas e árvores que brotavam da rocha sólida.
O reino secreto fora forçado a sair — espremido no mundo físico, sobrepondo-se às terras de Imperium e fundindo-se em uma paisagem caótica.
Um a um, os outros recuperaram a consciência. A princípio, seus olhos estavam tomados pela confusão, assim como os de Vashno. Mas, à medida que a verdade se revelava, o choque tomou o seu lugar.
Eles estavam de volta a Imperium.
O que diabos teria acontecido no reino secreto para causar isso?
Nem os anjos, nem os anjos caídos, nem nenhuma das outras facções compreendiam a causa. Mas todos sabiam de uma coisa:
Isso devia estar relacionado ao surgimento do Exército da Gula. Somente esses seres eram capazes de desencadear algo dessa magnitude.
“Vashno!”
Uma voz familiar dissipou a névoa persistente.
Vashno virou a cabeça bruscamente para o lado e viu um homem alto se aproximando, com longos cabelos esverdeados esvoaçando atrás dele, chifres dracônicos curvando-se de seu crânio e tênues escamas brilhando sobre sua pele. A energia que emanava dele não era mana, mas pura feram.
“Doranjan?!” Os olhos de Vashno se arregalaram. Ele não esperava ver um amigo ali, de todos os lugares.
“Você está mesmo aqui”, disse Doranjan, examinando-o de cima a baixo. Fazia quatro meses desde o último encontro, e a força de Vashno havia aumentado muito mais do que ele esperava.
“O que você está fazendo neste lugar?”, perguntou Vashno.
“Viemos aqui para vê-lo, é claro.” Doranjan fez uma pausa e acrescentou: “Eztein também está aqui. Foi ele quem reuniu as informações.”
“Então Eztein também está aqui, né? Só vocês dois? E os outros? E o mais importante, nosso líder?”
“Você tem perguntas demais…” Doranjan balançou a cabeça e disse: “Responderei a tudo isso mais tarde. Agora não é o momento.”
“Vashno!!”
Uma voz ecoou pela paisagem devastada, chamando a atenção de Vashno e Doranjan. Eles se viraram e viram uma bela mulher de longos cabelos negros apressando-se em sua direção, seguida de perto por várias pessoas.
Doranjan ergueu uma sobrancelha para Vashno, questionando-o silenciosamente. Já que aquelas pessoas o chamaram, ele devia conhecer aquele grupo.
Ravel parou em frente a eles, ligeiramente sem fôlego.
“Que bom que você está bem”, disse ela aliviada, antes de seu olhar se voltar para Doranjan.
Era a primeira vez que ela o via. No instante em que seus olhos encontraram os dele, ela congelou por uma fração de segundo; a aura que ele emanava era inconfundível.
Um monstro no quinto estágio…
“Raven.” Vashno acenou com a cabeça na direção do amigo.
Ele rapidamente apresentou Raven e os membros dos Presa de Leão a Doranjan, e por sua vez apresentou Doranjan ao grupo. As apresentações foram breves, pois todos sabiam que havia assuntos muito mais urgentes em questão.
Vashno, Doranjan, Raven e o resto dos Presa de Leão voltaram seus olhares para a área distante onde os dois especialistas da Nona Algema haviam se enfrentado anteriormente com o Mensageiro da Gula. A mera lembrança lhes causava arrepios. Dois especialistas na Nona Algema, monstros por direito próprio, haviam morrido ali.
E nenhum deles realmente entendeu como aquilo tinha acontecido.
“O Exército da Gula está aqui”, disse Doranjan, sombriamente.
“Sim”, respondeu Vashno com um aceno de cabeça e disse: “Os líderes, tanto dos anjos quanto dos anjos caídos, acabaram de morrer.”
Ao longe, uma enorme mancha de energia escura e branca agitava-se violentamente. Estendia-se para o céu, formando uma estranha estrutura em forma de disco. Inúmeras runas cintilavam em sua superfície, e as camadas espaciais circundantes se contorciam e deformavam como se lutassem para se manter unidas.
Uma aura sufocante emanava dele, uma aura que prometia morte instantânea a qualquer forma de vida que ousasse se aproximar.
–Ohm!!
Uma onda de energia se propagou para fora.
O líquido escuro no chão tremeu… e então começou a se mover.
Vashno, Raven, Doranjan e todos no campo de batalha viraram a cabeça bruscamente na direção do fenômeno. A mesma cena sinistra que testemunharam momentos antes de perderem a consciência se repetia.
Luzes vermelhas surgiram no céu, cintilando como estrelas demoníacas e liberando uma aura muito mais perigosa do que antes.
“De novo?!”
“O que será que o pessoal do Exército da Gula está planejando desta vez?!”
“Fiquem para trás!!”
Suas vozes ecoaram pelo campo de batalha, tensas e cautelosas, enquanto observavam a cena aterradora que se desenrolava diante deles.
A onda de energia continuou a crescer, tornando-se mais forte a cada segundo.
Lentamente, inúmeras figuras emergiram do líquido escuro que cobria o chão, suas formas envoltas em roupas pretas. Algumas desceram do céu, de cabeça para baixo, desafiando a gravidade. Todas as figuras pareciam idênticas, exceto pelas tênues diferenças na energia que cada uma irradiava, sutis indícios de níveis de poder e intenções.
As luzes carmesins no céu banhavam o campo de batalha num brilho sangrento, projetando sombras longas e ameaçadoras sobre todos os presentes.
Uma onda de pavor varreu a multidão e muitos empalideceram diante da visão diante de si. Eles já sabiam o que eram aquelas figuras.
“O… Mensageiro da Gula!!”
“E… Existem centenas deles…?”
Cada figura que emergiu era, de fato, um Mensageiro da Gula, sem exceção. O campo de batalha mergulhou em um silêncio atônito, pois todos os presentes conheciam o poder catastrófico que esses seres detinham e a destruição que deixavam por seu caminho.
Os anjos e anjos caídos das Terras Santas, assim como pessoas de facções menores, mal conseguiam compreender o que estavam vendo. Aquilo era muito além de tudo que haviam imaginado.
Uma verdade aterradora ficou clara: o Exército da Gula estava tramando algo gigantesco, algo tão devastador que exigia a presença de todos esses Mensageiros da Gula ao mesmo tempo.
“Eu sei o que é isso!!”
“O quê?!”
“Aquelas… aquelas coisas no céu, brilhando com luz vermelha!! São as Pedras de Sangue!!”
“Pedras de Sangue?!”
Alguns dos observadores mais experientes reconheceram imediatamente a verdade. As incontáveis luzes carmesins espalhadas pelo céu eram, de fato, Pedras de Sangue, e eram tantas que era impossível contemplá-las de uma só vez, deixando-os boquiabertos.
Uma Pedra de Sangue era uma fonte concentrada de energia, cultivada pelos demis, seres que se alimentavam de sangue.
Era a criação emblemática dos vampiros.
“Isto é muito ruim”, murmurou Raven, líder dos Presa de Leão, em voz baixa.
Vashno e Doranjan permaneceram em silêncio, com os olhos fixos no caos que se desenrolava.
“Retirada?” Uma voz familiar perguntou por trás.
Os três se viraram e viram um homem com impressionantes cabelos brancos se aproximando. Ao vê-lo, os olhos de Vashno e Doranjan brilharam.
“Eztein!”
“Você está aqui!”
Era Eztein.
Ele deu uma risadinha enquanto caminhava ao lado deles, o olhar fixo nos incontáveis Mensageiros da Gula. Emanava confiança, misturada a uma determinação férrea que parecia repelir o caos ao seu redor.

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