Capítulo 148 — Declaração
Com o poste voltando a brilhar sobre eles. Rindo daquela afirmação, Jeffrey fechou seu punho e respondeu:
— Sujo? Se eu sou sujo, você também não seria? Aposto que veio para me matar, não é? Eu estava só esperando até você descobrir e viesse me matar, Black Room.
Voltando a esconder seu corpo por debaixo do sobretudo, Kevyn apenas respondeu:
— Nós matamos por motivos diferentes.
— Você acredita que somos diferentes. Mas não somos, olhe para si mesmo vindo me matar por um motivo tão egoísta.
— Você sabe o porquê eu vim?
O ar então congelou com o silêncio do homem, abaixando um pouco a cabeça, seus olhos foram escondidos pelo seu chapéu.
Vendo-o na defensiva por um momento, o príncipe também resguardou a sua e moveu um pé seu para trás enquanto seus soldados lentamente saiam de sua alma.
Então o menino disse:
— Jeffrey, você sabe o que você fez, por que você não confessa?
Um sorriso tão impuro quanto o de seu pai, talvez o pior que já viu, surgiu no rosto daquele ser pútrido e indecente. Ele deu um passo à frente e fez o que ele disse, confessou:
— Eu nunca vou me arrepender de nada que eu fiz até agora.
Ao ouvir aquilo, Kevyn fechou a cara e enrugou seu nariz em nojo. Mas não havia acabado, não tinha como acabar.
— Você parece com raiva … Eu poderia levar sua cabeça só para você poder ver o rosto dela chorando, o que acha?
— Ei, Jeffrey… poderia responder uma pergunta minha? …
O príncipe já tinha dado seu veredito, apenas queria uma explicação.
A rua não iluminada por nada além daquele velho poste. A escuridão tomando conta do ambiente, o quanto predominante era?
Por outro lado, Humbra e Dyaron voltaram para dentro da alma do garoto, não existia motivos para eles surgirem, aquela luta era somente de Kevyn.
Mas então ele cuspiu suas palavras:
— Por que não? Faça sua última pergunta, Black Room.
Sereno, o menino então perguntou: — Como pode ser tão cruel quanto o próprio mundo? Um humano tão imundo? Tanto quanto essas ruas, que caminhamos todos os dias… hein?
— Porque eu quero.
Com um sorriso leve, Kevyn fez contato visual com ele. O rosto cínico de Jeffrey; seu deboche, tudo aquilo foi a gota d’água para o menino. Que sorriu.
— O que foi Black Room? Se identificou? — debochou, mais uma vez.
「• • •」
S̷̙͍̿̄̋u̸̖̬̲͊̑͋̒ḇ̵̦̠̬͉̀̑m̶̩͇͎̲͂̋e҉̮̟̔̾t̴͎̜̜̑͊a̵̟̬̗̔̀̋̒̋-̶͖̣͖̠̃̓̔̽͐s̵͍̳͎̒̽̍͊̀é̵̠̪͍̑̊̐

Passo por passo o príncipe virou carrasco. Ao vê-lo se aproximar, o homem sorriu e conseguiu finalmente o que queria. Erguendo seu punho ele revelou uma adaga de sua manga, então tentou um golpe de cima para baixo.
Lento.
Sem mais aquele sorriso, Kevyn se moveu mais rápido e decepou seu braço com a foice de Humbra. Mas em vão, sendo a própria eletricidade, o homem recuou e disse:
— Hahwahaha… eu alcancei o nível absoluto da manipulação de eletricidade garotinho… não pense qu-
Naquele instante, o mundo pareceu parar.
O som cessou. A luz se dilatou. O tempo se perdeu sem sua marcha.
Jeffrey ainda falava. Palavras moldadas em veneno, nojentas e arrogantes para quem acreditou já ter vencido.
Mas antes que a próxima sílaba escapasse; Kevyn já não estava mais lá.
A foice de Humbra? De volta em sua alma.
Assim, o incluso transformado em propósito.
Mesmo se seu braço se partisse, ele precisava.
E então…
Com uma velocidade que beirou o impossível, o garoto cortou o ar. O próprio espaço cedeu. E o tempo perdeu para seu punho, que correu com a fúria de quem não queria só matar, como eternamente castigar.
O impacto não veio como uma explosão, mas com um silêncio tão absoluto que o mundo precisou se silenciar para ouvir o que aconteceu.
O soco acertou com tudo!
Conforme a pele de Jeffrey se torcia em volta do punho do menino, a sua mandíbula se contorceu sob o golpe. O crânio acompanhou em atraso, o corpo logo depois; como se o mundo estivesse tentando alcançar o que o ataque de Kevyn já havia decidido.
Não foi apenas um golpe.
Foi um veredito.
Então com o ar acompanhando a borda daquela sentença. O mundo viu e entendeu.
Aquele não foi um soco.
Foi justiça.
E Kevyn, parado à frente, com o punho ainda estendido. Não disse nada.
Caído sobre o chão, Jeffrey não poderia compreender o que havia acontecido, porque se soubesse, nunca poderia responder.
Ele em instantes se levantou.
Usou seu poder.
Materializou-se de volta e não percebeu o que estava acontecendo.
Passo por passo o príncipe continuou, sua feição não demonstrou a dor que sentia, mas aquilo não importava.
O imundo homem, com sua boca coberta de seu próprio sangue, cerrou seus dentes em raiva e correu em direção de Kevyn enquanto fazia uma lança de eletricidade para atravessar seu peito.
O menino se deixou ser acertado, afinal, suas escamas simplesmente se adaptaram a todo aquele poder. De olhos banhados em sangue, o garoto agarrou-o pelos braços e conseguiu agarrá-lo pela cabeça.
Tentando reagir o assassino puxou um revólver de seu sobretudo, mas o príncipe usou sua manipulação de metal e simplesmente explodiu sua mão com a munição presente na arma.
Sem deixá-lo reagir de novo, Kevyn bateu sua cabeça contra a parede do prédio do lado da calçada, banhando seu rosto em meio aos tijolos, mas logo retirou-o da estrutura.
Sem reação, Jeffrey encarou o chão, perdendo a adrenalina, ele começou a desmaiar. Mas as correntes se afrouxaram, então o príncipe no mesmo momento curou seu cérebro.
Voltando ofegante ele cuspiu sangue sobre o chão. Todavia, não acabou. Percebendo alguns olhares começando a surgir, o príncipe rapidamente criou um portal sobre seus pés e então os trouxe até a praia, jogando-o contra a areia.
Sem mais ninguém para o impedir, o menino cerrou seus olhos e gritou enquanto finalmente liberou sua mana, cobrindo o ar por sua mana e esmagando o homem com o peso da sua força:
— Tantas e tantas VEZES! Todas as vezes ela veio até mim, tantas vezes que EU A CUREI!
De repente, a mana cessou. Kevyn a controlou e apenas esperou alguma reação do homem.
Jeffrey lentamente engatinhou para fugir, mas seu cérebro ainda estava fraco pela pancada na cabeça. Por um instante o príncipe lembrou do que seu pai fez, mas era diferente.
Ele então chutou a barriga do homem em direção ao mar, jogando-o até a outra ponta da praia. Com seu corpo se quebrando ao cair contra a areia, ele se arrastou pela areia até bem perto da maré.
Sentindo a água tocando seu corpo, dos olhos de girassol do homem, vieram lágrimas e ele tentou dizer:
— P-por f-favor… não…
O garoto se aproximou e já ao lado dele, curou-o e franziu a testa.
— Como assim não? Você por acaso sabe o que você fez?! — gritou e agarrou pelo sobretudo, erguendo-o no ar. — Você abusou dela, Jeffrey. Eu nunca vou te matar por isso, você não merece misericórdia!!
De repente, algo começou a retorcer por dentro. Nós braços de Jeffrey, o sangue ferveu como se tivesse sido corrompido. O calor subiu, doloroso. As veias saltaram conforme a pele se expandiu, esticou ao limite. Aquela dor rasgando seu corpo, seus músculos tremendo.
Então um estalo brutal. E depois, os olhos cheios de arrependimento, a ruptura. Como sacos de carne inflados além do limite, os braços explodiram. Os pedaços voaram, o sangue espirrou sobre a areia e o rosto do príncipe.
Mas não era o fim.
Kevyn observou, inabalável, seus olhos como fendas de um universo sem piedade, controlou tudo que havia nele e explodiu. No chão, carne e pele. O rosto de Jeffrey estava agonizando em uma dor tão aguda que qualquer um desmaiaria. Mas o príncipe não deixaria ele ter um descanso.
Os olhos do menino observaram os ossos dele cravados na carne implodida e retorcida, mesmo que fosse terrível, ele encarou aquilo de olhos vazios.
O sangue sobre sua pele aqueceu e evaporou. Então o curou mais uma vez. Mas através do sangue, restaurando os membros mesmo sem, ou como extremamente saber fazer aquilo.
— Quando você começou? Talvez eu te poupe se…
Com o resto da consciência que tinha, o homem tentou responder: — s-se-is me-
Ou ouvir aquilo, Kevyn pisou na cabeça dele com tudo, matando instantaneamente, mas pela sua vontade, ele não morreu.
— Morre! Morre! Morre! Você! É! A! Coisa! Mais! Nojenta!
Pisando no crânio dele tantas e tantas vezes, seu pé quebrou. Mas pondo seu osso no lugar e o recuperando, o garoto se afastou e sentou-se sobre a areia.
“Que merda… como alguém consegue fazer isso? Por que tudo precisa ser tão horrível?!”, chorando, Kevyn tentou limpar suas mãos na areia, mas o sangue não saiu.
Ele já estava com elas sujas há muito tempo.
Então ficou em posição fetal tentando pensar.
Mas neste momento de fraqueza, com a força de vontade que lhe restava, Jeffrey se levantou e, lentamente, ergueu seu braço. Das nuvens um emaranhado de trovões lentamente se juntaram, eram poucos até finalmente chegarem até o homem e assim, formarem uma katana de trovões.
Com tudo o que tinha, o homem rapidamente reslizo-
“Você não merece viver”.
Kevyn olhou-o nos olhos, e aquilo foi o bastante para o assassino desmaiar e cair sobre a areia suja.
“Eu não quero mais olhar na cara dele, eu não aguento mais…”.
O menino se levantou, retirou Kind da bolsa dimensional e, enquanto as ondas do mar vinham e iam. Ele parou e cerrou seus dentes em dor.
Angustiado e sem mais forças o príncipe segurou sua arma tremendo, não era mais uma luta. A brisa então congelou, o som, a noite. Todas se encaixaram para que ela pudesse dizer:
“Crave a lâmina e deixe que flua. O corpo morrerá, mas o corpo estará em purgatório”.
Era uma voz desconhecida… mas ao mesmo tempo… muito familiar.
Obedecendo, Kevyn cravou Kind sob as costas de Jeffrey, e, pôde sentir que acabou. A alma do homem havia desaparecido.
“A maldade… ela está em todo lugar… não posso deixar ela passar… então não passará”, ele fechou seus olhos. E como cachoeiras, seus olhos choraram.
A luz da lua refletida sobre a água e iluminando aquela cena também fez o mundo chorar, gota por gota a chuva tocou a areia, ela finalmente havia chegado.
Depois de vários dias apenas esperando o momento certo para cair sobre todos os corpos.
Quando cravou, outra coisa sumiu.
Aos poucos…
O corpo do homem se desfez em eletricidade.
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Em meio a flores celestiais de um jardim cheio de emaranhados tênues. Jeffrey acordou em um mundo sem fim e lindo. Mas ao levantar e olhar para o horizonte, viu um riacho correr.
Ele então decidiu explorar um pouco, mas foi morto num piscar de olhos. Mas de repente ele acordou no mesmo lugar, deitado sobre as flores.
Ofegante e sem entender, ele arregalou seus olhos. “Onde será que eu estou?!”, tentando não se mexer para não ser descoberto, ele então teve. Seu braço foi atravessado por uma lâmina até chegar no seu coração e morrer mais uma vez.
Acordando desesperados mais uma vez no campo de flores, ele rapidamente correu para qualquer direção, tentando se salvar de qualquer que estivesse o matando.
Mas… de repente ele esbarrou em alguém… na sua frente uma garota de cabelo vermelho. Ela sorriu e antes dele poder olhar seu rosto, seus olhos foram perfurados pela lâmina dela.
— ARH-AAAAAAARRRRRGHHHHHHHHHHH.
Sentindo mais dor do que quando Kevyn estava o torturando, o homem se contorceu enquanto tentava rasgar a própria pele.
De repente uma leve risada ecoou naquela dimensão. Era da garota, que disse de maneira séria:
— Está com dor… não é? Não se preocupe, quando acabar você será aprisionado. Mesmo sendo um fragmento, seu corpo real deve sentir, não é?
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Em meio a chuva, Jeremy caminhou com um singelo guarda-chuva negro. Sorridente, ele caminhou pelas ruas da área mais pobre de Emerald, onde a minoria se encontrava e vivia sem ter nada além do exato ar, que, mesmo que seja respirável, era igualmente imundo.
O homem então bateu na porta de uma casa de dois andares que estava caindo aos pedaços, visivelmente com alguma falta estrutural, poderia facilmente desmoronar.
“Realmente é difícil cuidar de todos… e pensar que nem escola eles têm, não é?”, o ruivo então bateu na porta e assobiou uma antiga cantiga. “Será que aquele garoto daria um jeito nisso? … Não, ele não é perfeito, afinal…”.
Então a porta se abriu e uma garota atendeu. Com seu cabelo negro com alguns fios verdes para lá e para cá, a menina ainda tão jovem perguntou:
— Você é algum amigo do meu pai?
Vendo-a aínda tão inocente, Jeremy quis chorar, mas ele sorriu e respondeu: — Eu nunca seria amigo dele. Mas tenho uma boa notícia para você, garotinha. Mas primeiro, qual seria seu nome?
— É-é Aycity! — Ela se escondeu atrás da porta, olhando de relance.
Na visão da pequena garota, ela viu um anjo, assustadoramente majestoso em sua frente, mesmo com o cabelo ruivo, ela sentiu-se vendo, mesmo por um momento…
— Seu pai está morto, pequena Aycity.
Sua salvação.
Jeremy estendeu sua mão, aquele chamado era algo além do sonho. Além do mundo. O homem tinha um sorriso sincero na face, ele realmente a faria bem?
Tensa sem saber para onde ir, a garota se desesperou, sua respiração acelerou, suas pupilas dilatando enquanto em sua cabeça: “O que eu vou fazer? O que eu vou fazer? O que eu vou fazer?”, mas… o ruivo estava alí e não a deixaria passar por aquilo.
O homem fechou seus olhos, agachou para ficar na mesma altura que a dela e então repousou a palma de sua mão sobre a cabeça dela. Mantendo um sorriso, ele garantiu:
— Está tudo bem agora, eu lhe darei dinheiro para sobreviver, mas com uma condição.
Retomando a calma, Aycity juntou suas mãos perto do tórax e perguntou com sua voz fraca:
— E o que seria?
— Quero que se junte à minha organização, me ajude a exterminar o mal do mundo. — Lentamente ele abriu suas pálpebras, mostrando um olhar determinado.
Olhando para o lado de fora e vendo as poucas luzes lá fora, ela concordou com a cabeça e respondeu:
— Eu farei o meu melhor!

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