Índice de Capítulo

    O silêncio que se seguiu à abertura da reunião foi curto, mas pesado o suficiente para esmagar a coragem dos servos.
    Ninguém se mexeu. Ninguém tocou na comida.
    Nos cantos do salão, os criados suavam frio, paralisados pelo protocolo. Nem mesmo o Rankeador Chefe fez menção de continuar.

    O som de vidro raspando na mesa quebrou o gelo.
    Lugone Enola levantou-se parcialmente, esticando o braço sobre a mesa de jade. Ele agarrou uma jarra de vinho de cristal.
    Com uma calma irritante, serviu uma taça de prata para si mesmo. O líquido escuro gorgolejou, o único som no universo naquele momento. Depois, encheu a taça de sua irmã, Hergelle.
    Ele bebeu um gole, suspirou satisfeito e recostou-se.

    Então, uma porta lateral se abriu.
    O rangido das dobradiças foi alto.

    A maioria dos presentes virou o pescoço, curiosa e ofendida pelo atraso.
    Lucios Svet, no entanto, permaneceu imóvel. Seus olhos de cristal continuavam fixos no centro da mesa, como se o mundo ao redor fosse irrelevante.

    Vindo em uma cadeira de rodas feita de madeira escura e veludo, estava ela.
    Gia Achlys. A filha de Acara.
    Pequena, séria, com a perna faltante coberta pelo tecido do vestido.

    Mas quem empurrava a cadeira fez o ar da sala ficar mais denso.
    Todos sabiam quem era. E todos temiam o que ela representava.

    Lady Yaeko.

    Seu rosto estava oculto por uma máscara dourada, esculpida como um véu de nobreza rígido, adornada com arabescos delicados que cobriam suas expressões. Apenas a linha do maxilar e os lábios pintados de vermelho eram visíveis.
    Seu cabelo, negro como nanquim, estava preso com grampos ornamentados e flores rubras frescas. Uma única mecha solta caía sobre o ombro, um toque de caos calculado na perfeição estética.

    Ela exalava uma aura de elegância letal.
    Seu corpo esguio era envolto por um quimono negro, ricamente bordado com fios de ouro e vermelho sangue, ilustrando dragões celestiais e fênix renascendo em meio a chamas. As mangas, longas e soltas, escondiam suas mãos, mesmo enquanto empurrava a cadeira. A parte interna do tecido, quando se movia, revelava um tom escarlate intenso — como o sangue oculto de sua história.

    Ela era uma armadilha viva. Carregava duas espadas: uma longa lâmina dourada, pura e brilhante, presa às costas; e uma lâmina negra, mais curta e com entalhes sutis, repousando na cintura.

    O som das rodas no mármore cessou.
    Elas chegaram perto da mesa, bem ao lado de Lucios.
    Yaeko soltou a cadeira de rodas. Com um movimento fluido, ela segurou o espaldar da pesada cadeira de mármore reservada para o convidado.
    SCRAAAAPE.
    O barulho da pedra sendo arrastada sem esforço foi agoniante. Ela removeu a cadeira como se fosse feita de papel e encaixou Gia no lugar.

    Feito isso, Yaeko deslizou ao redor da mesa, passando por trás do Rankeador Chefe como um espectro de luxo.
    E foi se sentar.
    Literalmente ao lado de Lugone.

    Lugone virou o rosto. Olhou-a de cima a baixo, um sorriso de predador nos lábios.
    — Atrasada. Mas com estilo.

    Com a chegada das duas, o protocolo foi quebrado. O jantar começou.
    Cada convidado começou a se servir do vinho. Os criados, como se tivessem recebido um sinal invisível, avançaram rapidamente para servir os nobres.

    Um criado aproximou-se de Lugone com uma travessa de faisão.
    Lugone levantou a mão, num gesto seco de recusa.
    — Não toque no meu prato. Eu me sirvo.

    Ele pegou um garfo e espetou um pedaço grande de carne vermelha, ignorando os acompanhamentos refinados.

    Nesse momento, a porta principal se abriu novamente, mas sem alarde.
    Nytharia entrou em silêncio.
    Ela não se sentou à mesa. Com as cicatrizes recentes no rosto brilhando sob a luz do lustre, ela caminhou até ficar de pé ao lado do Rankeador Chefe, ladeada pelas duas Guardiãs Cegas. Uma sentinela quebrada.

    O som de talheres batendo nos pratos preencheu o salão.
    Lugone comia com voracidade, mastigando grãos e carne. Gia era servida por criadas, comendo purê em porções minúsculas.

    Lugone engoliu, limpou a boca com as costas da mão e quebrou o silêncio.

    — Como pode… — começou ele, a voz projetada para que todos ouvissem. — Uma reunião de Cúpula, de tamanha importância… e somente o Clã da Luz parece “preocupado” de verdade. O resto parece que veio para um velório.

    Elorin Svet sorriu, aquele sorriso que não chegava aos olhos.
    — A pauta mais importante, Lorde Enola, será logicamente sobre a falha catastrófica da segurança. Como dois invasores das Camadas Negativas conseguiram subir sem serem detectados pelos radares das Famílias?

    Lugone riu. Uma risada curta, cheia de farofa. Ele bateu a mão na mesa.
    — Só você acha mesmo que eles subiram assim, de forma “normal”, né? Que fofo. Quanta inocência para um Svet.

    Hergelle, ao lado dele, tentou intervir, tocando no braço do irmão.
    — Irmão… acho que está sendo muito agras…

    Lugone levantou a mão na cara dela, calando-a.
    — Não. Eu não fico em silêncio. Se essa é a pauta… — Ele olhou para Nytharia, de pé, e depois para o Rankeador Chefe mascarado. — Por que vamos primeiro comer e fingir civilidade? Eu prefiro discutir com o estômago cheio de verdades.

    O Patriarca da Família Willians ajeitou o monóculo, incomodado.
    — Imagino que sua ansiedade seja pessoal, Lugone Enola… Já que a Academia Fjorheim é dirigida pelo seu irmão mais velho, Johan Enola. A falha recai sobre o seu sangue.

    Lugone parou de mastigar. Ele olhou para o velho Willians com um desprezo absoluto.
    — Eu estou cagando para o meu irmão desertor. Que ele morra abraçado aos alunos dele. Eu estou mais preocupado com a invasão em si. Com o fato de que a barreira entre os mundos virou uma peneira.

    — É insensível da sua parte. — retrucou Elorin, mantendo a postura diplomática. — O Clã da Luz, sob ordens do meu irmão Lucios, está enviando todo o apoio para a reconstrução da academia. Além do mais, nesses dois meses, reforçamos as defesas em todas as camadas fronteiriças. Estamos agindo.

    — Agindo? Reforçando cercas? — Lugone bufou. — Ainda com essa baboseira reativa.
    Ele apontou o garfo na direção de Gia e de Yaeko.

    — Além do mais… por que Acara Achlys e Una Mei não estão aqui? As duas mulheres mais perigosas do mundo faltaram. E mandaram quem? A filha aleijada e a “Flor Dourada” mascarada do Clã Misticia como tapa-buraco. É um insulto.

    Lady Yaeko permaneceu em silêncio, nem a máscara se moveu. Ela continuou cortando a carne em seu prato com precisão cirúrgica.

    Mas Gia levantou o olhar. Os olhos de ametista brilharam com uma frieza herdada da mãe.
    — Como todos dizem mesmo… — A voz da menina era firme. — Lugone Enola, um nobre arrogante com boca de mercenário. Minha mãe, e a Senhorita Una Mei, estão cuidando pessoalmente da situação em Fjorheim. Elas não tiveram tempo para banquetes e hipocrisia.

    Lugone soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.
    — Mentira! — Ele bateu na mesa, fazendo os cristais vibrarem. — Acara se preocupar com alunos? É a melhor piada da noite. Eu conheço a Acara. Mas mandar a filha defeituosa para uma reunião de Cúpula… mostra o quanto ela despreza este Conselho.

    Elorin perdeu o sorriso. O rosto dele endureceu.
    — Fique em silêncio, Enola. Está indo longe demais.

    — Longe demais? — Lugone se levantou, derrubando a cadeira para trás. — Eu nem comecei a falar direito, Elorin! E tem mais… Onde está o anfitrião? Cadê o Rei Esmeralda? Hein, Nytharia? O dono da casa não vem jantar?

    Nytharia virou o rosto marcado na direção dele. A expressão era vazia.
    — Sua Majestade está em seus aposentos privados. Pediu que eu observasse e relata-se esta reunião. Ele confia no julgamento do Conselho.

    Lugone olhou para ela. Depois olhou para a mesa lotada de dignitários.
    Ele abriu os braços, num gesto teatral de desprezo.

    — Todos aqui… — ele apontou um dedo acusador para os velhos conselheiros dos Palácios Rubi e Jade. — Não passam de nobres sem importância. Sanguessugas burocráticos.
    — Ele olhou para Ysaria, que comia uvas em silêncio. — Tirando, logicamente, a Rank 9… e o mudo do Lucios… e a mascarada ali… o resto de vocês não é importante em porra nenhuma nesta mesa. Somos um zoológico sem dono!

    O salão ficou mudo. O insulto pairou no ar, pesado e tóxico.
    Lugone estava de pé, peito estufado, desafiando a sala inteira com um sorriso de pura arrogância.

    Até que.

    O Rankeador Chefe moveu-se.
    Ele não se levantou.
    Apenas ergueu a mão direita, envolta na manga larga e branca.
    Um gesto simples. Palma aberta.

    A pressão na sala aumentou cem vezes.
    O ar ficou sólido.
    Lugone sentiu os joelhos dobrarem contra a vontade. O sorriso dele travou. Ele foi forçado, por uma mão invisível e esmagadora, a se sentar novamente na cadeira.

    O Rankeador Chefe baixou a mão.
    A voz metálica e andrógena ressoou de dentro da máscara de estrela:

    Silêncio.

    O Rankeador Chefe inclinou a máscara de estrela levemente para a frente.
    A voz dele, preencheu cada canto do salão, abafando até a respiração dos presentes.

    — Esta reunião, como todos sabem, foi adiada pela catástrofe. A invasão na Camada 4, em Midgard… — Ele fez uma pausa teatral. — Algo inadmissível. Muitos Ranks Altos estavam no local, e ainda assim falharam. Quatrocentas almas jovens, inocentes… futuros líderes, apagados.

    Ele suspirou, um som de pena palpável e calculada.

    — Entretanto, a convocação de emergência de todos aqui presentes se deve a algo… mais delicado. Algo que pode soar como uma mancha na história dos Palácios. — Ele olhou para a mesa. — Foi descoberta a existência de um fruto podre. A traidora Vena Nosfea, a mulher que massacrou as três famílias principais do Clã da Escuridão e roubou as Lâminas Gêmeas… ela teve um filho. Há dezesseis anos.

    Um murmúrio explodiu na mesa como uma panela de pressão estourando.
    Os nobres começaram a discutir entre si, gesticulando freneticamente. Os velhos conselheiros do Palácio Rubi, com suas barbas brancas tremendo de indignação, falavam em tons graves sobre “abominação” e “linhagem maldita”.

    Lugone soltou um suspiro irônico, girando a taça de vinho. Lucios Svet e Lady Yaeko permaneceram estátuas de gelo, sem demonstrar reação.

    Lugone olhou para Gia Achlys, um sorriso de escárnio nos lábios.
    — Ora, ora… Quer dizer que o puríssimo Clã da Escuridão escondia sujeira debaixo do tapete de obsidiana? Que surpresa.

    Um conselheiro idoso do Palácio Rubi levantou-se, batendo a bengala no chão.
    — Isso eleva o nível da discussão! Se o Clã da Escuridão escondeu deliberadamente o filho de uma criminosa de Rank S, isso é Alta Traição contra os Três Palácios e a Lei das Camadas! Devem ser punidos!

    Os murmúrios aumentaram. O cheiro de sangue político estava no ar.

    Então, Nytharia deu um passo à frente.
    Ela olhou para a menina na cadeira de rodas.

    Gia Achlys. — A voz dela era calma, mas inquisitiva. — Diga, sob a luz da verdade: Vocês escondiam o filho de Vena?

    Gia fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, o brilho roxo das íris estava mais escuro, profundo como um poço.
    — Não sabíamos da existência de nenhum filho de Vena. O Clã não protege traidores.

    Uma das Guardiãs Cegas ao lado de Nytharia inclinou a cabeça e sussurrou algo no ouvido da Exploradora. Nytharia assentiu.

    — O que ela diz é verdade. A pulsação não mente.

    Os murmúrios diminuíram, mas a desconfiança permaneceu no ar como fumaça.

    O conselheiro do Rubi sentou-se novamente, resmungando.
    — Bem… Se o filho foi descoberto agora, onde ele está? Deve ser interrogado.

    O Rankeador Chefe continuou, a voz sem emoção:
    — Pelo que consta nos relatórios da invasão… o nome do filho de Vena Nosfea era Ken Orquídea. E ele foi listado como uma das vítimas fatais da Academia Fjorheim. Morto por um demônio de nível alto. Corpo não recuperado.

    Lugone riu baixo.
    — Isso é menos mal. Conveniente, eu diria. A família Nosfea já foi a Família Principal antes do massacre da Vena. Se esse tal de Ken estivesse vivo… ele seria o herdeiro legítimo do Clã da Escuridão, não é? Já que o Don Verk recusou o título na época, passando o fardo para a prima.

    Gia virou o rosto para Lugone. O olhar dela era de uma seriedade adulta e assustadora.
    Lugone percebeu e sorriu mais.

    — O que foi, princesinha? Estou mentindo? — Ele tomou um gole de vinho. — Bromom Nosfea se casou com a própria irmã e primas para manter a linhagem pura. Um homem nojento, mas eficiente. Diziam que foi ele quem dominou a Camada -68 há quase um século… E você, Gia, não é muito diferente. Afinal, seu pai é o Ash Nosfea, não é? Tudo fica em família.

    Gia permaneceu impassível, como se as palavras dele fossem vento.

    Foi Elorin Svet quem falou, a voz suave mas cortante:
    — Está sendo imprudente, Lugone. E vulgar. O herdeiro do Clã continuaria sendo Baeron. Ele carrega o sangue duplo, Achlys e Nosfea. Não haveria guerra de sucessão por causa de um bastardo morto.

    — Não haveria? — Lugone inclinou-se para a frente. — O que Vena queria ao massacrar a própria família, hein? O que existe além de poder?
    Ele bateu na mesa na direção de Gia.
    — Me diga, Gia Achlys! O que foi o massacre de 16 anos atrás? Me diga que, mesmo você sendo a primogênita, o Clã nem sequer considera você como a próxima Chefe… não é?
    — Ele apontou o garfo para ela. — Por preconceito? Por ser mulher? Não, claro que não. O Clã Misticia é liderado por uma mulher. Sua própria mãe lidera o seu. O problema é que você é uma aleijada. E seu irmão, Baeron… ele é inteligente demais para aceitar governar um barco que está afundando.

    O Rankeador Chefe observava a discussão, a máscara brilhando.
    — O Clã da Escuridão está entrando em uma fase de extinção. A estabilidade das Camadas está em risco.

    O silêncio que se seguiu foi perturbador.

    Até que, finalmente, a estátua de gelo falou.
    Lucios Svet.

    — Eu não vou perder meu tempo com algo tão inútil.

    A voz dele era andrógena, melodiosa, mas tinha uma gravidade que fez os copos vibrarem.
    Lugone parou de sorrir.
    — Finalmente decidiu falar, é, Vossa Santidade?

    Lucios levantou o olhar. Os olhos de cristal eram tão frios que fizeram Lugone recuar involuntariamente na cadeira.
    Ele se virou para Nytharia.

    — Eu descobri que… Lysanthir Vauz… foi morto nas Camadas Negativas. Por um demônio de nível alto.

    Nytharia fez uma pequena reverência, tocando as cicatrizes no rosto.
    — Isso mesmo, Lorde Svet. Minhas cicatrizes são a prova do sacrifício que ele fez para me salvar. Ele morreu como um herói.

    Lucios estreitou os olhos.
    — Eu desacredito que ele tenha morrido tão facilmente. Ele foi o único professor que eu valorizei. O único que me ensinou algo de verdade.

    Lucios levantou-se da mesa. O movimento foi fluido, real. Elorin levantou-se junto.

    — Rankeador Chefe… — disse Lucios, de costas. — Deveria falar tudo de uma vez, ao invés de soltar frases de efeito. E Gia Achlys… — Ele olhou para a menina por cima do ombro. — Eu te considero uma boa líder. Você tem a mente da sua mãe, mas sem a loucura. Seria uma excelente Chefe.
    — E Lugone… — Ele nem olhou para o Enola. — Apenas seja menos arrogante. O barulho da sua voz me cansa. Se acontecer algo mais relevante, lerei nos relatórios.

    Ele saiu do salão, o manto branco arrastando no chão, seguido por Elorin.

    Tsk… — Lugone estalou a língua, irritado, mas calado.

    Ysaria Lysvane também se levantou, alisando o vestido azul.
    — De fato. Foi uma perda de tempo. Se a reunião era sobre a invasão… Apenas agradeçam por não ter sido a camada inteira que sofreu. Apenas algumas almas infelizes que nunca conhecerão os prazeres do meu bordel.

    Ela estava com a mão na maçaneta para sair.

    Então, o Rankeador Chefe sorriu por baixo da máscara.
    — De fato… eu deveria ser mais direto.

    Ele ergueu a voz.

    Sol’Zher Asgard… O Rei dos Reis… Renunciou ao Rank 1.

    O mundo parou.
    Todos arregalaram os olhos. Ysaria travou na porta. Lugone derrubou o garfo. Os velhos do Rubi engasgaram.
    Choque absoluto.

    — E então… — continuou o Chefe, saboreando o caos. — Ele se auto-rebaixou para o Rank 2, que estava vago. Deixando o título de Rank 1 vazio pela primeira vez em 560 anos. A Família Asgard não detém mais o topo.

    — Isso é ridículo! — gritou um nobre.
    — Um absurdo! Blasfêmia!

    O Rankeador Chefe levantou um dedo.

    — E tem mais. O Rei recolheu um “filho perdido” da família Achlys. Alguém que muitos pensavam que não havia existido.
    Infrid Achlys teve um filho na mesma época que Vena a matou. O nome dele era Brander Estered. Mas foi mudado legalmente hoje, pelo próprio Rei, para Brander Achlys.

    Ele olhou para Gia.

    — O sobrinho de Acara. O novo peão no tabuleiro.

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