Índice de Capítulo

    A instalação do ponto de controle consumiu mais tempo do que muitos gostariam e menos do que qualquer um esperava.

    O trecho escolhido não era confortável, nem bonito. Era apenas estável. Tratava-se do que restara de uma antiga casa, sustentada por arcos de pedra bem distribuídos, longe de fissuras visíveis e com circulação de ar aceitável. Dentro de uma ruína, isso bastava para ser chamado de seguro.

    Após a análise inicial da equipe Broca, os Ratos avançaram logo atrás. Confirmavam leituras, revisavam cada armadilha neutralizada, procuravam falhas onde a Broca pudesse ter passado rápido demais. Não havia disputa entre eles, eram uma engrenagem. Se um errasse, o outro pagaria.

    A equipe médica se instalou em seguida, escolhendo um ponto afastado das paredes. Macas dobráveis, frascos alinhados, instrumentos prontos. Laura circulava entre os feridos com a mesma calma de sempre, natural para alguém que passara a vida inteira em corredores improvisados no subsolo.

    Depois vieram os estudiosos.

    A equipe Coruja abriu pergaminhos, montou suportes, começou a registrar tudo: marcas nas paredes, resíduos rúnicos, padrões de construção, diferenças na pedra. Nada era pequeno demais para ser anotado. Nada era tratado como irrelevante.

    Por último, a equipe de mantimentos descarregou as caixas. Água, comida seca, reagentes simples. O suficiente para manter todos vivos por alguns dias. Não mais do que isso.

    Karl observava a organização com atenção. Aquilo não era uma incursão comum. Era uma ocupação temporária, pensada para durar.

    Enquanto os Corujas trabalhavam, algo lhe chamou a atenção.

    Uma das estudiosas permanecia ligeiramente afastada. Não por distração, mas porque os outros se afastavam dela. Sempre que se aproximava de um grupo, o espaço se rearranjava, deixando-a sozinha, como se fosse um incômodo silencioso.

    Karl hesitou por um instante. Depois se aproximou.

    — Vai registrar essas runas? — perguntou, apontando para um conjunto de sulcos na parede.

    Ela ergueu o olhar, surpresa.

    — Vou. Já estou, na verdade.

    Os dedos dela estavam manchados de tinta antiga, não recente. Havia anotações demais naquele pergaminho para alguém que estivesse ali apenas por obrigação.

    — Karl — ele disse.

    — Lyra.

    Ela voltou os olhos para a parede quase de imediato.

    — Você parece… interessada de verdade — Karl comentou. — Posso fazer uma pergunta?

    Lyra inclinou levemente a cabeça, ponderando.

    — Acho que sim.

    — Por que parece que os outros da sua equipe te evitam?

    Ela demorou a responder.

    — Eu gosto das ruínas — disse por fim. — Do que elas eram antes de virarem armadilhas. Antes de virarem números em relatórios de mortos.

    O silêncio que se seguiu não foi constrangedor. Foi denso.

    — Gosto de tentar entender quem construiu isso. Por quê. O que esperavam que acontecesse aqui dentro.

    Karl percebeu o brilho contido em seus olhos. Não era medo. Era curiosidade genuína.

    — Hum… entendo… — Ele olhou ao redor antes de voltar a encará-la. — Mas você nã—

    — Ah, te achei.

    Gustav se aproximou com um sorriso curto.

    — Vejo que já fez amizade com a Lyra.

    Karl franziu o cenho.

    — Vocês se conhecem?

    — Estudamos linguagem rúnica juntos — Gustav respondeu. — Quase me colocaram na equipe Coruja.

    Ele cruzou os braços, forçando um sorriso que não se sustentou por completo.

    — Mas enfim. Estão nos chamando. Vamos continuar o mapeamento dos arredores antes da pausa.

    Karl assentiu.

    — Nesse caso, vamos indo. — Ele olhou para Lyra. — Se quiser, pode se juntar a nós no jantar.

    O convite a pegou de surpresa.

    Atrás deles, Lady Nyr observava tudo em silêncio.

    Quando o ponto de controle foi finalmente declarado funcional, ela se moveu.

    — Dorman — chamou, sem elevar a voz. — Quero um relatório imediato.

    O capitão da Broca se aproximou.

    — Vou enviar um grupo à superfície.

    Ela assentiu.

    — Dois Ratos. Um Coruja. Um mensageiro leve. Levem os registros iniciais. Informem que avançamos, que houve perdas e que a estrutura do túnel permanece estável… por enquanto.

    O grupo destacado se preparou sem questionar.

    Antes de partir, Lyra ergueu o olhar para Karl por um instante.

    Não disse nada.

    Mas sorriu rápido.

    Os dois caminharam por alguns instantes até chegarem no túnel lateral definido para eles após a passagem da Equipe Broca.

    Gustav puxou com cuidado uma haste metálica para fora da parede, girando-a até que o encaixe cedesse com um estalo seco.

    — Ainda dá pra reaproveitar — disse, limpando a poeira com a manga. — Esses caras sabiam como fazer as coisas durar.

    Karl assentiu, ajoelhado alguns passos à frente, retirando fragmentos úteis de um mecanismo desmontado pela Broca. Engrenagens simples, mas eficientes. Claramente um trabalho feito às pressas, com poucos recursos, exatamente como suspeitava.

    — Nunca deixa nada pra trás — Karl comentou. — Nem os Sae’Lun, pelo visto.

    — Principalmente eles.

    O silêncio se estendeu por alguns segundos, preenchido apenas pelo som metálico das peças sendo guardadas.

    Karl quebrou primeiro.

    — Gus… por que a Lyra é tão evitada pela própria equipe?

    Gustav não respondeu de imediato. Ajustou a mochila, verificou se nada ficara para trás.

    — Não é que seja evitada por um motivo em especifico — disse por fim jogando uma peça de metal sobre os ombros. — Está mais para receio.

    Karl franziu o cenho.

    — Receio de quê?

    — Dela. — Gustav suspirou. — A garota é maluca, é boa com runas não porque é talentosa só… mas porque não consegue parar de estudar sobre.

    Karl parou o que fazia.

    — Como assim?

    — Literalmente isso — Gustav fez um gesto vago com a mão. — Quando ela estava lendo algo sobre as ruinas, dava pra ver ela esquecendo do mundo ao redor, aquilo vira o centro do mundo dela. Teve uma vez que virou a noite na biblioteca sem comer por causa de uma sequência rúnica mal preservada. Já ignorou ordens diretas pra continuar copiando símbolos.

    — Isso não parece tão—

    — Assustador? — Gustav interrompeu. — É. Um pouco. Quando ela entra nesse estado, não percebe nada, pode rolar uma explosão do lado dela que ela nem se abala. Sei lá, tem algo errado com ela.

    Karl ficou em silêncio.

    — Mas é por isso que ela está aqui — Gustav continuou. — O que ela entende de runas, poucos entendem.

    — Então vale o risco.

    — “Vale o risco” é um pouco forte. Mandar uma garota sem noção de perigo em um local cheio de armadilhas, que ideia genial. — Gustav deu um riso curto — Quando descobrir de quem foi essa ideia me apresenta, quero saber quem foi o “Gênio”.

    Karl ficou em silêncio.

    Gustav deu de ombros. — Pessoas como a Lyra sempre valem alguma coisa. Até deixarem de valer.

    Karl não respondeu.

    Guardaram as últimas peças e iniciaram o caminho de volta.

    Foi então que Karl percebeu.

    O túnel parecia… diferente.

    Não mais estreito. Não mais largo.

    Curvado.

    — Você tá vendo isso? — perguntou, diminuindo o passo.

    Gustav seguiu o olhar.

    — O quê?

    — A parede. — Karl apontou. — Não era tão… arqueada.

    Gustav observou por alguns segundos.

    — Cansaço — disse por fim. — A luz engana. Depois de um dia inteiro aqui embaixo, tudo parece torto.

    Karl aceitou a resposta. Caminharam mais alguns metros.

    Ainda assim, a sensação não passou.

    Quando alcançaram o ponto de controle, o cheiro de comida quente quebrou a tensão acumulada. Algo simples, mas reconfortante.

    Laura estava sentada sobre uma caixa de mantimentos, conversando com Lyra.

    — Finalmente — disse ao vê-los. — Achei que tinham se perdido.

    — Só recolhendo o que ainda presta — Gustav respondeu. — Vou entregar isso pra Broca.

    Ele se afastou, deixando Karl ali.

    — Você vai comer com a gente? — Laura perguntou a Lyra.

    — Sim — ela respondeu de imediato.

    Sentaram-se lado a lado. O espaço era apertado, improvisado, mas havia algo quase doméstico naquela pausa.

    Karl observava Lyra enquanto comiam. Ela mastigava devagar, pensativa, como se o ato fosse secundário.

    — Você sabe muita coisa sobre essas ruínas — ele disse. — Mais do que qualquer um que eu conheça.

    Lyra ergueu o olhar, surpresa.

    — Sei pouco — corrigiu. — Só o suficiente.

    Karl sorriu de leve.

    — Então me conta o pouco que sabe.

    Ela pareceu considerar a pergunta com seriedade.

    — Gosta da História das ruinas Senhor Karl?

    — Ainda não sei o suficiente para decidir isso — Karl falou coçando levemente o cotovelo. — Porque não me conta?

    — Pode ser uma boa forma de passar tempo — Laura falou colocando um pouco da calda e carne nas tigelas.

    Lyra ergueu o olhar para os dois, antes de começar a falar.

    — As ruínas de Altheria são o que restou da civilização Sae’Lun — disse. — Eles usavam os Cristais do Véu em tudo. Construção. Defesa. Canalização de energia. Era parte do cotidiano, não um recurso raro.

    — Como se fosse madeira… ou ferro? — Karl comentou.

    — Exatamente. — Os olhos dela brilharam. — Há contos antigos que falam deles como deuses. Com poder absoluto.

    Ela fez uma pausa.

    — Acho exagero narrativo. Pessoas engrandecendo líderes antigos para justificar medo ou reverência. Civilizações antigas fazem isso.

    Karl a observou por um instante.

    — Gosto de como você pensa.

    Lyra piscou, confusa.

    — Por quê?

    — Porque você quer entender. Não só sobreviver.

    Ela demorou um segundo a mais que o normal para reagir.

    Então riu.

    Curto. Desajeitado. Real.

    — Você é estranho Senhor Karl.

    — Sei disso — ele falou em meio a uma colherada.

    Por um momento, o subsolo pareceu menos hostil.

    E, em algum ponto longe dali, algo voltou a se mover.


    O avanço retomou pouco depois da pausa do segundo dia.

    Conforme o avanço o túnel principal se manteve estável por mais alguns metros antes da primeira divisão da expedição. Duas aberturas quase simétricas, ambas sustentadas por arcos antigos de pedra, ambas com o mesmo tipo de desgaste nas suas laterais.

    A equipe Broca parou. Os Ratos avançaram logo atrás, lanternas de cristais erguidas iluminando brevemente o caminho a frente.

    — Direita mantém inclinação — comentou um deles. — Esquerda desce um pouco mais.

    A decisão foi rápida. Marcaram a bifurcação, registraram nos mapas e seguiram pela direita.

    A segunda divisão surgiu menos de cinquenta metros depois.

    Dessa vez, três caminhos.

    Não havia armadilhas visíveis. Nenhum mecanismo exposto. Apenas a repetição de uma arquitetura que parecia ter como base confundir. As paredes mantinham a mesma curvatura, mas agora os tuneis possuíam diferentes diâmetros.

    Karl caminhava alguns passos atrás da Broca, atento às marcas no chão e ao som dos passos. Nada rangia. Nada cedia. Ainda assim, algo parecia… estranhamente incomodo.

    — Eu não sei você, mas não estou com uma boa sensação — Gustav murmurou, sem olhar para ele.

    — Somos dois — Karl respondeu. — tenho a sensação que estamos perdidos.

    — A Ruína é grande — Gustav disse, mas não soou convincente.

    Avançaram.

    Na terceira divisão, fragmentos de ossos de animais e pequenos Cristais do Véu começaram a aparecer.

    Não eram cristais grandes, nem bem lapidados estavam fixos no teto iluminando de forma tímida os corredores.. pedaços irregulares, incrustados na rocha como se tivessem sido deixados ali sem acabamento. Ainda assim, emitiam uma luz branca constante, fria, suficiente para reduzir a dependência das lanternas.

    — Iluminação integrada — comentou alguém da Coruja, anotando rápido. — Ainda sem sinais de vida animal.

    A luz revelava mais detalhes do que Karl gostaria.

    As armadilhas começaram a surgir com mais frequência. Não complexas, mas numerosas. Mecanismos simples, desgastados pelo tempo, felizmente muitos foram desmontados pela Broca sem causar sérios danos. Ainda assim, exigiam atenção constante.

    Na quarta bifurcação, a formação precisou parar de novo.

    O túnel se abria em ângulos diferentes, nenhum claramente principal. Os mapas já começavam a apresentar linhas demais, marcas sobrepostas, anotações feitas às pressas.

    Karl observou o grupo à frente. Ninguém parecia alarmado. Apenas concentrado.

    Não havia colapsos. Não havia obstruções naturais. Não havia sinais da vida subterrânea abundando em outras ruinas. Para um lugar supostamente abandonado, aquilo se mantinha organizado demais.

    — Vamos Continuar — veio a ordem, após breve consulta.

    E continuaram.

    Atrás deles, os corredores se fechavam na distância, engolidos pela curvatura da pedra e a ausência de luz.

    À frente, o túnel seguia firme, iluminado, dividindo cada vez mais como se estivesse oferecendo caminhos.

    Dorman ajoelhou-se no centro da quarta bifurcação.

    Retirou as luvas com calma, apoiou a palma da mão direita contra a pedra e fechou os olhos. Inspirou fundo e liberou a mana.

    Nada aconteceu.

    Franziu o cenho e tentou novamente, espalhando a energia em pulsos curtos, como aprendera a fazer em túneis instáveis. A sensação deveria vir quase imediata: a vibração leve sob a pele, o retorno da rocha, o desenho invisível do espaço ao redor.

    Em vez disso, sentiu resistência.

    Não um bloqueio brusco. A mana simplesmente… não se espalhava.

    Era como empurrar água para dentro de uma esponja que se recusava a absorver.

    Dorman abriu os olhos, o maxilar tenso.

    — Alguma coisa errada, capitão? — perguntou um Broca, aproximando-se.

    — Estou tentando ler a estrutura — respondeu. — E não estou recebendo resposta.

    O silêncio foi breve, mas pesado.

    — Interferência rúnica? — sugeriu alguém da Coruja, com cautela.

    Dorman balançou a cabeça.

    — Não. Isso eu reconheceria. — Retirou a mão da pedra. — É como se o espaço não aceitasse leitura.

    Levantou-se, limpando a poeira da palma.

    — Como se a terra estivesse saturada de mana.

    — Isso já aconteceu antes? — perguntou alguém atrás.

    — Não — respondeu Dorman. — E é isso que me preocupa.

    Quatro caminhos. Nenhum colapso. Nenhuma instabilidade visível. Nada que justificasse alarme, exceto o instinto que o mantivera vivo tempo demais para ser ignorado.

    Calmamente, colocou as luvas e se virou.

    — Me esperem aqui. Preciso relatar isso.

    A caminhada foi curta, surpreendendo Nyr, que não esperava vê-lo retornar tão cedo.

    — Senhora Nyr — chamou, erguendo a voz apenas o suficiente.

    Ela aproximou-se com passos firmes, sem pressa. Observou os túneis antes mesmo de olhar para ele.

    — Relatório — disse.

    Dorman foi direto.

    — Estrutura estável. Mas minha magia não consegue se expandir. Não consigo localizar vazios nem estimar volume ao redor. É como se estivéssemos andando dentro de algo que não aceita ser medido.

    Lady Nyr o encarou por alguns segundos.

    — Sugestão? — perguntou.

    — Retorno controlado ao ponto de controle. — Ele respirou fundo. — A missão já teve sucesso parcial. Temos posição avançada, mapas iniciais e registros. Forçar avanço agora é apostar às cegas.

    Ela não respondeu de imediato.

    Observou os mapas. Os túneis. Os fragmentos de Cristais do Véu no teto, brilhando com luz fria e constante.

    — Confio no seu julgamento — disse por fim. — Vamos recuar. Mantemos formação.

    Um dos Brocas resmungou, baixo:

    — Mal começamos…

    Lady Nyr ouviu.

    — E é exatamente por isso que ainda podemos voltar — respondeu. — Formação de retirada. Agora.

    A ordem correu rápido.

    — Broca na frente!
    — Ratos logo atrás!
    — Médicos no centro!

    O alívio foi contido, mas real.

    A movimentação retomou com eficiência treinada, embora o clima tivesse mudado. Menos conversa. Mais atenção aos passos.

    Foi um dos veteranos da equipe Ratos que parou primeiro.

    — Capitão — disse, erguendo a lanterna. — Um segundo.

    Dorman virou-se.

    — O que foi?

    — Esse trecho… — o Rato consultou o mapa e depois o túnel. — Ele devia ser reto.

    — E não é? — perguntou outro, impaciente.

    — Não. — O veterano engoliu em seco. — Está curvando à esquerda.

    — Pode ser erro de registro — sugeriu alguém da Coruja.

    — Não — respondeu o Rato. — Está vendo essa marca na parede? Eu fiz duas vezes. Não tem como errar.

    Um peso estranho se instalou no peito de Dorman.

    — Confirme o ponto anterior — ordenou.

    Dois Ratos recuaram alguns metros… e pararam.

    — Capitão — chamou um deles, a voz mais alta do que pretendia. — Não estou encontrando a marca da terceira bifurcação.

    — Repita — disse Nyr, aproximando-se.

    — O túnel atrás… — ele hesitou. — Não bate com o mapa.

    Um Renn soltou um riso nervoso.

    — Vocês devem estar cansados.

    — Talvez — respondeu o Rato. — Mas a pedra não costuma se mover enquanto a gente anda.

    Lady Nyr avançou alguns passos, analisando a curvatura e os cristais no teto.

    — Mantenham formação — ordenou. — Ninguém se afasta. Nem acelerem o passo.

    Dorman fechou a mão em punho.

    Não houve colapso.
    Não houve ataque.
    Nada havia acontecido e ainda assim, desde a entrada, algo estava errado.

    Túneis não mudam de direção sozinhos.

    Pela primeira vez, teve certeza de algo que não queria dizer em voz alta.

    Aquilo não era acaso.
    Não era desgaste antigo.

    Eles estavam sendo sabotados.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota