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    『 Tradutor: Crimson 』


    “Eu estava me perguntando por que não havia um único Herói nesta cidade”, disse Souta friamente, seu olhar penetrando o caos abaixo e dizendo: “Quem diria… que você estaria aqui.”

    Agora, de perto, o verdadeiro horror da Aparição Sombria tornou-se claro. Seu corpo fora outrora o de um guerreiro na Sétima Algema, mas fora assimilado, distorcido e corrompido por alguma força indizível, transformando-se nessa monstruosidade grotesca. Cada tendão, cada garra, irradiava malevolência.

    A criatura rugiu, um som que pareceu estilhaçar o próprio ar, e brandiu suas enormes garras serrilhadas.

    Souta apertou ainda mais o cabo da espada vajra. Seus olhos brilharam com uma luz aterradora, e uma energia intensa percorreu a lâmina, distorcendo o próprio espaço ao seu redor.

    Uma fenda se abriu no tecido da realidade quando sua espada brandiu o golpe.

    –Bang!!

    O som ecoou como vidro quebrando por quilômetros, a onda de choque rasgando galhos e sacudindo os combatentes restantes como folhas ao relento.

    “Deixe-me mostrar uma fração do meu poder”, disse Souta friamente, sua lâmina forçando a Aparição Negra a parar no meio do golpe.

    Os olhos da criatura encontraram os dele, apenas para serem engolidos instantaneamente por uma névoa branca e cegante, obliterando sua visão.

    –Whoosh!!

    Enquanto isso, os olhos de Angus se arregalaram em descrença ao ver Souta confrontar a colossal Aparição Negra. O que mais o impressionou não foi a audácia, mas a pura energia que emanava de Souta.

    Quarto estágio…?

    A ideia era impossível. As flutuações, a aura avassaladora, a força destrutiva, tudo isso eclipsava qualquer monstro no mesmo nível que já tivesse enfrentado. Em qualquer medida, o poder de Souta rivalizava com o de um monstro no quinto estágio.

    “Não pode ser… Souta está apenas em sua quarta evolução!!”

    A mente de Angus lutava para compreender o que estava vendo. Tudo o que sabia, tudo em que acreditava sobre níveis de poder, desmoronou em um instante. Ele sempre presumira que Souta já estivesse no quinto estágio. Mas isso? Isso destruiu todas as suas expectativas.

    Até mesmo Emiline, que acabara de chegar, ficou paralisada, com os olhos arregalados em choque.

    Pensar que um monstro de quarto estágio possuía um poder dessa magnitude era inconcebível.

    –Boom!!

    Uma explosão ensurdecedora rasgou o campo de batalha. Uma luz ofuscante irrompeu, banhando toda a área em energia radiante.

    Angus, Emiline e os outros especialistas olharam em silêncio atônito, com a respiração presa na garganta. Ao pé da árvore gigante, a cena diante deles era incompreensível.

    O campo de batalha, os tentáculos, as Aparições Sombrias e tudo o mais foram insignificantes diante da magnitude da presença de Souta.

    “Isso…?!”

    “O que é aquilo?!!”

    Uma fenda gigantesca se abriu acima do solo. Estendia-se por mais de cem metros, envolta em uma névoa branca e rodopiante. Dentro dela, uma energia imensa pulsava e se contorcia, uma força maligna e pulsante que fazia o coração de todos na área estremecer de medo.

    Angus, valendo-se de seu vasto conhecimento, finalmente percebeu o que estava vendo.

    “Poder dos S-Sonhos…?!”

    –Ohm!!

    Uma onda de energia estranha varreu a cidade, carregando uma sensação sufocante de pavor.

    Souta pairava no ar, descendo calmamente. Seu pé tocou o chão, escorregadio por conta do líquido preto, e imediatamente, uma onda de pura malícia o atingiu.

    Ele não hesitou.

    Ele havia liberado todo o poder de [Douion III]. Todos os seres ao seu redor, fossem humanos, semideuses ou Aparições Sombrias, foram atraídos à força para seu mundo dos sonhos. Ninguém conseguia resistir. Nem mesmo a gigantesca Aparição Sombria tinha essa capacidade.

    –Thud!

    Passos ecoaram enquanto Souta se aproximava da esfera que havia pressentido anteriormente.

    ‘Souta, destrua-a imediatamente… Não a deixe por perto. Ela tentará invadir sua mente’, alertou a voz de Saya em sua consciência.

    Souta assentiu com a cabeça.

    Ele já podia sentir. Uma invasão da mente. Ondas de emoções negativas o atingiam, e sussurros arranhavam seus pensamentos, ameaçando afogá-lo.

    Ele canalizou sua energia na espada vajra, seus músculos se contraindo, sua aura flamejando. Então, ele atacou.

    –Whoosh!!

    Uma linha fina e perfeita se formou ao redor da esfera negra antes que ela se partisse. A energia explodiu para fora em todas as direções como uma onda gigante, rasgando o ar e ameaçando obliterar tudo em seu caminho.

    O chão tremeu violentamente. Uma ressonância aguda e ensurdecedora ecoou pelo campo de batalha.

    Souta ergueu a mão, estabilizando o Douion III para suprimir os tremores secundários. Sua aura se intensificou enquanto a energia corrompida da esfera tentava penetrar seu campo protetor.

    ‘Se eu não tivesse recuperado minhas forças… eu não teria sobrevivido a isso’, pensou ele, sombriamente.

    Após o que pareceu uma eternidade, a energia se dissipou. A esfera negra se dissolveu no nada, deixando para trás apenas os fragmentos de seu poder.

    –Swoosh!!

    Souta permaneceu calmo, organizando seus pensamentos. Este não era seu primeiro encontro com tal força. Ele já a havia enfrentado antes.

    No entanto, continuava tão estranho, tão perigoso, tão forte como sempre.

    Saya sabia do perigo, mas não conseguia falar sobre ele. Só esse silêncio já tornava tudo ainda mais perigoso.

    Uma mudança varreu a cidade.

    O líquido negro que cobria as ruas e os edifícios evaporou, dissipando-se no ar como fumaça. A chuva negra cessou e as nuvens opressivas finalmente desapareceram.

    A calamidade na Cidade da Zona da Natureza havia terminado.

    Não durou muito tempo, mas a destruição que deixou para trás foi catastrófica. Menos de cinco por cento da população da cidade sobreviveu. O resto foi consumido pela escuridão.

    O olhar de Souta percorreu a cidade em ruínas. Seus olhos brilharam com uma luz estranha e sobrenatural, refletindo tanto a devastação quanto o poder persistente da calamidade que havia reprimido.

    Angus e Emiline pousaram atrás dele, com expressões tensas. Eles haviam confirmado que a calamidade havia terminado e se apressaram para se reagrupar com Souta. Ambos encararam suas costas, tentando assimilar silenciosamente a revelação diante deles.

    Eles sempre souberam que Souta era forte, mas nunca imaginaram que um monstro apenas no quarto estágio pudesse exercer um poder dessa magnitude.

    Souta virou a cabeça na direção deles, com uma expressão calma e controlada.

    “O que devemos fazer agora, Príncipe Herdeiro?”

    Angus forçou um sorriso amargo e balançou a cabeça.

    “Ainda preciso considerar nosso próximo passo. As outras cidades do reino também foram afetadas. Precisamos saber o que aconteceu em outros lugares, especialmente na Capital Real.”

    Emiline permaneceu em silêncio, absorta em seus pensamentos. Era seu primeiro contato com uma calamidade de tamanha magnitude. Ela não tinha um plano, nem respostas. Tudo o que podia fazer era seguir as instruções do príncipe herdeiro.

    A cidade estava silenciosa agora, mas o silêncio era pesado com o peso da morte, da destruição e das perguntas não ditas sobre quais horrores poderiam aguardar além de suas fronteiras.

    “Temos que retomar a capital real”, disse Angus, com voz firme.

    Sua família passou gerações reprimindo a calamidade, mantendo seu alcance sob controle por milhares de anos. Ele conhecia verdades que outros desconheciam. Os segredos sobre a calamidade, seus padrões e seu inimaginável potencial de destruição.

    Souta assentiu com a cabeça, olhando para longe. Embora o desastre naquela cidade tivesse terminado, uma presença mais profunda e muito mais aterradora pairava além do horizonte. Sua aura opressiva era muito mais forte do que qualquer coisa que acabara de enfrentar.

    Ele sabia instintivamente de onde vinha: Capital Real.

    Angus e os sobreviventes restantes da Cidade da Zona da Natureza também sentiam isso. A sensação os oprimia como uma guilhotina pairando sobre suas cabeças. Era implacável, inescapável e sufocante. Não havia nada que pudessem fazer, ainda não.

    “Faça o que você precisa fazer”, disse Souta calmamente.

    Angus acenou brevemente com a cabeça e, em seguida, virou-se para Emiline, lançando lhe um olhar tranquilizador. Sem dizer mais nada, os dois partiram para se reagrupar com os outros sobreviventes da tragédia.

    Souta observou as costas deles por um longo momento antes de baixar o olhar para a própria mão. Ele cerrou o punho, sentindo a onda de poder percorrer suas veias.

    O mais importante era ficar mais forte.

    Mais forte do que essa calamidade. Mais forte do que qualquer força que o ameaçasse.

    E ele não permitiria que nada o impedisse.

    Como príncipe herdeiro, Angus tinha o dever de unir os sobreviventes. Ele os convenceria a resistir à calamidade. Eles não tinham escolha, mas com sua orientação, a moral deles não se quebraria completamente. Ele também finalmente revelaria a verdade sobre a calamidade, pois não havia mais motivo para escondê-la.

    Souta, por outro lado, tinha apenas um objetivo: aumentar sua força o mais rápido possível.

    Só havia um caminho. A evolução.

    Sem perder mais um segundo, Souta usou [Escavar], mergulhando na terra e cavando quase um quilômetro de profundidade. Os túneis tremiam e rachavam enquanto ele descia, uma descida perigosa na escuridão, mas não havia outra opção.

    Ele alcançou um pequeno espaço confinado muito abaixo da superfície. As paredes eram próximas, a escuridão completa. Ele colocou a espada vajra à sua frente, sua lâmina brilhando fracamente na escuridão total.

    ‘Saya… Deixo o resto com você’, disse ele, com a voz calma, mas resoluta.

    ‘Certo. Pode prosseguir com a sua evolução’ A voz de Saya ecoou em sua mente, carregada de preocupação e disse: ‘Só espero que as pessoas lá de cima não façam nada imprudente enquanto isso acontece…’

    Souta fechou os olhos. O ar ao seu redor se tornou denso de energia enquanto seu corpo começava a se adaptar, avançando para o próximo estágio. Cada batida de coração, cada respiração, era um passo a mais rumo ao poder que lhe permitiria enfrentar a calamidade que pairava sobre a Capital Real.

    O tempo era curto, o perigo iminente e o fracasso não era uma opção.

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