Capítulo 160 — Demasiada seja a flor da alma.
Passos solenes e tênues o bastante para todo o universo se curvar. Pela primeira vez, o demonstrar de seu poder, seu querer.
Calmo, seus olhos dolorosos curvaram-se em devaneio, sem receio, ele ergueu sua mão para quem, mataria sem nenhum perdão.
Sob a lua que jaz no céu, que de tanto voar, cairá pela própria ignorância. Luas que se esvaem em véu, como a própria divindade que tanto amaldiçoou.
Apologia, as folhas leves caíram.
Tenologia, conceito criado por um homem efêmero, nojento, horrendo. Mas, tudo dito de si, era só uma mentira.
Tenologia, magia, energia, vazia?
Tenologia, conexão das almas.
Fio das almas.
Engenharia das almas.
Cada passo, um passo, passo por passo mais e mais lerdo, conforme a escuridão se brandia, o sol não se erguia, nada poderia.
Lá estava ele, de um lado, a esperança, o verde que clama.
Do outro lado, o vermelho, a irá, a raiva, o rancor, mas também o amor.
Arqueando seus ombros para trás e se soltando enquanto o ranger do metal ressoava pela noite eterna. Um homem com uma barba feita unicamente para seu filho mais novo sorriu, mais uma vez ergueu sua mão, e, em forma de penitência, disse em alta e clareza sepulcra:
— Oh, grande Deus da lua… Permita-me matá-lo de forma indolor. — Sorriu

「✞︎」
Do arauto da consciência, a lua é como a mente, o mar, e a força. Uma vez, duas vezes, três vezes. Três luas, cada uma com um significado diferente, ditando suas regras profanas e derramando seu brilho roubado sob a superfície efêmera.
Como um fantasma, das trevas o homem encarou seu altar, o brilho da lua lembrava a ausência do perigo. Quando o Deus, parado, não por querer, mas porque foi destinado a não se mexer, abriu seus olhos acorrentados a orbitar apenas a sua própria essência, algo que Kley repudiava.
O céu se tornou o mar.
Sem dizer nada, seus olhares tocaram-se em dissonância, o ar parou, o mundo parou de respirar. O Deus da lua pôde ler as expressões de Kley, decifrar o que queria, o que previa, o que sabia e até mesmo, sua verdadeira intenção.
Tênue, a lua repousou e lentamente sua superfície ficou negra. Então, uma voz fragmentada no tempo veio, como um choque de sua força, o tremor de sua consciência… O tão divino ser, veio a proferir:
— Cabe a mim decidir a morte? Senhor banhado na escuridão, sua tenologia é brutal. Tuas apologias fazem-me perguntar: como teu filho menos prodigioso é seu bem mais precioso?
O homem veio a manter seu braço erguido, mórbida sensação, momento de tensão, leve conotação, mas ainda assim, pesado o bastante, para que ele lhe dissesse:
— Não importa se não tens bênçãos recebidas por um falso destino, essas são as que menos valem alguma coisa de verdade. Digo isso até para mim mesmo.
Ele olhou para a palma de sua mão amargurada, e a fechou com toda sua força. O breu da noite realçou a escuridão cada vez mais. Penumbra mais alarmante. Sua voz ecoou como um fragmento de seu próprio sangue:
— Assim ele poderá colher seus próprios frutos sem receber a ajuda de ninguém além de si mesmo.
Deus da lua afirmou:
— Mas isso é fraqueza, ele deveria ser um gênio, assim como você, assim como os irmãos.
O homem abaixou seu braço:
— Mas é isso que o torna tão especial, você tiraria isso dele?
— Diga o que veio fazer Kley!
— Já disse.
O silêncio.
A paciência.
A astraologia.
Devagar, o Deus veio a se sentar em seiza, como se já houvesse aceitado seu próprio… Destino.
— Vê o quão patético és? Aceitar sua morte porque alguém disse para aceitar. Eu me recuso.
De passos cada vez mais pesados, Kley se aproximou e de sua escuridão, uma flor em espiral repousou em sua mão.
Linda, perfeita, quase poética.
— Sei que sabe, então prefiro nem dizer que vais morrer.
— Eu entendo.
Deus lunar fechou seus olhos e aceitou o seu destino.
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Frio ar, que, gélido, mantinha-se retilíneo, uniforme ao cruzar as aberturas de madeira da casa do ex-lorde nolysse mais forte. Outrora tocou a pele de um príncipe que tomava seu banho regular.
— Aycity?
Sem resposta.
Quieto, o olhar do príncipe cruzou o banheiro embaçado pela água morna e enxergou a porta entreaberta. Devagar, ele fechou o boxe e reclamou:
— Para de me espiar!
「❍」
Breve desviar de tuas íris, a patética garota, sentada perto do banheiro encarou Humbra, que, mesmo sabendo o que ela estava fazendo, apenas não fez nada.
— Fuh~
— Por que no banheiro? Sua pervertida.
Ela fechou a porta e se levantou, indo até a cama e se jogando em cima dela.
O general viu os lençóis se levantando e então ouviu uma resposta:
— Porque precisamos roubar informações!
Ele não disse nada, mas era evidente a curiosidade. Assim, ela levantou o dedo indicador e explicou:
— Eu quero entender os pontos fracos do Kevyn para vencer ele numa luta.
— Ah, entendo. Mas quais foram seus desejos realizados?
O esqueleto se sentou.
— Ainda estou pensando nisso.
Ela encarou a parede e ficou de pé. Então começou a pular na cama enquanto pensava: “Eu já sei o que vou pedir… mas…”, ela então sentou na cama e se cobriu com a coberta.
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— Ainda na mesma sala escura, não é, Kevyn?
Aquela voz impossível de não reconhecer, a mesa e o silêncio da escuridão. Através do reflexo na visão de seu protetor, o príncipe encarou o jardim, mas elas estavam recém encharcadas.
— Da próxima, talvez não seja eu quem vai lhe atender, ela está tentando despertar.
Ainda assim, a escuridão, a penumbra, o nada. Tudo aquilo poderia significar qualquer coisa, mas somente um sentido existia de verdade. Reaper estava diferente de novo, ele parecia mais novo, será graças a máscara agora quebrada? Será que isso mexeu até mesmo com seu protetor?
— Quero dizer… você vai entender. Você veio conversar? Meio que não dá para melhorar nada, não…
Sem resposta mais uma vez, afinal, Kevyn estava tendo outro momento de despersonalização, ele tocou a mesa de leve e apenas lembrou, lembrou de tudo para que não precisasse lembrar depois, uma dor que sentia, era muito além de só sentir, era experienciar na pele.
— Você não sabe como vai enfrentar ela assim tão fraco, não é?
Enfim, uma resposta, mas não como qualquer outra, uma que iria atrás da causa, mentira, amor e saudade. O príncipe enfim olhou para além das pupilas de seu protetor e respondeu:
— Eu vou vencer.
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Saindo do banheiro, o calor, cada partícula se infiltrou nas aberturas da madeira e molhou a árvore viva que era aquela casa.
Mais uma vez, se perdeu, mais uma vez, não reteu, mas, uma vez tocado pelos gélidos dedos de uma garota, seu despertar:
— A-ah! — Ele se assustou.
— Ei, ei… Você tá bem?
Os olhos dela pareciam preocupados, Kevyn lembrou de Night, aquela preocupação dela, o toque dela. Receoso, o garoto recuou e arregalou os olhos em medo, o frio, maldito frio.
Tentando decifrar, a garota ofereceu sua mão invés de tocá-lo. Para ela, era como apenas um gato assustado depois de tanto ser maltratado.
O príncipe olhou aquilo como quem sabia que não teria volta, assim como olhou para tudo antes, mas com Aycity não era assim, e nunca seria.
No momento que aceitou, ela o puxou, seus braços entrelaçando seu corpo, o toque, o gelo, o vento? De repente ela apertou seu corpo, girou para trás e “PHWA”! Um suplex bem dado.
Caído no chão, Kevyn lacrimejou e encarou o teto. De pé, a garota chutou ele e sorriu.
— Eu não disse, Humbra? Estava observando seus pontos fracos… Kevyn, eu quero mais três desejos!
Solene, o menino sorriu e desviou o olhar.
— Tá, tá… Você me pegou nessa, hehe…
— O primeiro é… Eu quero saber mais sobre você!
— Ok, ok… Mas agora, vamos estudar um pouco. — Riu.

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