Capítulo 251 - Nem fraco, nem forte
O Ben mesmo congelando por dentro por conta do medo, por fora ele ficou posturado, mostrando confiança sobre seu adversário, o homem de cabelos brancos riu e disse;
— Olha, não precisa se fazer se durão, eu sinto o cheiro do seu medo. É um cheiro que me deixa feliz — ele abriu um sorriso cheio de convicção, o Ben deu um passo para trás e fechou a guarda
— Mais um passo e você vai voar do outro lado da rua… Estou falando exatamente sério — o Ben disse apertando firmemente seus dois punhos, o homem parou por um instante e começou a coçar a cabeça
— Ah… olha, na verdade, não quero perder muito tempo, por que lembrei que meu chefe disse que não era pra demorar muito, como sou esquecido. Então assim, você me diz onde o Yoru está, e vou embora assim que falar — logo ele mudou sua postura para, o Ben ficou sem entender nada, mas ficou na defensiva ainda, mesmo que o homem não mostrasse hostilidade
— Eu não conheço nenhum Yoru, então dá o fora — o Ben disse seriamente
— Ah! Vamos lá, sei que faz parte da gangue dele. É só me dizer que eu vou embora me encontrar com ele e te deixo em paz
— Já disse que não sei quem é
— Tsk… Vou ter que arrancar da sua boca então
Em um espaço mínimo, em um curto período de tempo, o homem apareceu instantaneamente na linha de ataque do Ben, e deixou o mesmo sem nenhuma reação, e antes mesmo do Ben fechar sua guarda por completo, o homem deu um soco tão forte no peito dele que o Ben foi lançado com toda força contra uma parede do outro lado da rua
Um rombo abriu na parede, o Ben caiu sentado no chão e com a cabeça sangrando bastante
“Merda… Nem vi esse soco chegar, essa força que esse cara possui é surreal, chega a rivalizar até mesmo com a do Yoru, se não a supera… Isso é um total problema”
Nome:Ben White altura:1,88
Segunda geração Peso:84
Força: XXX
Velocidade:XXX
Potencial:B+ [Transcendido]
Inteligência:C
Resistência:EX
— Peguei um pouco pesado na mão… Aliás, me chamo Merchan Kazoi, um dos 4 soldados particulares do Charles Choi
Nome:Merchan Kazoi altura:1,91
Segunda geração. Peso:107
Força: MX
Velocidade:EXR
Potencial:S [Transcendido]
Inteligência:AA+
Resistência:LX
No mesmo momento, em um camarim, a Kira estava se preparando para uma entrevista, e logo atrás dela, estava um garoto bem forte, com duas cicatrizes no formato de X no rosto, cabelos negros e um topete no lado direito
— Então pirralho, quer dizer que vocês da segunda geração acha que vão conseguir revolucionar o mundo dos delinquentes juntos ao Charles? Como são iludidos, abra a cabeça seu bacaca, ele só está usando vocês para atingir seus próprios ideais, depois…. lixo
— Eu não vim aqui para você me dar nenhum tipo de sermão ou algo do tipo, vim aqui para saber de você, oque irá fazer quando tudo isso chegar em seu ápice? Vai interferir, vai assistir de longe? Vai esperar a queda dele para finalmente mostrar suas unhas? — o garoto disse olhando para ela através do espelho, a Kira riu, olhou para suas unhas e levantou levemente suas mãos e começou a reparar mais ainda nas suas unhas
— Quem sabe eu não faça um pouco de isso tudo. Mas não é do seu interesse pirralho, não vou falar nada disso para um carrasco do Charles, oque ganhará com isso? Um aumento de salário? — ela disse com um tom de sarcasmo
— Queria ver seu lado da moeda e se é um potencial inimigo realmente do nosso chefe, mas vejo que não está nem um pouco interessada na possibilidade de uma queda do Charles
— Na verdade não estou bem um pouco interessada, na verdade, algo mais me chamou atenção, não me interesso cem por cento na queda do Charles, e sim no que está por vir. Pensa garoto, esse é só o ponto de partida de uma guerra muito maior, na minha mente está tudo montado, cada passo, cada plano, qualquer desfecho que essa primeira batalha tomar, não vai afetar em nada nos meus planos, no final, eu vou ganhar e tomar o poder de tudo — ela disse com muita firmeza no olhar
— Não esperava menos de uma lenda que nem você, e também, foi treinada para ser algo a mais do que o Charles.
A Kira se levantou da cadeira e virou-se para o garoto, dando um sorriso, ela se aproximou e pôs a mão no seu ombro
— Pare suas palavras aí mesmo e dê meia volta e vá embora, não quero que chegue nesse assunto viu, sei que é bem espertinho e sabe algumas coisas, mas já que sabe, também tem ciência do que sou capaz de fazer. Então, para.
A mão de Kira repousava com leveza excessiva sobre o ombro do garoto. Não havia força, mas havia intenção. O tipo de toque que não precisava pressionar para intimidar — apenas existir.
O garoto permaneceu imóvel por alguns segundos. Seus músculos estavam tensos, não por medo, mas por cálculo. Ele sabia que qualquer movimento brusco seria interpretado como fraqueza… ou desafio.
— Você fala como se já estivesse sentada no trono — ele respondeu, por fim, com um meio sorriso torto. — Mas tronos desabam o tempo todo. Principalmente quando quem se senta neles acredita demais no próprio roteiro.
Kira soltou uma risada curta, elegante, quase musical. Retirou a mão de seu ombro e caminhou lentamente pelo camarim. O som de seus saltos ecoava de forma ritmada, como um metrônomo marcando o tempo da conversa — e, simbolicamente, o tempo de todos ali.
— Você é esperto — disse ela, parando em frente ao espelho novamente. — Muito mais do que a maioria dos cães de guarda do Charles. Mas ainda assim… está olhando para o tabuleiro de muito perto.
Ela encontrou o olhar dele pelo reflexo. Seus olhos não demonstravam arrogância, apenas certeza. Uma certeza fria, lapidada ao longo de anos.
— Você acha que veio aqui me analisar — continuou. — Acha que está avaliando se eu sou uma ameaça, uma aliada ou uma futura inimiga. Mas a verdade é que, desde o momento em que atravessou aquela porta… você já estava sendo observado.
O garoto franziu o cenho.
— Observado por quem?
— Pela engrenagem — respondeu Kira, calmamente. — E você… — ela virou-se, agora encarando-o diretamente — …é apenas uma peça substituível.
O silêncio que se seguiu foi pesado. O garoto sentiu algo raro subir pelo peito: irritação. Não raiva explosiva, mas aquela frustração silenciosa de quem percebe que não tem o controle que imaginava ter.
— Então é isso? — ele rebateu. — Você vai fingir que está acima de tudo, enquanto o mundo lá fora pega fogo?
— Não — Kira respondeu de imediato. — Eu vou usar o fogo.
Ela se aproximou novamente, desta vez parando a poucos centímetros dele. A diferença de altura era mínima, mas a presença dela esmagava qualquer vantagem física.
— O Charles acha que está construindo um império — disse, em voz baixa. — Vocês, da segunda geração, acreditam que são a revolução. E figuras como você… acreditam que podem decidir o rumo disso tudo com inteligência e força bruta.
Ela ergueu um dedo e tocou de leve o peito dele.
— Mas guerras de verdade não são vencidas por quem luta nelas. São vencidas por quem decide quando elas começam… e quando terminam.
O garoto engoliu em seco.
— E onde eu fico nisso tudo? — perguntou, quase num desafio.
Kira sorriu. Um sorriso bonito… e cruel.
— Você já está exatamente onde precisa estar. Fazendo o que esperam que você faça. Pensando que ainda tem escolha.
Ela deu um passo para trás e apontou para a porta.
— Agora vá. Antes que você comece a acreditar que pode ser mais do que é neste momento.
Ele ficou parado por alguns segundos, os punhos cerrados, o maxilar travado. No fim, virou-se e caminhou até a saída. Antes de sair, parou.
— Quando tudo isso acabar… espero que ainda esteja viva para ver se seus planos funcionaram.
Kira respondeu sem sequer olhar para ele:
— Eu sempre estou.
A porta se fechou.
Kira suspirou lentamente e voltou a se sentar diante do espelho. Seus olhos perderam o brilho momentâneo e assumiram algo mais profundo… mais antigo.
— Crianças… — murmurou. — Todos acham que podem mudar o mundo, sem perceber que o mundo já decidiu o que fazer com eles.
Do outro lado da cidade, o som de concreto quebrado ainda ecoava no ar.
Ben White tentou se levantar… e falhou.
Seu corpo inteiro gritava em dor. O impacto contra a parede havia sido brutal. Seu peito ardia, cada respiração era como engolir cacos de vidro. O sangue escorria por sua testa, manchando o chão ao seu redor.
Merchan Kazoi observava a cena com os braços cruzados, expressão entediada.
— Você até aguentou mais do que eu esperava — comentou. — A maioria não levanta depois disso.
Ben forçou os dentes, apoiando uma mão no chão. Suas pernas tremiam violentamente.
— Cala… a boca… — cuspiu sangue ao falar.
Merchan inclinou levemente a cabeça, curioso.
— Ainda quer continuar?
Ben respondeu avançando.
Foi um erro.
Em um instante, Merchan desapareceu do campo de visão. No seguinte, um chute violento atingiu o abdômen de Ben, dobrando seu corpo no ar como papel. Ele foi arremessado novamente, rolando pelo asfalto até parar próximo a um carro destruído.
Dessa vez, ele não conseguiu se levantar.
O céu acima parecia girar. Sons distantes se misturavam. Sirenes, passos, o próprio coração batendo de forma irregular.
Merchan caminhou até ele com tranquilidade.
— Vou ser claro — disse, agachando-se. — Você não é fraco. Mas também não é forte o suficiente para estar aqui.
Ele se levantou e deu as costas.
— Quando decidir parar de mentir para si mesmo… talvez sobreviva ao próximo encontro.
Merchan desapareceu, deixando apenas destruição para trás.
Ben permaneceu ali, imóvel.
A frustração veio como uma onda. Não apenas pela dor física… mas pela impotência. Pela certeza esmagadora de que não havia conseguido sequer tocar seu inimigo.
Seus dedos se fecharam com força contra o asfalto.
— Droga… — murmurou, a voz falhando. — Eu… não consegui fazer nada…
Por um instante, tudo pareceu vazio.
Então, algo mudou.
No meio daquela sensação de derrota absoluta, uma chama discreta se acendeu em seu peito. Pequena. Frágil. Mas teimosa.
A lembrança de Yoru.
A lembrança de todas as vezes que ficou para trás.
A certeza de que aquela derrota não podia ser o fim.
Seus olhos se apertaram, cheios de lágrimas — não de medo, mas de ódio. Ódio de si mesmo por não ser suficiente… ainda.
— Eu vou… — sussurrou, com dificuldade. — Eu vou ficar mais forte…
Seu coração bateu com mais força.
Não era uma promessa vazia.
Era uma decisão.
Naquela rua destruída, entre sangue e concreto quebrado, Ben White perdeu uma batalha.
Mas algo dentro dele…Estava nascendo…

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