Índice de Capítulo

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    Hora do chá

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    Yahalloi

    CaiqueDLF aqui!

    Olha quem veio pedir desculpas novamente. Mas eu tenho uma desculpa plausível dessa vez.

    Sábado, faltou luz quase o dia todo, então não consegui postar capítulo, e ontem, no meu tempo livre, eu fui jogar RPG, então… Desculpa família, hoje teremos dois capítulos para compensar

    Não se preocupem, hoje tem mais capítulo, então venha aqui 20:15

    Bye, bye

    Ass: CaiqueDLF

    — Ah cara, ele é forte demais.
       
        Diversas lutas tinham se iniciado naquela manhã tão bela. Mas de todos, aquele que mais amaldiçoava seu próprio destino era Guto. Ele teve o pior azar de todos.
       
        A velocidade se excedia para algo cada vez mais surreal. Cada assalto de diversos cortes que aquele cavaleiro fazia, Guto sentia o peso da diferença de suas espadas. Mesmo assim, não cedeu, como uma rocha, conseguiu defender cada ataque que vinha.
       
        Era assustador porque a velocidade daqueles ataques eram sobre-humanas. Mesmo que sua postura em lâmina era risível e fraca. O garoto de cabelos desgrenhados tinha muito mais técnica, mas cada golpe dele reafirmava sua presença.
       
        Eles dançavam em um grande saguão, diversas mesas preparadas para alimentar as pessoas do reino. Em volta de diversas mesas, no centro, brilhavam dois cavaleiros. Os cristais refletiam a beleza pura do garoto loiro a sua frente. Os olhos azuis como um céu cristalino. A armadura ornamentada provando seu grande status e reverberando sua essência.
       
        Pior que isso. A língua para fora como um monstro louco e babando, estava fora de sua caixa sã, ele apenas atacava brutalmente com golpes mais brutais e perigosos, certos para arrancar a vida de Guto.
       
        Apenas por um segundo conseguia devolver cada golpe, estando em uma postura defensiva. Não conseguia trocar de postura por que aqueles ataques eram rápidos demais. Onde, quando paravam de atacar, apenas se organizavam para fazer outra sequência ainda mais veloz de ataques.
       
        Era brutal.
       
        Guto era um cavaleiro em treinamento. Claro que ele já poderia ter sido aprovado, Ernesto já tinha lhe dado seu aval para a aprovação dele como cavaleiro. Mas nunca quis isso. Não lutava porque sonhava em ser um cavaleiro, lutava por algo mais profundo que isso.
       
        À sua frente, estava um cavaleiro completo — não — era mais do que um cavaleiro, aquele a sua frente era o melhor dos cavaleiros. O prodígio que em apenas um mês conseguiu superar Ernesto em combate. O garoto que sempre parecia mais forte e melhor, com truques cada vez mais assustadores.
       
        O cavaleiro em treinamento, Guto, contra o mais forte dos cavaleiros.   
        Guto estava enfrentando o príncipe primogênito — Leonardo Umbral.
      

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    Guto acordou.
       
        Era bem cedo, então queria descansar mais, mesmo assim estava bem nervoso. O corpo se recusava a levantar, a preguiça era como um peso que impedia ele de se mover.
       
        — Minha cama está tão macia…
       
        Sua mente ecoou uma memória da noite anterior. Não o massacre que ocorreu, mas o toque efêmero que deu. Ele tinha beijado Brielle, e o sentimento disso era palpitante. Seu coração não conseguia se aquietar.
       
        Queria muito apenas ficar preguiçosamente ali, mas precisava patrulhar. Ele agora era o chefe de guarnição. Mesmo que isso seja repentino, e não teve o laudo oficial do rei, sua patente ainda era essa.
       
        Ser capaz de inspirar os tantos cavaleiros que estavam preparados para arriscar suas vidas pelo reino. Ele se levantou. A janela refletia uma luz brilhante de um céu tão azul. A amplidão bela era confortável. Guto bocejou, mesmo que fosse lindo, ele não necessariamente prestou atenção nisso.
       
        Tomou banho, escovou os dentes, tudo preguiçosamente sendo feito e lentamente acontecendo. Então, se arrumou, suas roupas sujas que tanto usava para treinar. Essa roupa foi Brielle que comprou para ele quando ele saíram pela primeira vez. A roupa já tinha ficado pequena muitas vezes, mesmo assim, ele apenas pedia para sua mãe costurar e aumentar o tamanho.
       
        Tanto apego emocional, era engraçado. Aquela roupa com diversos bolsos era útil. Pegou sua espada, uma de ótima qualidade que ganhou de Seraphina. Guardou muito dinheiro para comprar sua arma.
       
        Então, ele saiu, andou, conversou com alguns guardas que estavam em patrulha. Deu instruções, deu palavras de sabedoria. Era tudo bem tenso, só que ele queria orgulhar seu mestre, não poderia ficar para trás.
       
        Ele estava indo para a cozinha, queria falar com sua mãe para ficar atenta. Como eles previam que no dia de hoje algo aconteceria, eles precisavam estar atentos a tudo. 
       
        Passando por um saguão de transição, ele bocejou. Era uma vastidão abobadada, branca como o céu — aquela tela clara para o azul se infestar por todas as frestas. Os olhos de Guto seguiam pelo chão, por preguiça de manter sua postura erguida. As fendas das pedras, linhas finíssimas de tom safira, desenhavam constelações, como se o céu tivesse sido selado sob seus pés.
       
        Uma voz preencheu o salão.
       
        — Guto, como vai?
       
        — Leo, opa.
       
        Um aceno leve aconteceu, Guto viu o grandioso filho do rei. Um garoto genial que se mostrou o melhor nos treinos em conjunto. Além disso, estava com o posto de invicto por todos os cavaleiros.
       
        Ao menos se contar apenas os cavaleiros. Kim Umbral tinha conseguido superar aquela aberração natural. A velocidade dos garotos era algo sobrenatural, e como aprendeu um pouco mais sobre maldição e bênção, se perguntou se aquela luta estava sendo usado algum elemento dessa maneira.
       
        — Ernesto me contou. Ele deixou o posto de chefe de guarnição com você. Então, eu como cavaleiro terei que seguir as suas ordens.
       
        — Não é para tanto. Eu não sou o mais inteligente sabe, com certeza vamos ouvir muito os planos de Wilma. Ela com certeza será aquela que guiará como cabeça.
       
        Leonardo riu levemente. — Você tem razão, aquela certinha vai ser de grande ajuda.
       
        Wilma Livi era a quarta mais forte do reino. Ficando atrás apenas de Leonardo, Bellatrix e Amara. Se fosse levar em consideração, Guto temeria ter que lutar contra ela, pois sua inteligência era surreal.
       
        A mais inteligente do reino. Com táticas tão essenciais, usou o treinamento de Ernesto com uma qualidade imensa, e usa os mais diversos truques para superar seus oponentes.
       
        — Em pensar que Wilma vivia brigando com César, né?
       
        — Ele era outro despreocupado, assim como eu. Me impressiona que ele tenha chego tão longe.
       
        — Diz isso, mas você conseguiu superar os dois muitas vezes.
       
        Isso era verdade, Guto com muito esforço já tinha vencido algumas vezes a quarta mais forte e o quinto mais forte. Mas, sempre em lutas de posição, para erguer sua bandeira de força, ele sempre perdia.
       
        — Eu não era motivado o suficiente… nunca foi meu foco ser um dos dez mais fortes.
       
        — Enquanto eu, acho que você é sim um dos dez mais fortes. Acho até que seja um nível alto como o terceiro ou o segundo.
       
        — Caramba, que vergonha, isso é exagero. Eu nunca pararia aquelas duas. Eu até poderia ser um quarto, mas vencer Wilma também parece impossível quando ela está motivada. Outro que quando se motiva fica forte é César…
       
        Guto pensava sobre como os 10 mais fortes eram aberrações naturais. Diferente dos outros cavaleiros, eles eram pessoas muito habilidosas que superavam os outros cavaleiros com uma diferença muito alta.
       
        — Talvez eu deva nomear os 10 mais fortes… um nome forte seria essencial para causar medo.
       
        — É triste que… a segunda e terceira não estão mais entre nós.
       
        — Oito mais fortes… né?
       
        Meramente pensar sobre isso era algo interessante, e triste por um lado.
       
        — Vocês dois estão aí. Sobre o que estão conversando?
       
        — Ah, opa, Absalom.
       
        — Abyss…
       
        O príncipe mais novo chegou, sua coroa de espinhos era característica e seu rosto belo, gentil e carismático se formava. Ele infantil andou até o centro rindo. Até que botou sua mão no ombro do mais velho.
       
        — Você hoje fica no seu quarto. Se estivermos certos, o projeto Erythrofina vai controlar todos que usaram a droga. Tá de castigo.
       
        — Certo, certo. Eu apenas estava patrulhando, queria ver se alguma inconsistência aconteceria.
       
        — Você é a inconsistência aqui. Vamos. Guto cuida de tudo, eu voltarei.
       
        Guto apenas sorriu para aquele garoto animado. Mesmo tão novo ele era bem responsável. Absalom tinha apenas 13 anos de idade, e mesmo assim tinha tanto vigor e sabedoria, admirava ele.
       
        Enquanto o mais novo puxava o mais velho, Guto sentiu algo estranho. Tipo um medo, ou um eco profundo de algo que meramente nunca aconteceu. Seu sentimento mais profundo foi de confusão, mas, ainda era um sentimento profundo.
       
        Como um sexto sentido, sentiu um frio na barriga intenso. Então, ele correu e puxou Absalom às pressas. A velocidade surpreendeu Leonardo e o mesmo não conseguiu reagir. Guto puxou o príncipe mais novo e avançou para trás.
       
        Todos ficaram confusos com essa atitude, e ficaram em alerta.
       
        Passou um segundo, dois, três e — tudo tremeu. Um eco profundo de uma devastação iminente, era como se todo o castelo estivesse sendo destruído. Um terremoto perturbador. Mais do que isso, aquela manhã linda se tornou escuridão.
       
        A luz foi tomada, e os céus escureceram, as janelas puderam presenciar tudo sendo tomado por uma luz intensa que cruzou os céus. Tomado e roubado, os céus perderam sua cor. No fim…
       
        — Aaaarrrrggghhh.
       
        Sofrendo de uma dor terrível, Leonardo começou a se contorcer. Era como se algo dentro dele estivesse sendo perfurado de dentro para fora. Ele começou a convulsionar, e espumar pela boca. Seus olhos se contorceram e ele arranhou sua própria carne.
       
        A luz se intensificou e tudo se tornou vermelho rubra, um momento de tensão surgiu e Absalom ficou com medo, muuuito medo. Ele viu seu irmão batendo sua cabeça no chão. Ele queria correr para ajudar, mas sabia que era tarde demais.
       
        — Absalom, fica aqui.
       
        Guto ergueu sua lâmina, ele estava pronto para proteger o reino, mas, o problema era — olhos injetados de fúria. Leonardo olhou para Guto. Sons guturais saiu da garganta que era arranhada. Era como ver um zumbi, algo assustador, perturbador.
       
        Guto sentiu um medo grandioso ao ver aquela aberração, aquela coisa desumana que Leornado estava se tornado. Babando, com a língua para fora, ele estava lá, injetado de uma fúria descomunal. E então, avançou.
       
        As espadas se colidiram como um frescor de um sentido indesejado. A força daquele impacto era devastador, se Leonardo já era perturbadoramente forte antes, ele estava avassalador agora.
       
        A brutalidade dos golpes, somados aquela ornamentada espada brilhosa e linda, elevados a bestialidade do estilo de luta louco de Leonardo. Era como se estivesse mais insano que antes. Não tinha um padrão, defender os golpes pareciam irreais.
       
        Mesmo assim, elevou uma postura defensiva, assim, conseguiria defender qualquer coisa. Aprendeu isso, não trairia o treino de seu mestre. Mesmo enfrentando o mais forte dos cavaleiros, ele não falharia.
       
        Ali não era mais um treino.
       
        Ali não era uma luta por status.
       
        Ali era uma luta pela vida. Se Guto falhasse, ele morreria e nunca seria capaz de proteger ninguém
       
        Por Ernesto
       
        Por Brielle
       
        Por seu objetivo
       
        Guto lutaria com tudo, e preguiçosamente a luta se iniciou.

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    O limite da loucura, as longas lâminas se colidiam enquanto as faíscas se espalhavam. Dois homens, um belo como um ateliê de artes e outro era como uma mancha no quadro, ainda trazendo um significado profundo à pintura.
       
        Guto defendeu uma espadada de Leonardo, ele rugiu internamente enquanto friamente defendia as estocadas mais diversas. Empurrou a lâmina, sentindo a base sólida de sua própria arma.
       
        Quanto tempo já havia se passado? Segundos, minutos, horas? Não conseguiu distinguir pela quantidade exuberante de ataques que já foi defendido. Nunca podendo mudar sua postura, nunca tendo um respiro mínimo para poder atacar.
       
        Absalom estava a uma distância segura, então ao menos cumpriu em proteger a vida alheia, Guto guiava aquela luta para o mais distante possível do garoto, para que não fosse possível a luta descontrolar para cima dele.
       
        — Ahhhhh!!!
       
        O preguiçoso assim poderia lutar com tudo que tinha, mesmo que isso apenas significasse ser uma muralha impenetrável. Era engraçado como aquilo não era uma luta, ou menos uma dança. Era apenas um insano homem que loucamente batia sua espada no outro.
       
        Mesmo essa louca apresentação fora de tom, não seria capaz de virar o jogo, pela velocidade que se dava dos movimentos. Enquanto defendia um ataque letal que vinha em si, menos de um segundo depois vinha outro.
       
        — Shiiii.
       
        Respirava profundamente para não se perder na luta, tinha que ter consciência de onde estava, seu pé pisando no piso, cuidado para não deslizar e sua espada fraquejar. Tudo era necessário. Observava com extrema atenção seu oponente para que pudesse alcançá-lo.
       
        Aquele encontro de espadas não era novidade. Mesmo que a insanidade daquele que com a língua para fora e babava fosse algo novo. Leonardo tinha o estilo de esgrima fora do comum desde sempre. Não era capaz de superar ele, mesmo agora, apenas era capaz de defender com cada vez mais dificuldade.
       
        O insano que babava estava de frente a uma expressão dura. Cada vez que passava, mas queria parar de lutar. Aquilo era cansativo demais. Aquele esforço era desnecessário. Ter que estar com tanto foco era exaustivo demais. Por um segundo Guto suspirou.
       
        Mais uma defesa quando tentou piscar. Leonardo sempre foi um homem com expressões sérias, lutando com honra. Mas, vê-lo tão insano assim, era algo horrível a se pensar. Esse tal pesadelo era algo muito cruel. Fazer as pessoas abandonarem sua própria humanidade.
       
        — E no fim, eu nunca fui capaz de te superar, não é mesmo, Leo?
       
        Não houve uma resposta, ao menos não precisava de uma. Apenas tentava refletir sobre suas poucas lutas que teve. Precisava de uma motivação para lidar a mais naquela luta.
       
        Aquele baile de espadas, meramente sendo feito por um grito de proteção, ali, Guto afiava sua espada como um grito de sua alma. Seria tão afiado quanto sua espada, mesmo que fosse um saco, mesmo que estivesse se esforçando demais. Era por Ernesto.
       
        — Meu mestre, você sabia que isso aconteceria?
       
        Um último treino de sua vida. Tantos aprendizados mesmo que foi apenas uma hora. Agora Guto era o mestre de guarnição, e ele vai precisar lidar com o insano top 1.
       
        — Vou cumprir minha promessa.
       
        Os metais rugiram, e defletindo todos — todos — os golpes de espada de Leonardo. Era apenas por um resquício, um sentimento de eco, pois, era apenas esse segundo que tinha para perceber.
       
        — Aaaahhhh!
       
        Leonardo fazia sequências cada vez mais diferentes. Era insano quantos estilos de ataque ele tinha nas mais diversas estocadas. O assalto que ele fazia cruzava com quase oito perfurações por segundo.
       
        Perfurações, cortes, baques, esmagamentos. Guto desejava muito alcançar a arte de espada de Leonardo, mas era tão fora dos padrões que não poderia compreender. Não tinha base, ou lógica. Era como se ele apenas atacasse onde quisesse atacar.
       
        Sem regras, sem postura, sem nada prendendo sua arte de espada.
       
        — Ohfff. Maeefff. OOooouuuuhh.
       
        A beleza loira era insana, pois do mais louco, babava com a língua para fora. Ele tão rápido, tão fora de si. Sua insanidade tão descontraída. Espadadas gritosas, rugindo, como se esperasse por algo a mais, ele queria mais. Mas o que o preguiçoso Guto poderia entregar?
       
        Defendeu um golpe alto, contra-atacou um direto, bloqueou uma estocada. Girou a lâmina, defletiu dois golpes consecutivos que foi mirado em seu ombro. Bloqueou o golpe que foi sua cabeça. Desviou o trajeto do ataque bala que veio. Desviou-se de uma estocada desferida. Girou o corpo e atacou com tudo para defender outro golpe.
       
        Cada vez Guto sentia-se mais cansado, ele não tinha tanta estamina, aquela luta não poderia se estender mais do que isso. Suas memórias buscavam algo para motivar ele, tudo que conseguia encontrar era o sentimento de querer vingar seu mestre.
       
        Na verdade, por que ele lutava mesmo? Nem lembrava mais. Apenas era o louco que tentava impedir o louco a frente. Rugiu o nome sua frente para tentar trazer ele de volta.
       
        — Leonardooo!!!
       
        Em um segundo, estavam tão próximos que poderiam se enxergar nos olhos um do outro. E a maior chance de Leonardo superá-lo veio a tona. Com o cansaço surgindo no corpo, cada vez menos conseguia superar aquela loucura.
       
        Guto sempre foi preguiçoso, e mesmo assim, estava no ápice de sua concentração. Foi poucas vezes que aquele garoto tinha se esforçado tanto, nunca precisou lutar pela sua vida. Como apenas estava em treinamento, ele até teve treinos intensos, mas sempre sabia que poderia parar quando quisesse.
       
        Enquanto Guto era aquele preguiçoso que se esforçava apenas o necessário, Leonardo era diferente. Em apenas um mês, conseguiu se igualar e vencer Ernesto. Em apenas um mês de treino, ele obrigou Ernesto a se tornar mais intenso do que nunca já foi.
       
        Era até tolice Guto acreditar que poderia ter uma mera chance de vencer, e enquanto sua espada fraquejava. Lentamente ele lembrava de seus amigos.
       
        Tatiane…

         Edmund…

         Adalgisa…
       
        “Son Goku”…

        Ismael…
       
        César…
       
        Wilma…
       
        Amara…
       
        Bellatrix…
       
        Ernesto.
       
        A espada veio na sua frente, fatiar sua vida. O limite do que poderia alcançar, o ápice do que poderia fazer. O seu fim era esse, dando seu melhor contra um oponente impossível.
       
        E a espada — Não! — foi defletida com um contra-ataque brutal.
       
        Leonardo recuou quando foi recebido por um contra-ataque específico. O grandioso contra golpe de Adalgisa Cacilda, a oitava mais forte. Então Guto avançou. Postura de ataque. Se ele ficasse sempre na defesa, nunca conseguiria vencer.

    Ele agora se tornaria o que nunca imaginou se tornar…

    Ele se tornaria…
       

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    Guto até poderia ser preguiçoso demais para criar técnicas. Mas no fim ele treinou muito com diversos cavaleiros. Já recebeu golpes o suficiente para entender como ele lutava, se adaptou ao estilo de ataque dele e contra golpeou. Ataques de sua postura de ataque.
       
        Ali era uma luta entre a preguiça de Guto contra a genialidade de Leonardo.
       
        — Posturas!
       
        Puxou ar, respirou fundo, precisava do máximo de sua força. Ernesto ensinou 3 posturas. Ataque, defesa, contra ataque. Mas se quisesse vencer Leonardo isso não seria o suficiente. O seu mestre já foi superado uma vez.
       
        O último ensinamento de seu mestre.
       
        “Guto, você sempre se limita demais ao que aprendeu. Você precisa aprimorar se quiser vencer. Se quer proteger. Se quer realizar seu sonho e sua promessa.”
       
        Aprimorar!

    Esse era o necessário. Posturas eram o que ele aprendeu, então, ele precisava de algo a mais sobre isso. Se não era capaz de usar a perfeição das posturas de Ernesto, criaria posturas novas.
       
        Com um baque enorme, um brutal avançar de corte veio, então, Guto usou sua primeira postura.
       
        — 9° Postura: defesa impenetrável!
       
        O cavaleiro que se especializou em uma defesa maior do que Ernesto, esse era Edmund Alden, o nono mais forte do reino. Com essa postura. Foi uma completa blindagem, onde todo o impacto dissipou com o vento. Com o corpo paralisando no ar, Leonardo ficou em desvantagem, e essa vantagem foi aproveitada.
       
        — 5° Postura: Intenção assassina!
       
        Girou suas armas no ar e fez um corte fatal de cima para baixo, como esquecendo da lógica. Não era belo como a postura de ataque de Ernesto, era algo mais nocivo e direto, como uma besta, esse ataque foi uma imitação do estilo de combate do quinto mais forte César Marlon.
       
        Guto não precisava realmente criar técnicas, ele precisava aprimorar elas. Se ele aprendeu a gerar posturas com Ernesto, ele apenas precisava criar posturas novas com o que ele já sabia. Esse seria seu aprimorar.
       
        Era o modo preguiça ativada. Não precisava criar, apenas ser o reflexo perfeito do que já viu. Leonardo não foi tomado, mesmo com aquele golpe brutal, ele devolveu com mais brutalidade, e contra golpeou em uma velocidade ecoante a um trovão.
       
        — 8° Postura: Contra golpe brutal. — Usou novamente o contra-ataque de Adalgisa.
       
        As espadas se colidiram a ponto das faíscas se tornarem leves chamas. O contra-ataque de guto por cima do contra ataque de Leonardo gerou uma chama intensa que se levou pelas áreas.
       
        Então se separaram.
       
        Guto respirou fundo. — 4° Postura: Mundo de possibilidades.
       
        Esse seria o mais difícil de gerar. A mente de Wilma Livi era inconsistente, ela era muito inteligente e capaz de criar planos infinitos, ser um reflexo de sua inteligência era descomunal. Se Guto meramente quisesse vencer, ele precisaria atacar, e para atacar, ele precisa prever o inimigo.
       
        O plano perfeito, o mundo onde era capaz de imaginar tudo. De onde viria o próximo ataque? Fez de tudo, imaginou de tudo, refletiu o máximo de sua capacidade, e previu onde seria os prováveis próximos movimentos.
       
        — 8° Postura: Contra golpe brutal.
       
        No instante do avançar trovejante que veio, a estocada premeditada, Guto puxando todo ar, devolveu o golpe com intensidade. As espadas se chocaram, a colisão eminente gerou uma chama poderosa, e então Leonardo passou de seu alvo.
       
        Mesmo assim, Guto não conseguiu superar seu alvo. Leonardo conseguiu contra-atacar novamente.
       
        O limite da imaginação de Guto era ele mesmo, um reflexo imperfeito. Nunca seria tão incrível quanto a previsão de Wilma. — 9° Postura: defesa impenetrável! — defendeu sua falha. Precisava de algo necessário para vencer.
       
        — 10° Postura: Visão do falcão. — usou o estilo de combate de Tatiane Garuda.
       
        Avançou no ataque, aumentando seu estilo para meramente ter uma precisão maior, onde seu ataque mais perfeito seria preciso o bastante para conseguir ultrapassar Leonardo, então — 6° Postura: Dança maldita. — No meio do ataque mais preciso que poderia dar, girou sua lâmina em volta de seu próprio braço. Uma técnica que deveria ser impossível para aquela arma que usava, mesmo assim, daria um jeito.
       
        Sua imitação se dava ao estilo de combate de Ismael Shama, o sexto mais forte, e sua dança premeditada com sua lâmina acoplada com correntes. A espada de Guto não poderia imitar, mesmo assim, deu seu jeito.
       
        Sua arma dançou no braço, girou, e sem forma ou lógica, Guto conseguiu fincar sua espada dentro da armadura de Leonardo, ferindo o braço dele. O mesmo, insano, recuou bruscamente.
       
        — Então, mesmo louco, você ainda é são para recuar diante da falha.
       
        Aquela atitude era como uma presa recuando de um predador. O sentimento era maravilhoso. Guto soltou ar, cansado. Seu corpo ultrapassando seu limite. Sua mente latejando. Mesmo assim, era necessário. Aprimorar-se, era o chefe de guarnição atual, precisava fazer, não é?
       
        O insano Leonardo estava lá, distante, com a língua para fora soltando sons guturais, ele ofegava, também tinha excedido o limite do sobre-humano, estava cansado, mesmo que descontrolado. Até que então, ele colocou a língua para dentro.
       
        Guto percebeu uma mudança de clima. Onde, ele pareceu se preparar para alguma coisa grande. Guto parou e analisou a situação.  — 4° Postura: Mundo de possibilidades.
       
        Visualizou tudo que ele sabia, pensou em todas as possibilidades que poderia pensar. De tudo que conheceu até agora, o que Leonardo poderia fazer? Algo novo? A esse ponto da história?
       
        Na verdade, era totalmente possível. Ele viu a luta de Leonardo contra Kim. Ele conseguiu prever a possibilidade do que viria. Pois então, um raio como fogo puro avançou. Seu corte faiscou as chamas mais puras até então.
       
        Aquela velocidade ultrapassava a lógica, não era previsível, e mesmo assim, Guto conseguiu, não precisou falar a técnica, pois não deu tempo de dizer, ele usou, sim, a nona forma e…
       
        Droga!
       
        — Isso é… sangue?
       
        O reflexo falho que ele era. Não era capaz de fazer a defesa verdadeira de Edmund, mesmo assim, conseguiu proteger-se de um golpe fatal. Guto gorfou sangue, o corte foi relativamente profundo.
       
        Por que mesmo ele estava fazendo tanto esforço? Qual era o motivo que o movia? Essas coisas ficavam mais escuras cada vez mais. Olhou para Leonardo, o mesmo estava preparado para o próximo ataque.
       
        Mais um daquele, Guto não sairia com vida. Não tinha muito tempo para pensar, ele precisava de algo, ele precisava superar aquilo.
       
        — Que coisa trabalhosa… 3° Postura: Território de caça.
       
        O trunfo de Amara Dandara, era sua capacidade de prever não as possibilidades, e sim, saber exatamente o que seu oponente iria fazer. A capacidade de ter tanta experiência que era capaz de prever exatamente como seu inimigo pensaria.
       
        Mas…
       
        Qual experiência Guto tinha? Apenas os treinos e as lutas por patente. Além disso, era vazio.
       
        Um raio de fogo veio mais uma vez. O ataque extremo se aproximou e sua postura estava elevada. Diante ao ataque que viria. Ele apenas precisava de uma experiência. Por sorte… ele já tinha a experiência necessária.
       
        Ele já foi cortado uma vez. Ele sabia exatamente o que o corte faria.
       
        Uppercut
       
        Girando a arma na mão, ele não devolveu com um golpe de espada, ele deu um uppercut tão feroz que fez Leonardo sair girando pelo chão. A velocidade dele, que se excedeu, não permitiu parar quando fora atingida.
       
        O sangue no peito fluia, Guto colocou a mão na ferida e respirou fundo. Ele observou a fera se levantando lentamente, o homem, então superado, pareceu sorrir. Um demoníaco sorriso se formou no rosto de Leonardo.
       
        — 4° Postura: Mundo de possibilidades.
       
        Saindo de uma postura onde preveria a mente do inimigo, foi para algo mais amplo. Sua visão estaria mais onde todas as coisas poderiam acontecer. Então, refletiu.
       
        — O que ele fará agora é…
       
        Insanidade.
       
        O que vinha a seguir não poderia ser defendido nem que ele sonhasse. Era a estocada final que Leonardo deu em Kim. A velocidade daquilo era extremo, era fora do comum, era um erro por completo.
       
        Para conseguir meramente sobreviver a isso, seria apenas se…
       
        Respirou fundo, e criou outra postura que não tinha certeza se seria capaz de imitar a original.
       
        — 2° Postura: Adaptação.
       
        Agora seria questão unicamente de habilidade, adaptar totalmente a todos os futuros ataques, a capacidade mais impossível. A loucura mais que completa. Ser um reflexo de Bellatrix Ursula.
       
        Então veio.
       
        A tempestade de chamas vivas.
       
        Cinco, dez, quinze, quando chegou a ser trinta golpes por um segundo, Guto não foi capaz de superar, aquilo era rápido e intenso demais. A loucura de milhares de ataques desordenados, era tão fora da casinha, que provavelmente nem a verdadeira usuária da adaptação conseguiria ultrapassar.
       
        Porque aquilo era a postura que Guto nunca conseguiria vencer, ele nunca conseguiria criar a 1° postura, por ser incapaz de entender o estilo de combate de Leonardo.
       
        O limite. A barreira. O impossível. Ali fez presente, enquanto diversos cortes passaram pelo seu corpo.
       
        — Eu desisto…
       
        Pelo visto vencer nunca esteve ao alcance de Guto, ele deu seu melhor, aprimorou-se o máximo que poderia, mas no fim, não era o suficiente para ultrapassar a genialidade de Leonardo.
       
        Quando seus olhos lentamente se fechavam, ele ouviu um grito reverberar por todo salão.
       
        — EI GUTO! Mais uma vez!
       
        O que estava acontecendo? Essa voz determinada, super animada e gentil, era de Absalom. Por que nesse ponto ele ainda achava que Guto conseguiria?
       
        — Eu sei um jeito de você vencer essa luta! Não pense, só faça, use seu reflexo e dê tudo de si. Me ouça, obedeça e repita tudo que eu disser para ti!
       
        O príncipe estava eufórico, ele tinha criado a fórmula perfeita, observar essa luta deu para ele conseguir ajudar. Aquele sorriso tão ingênuo e determinado. Então, para serem capazes de superarem, Guto e Absalom agora, entrariam em união.

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