Capítulo 323: Caindo (2)
O segundo maior mercado da capital está localizado bem ao lado da Torre do Sino dos Alquimistas.
— O que está acontecendo?
Um comerciante que havia aberto sua loja mais tarde do que o normal e estava montando suas frutas olhou para o comerciante vizinho e perguntou.
— Eu também não sei bem.
O comerciante que respondeu balançou a cabeça. Seu olhar se voltou para a entrada mais movimentada do que o normal da Torre do Sino dos Alquimistas.
Alguém interrompeu a conversa naquele momento.
— S-sabe, é sobre aquela coisa.
— Aquela coisa?
— Sim, aquela coisa!
O jovem de aparência inocente e corpo musculoso começou a falar.
— O Campanário dos Alquimistas tirou crianças das favelas há quinze anos, dizendo que lhes dariam empregos e as transformariam em alquimistas.
— Ah. Eu lembro.
O comerciante lembrou-se de algo de muito tempo atrás.
Quinze anos.
Foi há muito tempo.
Pelo menos foi o que pareceu para as pessoas que estavam do lado de fora da Torre do Sino.
— As famílias dessas crianças parecem estar pedindo aos guardas que os deixem ver essas crianças.
— Ah, é mesmo? Eles não conseguiram vê-los esse tempo todo?
Os olhos do comerciante se arregalaram enquanto ele respondia sobre esse fato que ele não sabia.
O jovem, Vice-Capitão Hilsman, lambeu os lábios antes de continuar a falar com seu jeito excepcionalmente amigável que o tornava uma borboleta social.
— Sim, senhor, parece ser esse o caso. O senhor sabe sobre Honte-nim, certo? O discípulo do Mestre da Torre!
— Claro que sei. Quem não sabe?! Honte-nim é da favela. O Campanário dos Alquimistas é incrível e Honte-nim também é incrível. Foi um caso de grandes resultados vindos de intenções maravilhosas.
— É realmente esse o caso.
O vice-capitão Hilsman começou a trabalhar lentamente.
— Mas você vê…
O fato da expressão do jovem ter ficado séria fez com que tanto o comerciante quanto as pessoas que passavam por ali começassem a prestar mais atenção nele.
— Até mesmo a família do Honte-nim só conseguia vê-lo de longe e nunca foi autorizada a se encontrar com ele.
— …Sério? Por que fariam isso?
As expressões dos dois comerciantes ficaram estranhas.
— …Eu não sabia disso. Eu não sabia que era esse o caso.
Hilsman assentiu exageradamente com a cabeça ao comentário do comerciante.
— Eu também não! Eu também não sabia disso! Enfim, aparentemente há um motivo para todas aquelas pessoas terem ido à Torre do Sino dos Alquimistas procurar seus familiares agora.
— Qual é o motivo?
Hilsman agitava os braços enquanto exagerava.
— Você sabia que muitos alquimistas foram ao campo de batalha para lutar contra o Reino Whipper? Eles estavam preocupados com seus familiares, então foram encontrá-los.
— Ah.
O comerciante assentiu com a cabeça.
Ele se perguntou por que todos estavam ali, mas essa era uma razão compreensível.
— Faz sentido ficar preocupado depois de enviar seus familiares para o campo de batalha. Tenho certeza de que tem sido difícil para eles dormirem à noite.
— Ops.
O comerciante que disse aquilo sem pensar se encolheu e virou a cabeça. O comerciante que estava colocando suas frutas não tinha uma expressão nada agradável no rosto.
Seu irmão mais novo estava participando da guerra do Reino Whipper como soldado.
— Aham, hum. Mas provavelmente não precisamos nos preocupar muito com isso! Nosso Império vai vencer!
O comerciante olhou para seu amigo e rapidamente acrescentou, dando a chance para Hilsman, que estava esperando uma oportunidade, atacar.
— Claro. O Príncipe Imperial permitiria que os cidadãos do Império morressem terrivelmente?
— Claro que não! Isso nunca aconteceria!
Hilsman desviou o olhar do comerciante que estava atuando sem querer e olhou ao redor.
Ele não era o único agindo assim agora.
O pessoal de Cale e Rex estava tendo discussões semelhantes por toda a capital e observando o que estava acontecendo.
“Eu vejo preocupação e incerteza.”
Os soldados que o Príncipe Imperial levou consigo.
O povo da capital constituía a maioria desses soldados.
O Império ainda estava em guerra, não importava o quão pacífica estivesse a capital naquele momento.
O vice-capitão Hilsman olhou ao redor para a atmosfera agora caótica e desapareceu furtivamente.
Os outros estavam fazendo a mesma coisa.
Todos que haviam recebido as mesmas ordens que Hilsman circulavam pela capital, evitando os olhares dos soldados. As palavras de Cale ecoavam em suas mentes.
— Pretendo distribuir duas filmagens para a capital.
*Tap* *Tap*
Os passos apressados de um gato vermelho pulando pelos telhados podiam ser ouvidos.
— A primeira filmagem será sobre as ações malignas da Torre do Sino dos Alquimistas, começando há quinze anos.
A maioria das pessoas ficaria surpresa e condenaria, enquanto as pessoas das favelas e os familiares dos escravos de outras nações ficariam furiosos.
— A segunda…
Sir Rex olhou feio para a Torre do Sino dos Alquimistas.
— A segunda filmagem será a filmagem do Príncipe Imperial e da Torre do Sino dos Alquimistas usando a bomba, ‘Honte’, para tentar matar seu próprio povo.
Todos os cidadãos do Império ficariam furiosos ao verem aquela filmagem.
— Sir Rex, quero que você e as pessoas das favelas ajudem os cidadãos a evacuar para fora da capital nesse momento. Você estará protegendo e guardando as pessoas desta vez.
A voz de Cale ecoou nos ouvidos de Rex.
Seus olhos injetados de sangue examinavam cada canto e caminho dentro da capital.
“Eu definitivamente evacuarei todos.”
Ele já tinha tomado uma decisão.
***
— Algumas pessoas das favelas apareceram hoje?
O alquimista extremamente nervoso relatou os acontecimentos de hoje a Adin.
— Sim, Vossa Alteza. Muitos alquimistas não participaram da batalha do Reino Whipper desta vez? Eles pareciam preocupados que seus familiares também estivessem lá, então estavam pedindo informações sobre eles ou querendo vê-los se estivessem na Torre do Sino dos Alquimistas.
— Por que tão de repente?
O alquimista balançou a cabeça.
— Não é repentino. De vez em quando, algumas pessoas aparecem. A única diferença é que o irmão mais novo de Honte apareceu, o que acredito ter feito com que outros o seguissem. No entanto, ainda havia apenas umas dez pessoas.
— Entendo. Fique de olho nas favelas também.
O alquimista curvou-se rapidamente após ouvir as ordens de Adin.
— Precisamos nos livrar de todas e quaisquer variáveis agora mesmo.
Foi porque a voz do Príncipe Imperial era bastante fria.
— Entendo, Alteza. Vamos reforçar a patrulha ao redor da capital três vezes mais do que a atual.
Eles estavam usando essas patrulhas como fachada para ficar de olho nas coisas.
Adin assentiu com a cabeça e o alquimista saiu rapidamente da sala do terraço onde Adin estava.
— Alteza, você acha que algo vai acontecer nas favelas?
Adin balançou a cabeça diante da pergunta do médico imperial.
— Mesmo que algo aconteça, o que eles poderiam fazer? É a mesma coisa hoje como era há quinze anos. Simplesmente não podemos deixar que boatos falsos se espalhem pela capital.
Adin estava pensando que precisava fortalecer ainda mais seu controle sobre a capital.
Ele tomou um gole de mana morta.
— Ainda é tão sem graça.
Era extremamente insosso comparado ao líquido preto com o desespero de outras pessoas.
Adin pensou naquele sabor delicioso enquanto tomava outro gole de mana morta.
***
Nesse mesmo momento, Cale estava em uma pequena floresta um pouco ao sul da capital do Império.
— A vigilância das favelas aumentou?
— Sim, jovem mestre-nim. Ouvi dos meus subordinados.
Cale assentiu com a cabeça diante da resposta de Freesia.
Ele tocou o item em sua mão enquanto pedia.
— Todos os preparativos estão completos?
Seu olhar se dirigiu para a escuridão dentro da floresta.
Duas pessoas caminharam em sua direção, vindas da escuridão.
Os gêmeos do Deus Sol.
Santo Jack e a mestre espadachim Hannah.
— Estou pronta para lutar há muito tempo.
Hannah resmungou enquanto tocava a lâmina da espada. Seus olhos brilhavam com a ideia de matar seus inimigos.
— Eu só preciso lutar com a espada que o oppa me deu, certo?
O texto que havia sido escrito dentro do livro de magia negra. Os gêmeos já tinham ouvido falar dele por Cale.
O olhar de Cale se voltou para o Santo Jack.
— Santo-nim, você está pronto?
Santo Jack tocava um pequeno orbe com uma expressão rígida no rosto. Este era um dos orbes de gravação de vídeo que seriam lançados pela capital no dia seguinte.
Santo Jack levantou a cabeça e olhou ao redor da floresta escura.
Ele podia ver Cage, a sacerdotisa do Deus da Morte, a necromante Mary e a Elfa Negra Tasha.
“Será que eu realmente conseguirei usar o item divino e sacar uma espada? Tenho as qualificações necessárias para isso?”
Ele pensou nas árvores que ficaram brancas na Seção 7 da Selva.
Aquela visão era realmente uma visão de ‘luz’.
Santo Jack estendeu a mão.
— Jovem mestre-nim, por favor, me entregue
Cale começou a sorrir ao ouvir a voz severa de Jack.
— Eu estava esperando você dizer essas palavras.
O pequeno e velho espelho compacto na mão de Cale foi entregue a Jack.
Jack o recebeu com as mãos trêmulas e o abriu. Ele podia ver o espelho lá dentro.
Condenação.
Aquela palavra ainda estava escrita nele.
No entanto, Jack apenas fechou o espelho novamente por enquanto.
A Condenação do Sol.
O item divino que diziam que tornava a noite branca.
Jack segurou o item divino em sua mão enquanto começava a falar com Cale.
— Definitivamente criarei uma noite branca.
Cale estava prestes a responder quando levantou a cabeça.
*Swooooooosh-*
O vento estava soprando.
Ele só conseguia ver um céu noturno normal.
No entanto, ele percebeu.
Havia algo invisível no céu.
{Humano! Rosalyn está aqui!}
O dirigível que havia sido tornado invisível pelos dois dragões estava flutuando bem acima da floresta.
Cale podia ver pontos pretos caindo repentinamente do céu.
*Tap!* *Tap!* *Bum!*
Os seres negros que pousaram no chão com ruídos diferentes se levantaram lentamente.
Esses eram os guerreiros elfos negros que lutaram na selva.
Eles se curvaram para Cale com seus Elementais ao redor deles.
Cale começou a falar.
— Um dia.
Só faltava um dia.
***
Amanhecer na manhã seguinte.
Adin recebeu um relato de que as favelas estavam silenciosas como sempre, além de que não havia muitas pessoas se movimentando e que os soldados também tinham ouvido as conversas das pessoas.
— Não havia muita coisa, Vossa Alteza.
No entanto, eles não perceberam que as pessoas estavam apenas esperando silenciosamente o dia passar.
***
— Você fechou a janela?
— Um momento!
A criança rapidamente estendeu a mão em direção à janela ao ouvir a pergunta da mãe.
Ele podia ver os soldados e cavaleiros patrulhando lá fora.
— Eles estão trabalhando duro até mesmo à noite para nos proteger por causa da guerra.
A criança lembrou-se das palavras da mãe e observou silenciosamente os soldados e cavaleiros do lado de fora.
— O ar frio está entrando!
— Ah, já vai!
A criança fechou a janela rapidamente após ouvir a voz da mãe mais uma vez.
*Scrun-*
A velha janela fechou-se lentamente.
Era tarde da noite. O sol já havia se posto há muito tempo e apenas o céu noturno era visível.
*Bum!*
A mão da criança que tentava trancar a janela se encolheu.
— Mãe!
A criança chamou pela mãe, mas sua voz não pôde ser ouvida.
*Bip-* *Bip-*
Um barulho agudo cortando a noite foi ouvido por toda a capital.
A mãe segurou a criança chocada nos braços enquanto terminava de trancar a janela.
Suas pupilas estavam tremendo.
“Os inimigos invadiram? Precisamos correr? Que barulho é esse?’”
Ela estava cheia de incerteza, pois estavam no meio de uma guerra. Todos os seus sentidos ficaram alertas enquanto ela tentava entender o que estava acontecendo.
Foi naquele momento.
– Olhar para isso é realmente divertido.
Uma voz familiar foi ouvida do lado de fora da janela.
— É Sua Alteza! Mãe, Sua Alteza!
A criança estava certa.
Era a voz do Príncipe Imperial Adin.
*Scrun-*
A janela abriu novamente.
Ela olhou para o céu.
Um grande objeto voador estava no ar.
Havia uma filmagem sendo feita naquele dirigível.
— Hã? Mãe, é o rosto de Sua Alteza!
Ela viu uma área com esqueletos empilhados como uma montanha. O Príncipe Imperial estava no terraço lá em cima, bebendo um líquido preto.
As primeiras imagens cobriram o céu da capital.
***
Sir Rex, que havia retornado à sua forma humana, tinha um dispositivo de comunicação de vídeo na mão naquele momento.
– Começem.
Era a voz de Cale.
Sir Rex olhou para a frente. Muitas pessoas nas favelas seguravam orbes, escudos e outros itens enquanto o observavam.
Ele abriu a boca para falar.
— Dispersem-se. Vamos todos superar isso.
Esse foi o começo.
As pessoas começaram a se mover na escuridão das favelas.
Naquele momento.
– Começem.
Rosalyn virou a cabeça.
Ela também podia ver um círculo mágico brilhando no centro da aeronave, assim como o Dragão Ancestral que flutuava no ar.
Ela abriu a boca para falar.
— Ative o círculo mágico para destruir as muralhas!
Sua voz ecoou no céu noturno enquanto todo o dirigível começou a tremer com o rugido da mana.
E finalmente.
— Vamos.
Cale entrou pela passagem secreta ao norte, na Torre do Sino dos Alquimistas, onde Adin estaria.
Raon e Choi Han seguiram atrás dele.
Cale ouviu a voz de uma pessoa através do dispositivo de comunicação de vídeo.
– A infiltração nas passagens secretas Leste, Oeste, Sul e Norte começará.
Era a voz de Tasha.
Norte, Sul, Leste, Oeste. As passagens secretas da Torre do Sino dos Alquimistas.
Os guerreiros Elfos Negros estavam se infiltrando nessas passagens secretas com Tasha liderando o caminho.
Estava na hora.
Isso foi só o começo.

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