Capítulo 1235 - História
『 Tradutor: Crimson 』
Seu corpo não conseguia mais suportar o impacto de empunhar o Signo Cósmico. Cada fibra do seu ser gritava para parar. Se quisesse sobreviver ao que o aguardava, não lhe restava outra escolha senão ascender e se tornar um Lorde Monstro, e precisava fazê-lo logo.
“Saya… eu vou cuidar de você”, jurou Souta em voz baixa e trêmula.
Ao menos, ele a impediu de desaparecer completamente.
Souta ergueu lentamente a cabeça e observou os arredores. A desolação de que se lembrava havia desaparecido. A grama balançava suavemente sob seus pés, as flores desabrochavam como se intocadas pela tragédia, e ventos fortes varriam a terra. Acima dele, o sol brilhava intensamente, lançando um brilho quente, quase cruelmente belo, pelo céu.
“A calamidade…” Ele murmurou.
Seu olhar voltou-se para a tênue esfera de luz que repousava em sua palma.
A Terra da Luz de Fogo havia sobrevivido. O reino suportara a calamidade sem recorrer à sua medida final e desesperada, a purificação que teria apagado tudo. O custo, porém, foi devastador. Inúmeras vidas foram perdidas, mas alguns conseguiram se agarrar à sobrevivência. Esses sobreviventes agora olhavam para o céu incrédulos, testemunhando um nascer do sol que tinham certeza de que jamais veriam novamente.
Mais de noventa por cento da população do reino havia perecido.
Os que restaram se reuniram entre as ruínas, fazendo o possível para reconstruir o pouco que restava de seu mundo.
A reconstrução do reino levaria anos, talvez décadas. Mesmo assim, o Príncipe Angus e seu povo se recusaram a se entregar ao desespero. Trabalharam incansavelmente, resgatando tudo o que podiam das cidades destruídas, determinados a garantir que o legado do reino não terminasse ali.
Assim, vários dias se passaram num piscar de olhos.
A capital real havia sido reduzida a ruínas irrecuperáveis. Sem nada mais a recuperar, os sobreviventes tomaram a decisão crucial de reconstruir a Cidade da Zona da Natureza e declará-la sua nova capital.
“Ufa…” O príncipe Angus enxugou o suor da testa enquanto observava as estruturas recém-erguidas que se erguiam da terra devastada. Um fraco sorriso surgiu em seus lábios. “Isso é melhor.”
Emiline aproximou-se e parou ao lado dele.
“Como vai a reconstrução, Alteza?”, perguntou ela.
“Está tudo a correr bem. O nosso povo é resiliente”, respondeu o Príncipe Angus com um orgulho discreto e dizendo: “Vamos nos recuperar disto.”
Ele então se virou para ela, com uma expressão cada vez mais solene. “E o nosso salvador? Como ele está?”
“O Herói da Terra da Luz de Fogo está atualmente conversando com Sua Majestade”, Respondeu Emiline.
“Entendo…” O príncipe Angus exalou lentamente, olhando para o horizonte e dizendo: “A partir de hoje, nossa terra prosperará.”
Emiline assentiu com a cabeça, concordando e compartilhando de sua convicção.
…
Em outro lugar, dentro de uma casa modesta e discreta.
Souta estava sentado calmamente a uma pequena mesa, com uma xícara de café ao lado. Do outro lado, estava o Rei do Reino Eterno, e a conversa entre eles se desenrolava numa atmosfera muito mais densa do que o próprio ambiente sugeria.
“Você salvou nosso reino da calamidade”, disse o rei solenemente.
“Não foi nada”, respondeu Souta secamente e afirmou: “Só lutei porque isso também me afetaria. Se não me afetasse, eu não teria intervido.”
“Independentemente dos seus motivos, as suas ações salvaram o povo desta terra”, Insistiu o Rei e reafirmou: “Devemos-lhe as nossas vidas.”
O olhar de Souta baixou ligeiramente.
“Não foi pelo reino. Eu só queria salvar uma pessoa.”
O rei silenciou, observando-o. Ele não sabia o que realmente havia acontecido durante a batalha, nem como Souta conseguira conter a calamidade. O que se apresentava diante dele agora era um mistério, ao mesmo tempo aterrador e profundo.
“Você é o mais forte desta terra”, disse o Rei finalmente e perguntando: “Suas palavras têm peso. Diga-me… o que você pretende fazer a seguir?”
“Meus planos?” Souta ergueu uma sobrancelha, encarando o Rei fixamente. Após um instante, falou: “Se você está perguntando isso, então já deve estar considerando colocar seu reino sob meu estandarte.”
O Rei assentiu levemente, com um ar sombrio.
“Sim. Mesmo que não desejemos, temos pouca escolha. Você nos supera a todos em força. Seria irresponsável não abordar o assunto.”
“Entendo…” Souta exalou baixinho e explicou: “Então você deve saber disto: estou formando uma força. Uma força capaz de resistir à calamidade.”
“A calamidade?” Os olhos do Rei se arregalaram e questionou: “Você quer dizer… que ainda não acabou?”
“Não”, disse Souta sem hesitar e o avisou: “Vai voltar, e quando voltar, será muito pior do que tudo o que esta terra já sofreu. Não sei explicar como sei disso, mas a calamidade está longe de terminar.”
Ele queria dizer mais, revelar tudo o que sabia. No entanto, uma restrição invisível envolvia suas palavras. Sempre que tentava ir além, sua voz lhe faltava, como se a própria verdade se recusasse a ser ouvida.
Talvez… essa fosse a maldição.
“Se isso for verdade, então devemos nos preparar.” Disse o Rei gravemente
Embora a dúvida persistisse em seu coração, ele não podia ignorar a realidade diante de si. O ser parado do outro lado da mesa era o próprio monstro que havia posto fim à calamidade.
“É exatamente isso que pretendo fazer”, respondeu Souta. Após uma breve pausa, ele continuou: “Partirei desta terra em breve. Procurarei o grupo de seres inteligentes mais próximo. Humanos, demi ou até mesmo monstros. Qualquer um que saiba lutar.”
“Entendo”, disse o Rei, assentindo lentamente com a cabeça.
Souta o observou por um instante antes de perguntar: “Quanto você sabe sobre as outras terras? Sobre os continentes além desta terra?”
O Rei balançou a cabeça.
“Muito pouco. O povo da Terra da Luz de Fogo viveu aqui a vida inteira. Nunca chegamos a outra terra, então não sabemos nada do que existe além dela.”
Num raio de dez mil quilômetros ao redor da Terra da Luz de Fogo, não havia nada, nenhum outro continente, nenhuma massa de terra visível. Inúmeras expedições haviam comprovado isso. Aqueles que ousavam ir mais longe raramente retornavam, e os que retornavam voltavam destroçados, tendo encontrado monstros cruéis no oceano.
“Entendo…” Murmurou Souta. Após um instante, continuou: “Seu filho mencionou algo curioso. Ele disse que a Terra da Luz de Fogo já foi chamada de Austrália. Pode me contar sobre isso?”
“Austrália…” O Rei repetiu o nome suavemente, como se estivesse testando seu peso. “Sim. Num passado distante, esta terra teve esse nome.”
Sua voz foi ficando mais baixa.
“Nosso conhecimento provém de registros antigos desenterrados das ruínas de um reino há muito desaparecido. São os textos mais antigos que possuímos, os últimos ecos de uma era anterior à descoberta da mana.”
Ele fez uma pausa, apertando os dedos com mais força.
“De acordo com esses registros, as pessoas daquela época não tinham uma compreensão verdadeira da mana. Elas estavam apenas começando a sentir o fluxo de energia natural, tratando-o como um milagre em vez de uma força. Naquela época, este mundo era um todo. Outras terras existiam. Outras nações prosperavam em terras próximas.”
O olhar do Rei desviou-se para baixo.
“Então veio um desastre.”
Ele engoliu em seco.
“Os textos não o nomeiam. Apenas descrevem suas consequências. Continentes inteiros desapareceram. Não afundaram, mas desapareceram. Mares onde antes existiam cidades. Céus que arderam por dias. O próprio fluxo do mundo foi dilacerado, como se algo tivesse alcançado as profundezas e apagado vastas porções da existência.”
O silêncio tomou conta da sala.
“Não há registros de sobreviventes além desta terra. Nenhum vestígio, nenhuma ruína, nenhum traço de mana remanescente. Era como se aquelas terras nunca tivessem existido.”
O rei finalmente ergueu o olhar, com uma expressão grave.
“É por isso que a Terra da Luz de Fogo permanece isolada. O que quer que tenha destruído o resto do mundo não apenas matou, mas apagou. E até hoje, ninguém sabe por que esta terra foi poupada.”
O rei silenciou, após ter compartilhado a antiga história.
Foi a era mais remota já registrada na história da Terra da Luz de Fogo. Naquela era distante, o povo já havia suportado uma calamidade e sobrevivido. Das ruínas daquela catástrofe, as nações dispersas se uniram lentamente, reconstruindo a civilização com o conhecimento arrancado do próprio desastre.
“Nós a chamamos de Era dos Descobrimentos, e dela surgiu uma grande nação, o Antigo Império de Hal.” disse o Rei.
Sua voz tornou-se solene, quase reverente.
“O Império de Hal perdurou por vários milhares de anos. Não era apenas um império, mas um domínio que se destacava acima de todos os outros. Durante seu reinado, a Terra da Luz de Fogo produziu seres cuja força beirava o divino. Mortais que podiam dobrar a terra, os céus e o próprio fluxo de mana à sua vontade caminhavam abertamente entre o povo.”
O rei fez uma pausa, como se estivesse ponderando as próximas palavras.
“Foi durante essa época que a terra foi remodelada. O nome Austrália foi apagado, substituído por Terra da Luz de Fogo. Alguns registros sugerem que a mudança não foi simbólica, mas absoluta, como se o Império tivesse reescrito a própria identidade da terra.”
Sua expressão escureceu.
“Inúmeras eras se seguiram à sua queda, cada uma marcada por crescimento e calamidades inevitáveis. Contudo, a maior tragédia é que grande parte do conhecimento de Hal se perdeu. Os registros mais importantes foram selados sob a capital real, enterrados quando a cidade desmoronou e engolidos pelo tempo.”
“Enterrado…” Murmurou Souta.
Um brilho tênue reluziu em seus olhos enquanto ele falava.
“Então irei lá mais tarde. Se ao menos fragmentos dos registros de Hal ainda existirem, eles podem nos dizer por que as calamidades continuam voltando ou como as pessoas conseguiram sobreviver.”

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