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    — Aquilo? — Victórios fez uma expressão de estranheza. — É um ovo… 

    — Um ovo?  

    — Bem, na verdade, é mais uma decoração… o único motivo que está aqui é sua importância histórica… afinal é impossível chocá-lo. 

    A resposta do príncipe deixou Li ainda mais confuso, afinal aquela coisa parecia mais uma rocha do que um ovo. 

    — Não parece muito com um ovo… — disse Nina. 

    — Claro, não é de um animal comum… aquele é um ovo de dragão. 

    Assim que ouviu a palavra dragão, os sussurros voltaram a mente de Li. 

    “Está… falando comigo…?” 

    Subitamente sua consciência ficou leve, como se estivesse a um fio de desaparecer. 

    — Ei, Jihan!  

    Quando notou a movimentação do homem, já era muito tarde. Estendendo a mão, Li tentou tocar o ovo. 

    — Espere, a barrei… 

    GRRR 

    No instante em que encostou no círculo que protegia o objeto, sua mão se prendeu a energia, que percorreu desenfreadamente todo o seu corpo. Rangendo os dentes, a dor era quase insuportável. Em uma reação rápida, Victórios atirou uma onda de energia na direção de Li empurrando-o para longe da barreira. 

    — Droga! 

    — Ei, porque você o empurrou com tanta força! 

    — Nina, é uma barreira de nível superior, se eu não o fizesse ela teria matado ele — explicou. 

    Ambos correram até o homem, que havia colidido contra uma parede com a força da explosão. 

    — Ainda bem… ele não parece ter recebido danos graves… só a mão que está bem machucada. 

    — Como vamos explicar isso para o papai… 

    — Não vamos, cure ele — respondeu. 

    — Eu? 

    — Só faça logo, é melhor que ele acorde, é a estrela da festa, seria muito esquisito se ele não voltasse. 

    — Ah… tá bom!  

    Imediatamente a menina concentrou sua energia e uma luz dourada recaiu sobre o corpo de Li, lentamente fechando suas feridas. 

    Levantando-se, Victórios caminhou de volta ao altar, mas se surpreendeu com o que achou. 

    “Não está aqui?” pensou. 

    — Nina, o ovo está com o Li? — perguntou a sua irmã, que ainda estava o curando. 

    — O quê? Não!  

    “Foi destruído!? ARGH, o velho vai me matar!” amaldiçoou sua sorte, levando as mãos a cabeça. “Devo só dizer que o Li o escolheu? Não… provavelmente vão pedir para ele expor sua escolha ainda hoje, mesmo que ele concorde comigo, quando chegar essa hora nossa mentira vai ser exposta…”  

    — Irmão, ele está acordando!  

    — Ah… que dor de cabeça… o que aconteceu? — perguntou, adulando a própria testa. 

    — Não se lembra? —  Perguntou Victórios. — Você encostou na barreira que protegia o ovo. Tive que te atingir com uma onda de energia para salvá-lo. 

    — Eu fiz isso…? — Olhando para sua mão, ainda um pouco machucada, Li questionou-se. — Certo… o ovo…  

    “Será a confusão por ter batido a cabeça?” pensou Nina.  

    — Li, do que você se lembra? — perguntou a princesa. 

    — Eu tava… falando com vocês e… do nada… 

    “Que estranho…” pensou Jihan, consigo mesmo. “Essa sensação de não me lembrar das coisas é esquisita” 

    — Mas eu me sinto melhor agora, a dor que eu estava sentindo antes já passou. 

    — Bem, faz sentido, afinal, o ovo foi destruído — disse o primogênito. 

    — Destruído!? — ambos perguntaram em uníssono. 

    — Droga… o papai vai nos matar! 

    — Desculpa… não queria causar problemas para vocês…  

    — Então, o que acha de mantermos esse segredo entre nos?  

    — Mas o que faremos se perguntarem sobre o que ele escolheu? 

    — Simples, responderemos com a verdade. 

    — Irmão, você não está fazendo muito sentido… 

    — Você subestima a genialidade de seu irmão, Nina! — disse Victórios, triunfantemente, de forma que até mesmo Li fez uma expressão confusa. 

    — Li, você disse que não conseguiu ver nada que fosse extremamente útil para você, certo? 

    O homem acenou com a cabeça, confirmando. 

    — Pois bem, porque não fazemos dessa forma, então, para que você não saia de mãos abanando e nem precisemos lidar com o sumiço do ovo, mantemos isso entre nos e ainda sim você terá um objeto para mostrar — propos. — Ao invés de escolher um item, escolha um material! 

    — Um material? Mas não darão falta do ovo aqui na sala? 

    — Que nada, quase ninguém entra aqui e mesmo que meu pai o faça, ele não vai prestar tanta atenção no que está exposto no primeiro andar. 

    Indo até Jihan, o primogênito estendeu a mão a ele. 

    — Será o nosso segredo, o que acha? 

    Sem pensar muito, afinal, não é como se ele tivesse muitas opções, o jovem agarrou a mão do príncipe e se levantou. 

    — Estamos juntos nessa então. 

    — Assim que se fala!  

    — Aliás — comentou Li. — Os guarda não ouviram? 

    — Não, tem uma barreira a prova de som na porta, acho que vai ficar tudo bem.  

    — Entendi… e sobre o material, vocês têm alguma recomendação?  

    Ambos começaram a pensar. 

    — Você tem algo em mente? Alguma característica especial? 

    — Hm… vocês sabem de algo que melhora o controle de mana? — perguntou, omitindo propositalmente o que leu na tese de Brigída. 

    A coisa que Jihan mais tinha dificuldade era definitivamente um controle efetivo de sua Prana, pois não era algo que ele conseguia aprender com visualização e muito menos em algum livro. Ter algo que o fizesse pelo menos ter o sentimento de como seria ter um bom controle o ajudaria muito a desenvolver esse caminho por si só.  

    — Bem… — Nina respondeu, olhando para seu irmão. — Temos manita. 

    — Não é uma má opção… mas… 

    — O que foi? — questionou Li. 

    — É que, apesar de termos um minério aqui no cofre real, ele é bastante complexo e você teria que não só achar um ferreiro do maior grau, mas ele também tem que estar disposto a lidar com algo extremamente volátil. 

    — Só isso? — perguntou. 

    — Só… — Nina sorriu sem graça. — você faz parecer que é uma tarefa fácil, sabemos que Arcádia tem o auxílio de Valhir, mas é mais uma parceria do que um trabalho para ele… duvido que ele ajude tão indiscriminadamente para ceder a qualquer pedido. 

    — Pode deixar essa parte comigo — respondeu Li, confiantemente. 

    — Bem, se você está tão confiante assim… — Indo até uma das barreiras, Victórios a abriu, recitando uma frase que Li não ouviu. — Aqui — e entregou um mineral de cor dourada para Jihan, que imediatamente o colocou dentro do seu armazém pessoal, o anel feito com os restos que sobraram do chifre de Sleipnir.  

    — Por acaso o ovo… 

    — Não, perdão, mas foi a primeira coisa que fiz… podem checar por si mesmos se quiserem.  

    — Está tudo bem, confiamos em você — respondeu o primogênito. 

    — Afinal, não tive a chance de perguntá-lo anteriormente, mas por que era impossível chocá-lo? 

    — Por quê? Porque para chocar um ovo de dragão, você precisa de sangue de dragão… e já fazem seculos que nenhum é visto. 

    — Entendi… 

    — Vamos, já estamos aqui ha muito tempo, temos que voltar para o banquete, devem estar sentido sua falta — disse Victórios. 

    — Sim, vamos… 

    Enquanto saia da sala, logo atrás dos dois herdeiros, Li encarou a própria mão, lembrando-se de uma coisa. 

    “Sangue de dragão… certo…”  

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