Capítulo 871
『 Tradutor: Crimson 』
Morgana caminhava lentamente pela Ruína dos Dragões, um passo de cada vez.
Tudo o que entrava em seu campo de visão era uma terra trágica e amaldiçoada, afogada em vegetação selvagem e descontrolada. Ocasionalmente, ela conseguia ver enormes ossos de dragão parcialmente enterrados na terra e na areia à distância.
Após dezenas de milhões de anos de ventos e areia, esses ossos haviam se tornado completamente brancos, desprovidos de qualquer outra cor. Sempre que os ventos frios passavam por entre eles, era possível ouvir os lamentos fantasmagóricos e vingativos de espíritos ressentidos.
Incontáveis criaturas estranhas vagavam pelas pradarias, pela areia amarelada e pela terra negra. Elas se reuniam em pequenos grupos de dois ou três, patrulhando inquietas essa terra amaldiçoada pelos dragões. Sempre que viam intrusos adentrar o território, avançavam em enxame, usando sua ferocidade destemida e seus números aterradores para garantir que os saqueadores permanecessem ali para sempre.
Dizia-se que um altar amaldiçoado de ossos de dragão estava escondido nas profundezas das Ruínas dos Dragões, e que os materiais usados para criá-lo eram ossos e núcleo um dragão de alto grau.
Era justamente por isso que tantos saqueadores de túmulos e caçadores de tesouros continuavam a correr para esse lugar, apesar de conhecerem seus perigos. Todos sonhavam em desenterrar um ou dois ossos de dragão e viver uma vida sem preocupações.
Claro, eles vinham… e lá permaneciam.
A partir de então, mais um grupo de espíritos vingativos passava a vagar pela Ruína dos Dragões.
Naturalmente, como líder das Bruxas do Inverno Frio, Morgana sabia muito mais sobre essa lenda do que uma pessoa comum!
O altar de ossos de dragão realmente existia.
No entanto, ele não ficava no deserto, mas profundamente enterrado sob a fundação da Torre do Destino.
Quer desenterrar o altar de ossos de dragão? Claro, destrua primeiro a Torre do Destino!
A razão pela qual a Torre do Destino pôde se tornar a terra de origem do ramo do Destino estava intimamente ligada àquele altar de ossos de dragão. Era razoável afirmar que a Torre do Destino não seria tão misteriosa se não fosse por ele.
De onde vinha exatamente a capacidade de perceber o destino com a qual todas as Bruxas do Destino nasciam? Do altar sob a Torre do Destino.
Assim, em vez de proprietárias das Ruínas do Dragão, era muito mais preciso chamar as Bruxas do Destino de guardiãs das Ruínas dos Dragões!
Quanto ao motivo pelo qual as Bruxas do Destino passaram a possuir tal altar de ossos de dragão? De acordo com as informações armazenadas no Conselho das Bruxas, isso parecia estar relacionado à Rainha das Bruxas da antiguidade. No entanto, os detalhes específicos haviam se perdido no tempo, devido à ausência de registros e à passagem das eras.
Em sua fúria, Morgana ignorou todos os tabus deixados desde os tempos antigos e invadiu o local com uma raiva destrutiva.
Parecia que haviam sentido aquela intensa intenção assassina, pois os espíritos vingativos, criaturas mágicas e monstros do deserto avançaram destemidamente em direção a Morgana.
Com a queda do antigo ramo do Destino, o poder dessas bestas selvagens havia regredido enormemente. Ainda assim, a ordem de defender a torre, gravada em suas marcas de alma, permanecia intacta. Era por isso que os monstros e criaturas mágicas continuavam a atacar corajosamente a tempestade de neve, mesmo sabendo que não eram páreo para uma bruxa de Terceiro Grau.
Com seus fracos poderes de Primeiro Grau, eram transformados em todo tipo de esculturas de gelo de formas grotescas por um vento gélido antes mesmo de se aproximarem a cem metros de Morgana. Um caminho de neve com mil metros de largura ficava para trás enquanto Morgana avançava. Esculturas cristalinas de gelo, em inúmeras poses diferentes, podiam ser vistas dos dois lados do trajeto.
Se alguém limpasse a neve da superfície dessas esculturas e observasse através do gelo com meio metro de espessura, veria as bestas selvagens aprisionadas em seu interior.
Infelizmente, já haviam perdido a vida e se transformado em novos espíritos vingativos.
Nenhuma besta ou criatura mágica conseguiu se aproximar de Morgana durante todos os cinquenta quilômetros de sua jornada até a Torre do Destino. Naturalmente, nada foi capaz de deter seu avanço.
No entanto, quando a tempestade de neve feroz chegou diante da Torre do Destino, aquele fenômeno natural com um quilômetro de largura parecia um pequeno redemoinho diante da imensa torre. Já não parecia tão assustador ou imponente.
Morgana parou orgulhosamente diante da Torre do Destino, permitindo que a tempestade giratória colidisse contra o corpo cinzento da torre. Então, ela gritou com toda a fúria em sua voz:
“Alice, saia daí!”
Essa voz era tão alta e feroz que fez o deserto ao redor tremer. Um grupo de espíritos vingativos chegou a sair da torre e começou a circular suas muralhas.
Uma silhueta estranha, formada inteiramente de luz, apareceu silenciosamente diante de Morgana. À medida que a luz tremeluzia, a figura assumiu a aparência de Alice.
“Srta. Morgana, eu não esperava que viesse pessoalmente visitar minha Torre do Destino. Seja bem-vinda!”
Morgana empurrou as mãos para os lados, e a tempestade de neve se dividiu misteriosamente, revelando sua figura.
“Alice, não vem com essa novelinha para mim. Como pretende encerrar esta guerra?” O fogo no coração de Morgana ardeu ainda mais forte ao ver a compostura calma de Alice. Naturalmente, seu tom tornou-se ainda mais agressivo.
“Isso vai depender da sua atitude!” Alice continuava sorrindo gentilmente. “As Bruxas do Inverno Frio não têm nenhum conflito real conosco, as Bruxas do Destino. Esta batalha sempre foi apenas uma disputa de orgulho. Desde que esteja disposta a deixar isso para trás, esta guerra pode acabar a qualquer momento!”
“Hmph! Fácil falar. Mas quem vai compensar as Bruxas do Inverno Frio por todas as perdas que sofremos neste último mês?”
“Srta. Morgana, guerras entre bruxas sempre foram assim. Se quer iniciar uma guerra, precisa arcar com as consequências ao perdê-la. Eu já fiz o possível para manter essas mortes sem sentido ao mínimo durante as batalhas anteriores. Caso contrário…”
“Então você quer dizer…” Morgana estreitou os olhos, e parecia que uma tempestade de neve feroz estava se formando em suas pupilas brancas. “Você quer dizer que minhas subordinadas não conseguem derrotar as suas?”
Por algum motivo, desta vez, a normalmente gentil Alice se recusou a recuar, mesmo que minimamente.
“Você ficou cega, Srta. Morgana?”
A fúria de Morgana se intensificou ainda mais. Até mesmo a tempestade de neve que soprava ao seu redor tornou-se mais violenta.
“Eu vou matar você! Eu vou te estraçalhar…”
“Srta. Morgana, não se esqueça de que é estritamente proibido que ramos de bruxas matem uns aos outros. É especialmente proibido que haja combates entre as líderes das bruxas. Qualquer bruxa que quebre essas regras será severamente punida pelo Conselho das Bruxas! O que foi? Você pretende desafiar essa regra?”
“Eu não esqueci. Porém, Alice, você também não se esqueça de que nossos ramos estão agora em guerra. Você pode se recusar se eu lançar um desafio formal de ramo contra você agora?”
Alice não pôde deixar de estreitar os olhos, enquanto uma luz indescritível cintilava em seu interior.
“Não posso recusar!”
“Hmph, desde que você entenda!” Morgana bufou friamente. “Como uma bruxa de Terceiro Grau, eu também não estou disposta a intimidar uma mera bruxa de Segundo Grau como você. Então, se você se render e entregar as Bruxas do Inverno Frio aprisionadas, eu…”
“Eu aceito seu desafio!”
“… posso ignorar essas transgressões e deixar você continuar… o quê? O que você disse?” Morgana foi interrompida por Alice antes que pudesse terminar. Ela ficou completamente chocada.
“Eu disse que aceito seu desafio!” Alice repetiu, pronunciando cada sílaba com a máxima seriedade.
“Você entende o que está fazendo?” O frio dos olhos brancos de Morgana avançou como uma pressão, e todo o seu corpo passou a exalar uma aura assassina.
“Eu apenas aceitei o seu desafio de ramo!” Alice voltou a parecer calma e tranquila. “No entanto, você é de Terceiro Grau, e eu sou apenas de Segundo Grau. Você não se importaria se eu trouxesse alguns subordinados comigo, certo?”
“Quem você pretende trazer?”
“Não se preocupe; não vou quebrar nenhuma regra trazendo aqueles dragões de Terceiro Grau comigo. Trarei apenas quatro subordinados, e todos serão de Segundo Grau. Não há problema nisso, há?”
“N… Não há problema!” Por algum motivo, a investida repentina de Alice pegou Morgana completamente desprevenida. Ela começou a gaguejar, sem saber exatamente como deveria responder.
Uma líder das bruxas de Segundo Grau ousar aceitar o desafio de otra líder no Terceiro Grau. Era impossível que ela fosse sua oponente, mesmo trazendo alguns subordinados de Segundo Grau a mais! Morgana sentiu-se um pouco confusa diante dessa situação bizarra.
Ela fora quem havia lançado o desafio. Então por que parecia que Alice estava ainda mais ansiosa do que ela?
Havia… havia algum esquema por trás disso?
Mas Alice já havia deixado claro que não traria nenhum Terceiro Grau. Então como ela pretendia virar o jogo?
Ela realmente acreditava que quatro ou cinco Segundos Graus seriam suficientes para derrotar um Terceiro Grau? Ainda mais quando esse Terceiro Grau era a líder de todo um ramo das bruxas!
Será que Alice também possuía um grande número de golems de elementium?
A lenda de Greem derrotando um veterano de Terceiro Grau enquanto ainda era de Segundo Grau já havia se espalhado por todo o Continente dos Adeptos. Até Morgana, que vivia nas Terras do Norte, já tinha ouvido essa história.
No entanto, uma vitória desse tipo exigia condições demais para acontecer!
Primeiro, o local da batalha precisava ser uma área restrita, como uma arena.
Sem essa limitação, qualquer adepto de Terceiro Grau teria a capacidade de se retirar da batalha a qualquer momento caso a luta se tornasse desfavorável. Eles jamais seriam torturados até a morte por uma tática desprezível que dependesse apenas de números.
Segundo, indivíduos fora do padrão que possuíssem tantos golems de elementium quanto Greem eram extremamente raros.
Se não fosse pelo número chocante de golems de elementium de Segundo Grau sob seu controle, e por seu total desprezo pelo custo de sacrificá-los, ele jamais teria forçado um veterano de Terceiro Grau a uma posição tão constrangedora.
Claro, a vantagem decisiva no campo de batalha foi a capacidade de Greem de se esconder no mar de fogo.
Se não fosse por aquela poderosa habilidade de ocultação, que impedia o adepto de Terceiro Grau de encontrar sua forma verdadeira, ele nunca teria conseguido arrastar a batalha por tanto tempo.
Foi a soma de todos esses fatores que levou aquele adepto de Terceiro Grau a cair nas tramas de Greem!
No entanto, Morgana havia escolhido esse amplo espaço diante da Torre do Destino como campo de batalha. Não havia chance alguma de ela ser cercada e espancada até a morte. Além disso, diferentemente do Corvo Arauto da Morte, Morgana possuía inúmeras magias de gelo de área ampla. Ela não tinha medo de múltiplos inimigos.
Assim, após refletir rapidamente, Morgana assentiu e aceitou o desafio!

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