Então Lyra e Pip foram em direção a dungeon, ao norte da capital, próxima aos portões. A dungeon aparentava ser pequena, apenas uma caverna com escadas ao subsolo, musgos e lodo por toda a escada, o ar úmido e um vento frio vindo de suas profundezas criavam temor em Pip, mas Lyra não se intimidou por apenas um vento, ergueu a cabeça e seguiu em direção ao objetivo.

    — Lyra, tome cuidado, essa não é uma caverna comum, — Disse Pip enquanto caminhava lentamente analisando cada passo, som e movimento ao redor. — É uma dungeon e dungeons sempre tem armadilhas.

    — Pip, não fique tão tenso, essa dungeon já foi explorada várias vezes ela não tem perigo~

    Antes que Lyra pudesse terminar de falar sentiu seu pé afundar em um piso solto, eles começaram a escutar um som de pedras se amassando. Pip aterrorizado se coloca em posição de defesa, mas Lyra em posição de ataque.

    O som ficava cada vez mais perto e ao fim do corredor uma grande pedra redonda descia rolando com alta velocidade.

    — Eu falei para tomar cuidado!— Pip aterrorizado — Que belo jeito de morrer, esmagados por uma pedra, muito nobre.

    Lyra posicionou sua espada e foi em direção a grande pedra e a cortou em várias pequenas pedrinhas inofensivas. Olhou para Pip com puro orgulho e confiança, o olhando de baixo para cima enquanto ele se encolhia em seu arco.

    — Nunca que eu morreria por uma pedra, já você… Está tão assustado.

    — Haha, muito engraçado, mas e agora donzela? Vai lutar com esse toco de espada?

    — Como?

    Lyra olhou para sua espada que estava quebrada, a única parte dela que permaneceu em sua mão foi o cabo da espada.

    — E-Eu não preciso de uma espada — Disse nervosa, mas seu orgulho não a permitia baixar a cabeça para Pip — Posso muito bem usar meus punhos, chega de brincar vamos logo.

    Pip se posicionou à frente para impedir que Lyra ligasse outra armadilha desnecessariamente.

    O corredor parecia infinito, o cheiro das pedras e poeira já os deixava enjoados e entediados, Um silêncio incômodo pairava sobre o corredor e apenas o som de seus passos eram ouvidos.

    — Isso está me incomodando — Disse Pip coçando a cabeça com a mão na cintura. — A moça da guilda nos afirmou que teria muitos goblins, mas até agora nada.

    — Realmente estranho, talvez os goblins que foram vistos saindo da dungeon fossem todos os goblins?

    — goblins gostam desse ambiente úmido e escuro, o único motivo pelo qual sairiam todos seria por ter um perigo maior que eles aqui dentro. — Disse Pip lendo um pequeno manual de monstros que estava em sua bolsa. — Goblins são muito orgulhosos com seus territórios então teria que ser uma fera realmente forte para eles sem dúvidas de derrota.

    — Uma fera?

    Os dois pararam para pensar, um monstro grande o suficiente para espantar goblins, mas que os guardas dos portões da capital não percebessem.

    — Eu… Realmente não sei.

    — Bom só tem uma forma de descobrir — Lyra sorriu para Pip o encorajando a seguir com ela até o fim desse longo e entedioso corredor.

    — Espera, somos só nós dois sem contar que sua espada quebrou.

    — Não se preocupe, eu vou conseguir outra rapidinho.

    Pip arqueou a sobrancelha, e virou o olho, mas aceitou continuar afinal já haviam percorrido um bom caminho.

    Após quinze minutos de caminhada pelo corredor, escapando de algumas armadilhas e desativando outras, finalmente encontraram uma grande porta, tão espessa quanto à da capital, com grandes desenhos de histórias de guerra e paz. Pip se encantou com tamanho esplendor daquele portão histórico tão mal cuidado. Enquanto Lyra, apenas sentia a adrenalina e a animação tomar seu corpo, derrotar uma besta espantadora de goblins era apenas um passo ao seu grande objetivo.

    — Chegamos agora não tem volta — Disse Pip segurando seu arco com suas mãos trêmulas — Lyra, não me permita morrer aqui, apesar de ser uma morte nobre morrer na sala da Eclipse seria desrespeitoso.

    Lyra o olhou tremendo assustado pronto para morrer, sorriu para ele e pôs sua mão e sua cabeça dando-lhe um carinho balançando seu cabelo.

    — Deixa de ser exagerado, nos vamos sair vivos daqui, afinal se eu não conseguir derrotar essa fera não conseguirei derrotar o Dragão Negro.

    — Claro, então vamos, eu, você e esse cabo de espada velha. O que poderia dar errado?

    Lyra apenas o ignorou.

    Ao tocar na porta ela se abriu sozinha, como se estivesse os convidando a entrar, o som dos portões se abrindo foi alto e perturbador, pedra se arrastando em pedra, um som peculiar ranger os dentes e sangrar os ouvidos.

    Assim que a porta se abriu por completo e a poeira baixou, Ela apareceu, a espada com o poder de ferir o Dragão Negro, a espada que Lyra desejou desde o momento em que descobriu a existência, a espada que manteve presa naquela grande sala com cheiro úmido de planta e terra por décadas, A Eclipse.

    — Haaaa! Eu estou tão empolgada! COMO ELA ERA? Grande?. Negra? Poderosa? — Disse Luiza extremamente ofegante e empolgada.

    — Você falou décadas em uma sala úmida? Como ela estava? — Perguntou Ray enquanto afastava Luiza do avô e a colocavam em seu lugar novamente.

    — Vejamos…

    Mesmo sendo deixada a décadas em ambiente úmido, na espada não havia sequer vestígios de ferrugem ou velhice, nem mesmo teias ou poeiras pairavam sobre ela. Apenas ela, brilhante e tentadora, sua lamina Negra como o Eclipse já era de grande raridade, seu cabo dourado brilhava como o sol, havia um desenho de uma metade de sol e de uma lua fundidos, estava flutuando sobre um pequeno púlpito alto quase como um altar de sacrifício, tão bela, tão pura, tão tentadora.

    Lyra ao olhar para a Eclipse se sentiu encantada, nunca havia visto uma espada tão bela e glamourosa, ela foi se aproximando da espada ainda sobre o feitiço de sua beleza.

    — Então você é a Eclipse, prazer sou Lyra. Por favor, permita-me ser sua portadora para que eu possa realizar nosso objetivo. — Disse Lyra ao se ajoelhar para a espada em forma de humilhação e quebra de orgulho.

    Pip sem reação só conseguia assistir à cena que só se via em teatros da capital, ele temia, mas não se apavorava nem tremia apenas assistia de longe.

    — Bom acho que já deu por hoje, — Disse o avô se levantando — Amanhã voltem aqui, irei terminar essa aventura sem falta. É uma promessa de… Bom, uma promessa.

    — Você prometeu, iremos voltar — Disse Ray se levantando.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota