Vovô! Nós voltamos – Disse Liz abrindo a porta.

    Olá pequenos, estão animados hoje.

    Queremos saber sobre Pip, por isso estamos animados! — Luiza eufórica disse.

    Então vamos começar.

    A capital nunca dormia de verdade. Mesmo nas primeiras horas da manhã, quando os raios de sol ainda nem haviam aparecido acima da muralha de pedra clara, havia passos apressados, vozes sussurradas e olhares atentos demais para um dia que mal havia começado.

    Lyra sentia isso no ar.
    Ela caminhava pelo salão principal do castelo com a Eclipse presa às costas, envolta em pano escuro, como haviam exigido. Não era uma ordem direta — ainda não — mas uma “recomendação respeitosa”. Na capital, Lyra começava a perceber que recomendações tinham o peso de correntes invisíveis.

    Uma semana antes

    — “Lyra Soulin do vilarejo de Misti, portadora da Eclipse.
    Por decreto real, sua saída da capital está temporariamente suspensa.
    O rei solicita — e exige — sua presença, com o propósito de discutir em relação ao grande artefato Eclipse. A audiência será realizada daqui a uma semana ao nascer do sol”

    Era o que dizia um mensageiro real que foi ao seu encontro na pousada onde haviam repousando, o mensageiro vestia uma roupa engraçada com short balão listrado de vermelho e amarelo, um conjunto de roupa que lembrava ovos com bacon com meias brancas longas e um sapato grande demais para seu pé.

    Dia atual

    Lyra não podia agir contra o rei, pois seria como desrespeitá-lo diante do povo. Assim como a carta avisava, Lyra na manhã seguinte ao nascer do sol seguiu até o castelo.

    A entrada do castelo era de tirar o fôlego, um jardim amplo com muitas rosas e tulipas, entre outras flores diversas que perfumavam a estrada de pedras alinhadas que direcionaram ao portão do salão principal, árvores altas e decoradas com luzes e fitas, um lago limpo e bem cuidado com pedrinhas coloridas ao redor ao fundo do jardim, guardas Imperiais por todos os lados andavam sem parar, como se tivessem atrasados para algum evento especial.

    Lyra e Pip se vestiam adequadamente para uma audiência com o rei, Lyra vestia um vestido longo cor de rosa com mangas longas e gola alta, suas botas de couro estavam mais limpas do que dando foram compradas e seu cabelo preso em um coque com um enfeite de uma rosa branca prendendo sua franja de lado.
    Enquanto Pip usava uma roupa mais confortável, uma calça larga com uma blusa de manga curta e cabelo encaracolado arrumado porém sem charme especial, carregando sua bolsa de couro com alça quase rasgando por onde ia, os dois caminhavam pelo salão principal.

    O salão era coberto de quadros antigos e colunas desenhadas a mão, banhadas em ouro, em cada canto um mordomo, uma empregada, alguém trabalhando. Logo um homem de cabelo castanho curto e olhos azuis se aproximou deles, ele usava uma roupa de secretário de cor cinza e branca, com um brasão do reino.

    — Por acaso vocês seriam Lyra solin do vilarejo de Misti e Pip Poemas da capital? — Disse se inclinando para ver seus rostos claramente.

    — Sim senhor, eu sou Lyra e esse é Pip meu companheiro.

    — Chegaram em boa hora, por favor me acompanhem.

    — Ei quem é você e pra onde quer nos levar? — Interrogou Pip sem intenção de se mover

    — Realmente. Desculpem minha descortesia. — o homem fez uma reverência direcionada para Lyra — Eu me chamo Kaley Denri, sou o mordomo desse castelo e serei seu guia até a sala de audiência do rei. Satisfeito pequenino?

    — Sim, estou satisfeito, obrigado por se apresentar. — disse Pip com um leve tom de ignorância.

    Eles seguiram o mordomo Kaley até a sala de audiência, o corredor até ela era vasto com um lindo tapete vermelho-sangue, a parede era coberta de janelas altas sem cortinas, apenas dando entrada para a luz natural do sol e permitindo ver o grande lago bem visível ao lado de fora.

    O salão era vasto, sustentado por colunas altas adornadas com símbolos antigos do reino. No centro, um semicírculo de cadeiras elevadas formava o Conselho Real. Homens e mulheres bem vestidos, rostos calculistas, olhos que não a observavam como pessoa, mas como recurso — Ou ameaça — Cada nobre naquela sala era de alto poder e riqueza.

    O rei ainda não havia entrado. Isso, por si só, já dizia muito.

    — Eles estão nos deixando esperar de propósito — murmurou Pip, ajustando a gola da blusa que quase escondia suas orelhas pequenas e pontudas. — Estratégia básica de poder. Cansa, desequilibra, faz parecer que estamos pedindo algo, estratégia para nos intimidar diante dos nobres presentes.

    — Mas foi o rei quem nos convocou a estarmos aqui. — Lyra respondeu em voz baixa. — não seria ele a pessoa a pedir algo?

    Pip sorriu de canto.

    — Mas o mensageiro foi muito vago quanto ao porquê de exigir nossa presença, tudo o que sabemos é que tem a ver com a sua “amante”. — Pip falava cada vez mais baixo como se o esquema de intimidá-los estivesse realmente funcionando.

    — Ainda tem o fato de me pedir para trazê-la coberta — disse Lyra pegando a espada na mão. — Como se precisasse esconder que ela foi retirada da dungeon.

    Lyra apesar dos olhos maldosos direcionados a ela e a espada envolta com panos, não se sentiu intimidada nem inferior, para ela nobres são apenas pessoas que não se importam com os plebeus apenas com dinheiro. — Não que ela estivesse errada.

    Quando o rei finalmente surgiu, acompanhado por dois guardas de armadura dourada, o salão silenciou como se o ar tivesse sido sugado. Ele era mais jovem do que Lyra imaginava, cabelo azul escuro curto bem cuidado, postura impecável, sorriso cativante e olhos cinzas como a prata, com um olhar intenso de desejo, frio mas com um charme que palavras não podem descrever. Não parecia apenas um tirano mulherengo Parecia algo pior: alguém sedento por poder e riqueza, um homem capaz de matar um inocente por poder.

    — Senhorita Lyra — disse ele, sem formalidades excessivas. — Portadora da Eclipse.

    O título caiu pesado.

    — Vossa Alteza — respondeu fazendo uma reverência perfeita, um ato curioso para alguém que viveu em um vilarejo abandonado pelo próprio rei. — Agradeço por me convidar para esta audiência, desde já gostaria de pedir perdão pela falta de cortesia da minha parte, afinal, como bem já sabes, vim de um vilarejo distante e sou filha de um plebeu comum.

    O rei sentou-se lentamente em seu trono de ouro com almofadas de algodão.

    — Nao vejo problemas com sua cortesia minha querida portadora — Seus olhos moravam em Lyra como uma fera olha para uma presa. — sinta-se a vontade para de expressar da forma mais adequada que conseguir, não irei exigir nada além do básico.

    — Obrigada vossa majestade. — Disse Lyra levantando o rosto.

    — Sem mais delongas, vamos ao que interessa. — Sua voz mudou de tom, outrora macia e confortavel agora forte e potente — Querida Lyra recebi informações de que voce se tornou a portadora da tao desejada Eclipse, isso esta correto?

    — Sim senhor.

    — Acontece — Sua voz ficava cada vez mais firme e intimidadora — que essa espada tem sido um artefato mágico do meu reino, se é que me entende. Porém recebi notícias de que esta para partir.

    — Meu senhor, eu tenho um propósito para cumprir, foi justamente por causa dele que pude ser escolhida pela Eclipse.

    — Mas a espada não pode sair. Ela pertence a mim. Faremos a seguinte, você já sabe que é digna então por que nao me entrega a espada e segue caminho ao seu propósito?

    Um murmúrio percorreu o conselho, tomar a Eclipse da portadora seria como um tabu, pedir para morrer.

    — Meu senhor, bem sabes que apenas a Eclipse pode derrotar o Dragao Negro, e que nao a outra arma com poder para realizar tal feito.

    O chanceler levantou-se, abrindo um pergaminho recente, a tinta ainda escura e o papel branco sem marcas de gasto.

    — A Eclipse é uma arma de escala continental. Capaz de ferir o Dragão. Capaz de mudar o equilíbrio entre reinos. Por isso, foi decidido que sua permanência na capital é… necessária.

    — Decidido por quem? — Lyra perguntou cruzando os braços.

    — Pelo reino — respondeu o chanceler. — Representado aqui.

    Pip deu um passo à frente, antes que Lyra pudesse responder.

    — Com licença, permita-me falar algumas palavras? — Pip interviu na causa.

    Todos os nobres presentes arregalaram seus olhos, um pequenino estava presente na reunião, um pequenino loiro.

    — Um Pequenino? O que tem a dizer? — perguntou o rei com desdém.
    Houve risadas abafadas.

    — O conselho não aceitará interrupções de raças inferiores conhecidas como vigaristas e raça impura— disse o chanceler, seco.

    — Vossa majestade, seu comentário é bem Curioso — disse ele. — Porque, se me lembro bem, o reino não existia quando a Eclipse foi forjada, sem contar que a espada estava em uma dungeon fora dos muros da capital.

    Algumas sobrancelhas se ergueram. Outras se franziram

    — E você é…? — perguntou uma das conselheiras, com um sorriso pouco disfarçado, com extremo desprazer de sua presença.

    — Pip. Um Pequenino do vilarejo dos pequeninos Raymond. Companheiro de Lyra, um arqueiro e estrategista, e um historiador por diversão — respondeu, inclinando levemente a cabeça. — Mas, acima de tudo, alguém que sabe ler pergaminhos antigos.

    Pip baixou a cabeça por reverência e se manteve em silêncio. Mas Lyra sentiu o sangue ferver ao ouvir, porém antes que pudesse retrucar o chanceler Pip interviu

    Como podemos ter certeza do que diz? — Perguntou uma das nobres presentes — Afinal pequeninos são conhecidos por serem vigaristas.

    — Excelência — respondeu Pip. — Então ficará satisfeito se eu mostrar a base sólida de minhas palavras?

    — Se um pequeno vigarista como você conseguir me provar que a Eclipse não pertence a mim, permitirei que saíam da capital sem problemas.

    — Para não haver suspeitas de adulteração de provas, permita-me entrar na biblioteca real e coletar essas informações de lá, com guardas me vigiando para que também não haja suspeitas de provas falsas.

    O rei hesitou por um instante, porém a presença dos nobres o fez aceitar a proposta.

    — Você tem apenas um dia para encontrar tais documentos, e com a presença de guardas. — Olhou para Lyra com desejos humanos. — Enquanto isso, Lyra, a portadora, permito que passe esse dia no meu Palácio em minha companhia.

    O chanceler então, anunciou aos nobres a proposta feita por Pip e o anúncio de retornarem ao Palácio ao dia seguinte ao entardecer.

    Sabe Vovô esse rei aí é bem suspeito — Disse Luiza — Parece ate que ele quer algo além da Eclipse…

    Luiza ele é rei ele quer tudo — Respondeu Liz confuso.

    Hahaha! Bom isso vocês só saberão no dia seguinte

    Luiza realmente fez um comentário bem interessante, afinal ele disse que “permitiria” que ela fosse sua companheira durante a busca de Pip, ele além de um tirano é um mulherengo bonito de acordo com a descrição do Vovô, então poderia sim ser uma ameaça a Lyra — Diz Pietro para si mesmo em tom baixo porém claro o suficiente para todos escutarem.

    Isso é sono, vamos embora — Disse Ray disfarçando a atmosfera caótica — Tchau Vovô nos vemos amanhã.

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