Capítulo 893
『 Tradutor: Crimson 』
Plano Goblin, Cidade das Máquinas.
Havia um enorme laboratório de alquimia sob uma torre dos adeptos.
Andaimes apertados e densos ocupavam toda a vasta oficina de montagem, com mais de treze mil metros quadrados. Inúmeros engenheiros e técnicos goblins subiam e desciam pelas estruturas, soldando, cortando, martelando e produzindo um barulho incessante, a ponto de o local parecendo mais uma feira.
Cercado por todos aqueles andaimes, era possível distinguir vagamente a silhueta de uma gigantesca construção de máquina mágica.
Tratava-se de um enorme golem dragão, construído inteiramente de metal. Seu corpo tinha cem metros de comprimento, da cabeça à cauda, sustentado por seis pernas metálicas grossas e robustas. Cada detalhe e cada padrão entalhado na máquina eram extremamente belos e realistas.
A criação desse golem dragão mágico consumira grandes quantidades de Cobre Fuligem-de-Fogo, o que fazia sua superfície apresentar um tom peculiar de vermelho-escuro. Sempre que alguém golpeava seu corpo metálico com força considerável, faíscas voavam para fora e chegavam a incendiar as roupas do “atacante”.
Por isso, alarmes de incêndio de emergência soavam em diferentes pontos do dragão gigante a cada poucos minutos, sendo logo apagados por um caminhão de bombeiros que permanecia de prontidão aguardando ordens.
Quando Greem entrou na oficina acompanhado de Deserra e de um grupo de engenheiros goblins de alto nível, essa foi a cena caótica que encontrou.
Um golem dragão mágico com cem metros de comprimento.
Greem estreitou levemente os olhos enquanto avaliava a máquina em silêncio.
Era importante notar que, mesmo entre dragões reais, criaturas com cem metros de comprimento eram dragões antigos ou primordiais, geralmente de Sexto Grau, no mínimo. Ainda assim, esses goblins minúsculos, fracos e insignificantes haviam conseguido criar uma máquina dessa escala graças à sua técnica de engenharia mecânica refinada e perfeita. Até Greem não pôde deixar de se impressionar com suas capacidades.
No entanto, mesmo que os goblins reunissem todos os técnicos e engenheiros avançados de todo o plano, esse já era o limite do que conseguiam fazer. Sem a tecnologia da fornalha mágica fornecida por Greem, jamais seriam capazes de alimentar uma construção mecânica tão colossal, ainda que preenchessem todo o interior do dragão com motores a vapor.
Ao que parecia, os goblins já haviam compreendido isso há muito tempo. Desde que Greem, líder do Clã Carmesim, chegara ao Plano Goblin e à Cidade das Máquinas, os engenheiros goblins mais inteligentes e experientes passaram a segui-lo de perto. O goblin mais velho falava sem parar sobre “falta de fundos”, “muitas baixas”, “poucos aprendizes” e uma série de outras reclamações, como um monge recitando suas preces.
Naturalmente, o assunto que mais fazia questão de mencionar era a gigantesca fornalha mágica nos projetos.
Considerando o peso de quatrocentas toneladas do golem dragão, essa enorme fornalha mágico precisaria ter pelo menos um terço da eficiência da mega fornalha mágica que Gazlowe havia assimilado para conseguir alimentar uma construção desse porte.
Levando em conta todas as armas de energia mágica que ainda seriam adicionadas à máquina, a nova fornalha mágica a ser forjada teria de possuir o mesmo nível de eficiência e potência daquela mega fornalha mágica.
No entanto, Greem havia precisado usar uma preciosa nascente mágica para criar aquele mega fornalha. Se quisesse forjar outra ou comparável, o custo em liga Queyras seria muito maior.
Foi por isso que, enquanto caminhava ao redor do golem dragão e o avaliava, a mente de Greem calculava rapidamente a quantidade estimada de liga de Queyras necessária.
Dessa vez, ele havia obtido um total de duzentas e setenta toneladas de liga Queyras. De acordo com os dados de modelo mais recentemente otimizados pelo Chip, seria possível construir aproximadamente sessenta e sete fornalhas espaciais ou vinte e seis fornalhas mágicas. No entanto, se quisesse forjar uma grande fornalha mágica, seria necessário usar de três a quatro vezes a quantidade usual de liga Queyras.
A cabeça de Greem inchava e doía toda vez que pensava no Navo-Mãe de Patrulha Aérea, na Lança de Dragão Goblin, no Rasgador Dimensional e no lendário Titã Deus do Trovão. Ele tinha a sensação de que todos os seus recursos seriam drenados com a ajuda desses goblins fracos.
Ainda assim, o golem dragão era apenas um protótipo. Tratava-se de um projeto destinado a acumular experiência de construção para as verdadeiras máquinas assassinas que viriam depois. Entre todas essas enormes construções de máquinas mágicas, Greem dava mais atenção ao Navio-Mãe de Patrulha e ao Titã Deus do Trovão.
Esse golem, no melhor dos casos, só poderia se equiparar a uma criatura de Quarto Grau. Além disso, era excessivamente desajeitado e, afinal, incapaz de voar. Se um inimigo de Quarto Grau fosse astuto o bastante para explorar essas fraquezas e iniciar uma guerra de guerrilha, o dragão teria grande dificuldade para lidar com isso.
Isso ficava evidente pelo fato de que a Líder das Bruxas da Morte de Quarto Grau, Khesuna, era capaz de derrotar um dragão real de Quarto Grau em um duelo.
Por isso, na visão de Greem, mesmo que fosse criado com sucesso, esse futuro golem só poderia ser considerado uma máquina mágica de Quarto Grau do nível mais baixo.
Ainda assim, considerando que o Clã Carmesim atualmente não possuía nenhum adepto de Quarto Grau, a existência de uma máquina mágica de Quarto Grau já era algo positivo de qualquer forma.
No momento, a única questão era se esse investimento realmente valeria a pena.
Ao pensar nisso, Greem parou de andar. Em vez disso, virou-se e olhou para o velho goblin que quase colidiu com ele por estar seguindo perto demais.
“Você.”
“Sou Gonga, o atual reitor da Academia Real de Engenharia do Império Goblin e o supervisor de construção deste golem dragão mágico!”
“Você mencionou muitos problemas técnicos e logísticos mais cedo. Não tenho interesse nisso agora. Minha única preocupação é o que você pode me oferecer se eu fornecer uma grande fornalha mágica com potência suficiente.” Greem colocou as mãos atrás das costas, ergueu o olhar e assumiu uma expressão arrogante.
Os goblins ao redor imediatamente prenderam a respiração ao ouvir suas palavras.
Todos os goblins presentes ali eram, no mínimo, engenheiros avançados. Todos haviam participado diretamente da criação do golem dragão. Naturalmente, conheciam muito bem o valor de uma grande fornalha mágica. No passado, haviam reclamado aos adeptos estacionados ali sobre a falta de aprendizes, a escassez de fundos e as baixas constantes. Mas agora, a única coisa que realmente os afligia era a ausência de um coração poderoso capaz de alimentar o golem dragão mágico!
Inúmeras reclamações.
Inúmeros pedidos.
Inúmeras expectativas.
Todas vezes, foram rejeitados pelos adeptos. E todas as vezes, sem qualquer explicação. Isso, sem dúvida, deixou esses engenheiros goblins extremamente ansiosos, incapazes de dormir ou ficar parados, temendo que um projeto de máquina mágica tão colossal acabasse desperdiçado.
Hoje, pela primeira vez, finalmente ouviram notícias sobre uma grande fornalha mágica — e diretamente da boca do líder do Clã Carmesim. Como isso não poderia deixá-los em êxtase?
“Um golem dragão mágico de Quarto Grau!” O reitor Gonga gritou com toda a força. “Quarto Grau… é Quarto Grau! Com certeza ajudará você a varrer todos os seus inimigos de Quarto Grau.”
Greem não pôde deixar de rir por dentro ao ver o velho goblin gritando com tanta empolgação, cuspindo saliva por toda parte, como se temesse que Greem não acreditasse nele.
Quarto Grau.
Esses goblins, acostumados a viver confinados como tigres em um zoológico, provavelmente não conseguiam sequer imaginar o quão assustador era uma criatura verdadeira de Quarto Grau!
Será que achavam que aqueles adeptos de Quarto Grau se lançariam em um confronto frontal e estúpido, como guerreiros sem cérebro, contra o dragão?
O poder de um adepto de Quarto Grau estava muito além dos limites da imaginação mundana. E, certamente, possuíam meios de sobra para lidar com um brutamontes lento e desajeitado como esse.
E daí se o tamanho fosse gigantesco? E daí se todo o corpo fosse forjado inteiramente de metais mágicos?
Diante de um verdadeiro adepto de Quarto Grau, ele não passava de um alvo patético e trágico. Derrotar o golem não seria difícil. A verdadeira questão era se o oponente estaria disposto a pagar o preço altíssimo necessário para derrubar um alvo tão resistente.
Greem não foi nem um pouco enganado pelo discurso inflamado do velho goblin. Pelo contrário, possuía uma compreensão muito mais precisa e abrangente do golem do que Gonga!
“Uma máquina mágica de Quarto Grau? Bom. Muito bom.” Greem não estourou a bolha idealista do velho Gonga. Em vez disso, mudou o rumo da conversa. “Então, quais são as dificuldades práticas que ainda impedem vocês de concluir esse objetivo?”
“Isso…” O velho Gonga hesitou por um momento.
Mesmo com todo o poder da Cidade das Máquinas, seria necessário empregar praticamente todos os recursos disponíveis para criar uma construção de máquina mágica dessa escala. Ignorando a tecnologia e a mão de obra, apenas as equipes de transporte necessárias para mover os lingotes metálicos já ultrapassavam a casa das centenas.
Todos os dias, essas equipes viajavam entre as principais minas, coletando os minérios e transportando-os por milhares de quilômetros até a Cidade das Máquinas. Lá, passavam por oficinas de fundição, refino e extração, antes de finalmente chegarem às mãos dos técnicos goblins.
A fundição e a manufatura das ligas mágicas subsequentes eram realizadas em pequenos laboratórios goblins. A produção diária desses laboratórios não passava de algumas centenas de quilos de liga refinada. Para reunir a quantidade de liga necessária ao golem, milhares de engenheiros e técnicos goblins trabalhavam incansavelmente dia e noite. Somente nos laboratórios e nas plataformas de operação, o número de goblins mortos já chegava às centenas.
A única razão pela qual todos arriscavam suas vidas era poder testemunhar, com os próprios olhos, o nascimento de uma máquina mágica de “nível divino” criada por suas próprias mãos!
Para algumas criaturas nativas que não podiam deixar o plano por limitações raciais, o Quarto Grau era, de fato, o nível mais alto possível dentro de seu mundo.
Chamá-lo de nível divino não era exagero algum!
Foi justamente por tudo o que os goblins haviam investido nesse projeto que Gonga temia que a dificuldade de seu pedido acabasse afastando esse jovem adepto humano.
“… Todas as outras dificuldades podemos resolver por conta própria. No entanto, há três problemas que jamais podem ser solucionados apenas com o poder dos goblins.”
“Fale.”
“O primeiro é o problema dos adeptos aprendizes. Os lordes adeptos nos designaram cinco aprendizes, e sob a orientação deles conseguimos realizar alguns entalhes de circuitos rúnicos. No entanto, o número de goblins que dominam essa habilidade ainda é muito pequeno. No mínimo, se quisermos concluir todos os circuitos rúnicos e os diversos arranjos dentro do golem, a quantidade atual de aprendizes está muito aquém do necessário.”
Greem refletiu por um instante. Logo, obteve as informações internas do clã e respondeu de forma decisiva ao velho goblin.
“A partir de depois de amanhã, designarei cem adeptos aprendizes do clã para você. O número de adeptos também será aumentado, e cooperarão com o seu trabalho.”
Os goblins ao redor explodiram imediatamente em uma onda de comemorações!

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.