CAPÍTULO 4 — Missão de campo
A estrutura da Nexus era ainda maior de perto.
Lance parou por um instante diante do portão principal, observando as paredes altas de metal branco, marcadas por linhas luminosas que percorriam toda a base como veias artificiais. O lugar não parecia um centro de heróis, parecia uma fortaleza.
Assim que cruzou a entrada, sentiu o ambiente mudar.
O ar estava frio, controlado. Cada passo ecoava de forma precisa demais. Pessoas passavam pelos corredores usando uniformes semelhantes, algumas conversando em voz baixa, outras caminhando com expressão séria, como se estivessem sempre a caminho de algo importante. Ninguém parecia perdido. Ninguém parecia relaxado.
Ele foi guiado até uma grande sala onde outros quatro jovens já aguardavam.
Seus olhos percorreram o ambiente até encontrar uma garota que chamou sua atenção.
Rivna estava sentada mais ao fundo, braços cruzados, olhar distante. Não parecia nervosa, parecia contida, como se estivesse se segurando o tempo todo. Por um breve instante, seus olhares se cruzaram. Ela desviou primeiro.
— Meu nome é Lance. É um prazer te conhecer, Katsu. Espero que sejamos bons amigos. — Eles se cumprimentam e apertam as mãos.
— Meu nome é James — disse, caminhando lentamente à frente do grupo. — Sou o responsável por vocês a partir de agora.
Todos se sentam enquanto James fica ao centro.
— A Nexus não é uma escola. Não é um abrigo. E muito menos um lugar para brincar, suas vidas correm perigo constante. — Ele olha para cada um lentamente. — O grande torneio se aproxima, é preciso que todos estejam em sua melhor forma, individual e coletiva.
“Será que eu estou pronto para tudo isso?” — se questionava Lance.
— Vocês serão separados em duplas para participar de missões de reconhecimento. — James continuou. — Antes de tudo, vocês devem se apresentar!
Todos olham uns para os outros, esperando quem vai tomar a primeira atitude.
Katsu se levanta animado e se apresenta.
— Meu nome é Katsu Keenan. Sou japonês, fui transferido da 4ª divisão, e o meu poder é criar fogo!
“Será que terei que falar tudo isso? Ele falou tão animado, e se eu não conseguir e passar vergonha!” — Yara, fica nervosa, sem saber como deve se apresentar.
— Meu nome é Rivna Isleen. Sou canadense e meu poder é criar ilusões. Estou aqui para me destacar e chegar ao topo, espero que vocês não me atrapalhem! — fala, confiante.
Lance se levanta, em seguida.
— Meu nome é Lance Shelford, meu poder é…
— Espera, você, seu sobrenome é Shelford? Da família do milagre Søren? E do grande Galand Shelford? — perguntou Katsu, surpreso.
— Sim! — responde, com vergonha e sem jeito.
“Essa é a minha chance” — encheu-se de determinação Yara e se levantou.
— Meu nome é Yara Meltem, meu poder é de controlar a água! — Todos olham para ela, que se enche de vergonha e logo cobre o rosto.
— Meu nome é Erik Rays, é só isso que precisam saber! — fala com confiança e um tom de arrogância.
— Espera, Erik Rays, um dos milagres?
— Você conhece todos os milagres Katsu? — Lance, surpreso, pergunta.
— Meu irmão também é um dos milagres, então conheço os outros apenas por nome.
— Fallon Keenan, ele é seu irmão? Espero que você seja forte então, já ouvi muito sobre ele! — Rays com deboche implica.
“De novo vou estar na sombra dele. Então, mesmo em outro país, ainda me comparam com ele…”
— Não fale assim com ele, Rays. Tenho certeza de que ele tem sua própria força e não precisa se comparar a ninguém! — Lance, defende com firmeza.
Katsu fica surpreso com sua atitude, pois apenas seu tio o defendeu até antes.
Rays estela a língua e desvia o olhar.
— Agora que todos já se apresentaram, vou separar as duplas e suas missões! — James bate as palmas, fazendo todos ficarem em silêncio.
Todos ficaram em silêncio em seus lugares.
— Primeiro grupo: Katsu e Yara, vocês irão investigar o desaparecimento de equipamentos e pessoas dentro de uma empresa de tecnologia. Segundo grupo: Lance e Rivna, vocês devem investigar um laboratório abandonado; ele era usado para criar substâncias ilegais e tóxicas. Os dois grupos devem investigar e reunir informações; vocês têm até o fim do dia de amanhã.
— Certo! — Todos concordam, olham para suas duplas e caminham em direção ao portão.
— E eu, qual é a minha missão? — perguntou Rays enquanto estava sentado.
— Vou lhe passar o que você deve investigar. Seja cuidadoso.
Os grupos se dividem, Yara e Katsu vão a uma sala para saber mais sobre o local da missão, Lance e Rivna pegam um táxi para a localização do laboratório.
O caminho é silencioso, Rivna fica calada, olhando pela janela, e Lance não sabe como conversar. Eles chegam ao seu destino, olham ao redor do prédio e, quando seguem em frente para entrar, a porta está trancada.
— Está trancada, melhor arrombar a porta! — Lance forçava a porta a abrir.
— Claro que não, este lugar está abandonado há meses, e se existe chance de algo perigoso aí dentro, claro que eles não vão permitir que qualquer um entre!
— Qual é a sua sugestão, então?
— Vamos olhar para os fundos do prédio, deve haver alguma saída de emergência ou acesso.
Eles caminham em volta do prédio quando encontram uma janela na parte de baixo do prédio, rente ao chão.
— Olha, Rivna, você estava certa, acho que a gente consegue entrar por aqui.
— É claro que eu estava certa, mas com certeza esse vidro deve ser reforçado, não deve ser fácil entrar. Talvez tenha outra passagem!
Lance ergue o punho e soca o vidro, quebrando-o com facilidade.
— Vamos, já quebrei o vidro!
Rivna se surpreende.
Os dois entram pela janela. O lugar é escuro; usam as lanternas de seus celulares para iluminar o caminho. Encontram uma escada levando para uma parte subterrânea do laboratório.
“O relatório que recebemos dizia que o laboratório era formado por 1 térreo e mais 1 andar, não tinha nenhuma informação sobre um subsolo” — questionava Rivna enquanto descia as escadas.
Ao descerem, olham pelas diversas mesas em volta.
— Achei aqui algumas anotações nesta mesa, olha isso! — Rivna se aproxima de Lance e olha as anotações.
“Uma droga capaz de tirar poderes?” — A anotação naquela folha faz os dois gelarem.
— O que as crianças estão fazendo no meu laboratório? — surge um cientista em meio à escuridão.
O cientista não conversa, logo puxa uma arma e atira contra os dois.
Após os tiros, ele vê os dois novamente do lado direito.
“Eu tenho certeza de que acertei os dois!” — ele logo se vira e novamente atira.
— Por que ele está atirando para aquele lado? É nossa chance!
— Não, Lance! Ele está vendo ilusões nossas que eu criei. Vamos aproveitar para fugir, já estou com as anotações. — Rivna puxava Lance pelo braço para a saída.
Enquanto estavam caminhando, uma grande pressão surge no ambiente.
Todos suam frio, Rivna e Lance travam, sem conseguir se mexer. As ilusões são dispersadas quando os dois viram o rosto: um homem grande encapuzado aparece atrás do cientista.
— Quem é você? Também está atrás da minha pesquisa? — O cientista aponta a arma para o homem misterioso.
O homem olha para o cientista de cima a baixo e suspira.
— Sai da minha frente. — O homem dá um soco certeiro enquanto caminhava em frente.
O golpe é tão forte que abre um buraco do lado esquerdo do cientista. Ele caiu no chão.
O ar ficou pesado demais.
Rivna sentiu primeiro no peito, como se algo invisível estivesse pressionando seus pulmões por dentro. Inspirou, mas o ar não parecia entrar. Inspirou de novo, mais rápido, e a sensação só piorou.
O som ao redor começou a se afastar. Vozes ficaram distantes, abafadas, como se viessem debaixo d’água. O laboratório parecia maior e, ao mesmo tempo, mais apertado.
As mãos começaram a tremer.
Ela tentou fechá-las em punho, mas os dedos não obedeciam. Um frio subiu pelos braços, seguido por um calor sufocante que se espalhou pelo rosto e pelo pescoço.
ELE parou e observou de longe.
— Não… não… — a voz saiu fraca, quebrada, quase um sussurro.
As pernas cederam por um segundo. Rivna apoiou-se na parede, sentindo o concreto frio sob as palmas das mãos, tentando agarrar-se a algo real.
Lance observa o estado de Rivna, sem entender na hora, fica preocupado.
A visão começou a escurecer nas bordas, manchas surgindo como sombras. O mundo girou levemente, e o chão pareceu se afastar.
O corpo entrou em alerta total.
Fugir.
Se esconder.
Mas ela não conseguia se mover.
Quando Lance chamou seu nome, o som chegou atrasado. Ela virou o rosto devagar, os olhos vidrados, cheios de medo, não do presente, mas do que ele havia despertado.
— Não é agora… — murmurou, mais para si mesma do que para ele. — Não, de novo…
O homem misterioso não disse uma palavra, mas sua presença esmagava tudo.
Lance sentiu o coração disparar. A gravidade ao redor parecia fora de controle, instável, reagindo ao medo. Ele virou o rosto para Rivna instintivamente.
— Ei, olha para mim, Rivna, escuta minha voz.
Foi então que sentiu.
Tarde demais.
Algo se moveu.
Rápido.
Violento.

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