O impacto veio sem aviso.

    Algo atravessou o ar como uma lâmina invisível, rasgando o espaço à frente de Lance. Ele só teve tempo de erguer a mão por instinto. A gravidade respondeu em um reflexo bruto, distorcendo o chão por um segundo, o suficiente para o golpe errar por pouco e arrancar pedaços do concreto atrás dele.

    O barulho ecoou pelo laboratório.

    — Lance! — a voz de Rivna saiu trêmula, perdendo a consciência.

    Os olhos arregalados não acompanhavam o movimento do inimigo, e sim algo que só ela via. O corpo rígido, os dedos tremendo, a respiração curta e irregular. 

    O inimigo avançou.

    Não havia pressa em seus movimentos. Cada passo era calculado, medindo reações. Lance sentiu a pressão antes mesmo do ataque, uma presença pesada, esmagadora, que fazia o ar parecer mais denso.

    Lance usava a gravidade para se locomover e afastar o inimigo, mas seus movimentos estavam limitados por ter que sempre cuidar e proteger Rivna.

    O inimigo analisa Lance e entende seu poder. 

    — Até quando vai ficar fugindo?

    Ele avança para a frente de Lance.

    Quando Lance vai usar sua gravidade, usando a repulsão, o inimigo se move para as suas costas em velocidade.

    Lance se atira ao chão e consegue desviar do golpe, usa sua atração para puxar o corpo de Rivna.

    — Esse cara é muito forte, não vejo abertura para nenhum golpe!

    “Além de que, se eu errar, pode ser mortal tanto para mim quanto para Rivna” — analisa Lance ao seu redor.

    O inimigo perde os dois de vista e procura em volta das mesas.

    Lance começa a atirar várias mesas contra o inimigo. Ele fica confuso, mas quebra e desvia todas.

    Após jogar uma mesa para o lado, Lance aparece apertando o seu braço e acertando um forte soco na cara do inimigo, fazendo-o voar.

    A pulseira que seu avô lhe entregou estava com a cor amarela, fazendo Lance hesitar um pouco.

    “Não pude acertar com força total, mas a pulseira me ajudou para que minha mão não ficasse igual quando acertei meu pai” — novamente, ele corre tentando criar brechas.

    — Impressionante! Garoto, foi um belo soco! — o homem se levanta, cuspindo uma gota de sangue.

    Ele olha para o lado e vê o corpo de Rivna, desmaiado no chão.

    Lance percebe e usa seu poder para fazer o homem paralisar e não o deixa sair do lugar.

    A sua pulseira fica amarela.

    — Não! Desta vez, não posso hesitar ou me segurar! 

    Ele ergue o homem com a sua gravidade e o joga contra a parede.

    Ele se aproxima de Rivna e a coloca nos ombros.

    — Vamos sair o mais rápido possível.

    — Não tão rápido! — O homem já estava em suas costas, preparando o próximo ataque.

    Um som de raio explode no ar.

    — Já chega.

    Rays aparece chutando para longe o inimigo.

    Postura relaxada, mãos nos bolsos, olhar firme. Nenhum sinal de urgência, nenhum sinal de medo. Ele avançou um passo, e a atmosfera do lugar mudou.

    O inimigo recuou meio metro.

    Não por pânico.


    Por cálculo.

    “Este garoto é diferente!” — o homem analisa a situação.

    Rays moveu-se rápido. Não atacou de frente, desviou, forçou o inimigo a se reposicionar, tomou o controle do espaço. Cada movimento era preciso, econômico. Não havia desperdício.

    “Ele é forte…” — Lance observava, ofegante.

    Mas algo estava errado.

    O inimigo não estava sendo pressionado como o cientista havia sido. Ele reagia, aprendia, adaptava-se. Um golpe atravessou a defesa de Rays e o acertou de raspão no ombro, arrancando sangue.

    — Você é rápido, mas isso não será o suficiente!

    Rays encurta a distância, usa golpes com chute, o inimigo esquiva-se e tenta achar uma abertura.

    — Acho que essa distância serve! — Rays estava a cerca de 1 metro do inimigo.

    O inimigo voa contra a parede.

    Foi rápido.

    Certeiro.

    “Que golpe foi esse? Eu não pude ver nem o menor movimento. É como se tivesse sido atingido por algo invisível.” — O homem se levanta com machucados.

    — Acho que contra você, vou precisar usar mais força.

    O corpo de Rays começa a criar faíscas e raios em sua volta.

    — Quero ver conseguir!

    Rays avança rápido contra o inimigo, usando um chute forte.

    Ele consegue bloquear com os braços e se prepara para acertar um golpe em Rays.

    Quando o punho se aproxima de Rays.

    O punho do inimigo pula para trás, deixando-o confuso.

    “De novo, eu não vi o golpe dele.”

    CHUTE RELÂMPAGO.

    O chute é rápido e acerta em cheio o inimigo, junto com um estrondo de trovão. 

    O homem amenizou o golpe usando o braço para se defender.

    — Tire-me uma dúvida, garoto: você por acaso é um daqueles chamados de milagres?

    — Sim! — responde de forma rápida e fria.

    — Entendo, então esses tais “milagres” realmente são fortes!

    Rays rapidamente já está na frente do inimigo, preparando outro golpe.

    — Não estou aqui para conversar com você!

    O homem continua desviando e analisando os movimentos.

    Um som distante ecoou pelo comunicador preso ao pulso de Rays.

    Unidade em deslocamento. Reforços a caminho. Retirada imediata.

    O homem olha pelo laboratório destruído, o corpo caído do cientista, Lance ferido, Rivna inconsciente na parede tentando respirar, Rays em posição de combate.

    — Acho que meu tempo acabou. Espero poder enfrentar você novamente, garoto.

    Então, atacou o chão com tudo — não para vencer, mas para abrir espaço.

    Quando a poeira baixou, o inimigo já estava recuando, mancando, um dos braços caído de forma estranha. Sangue pingava no chão enquanto ele desaparecia pela abertura no subsolo.

    Silêncio.

    Lance caiu de joelhos. A gravidade ao redor se estabilizou. O corpo tremia, exausto.

    Rivna ao chão. O ataque de pânico veio atrasado, tremores fortes, respiração falhando, mãos pressionadas contra o próprio peito.

    Rays se levantou devagar.

    — Que bom que cheguei a tempo! Os reforços estão chegando para levar vocês dois.

    Minutos depois, já em deslocamento de retorno, o clima dentro do transporte da Nexus era pesado. Ninguém falava. O barulho do motor era a única coisa constante.

    — Você hesitou — disse Rays, quebrando o silêncio. — Se fosse uma luta real, alguém teria morrido.

    Lance ergueu o olhar.

    — Eu fiz o que pude.

    — Se isso é tudo o que você tem, talvez aqui não seja seu lugar.

    “Eu sabia que não servia para isso” — Lance baixa a cabeça.

    O silêncio voltou a se instalar.

    Rivna permanecia encolhida no assento, os olhos fechados, tentando regular a respiração. O corpo ainda tremia levemente.

    Aquela missão havia deixado algo claro.

    Ele não estava pronto.

    E o inimigo sabia disso.

    Um homem de roupas pretas e chapéu, acima de um prédio, observava de longe.

    — Mestre! Acho que é ele… aquele poder. — A voz do inimigo da luta anterior falava através de um telefone.

    — Ótimo! Acho que terei algumas mudanças de planos. — Um sorriso macabro surgia.

    E algo dizia que isso era só o começo de um pesadelo ainda maior chegando.

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