O mundo parecia distante.

    Rays estava deitado no chão frio, o céu acima dele girando lentamente. Cada respiração vinha pesada, como se o ar tivesse ganho peso. O gosto metálico na boca o lembrava de algo que ele raramente sentia.

    Derrota.

    Fechou os olhos.

    E as vozes vieram.

    Não como gritos, mas como lembranças.

    Ele se viu mais jovem, em uma arena improvisada. O oponente caía antes mesmo de entender o que havia acontecido. Raios percorriam suas pernas, o público em silêncio por um segundo… antes da explosão de aplausos.

    Sozinho.

    Um grupo ao seu lado. Pessoas falando demais, planejando demais. Rays avançando, antes que terminasse a frase. O inimigo foi derrotado em segundos.

    — Vocês só atrapalham — dizia, virando as costas.

    Sozinho.

    — Esse garoto é um prodígio; sua técnica, velocidade e poder são incríveis!

    — Sim! Com certeza, ele é um dos milagres desta geração!

    As pessoas o elogiavam, e seu poder se destacava cada vez mais.

    Mais vitórias.

    Mais rostos no chão.

    Mais confiança.

    — Eu não preciso de ninguém.

    A frase ecoou em sua alma.

    O ‘milagre dos Estados Unidos’, conforme suas vitórias eram divulgadas, fez com que seu nome se tornasse conhecido.

    Aquele que não precisava de ninguém, como um raio, resolvia tudo.

    Como um raio solitário.

    Até que a lembrança mudou.

    O chute falhou.


    O impacto veio seco.


    O raio se apagou.

    Os olhos de Draven, calmos e atentos, surgiram na escuridão da memória.

    Rays abriu os olhos de repente.

    Draven ainda estava ali, alguns metros à frente, observando-o como quem estuda uma peça defeituosa.

    — Já acabou? — perguntou, sem provocação, apenas curiosidade.

    Rays tentou se mover. O corpo respondeu tarde demais. Os raios ainda surgiam, fracos, instáveis. Ele rangeu os dentes.

    Nunca tinha sido assim.

    Draven deu um passo à frente.

    — Você é forte — disse. — Mas sempre lutou sozinho. Isso te deixou previsível.

    Instinto mandando levantar.

    Mas algo diferente aconteceu.

    Ele respirou fundo.

    — Agora eu entendo, James!

    Rays se lembra de uma conversa com James quando o grupo foi formado.

    — Você quer que eu fique de babá deles, por acaso?

    — Não é isso, Rays; faz parte do seu treinamento final!

    — Do que você está falando? Ficar vigiando eles e ajudar quando erram vai somar em mim?

    — Você é um jovem prodígio, mas falta apenas uma coisa para você ser o melhor em uma missão! — Ele sorri enquanto se vira para Rays. — Mas você precisa descobrir, por conta própria!

    O orgulho gritava.

    Rays fechou os olhos por um instante.

    Engoliu o que restava da soberba.

    —… Lance — a voz saiu baixa. — Katsu.

    Então, o ar mudou.

    A gravidade ao redor de Draven oscilou levemente. O chão estalou sob os seus pés.

    Lance surgiu pela lateral, ofegante, mas com os olhos firmes. Logo atrás, Katsu avançava com a espada em mãos, o olhar sério, focado.

    — Demorou — Rays murmurou, sem força para sorrir.

    — Obrigado por segurá-lo, para a gente descansar! — Katsu vira para Rays e sorri.

    — Pensei que você ia querer continuar apanhando sozinho! — Lance provoca.

    — Cala a boca — Rays responde com um sorriso, se levantando, com dificuldade.

    Draven observou os três, agora alinhados.

    Algo em sua postura mudou.

    — Interessante… — murmurou. — Mas não vai adiantar, os três já estão no limite!

    A luta recomeçou.

    Lance foi o primeiro a agir.

    A gravidade puxou o corpo de Draven para baixo por um instante, apenas o suficiente para quebrar o ritmo. Katsu avançou no mesmo segundo, a lâmina cortando o ar em um arco preciso.

    Draven desviou, mas não como antes.

    O movimento foi forçado.

    Rays se ergueu, ignorando a dor. Os raios percorreram suas pernas novamente, mais controlados. Menos explosão. Mais foco.

    Draven copia novamente Rays.

    Mas desta vez, aparece Lance, acertando-o com um soco.

    Agora, Draven tinha três padrões para ler.

    E isso o atrasou.

    Katsu pressionava de perto, sem dar espaço, com as suas chamas. Lance alterava o campo, dificultando cada passo. Rays atacava pelos flancos, de forma rápida, escolhendo melhor os momentos.

    Mesmo assim, Draven se adaptava.

    Copiou o tempo de Katsu.

    Leu a cadência de Lance.

    Antecipou Rays.

    Um golpe rápido atingiu Katsu, jogando-o para trás. Draven girou o corpo e acertou Lance em cheio, quebrando a concentração da gravidade.

    — Se continuarmos, de um em um, ele vai vencer, temos que nos coordenar! — Rays tenta criar uma coordenação entre os três.

    Os três se olham e concordam.

    — Agora! — gritou.

    Lance forçou a gravidade pela última vez. Katsu lançou-se à frente. Rays acelerou logo atrás.

    Os três juntos.

    O impacto foi violento.

    Draven recuou vários passos, finalmente pressionado de verdade. Seus pés deslizam pelo chão rachado. Pela primeira vez, ele respirava mais pesado.

    — Como eles estão conseguindo combinar os ataques dessa forma?

    Katsu avança com a espada, Draven desvia, Rays aparece acertando um chute giratório. Após o golpe, Lance aparece acertando uma sequência de socos.

    Draven tenta copiar Lance e é empurrado pela gravidade.

    Katsu acerta um corte em seu peito e é puxado por Lance, enquanto Rays aparece por cima, acertando uma sequência de 5 chutes invisíveis.

    “Como eu odeio esses que são abençoados com poderes!” — pensa Draven com raiva.

    Draven é paralisado pela eletricidade dos golpes de Rays, Lance o puxa com a gravidade, Katsu prepara sua espada com suas chamas!

    “Tio, você estava certo! Aqui eu vou criar minha história, ao lado deles!” — Katsu sorri com alegria.

    — Hageshī kirikizu (Cortes ardentes)

    O golpe acerta Draven, cortando e queimando seu peito.

    Ele cai no chão desacordado.

    O silêncio caiu.

    — Conseguimos? — Katsu pergunta, ofegante.

    Rays caiu de joelhos, o corpo finalmente cedendo. Lance se aproximou primeiro, segurando-o antes que caísse de vez. Katsu parou ao lado, apoiando a espada no chão.

    — Valeu… — Rays murmurou. — Por me ajudar.

    Lance respirou fundo.

    — Somos um grupo, lembra? — fala Lance, pegando no ombro de Rays.

    — Não faça isso virar hábito, é cansativo — brinca Katsu.

    Rays soltou uma risada fraca.

    Mas, dessa vez, não negou.

    Ele encontrou companheiros com quem ele podia contar.

    Agora, ele não está mais sozinho.

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