Capítulo 115: Antigo escudo contra atual escudo
Pandora e Aisha se mantinham afoitas. Engoliram a seco, enquanto a sua frente, posicionada como uma sentinela de gelo, ali magnanimamente ela olhava, apenas sua postura já transmitia uma nobreza excelentíssima, o escudo do rei.
— Aisha, eu sinto que vamos morrer aqui.
— Se morrer aqui não vai conseguir cumprir sua promessa, então, melhor dar seu melhor.
As duas fizeram suas piadas como se fosse a última. Então, Aisha ergueu sua mão. Lá continha um anel, pequeno faiscava uma bola de cristal, ao qual dentro do tinha uma chama singela.
Aquele calor refletia em seus olhos. Usaria seu trauma para enfrentar um oponente complicado. Ao seu lado, Pandora respirou fundo. Seus cabelos enloireceram, as pontas pegaram fogo azul e seu corpo se tornou carvão. Ali, estava preparada para enfrentar seu oponente mais difícil.
— Hã!
— Quê?
Não houve passos, apenas um denso ar álgido que fez o coração de ambas se tornarem gelo puro, as duas sentiram um medo trêmulo que apenas suas almas ficaram paradas. Aquilo na frente dela não era uma simples mulher, era o pináculo da aberração.
Uma aura roxa flutuou sobre a mulher, e pousou densamente à sua frente. Colocando a mão invertida erguida ao ar, enfiou-a na aura roxa, se materializou uma lâmina colossal, extremamente pesada e sem guarda, feita de aço superior na mão. Ela girou sua guarda e como se fosse uma leve lâmina gritou aos ares.
Mas não houve dúvida, o brandear daquilo era irreal, o vento gélido que soprava e assombrava as duas, foi cortado como um vento abrasador, cortando aquela imensidão com uma amplitude de devastação e vibração mística.
Aquilo não poderia ser descrito como irreal, ou fora do comum. Não era humana, não era logico, não era possível. Aquilo era um desperdício de ser enfrentada.
— Vocês duas serão minhas oponentes? Eu devo pedir desculpas em nome de meu rei. Não queríamos machucar nossos queridos viajantes, mas chegaram em tempo inoportuno. — Sua voz criostase passou leveza e superioridade, era como um chamado divino.
Sua presença, postura, voz, aura, era tudo impecável. Se ela fosse um anjo, nenhuma das duas duvidaria. Mas algo penetrou tamanha perfeição. Entre Pandora e Aisha, algo cortou aquele calor ruminante.
Não foi um Inefável Hálito Invernal ou um Corrente Ígneo Destonteante. Era algo chocante. Um Alvor de Essência ou Oscilação Vital, era o próprio Véu de Presença. A aura contagiou todo aquele ambiente, gritando por todos os pratos. Tudo estremeceu, fazendo Pandora e Aisha sentirem desejo profundo de se ajoelharem.
Ao centro delas, uma matrona passeou, sua bengala ornamentada era tão marcante quanto sua existência. Seus olhos — tão afiados e negros que percorriam seriamente por toda amplitude a frente. Seus cabelos escuros, as mechas brancas que declaravam sua beleza desnudada, presos com perfeição.
Ela bateu o cetro ao chão, e foi apenas aquele som que fez o ar rachar. Era uma aura tão absurda, que um suor caiu na perfeição Glacial, fazendo-a temer pela sua eternidade.
— Não acatou meu aviso. Disse que se estivesse envolvida com o assassinato, eu mesma mataria você. Neste caso, por seu envolvimento com um caos iminente, eu declaro sua morte.
Assim, diante Aisha e Pandora, uma nova combatente surgiu.
Viviane Uma enfrentaria Labella Cyfher.
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— Garotas, se afastem, não se envolvam nessa luta.
— Não se preocupe, nem se eu estivesse louca. — Aisha riu e puxou o braço de Pandora, quem ainda não tinha aceitado. Ela, a todo momento em que esteve, tentou se manter firme.
— Aisha, não vamos deixar Viviane lutar sozinha.
— Tia vivi era o antigo escudo do avô de Kim. Deixe ela, confia em mim. Agora vamos até as alavancas e anunciar nossas posições.
— Isso não me parece certo.
Pandora ainda estava insegura, ela queria ajudar. Ficar de fora depois de reunir toda aquela determinação. Mesmo assim, ela aceitou, respirou fundo e se afastou. Ali, duas soberanas silenciosas deram passos.
Andaram eloquentemente diante suas próprias posições, um deslocar perfeito, passos completamente calculados, andares sem medo, passos sem injúria.
Viviane ergueu de sua bengala uma lâmina silenciosa. Aquela fio de aço forjado para ser uma rapieira, porém destinado a ser uma fina Katana. Era uma arma ornamentada totalmente fora da curva.
Do outro lado, a sentinela de gelo ergueu uma grande espada berserker, sua prata perfeita e ornamentada com cristal roxo cristalizado, algo que servirá de catalisador para sua própria bênção. Então, como um rasgo na eternidade, um riso fluiu.
— Está mais do que na hora de definirmos minha mestra, a melhor escudo real.
— Eu fico orgulhosa de você servir seu rei com tanto ardor, mas, o reino sempre vem antes do rei. Então, devo corrigir seus maus modos.
Aquilo foi o estopim, o avanço foi uma cisão incognoscível do irreal. Um lembrete de respostas que sempre ignoraram ver. A berserker veio de cima, rasgando os céus e rompendo o limite da realidade. Parando a aberração crônica, uma fina espada deteve a derrocada feroz.
— Vou provar que minha luz é maior do que você um dia já foi!
Então, daquela enorme lâmina, um sanguinário corte sequenciado se fez, tão indomável quanto uma besta, mas carregado de uma perfeição sublime e decorada de elegância. Era os polares opostos da realeza.
— Teu maior erro é pensar que és diferente dos outros cadáveres que deixei em meu passado. Um dia fui espada, hoje serei pináculo.
Então, cortando aquela imensidão metalina, Viviane se tornou um espírito resistente que decorou cada gota daquela chuva de ferro, devolvendo com vigor e fervorar, conseguiu se prontificar. Aquela lâmina tão fina era até piada para aquela aterrozidade.
Mesmo assim, com força defendeu. As faíscas se colidiam criando um mar de noções profundas. Os braços não tremiam, eram como colisões que negavam as regras da física. Sem nenhum avanço sinético, apenas loucas colisões proeminentes.
Então, ambas dançaram. Uma Ruptura Ígnea pela forja e pela noção, ambas escudo, ambas armas letais feitas para proteger. A mais antiga, que nunca desnudou sua espada e nunca abandonou sua essência. A mais nova, ao qual, ainda jovem, transbordando viralidade, se fazia cada vez mais capaz.
O desejo de ambas se mantinham, e algo era perfeito para se notar. Ambas queimavam em sua carne, um calor de seu sangue, que borbulhava intensamente. Ao mesmo tempo, criando um choque térmico, elas eram frias e genuínas. Causando um erro no próprio mundo.
Suas forças eram tão abalantes que rachavam o tecido do universo, como se cada impacto rompesse o ar, e brutalmente se intensificava. Dobrava-se e dobrava-se, cada estocada perfeita em seu ser.
Então a Reverberação de Lâmina se tornou um cenário de carnificina, onde apenas o tecido da realidade era culpada por não poder se mover rápido como aquelas mulheres — não, magnitudes ecoantes.
Uma lâmina tão intensa e imensa que não condizia com aquele porte militar feminino, mesmo o qual, empunhava com tamanha perfeição e eloquência. E uma lâmina perfeitamente projetada, de uma arma fina, ao qual um gume perfeitamente alinhado, empunhado por uma mulher pulcra.
— Eu vou vencer você!
— Não se preocupe, você não perdeu sua inocência, eu a roubei-ti-ei, por isso, achas o tal absurdo que permeia.
Ambas recuaram. Viviane, sem nem uma gota de suor, ou medo da realidade. E Labella, levemente ofegante, por usar mais do que estava acostumada. Uma grande distância de vivência.
Então, nessa loucura, que se passou meros 10 segundos, Aisha gritou:
— Isso foi insano!
Rindo, Viviane complementou: — Chamas de Insanidade, eu chamo de clareza.
— Certo, acho que o aquecimento acabou. Preparada para algo que nunca foi capaz?
— Certamente, estarei posta para seu primeiro confronto real.
E então, o salão explodiu em gelo puro.
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Pandora sentiu a pressão da realidade se difundindo, então, gerou chamas a sua volta, tão quentes que sua própria pressão caiu. Ela precisou gerar um fogo intenso para, apenas, sobreviver ao grande inverno que caiu sobre aquela sala.
Viviane, apenas com um brandear, cortou o gelo que percorreu sobre sua presença, e apenas firmou o pé no chão para quebrar o gelo que se formou sobre seus pés.
— Eu diria impressionante, mas devido ao fato que eu ensinei você a controlar sua maldição, é o esperado.
No passado, um caos reinou sobre uma das províncias mais distantes. Mesmo assim chegou aos ouvidos de Arnaldo Umbral, o antigo rei. Esse caos, foi sobre uma criança de apenas dois anos, que em sua volta, gelo e neve nasciam. A criança foi chamada de bruxa gélida muito nova.
Isso, ao qual chegou nos ouvidos do rei, o chamou muita atenção. Claro, ele já sabia o que isso era, pois então, partiu para tal província e conversou com os pais daquela criança.
Explicou que conseguiria cuidar daquela maldição com cautela, e nunca faltaria nada para aquele bebê, e assim, a pequena Labella foi levada ao castelo. Viviane, sua escudeira, foi escolhida para cuidar daquela criança, tal qual também tinha concebido um filho naquele ano.
Com perfeição, ela cuidou das duas crianças com qualidade, mesmo assim, mantendo as duas com distâncias consideráveis, tanto que ambas nunca se conheceram por Viviane.
Labella cresceu com os ensinamentos de Viviane e sua maior prática. Treinada para ser uma arma, assim como a Viviane nasceu para ser. Duas crianças com ensinamentos diferentes, para propósitos diferentes.
No fim, uma criança amaldiçoada nunca seria uma criança normal. Ela precisou aprender a controlar seu arbítrio, a usá-lo como arma, a usá-lo como auxiliar, e assim, Labella cresceu aprendendo a controlar seu poder.
Viveu missões, viveu provas reais de combate, viveu alguns confrontos. No fim, foi bem treinada e voltou com belos resultados. Uma perfeição criada por outra perfeição, e ambas se tornaram reflexo uma da outra.
Mas, enquanto Viviane nunca teve uma maldição ou bênção. Labella tinha um dom, ela tinha um arbítrio poderoso ao qual se tornou tão poderosa, que com seus feitos, chamou atenção até mesmo de Maxuel Umbral.
A fim de dar descanso de Viviane, Labella herdou a função de escudo real, mas, ainda muito bem preparada para lutar com vigor. Era uma pena, que agora sua missão era matar quaisquer pessoas que atrapalhassem o plano Pesadelo.
O gelo corria pelas paredes abobadadas daquele grande salão. Pratos, talheres, mesa, tudo congelou. Então, daquele ar profano, estacas congeladas surgiram. Das mais diversas formas, tamanhos, formatos. Eram perfeitos. Armas divinas, moldadas com uma precisão cirúrgica.
— Vai sentir o que nunca foi capaz de domar! — gritou Labella.
— Eu não preciso esconder minhas cicatrizes, pois elas escondem você, minha querida.
Então, todos aqueles gelos afiados desceram. Cortando os ares gélidos, tudo avançou como um balanço irreal da realidade. Viviane cortou, bateu, cruzou, matou, permeou. Tudo para defender sua própria vida. Sua velocidade, evoluindo a graus inumanos, não era lógico, não era nada além de profano.
A realidade não suportava o movimentar absurdo daquela mulher que subverteu cada estalactite mortal. Vinha de todos os lados, a velocidades sem lógica, sem penumbra, um desabante avanço surreal. Então — um corte tão desmesurado veio em sua direção.
Viviane precisou de apenas um passo dançante para não apenas negar a falta de cinestesia. Ela fez aquele corte recuar, assustando Labella, a mesma não estava pronta para ter seu ataque recuado, quando todas as grutas gélidas caíram sobre Viviane.
Ela dançou e conseguiu defender-se de tudo, e então, um mar violento dos mais diversos golpes cruzaram, com excelência, ela defletiu aquele derrocar sublime, com um devoluir profundo. Uma aura intensa se mantinha em cada golpe, era como se o sangue que fluia pelo corpo fortalecesse a aura que devolvia cada espadada.
— Éramos para ter o mesmo limite de espada!
— Eu nunca disse que aquilo era meu limite! Eu sou a mais forte, e sempre serei a mais forte. Esse é o fardo da Lâmina de Aurora. Um fardo que nunca me abandonará.
Então, ela cortou não o limite do destino, mas a realidade por si só. Talvez seja apenas Hipérbole. Mas foi uma arte de espada tão perfeita, que distorcia o mundo com seu corte, e aquele salão tremeu. Por completo aquelas incríveis armas de gelo que eram criadas foram destruídas.
Labella pode sentir seu fim, e então, defendeu com sua Beserker. O corte foi tão denso que fez um fino corte na lâmina mais resistente do reino. Isso era Viviane, com apenas um corte, sua aura cortou o ar e tudo que se prontificava nele.
Labella agora iria conhecer o limite da arte da espada perfeita, isso era a perfeição em sua essência mais absoluta. Então, ela riu.
— Eu não me dei por vencida ainda, venha mais forte, que eu mostrarei totalmente do que eu sou capaz.
Foi apenas esse proferir de palavras que fez o salão se dobrar. A luz rompeu, o ar correu, e os olhos por trás dos aros finos se tornaram totalmente iridescentes.
Um Fulgor Prismático rachou a distorção da matéria. A luz corroeu pela espada e então, algo mais do que luz sobrevoou seu coração.
— Eu juro vencer!
Foi um contar da constatação da iluminação, foi Manifesto de um Vórtice Existencial. Aquela espada brilhou roxo e então, tudo se rompeu ao estado monogâmico, quebrando a lógica, decaiu tudo ao nada.
Então, Viviane cortou o nada. Aquela luz que emanou por toda a sala, escondia o brilho do corte avassalador de Labella. Mesmo com aquela cegueira existencial, o corte se fez presente.
As duas massas se colidiram e viraram nada. Viviane, com tamanha aura excêntrica, devastou tudo, toda aquela luz se tornou nada novamente, então, apagado como nulo, ele se fez impossível, o irreal e o real se tornou quebrado e tudo se tornou pináculo.
— Eu possuo a Benção do juramento, eu posso criar um juramento capaz de se realizar. O custo dele é que quanto maior o pedido, maior o desgaste físico após. Então, por um minuto, eu serei capaz de cumprir a realidade de te vencer.
Algo tão imenso e ilógico não poderia ser desfeito da realidade. Labella sabia que depois daquilo, não conseguiria usar sua benção tão cedo. Ela poderia desejar jurar nunca errar, ou jurar defender qualquer ataque, mas ela mirou em algo mais profundo.
Ela jurou vencer, independente de como isso funcionaria, agora a realidade ecoaria ao seu favor e ajudaria em sua vitória, esse era trunfo da verdade. Mesmo assim, Viviane, a quem conhecia sua bênção, apenas riu.
— Você acredita em destino? Pois eu sou o erro que o destino não calculou.
Então, evoluindo até o limite do que o humano era possível, Viviane cruzou um corte profano. — Erro — a realidade se deformou irrompendo o corte. Aquele corte atravessaria Labella, mas ela foi negada pela lógica de quem iria vencer aquilo.
— Erro, sobre, erro —
Mesmo sendo impossível, o corte acertou. Viviane derrubou a lógica apenas com sua habilidade, o limite da lógica. Ela cortou, ela cruzou, e ela viveu.
Pois então, começou de novo.
Avançou Viviane, com aquele mar de impossibilidade. Sua habilidade eram cortes que destruíram o ar ao meio, dobrava o tecido da realidade. Não era um corte que transcendia o tempo ou a realidade em si, mas era tão rápido e imenso que era capaz de distorcer tudo à volta.
Velocidade, potência, tudo, um corte que dobrava tudo fazendo ferozes tempestades de vento poderosas. E ali, milhões de estalactites de gelo caíram, armas ornamentadas, gomas de gelo, pedras enormes que desdobravam a essência. E por fim, uma espada tão desigual quebrava tudo.
Eram duas garotas negando a realidade.
Uma com uma bênção profana que verdadeiramente moldava a realidade em sua forma e uma maldição poderosa que auxiliava ainda mais seu estilo de combate perfeito.
E outra mulher, simples em sua essência, sem maldição, bênção ou poder especial. Apenas com um estilo de esgrima perfeito, e fervendo seu sangue até o sobre limite humano.
Era aquela que desafiava o destino contra o próprio destino. Então, seguiu uma mulher contra tudo. E aquela que desafiava a mulher.
As espadas se chocaram e — tudo se tornou nada.
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Pandora e Aisha apenas assistiam aquela irrealidade, aquilo não tinha passado meros 2 minutos, e então, a luta ficou ainda mais irreal.
— Aisha, eu… desculpa por achar que eu meramente poderia enfrentar ela.
— Absalom achava mesmo que poderíamos vencer? Isso é brincadeira, não?
— Certo, nós distraímos tempo demais, Aisha contacte eles.
Aisha assentiu, e tocou no fone que recebeu de Talia, eles eram sincronizados com a mesma frequência de todos os outros.
— Kizimu! Talia! Estão aí?
Demorou apenas 7 segundos para obter uma resposta.
— Aisha! Eu estou beeem ocupado, respondo depois!
E então, a conexão foi encerrada.
— Parece que Kizimu está lutando, e Talia não me responde.
— Será que ele vai ficar bem?
— Apenas podemos rezar.
Então, as duas apenas ao longe, se protegeram de golpes cada vez mais fora da curva, como se o infinito não tivesse limite para aquelas duas soberanas.

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