O Herói das Cinzas
Era uma noite sombria. As nuvens escuras cobriam a lua, e tudo o que se podia ver era apenas o céu negro sobre os olhares das pessoas. Em uma cidade afastada do castelo, uma jovem garota corria desesperada, com roupas rasgadas e cobertas de sangue. Homens a perseguiam com lanças e espadas.
Gritava por socorro, mas não havia ninguém por perto. Quem ousaria? O país estava em guerra contra o exército sombrio, liderado pelo deus da ruína, Delgron. Não havia quem se arriscasse. O brilho das chamas, espalhadas pelas casas, iluminava os corpos dilacerados de pessoas inocentes jogadas ao longo do caminho. Homens, mulheres, crianças — ninguém escapava ileso do exército sombrio. E então, o último grito da mulher foi ouvido, com sons abafados de uma lança perfurando seu coração. Os homens riam, enquanto ouviam o rasgar da pele ao arrancar a lança fincada no peito da jovem mulher.
Mais ao norte, além da muralha que cercava o reino de Yuhai, o som de milhares de espadas se chocando podia ser ouvido em todo o reino. Dois exércitos se enfrentavam, corpos pisoteados e cadáveres espalhados. O grito de desespero de alguns homens, com seus membros dilacerados ou queimados, ecoava no campo de batalha. O medo estampado nos rostos dos soldados de Yuhai era evidente para todos, exceto para a presença de um homem.
Empunhando uma katana média, preta, com o dorso vermelho, vestindo um sobretudo negro, uma camiseta branca manchada de sangue. Por onde quer que passasse, uma pilha de corpos do exército sombrio era formada com facilidade. Seus olhos e cabelos negros como a noite faziam dele a própria morte para os inimigos. Para os aliados de Yuhai, era visto como um deus da guerra em ascensão, a única esperança.
Nas colinas à frente, cinco pessoas com mantos e cajados de madeira surgiram, com sorrisos cínicos e olhares sanguinários.
— Sobre o céu que estás, ó grande deus da ruína — recitaram, chamando a atenção dos soldados. — Dê-nos forças para destruir aqueles que entram em seu caminho e ousam se opor a sua grandiosidade.
Os cajados foram levantados para o céu.
— DESTRUIÇÃO CATASTRÓFICA!
Um símbolo negro gigantesco surgiu no céu. Enormes pedras cobertas de chamas começaram a aparecer. Alguns soldados se ajoelharam, outros largaram as espadas, mas todos tinham algo em comum: o desespero estampado nos rostos.
Não se ouvia mais o som das espadas batendo umas contra as outras, apenas os passos lentos e suaves do homem de preto que, com um olhar firme, observava as pedras em chamas. Ele se inclinou, segurando a katana com firmeza, olhou para o céu e sorriu.
Ao redor do castelo, tudo estava em ruínas. Não havia mais vegetação, apenas escombros e solo devastado, com cadáveres espalhados. As pedras em chamas se aproximavam rapidamente, mas isso não amedrontou o homem. A pressão que usou para se lançar para cima fez o chão afundar. Seus olhos se abriram lentamente, e raios começaram a sair de sua espada. Ele partiu as rochas, uma por uma, em um espetáculo de luzes azuis e estrondos.
De volta ao chão firme, exausto, lutava para permanecer de pé. O exército sombrio agora sabia que aquele homem era alguém a temer.
— Então… grande deus da ruína — disse, apontando a espada para um homem de cabelos cinzas, olhos negros e um sorriso sádico, montado em um cavalo negro. — Está com medo? Fica se escondendo atrás de seus homens, vendo-os morrer… Esperando um milagre para me ver cair morto?
A palavra “milagre” ecoou nas mentes dos soldados de Yuhai. Uma piada, que só teve graça para Delgron, que esboçou um sorriso de canto.
— Você cumpre com as expectativas — disse Delgron, descendo do cavalo e dando alguns passos à frente. — Me diga, qual é o seu nome?
— Arial… — Ele parou, os olhos se tornando escuros com lembranças dolorosas. — Arial Blake.
Delgron sorriu ainda mais de forma enigmática, o olhar de apreciação quase como se estivesse diante de uma obra rara e preciosa.
— É uma peça rara, Arial Blake — comentou Delgron, abrindo os braços como se estivesse oferecendo algo. — O que me diz? Junte-se a mim, e pouparei sua vida, bem como a de sua família. Pode se tornar meu braço direito…
A risada de Arial foi repentina e descontrolada, saindo em um riso amargo que ressoou pelo campo, misturando dor e fúria. Ele olhou para o céu, como se buscasse respostas que nunca chegariam.
Qual seria a graça? — perguntou, com uma expressão fechada, olhando de volta para Arial, o rosto marcado pela desilusão.
— Seria uma oferta tentadora… — Arial balançou a cabeça lentamente em negação, os olhos ardendo com um fogo que não poderia ser apagado. — Se os seus homens não tivessem os matado na invasão a Malak, alguns anos atrás.
Delgron soltou um suspiro, como se tivesse sido atingido por uma flecha invisível, mas não perdeu a compostura. Ele riu suavemente, o som mais uma vez vindo com um tom sarcástico.
— Que notícia trágica — respondeu, a voz vazia de empatia, como se aquelas palavras não tivessem significado algum. — O que você quer então? Uma nova vida? Um refúgio para si e sua amada… se tiver? — Ele deu de ombros, um sorriso presunçoso ainda no rosto. — Eu realmente não sei. Diga-me, o que deseja? Farei acontecer.
Arial segurou com firmeza a guarda da katana, o olhar fixo em Delgron, os olhos refletindo uma dor profunda, mas também uma determinação implacável.
— Vingança! — As palavras saíram da boca com uma força que parecia ecoar nas paredes desmoronadas ao redor. Não tinha nada a perder, e essa era a única coisa que lhe restava.
Delgron por um breve momento, pareceu realmente interessado na resposta. Fez uma pausa, como se ponderasse o que ouviria em seguida. Mas não havia dúvida no olhar, só um sorriso ainda mais cruel.
— Vingança… — Delgron murmurou, saboreando a palavra. — Você acha que encontrará algo além da destruição? Bom, não que eu seja o melhor para dizer isso. — Ele riu. — Mas tudo bem, Arial Blake, me surpreenda. Vamos ver até onde sua fúria pode levá-lo.
Ambos avançaram com passos lentos, firmes. O vento cessou. O mundo prendeu a respiração. Então, num piscar de olhos, desapareceram — e o estrondo de aço contra aço rasgou o silêncio como um trovão. Espadas colidiram no ar com fúria ancestral, suas silhuetas tremulando como borrões, rápidas demais para olhos mortais acompanharem.
Chamas carmesins serpentearam ao redor da lâmina negra de Delgron, dançando com selvageria. Raios azul-violáceos estalavam pela katana de Arial, como se o céu tivesse escolhido aquele homem para ser seu arauto. Era um confronto entre caos e tempestade.
— ME DIVIRTA! ARIAL BLAKE — trovejou Delgron, rindo como uma entidade sedenta por destruição. Os olhos ardiam com uma luz demoníaca, e cada golpe parecia vir com o peso de uma montanha.
Arial não respondeu. Seu foco era absoluto. Com movimentos precisos, fluidos como água, alternava entre cortes certeiros e ataques corporais — chutes giratórios, joelhadas no abdômen, socos carregados de mana elétrica que faiscavam ao contato. Ele era como um raio em forma humana, imprevisível e veloz.
Delgron bloqueava tudo com facilidade quase desdenhosa, como se estivesse apenas se aquecendo.
— Mais! Você consegue mais do que isso! — zombou, desviando de uma estocada com um giro gracioso. — Ou será que essa é a força de um herói?
Eles se separaram por um instante. Arial arfava, suado, o braço trêmulo sob o peso do esforço. Já Delgron apenas estalava os ombros, relaxado, como se o combate o entediasse.
— Vamos acabar com isso — murmurou o deus da ruína.
Estendeu a palma aberta, onde uma esfera negra de energia começou a crescer, pulsando como um coração sombrio. Era densa, faminta, como se contivesse um buraco negro em miniatura. Com um gesto brusco, lançou-a contra Arial.
Arial cravou os pés no chão, ergueu sua katana à frente do corpo e firmou o espírito. A esfera o atingiu como um aríete divino, empurrando-o por metros, pedras se despedaçando sob seus calcanhares. Gritando com a alma, torceu o corpo no último segundo e desviou o ataque, arremessando a esfera para o alto.
A explosão que se seguiu rasgou os céus. Um clarão ofuscante iluminou o horizonte. O chão tremeu.
Quando a poeira assentou, Arial ainda estava de pé… mas sua katana partira-se ao meio. Os olhos ardiam. A respiração, em chamas. O peito sangrava.
— Isso é tudo? — sussurrou Delgron atrás dele.
Antes que Arial pudesse se mover, sentiu o aço atravessar-lhe o corpo. A lâmina flamejante perfurou-lhe as costas, saindo pelo peito. O calor era insuportável. O cheiro de carne queimada tomou o ar.
— Você foi divertido… mas previsível — disse Delgron, sussurrando-lhe ao ouvido, com um sorriso sádico e os olhos incandescentes.
Arial cambaleou. A dor era tudo o que restava. Os pensamentos embaralhados. “É assim que irei morrer?”, questionou-se. Mas então, do fundo do seu ser, algo despertou — um último suspiro da tempestade.
Um clarão surgiu em sua mão aberta. Não era uma espada. Era pura energia. Uma lança forjada de raios, vibrando como se o céu inteiro tivesse descido para se vingar.
Com um grito ensurdecedor, Arial girou e cravou a lança no peito de Delgron.
O impacto foi brutal. Raios estalaram como mil trovões, rasgando a carne divina, queimando ossos, explodindo dentro do corpo do deus. Delgron grunhiu, surpreso. O sorriso vacilou. Sangue escorreu pelos lábios enquanto seus olhos encontravam os de Arial — não com raiva, mas com respeito. E algo mais… diversão genuína.
— Hahahaha… Agora sim… — murmurou Delgron, ajoelhando.
Arial caiu de joelhos também, o corpo desfalecendo lentamente, como uma árvore tombando após a última tempestade.
O primeiro pingo caiu do céu. E então outro. A chuva começou a desabar como pranto dos céus. O campo de batalha silenciou.
— Formidável — disse Delgron, limpando o sangue da bochecha com surpresa. — Pensar que seria capaz de me ferir… — Sentiu o sangue escorrendo de sua ferida e sorriu com dificuldade. — Acredito… que foi o suficiente.
Nesse momento, um homem desceu do céu entre Arial e Delgron, forçando o a se afastar do corpo caído de Arial. Era Damari, com armadura dourada, cabelo vermelho molhado e um enorme machado.
— Nos desculpe pelo atraso. — Ele disse, apoiando o machado no chão. — Aguentou bem. Deixe o resto com a gente.
Os soldados, com os ouvidos atentos ao som de cascos de cavalos, olharam para trás. Cinco bandeiras de cores e símbolos diferentes surgiram. Rahjin, montado em um cavalo marrom, com armadura dourada e uma foice nas costas, se destacou diante dos guerreiros das cinco nações.
— Guerreiros — disse Rahjin, com tom forte e decidido. — Hoje, aqui e agora, iremos pôr um fim nesse desgraçado e nessa maldita guerra! Não recuem. Matem cada um deles. Se morrerem, levantem-se e matem o inimigo! Avancem!
A visão se tornou ainda mais intensa, com os gritos de guerra se espalhando por todo o campo de batalha. A esperança reavivada fazia os soldados se erguerem, suas espadas brilhando. Freya, a lendária guerreira, desceu do céu e se aproximou de Arial. Seu olhar era terno e preocupado.
— Você aguentou bem — disse Freya, colocando a mão no ferimento de Arial. — Mas precisamos de um curandeiro imediatamente. Vou garantir que você seja levado para ajuda o mais rápido possível.
A batalha seguia feroz e implacável, com ambos os exércitos lutando com garras e dentes, como feras em desespero. A terra já não tinha cor — era tingida por sangue, coberta por destroços e marcada pelas cicatrizes da guerra. Gritos, aço se chocando, feitiços cruzando os céus — tudo era caos. No entanto, a maré da guerra começava a virar. Os defensores de Yuhai, antes à beira do colapso, avançavam com ferocidade renovada.
Delgron, o deus da ruína, ainda era uma presença colossal, quase intocável. Sua força permanecia imensa, e cada golpe fazia o chão tremer como se o mundo se curvasse à sua fúria. Mas a ferida que Arial havia cravado em seu peito — uma fenda aberta e profunda, onde a carne divina se tornara frágil — o deixara vulnerável. Era uma brecha. E Rahjin e Damari, guerreiros moldados pelo sofrimento e pelo dever, a exploraram com tudo o que tinham.
Enquanto isso, Freya permanecia ao lado de Arial. Seus braços sustentavam o corpo dele, pesado, frio, os olhos semicerrados pela dor. Ela o ajudava a atravessar os escombros até o abrigo onde um mago curandeiro aguardava, ajoelhado sobre um círculo de runas já ativadas. O tempo parecia escapar por entre os dedos. Ela sabia que a ferida era grave. A mana de Arial oscilava como uma vela prestes a se apagar.
O mago começou a conjuração, luzes verdes e douradas entrelaçando-se sobre o corpo de Arial, selando parte da ferida aberta. Freya, porém, não desviava os olhos do campo de batalha. Lá fora, o impossível parecia acontecer: o exército inimigo, antes implacável, começava a ceder. As linhas sombrias se rompiam, dispersavam, recuavam diante da fúria dos últimos guardiões de Yuhai.
O grito de Rahjin ecoou como um trovão partido, rasgando os céus. Freya sentiu coração apertar, como se o próprio ar tivesse sido arrancado dos pulmões. Quando os olhos encontraram a cena, paralisou — a cabeça de Rahjin estava entre as mãos de Delgron, os olhos arregalados, como se a alma tivesse sido arrancada com violência.
— RAHJIN! — Ela gritou, mas já era tarde demais.
O corpo sem vida do companheiro caiu de joelhos, desabando sem controle. Delgron, sorrindo com uma serenidade cruel, ergueu a cabeça de Rahjin como um troféu. Então, com um gesto lento e impiedoso, a ergueu em direção ao céu e pronunciou uma única palavra em uma língua esquecida.
As runas negras no braço brilharam com um fogo profundo, e uma língua de chamas carmesins, viva como uma criatura faminta, explodiu de suas mãos. O fogo consumiu o corpo de Rahjin instantaneamente. Ossos, músculos, armas, até mesmo a essência mágica de seu ser foram devorados pelas chamas. Nenhuma cinza restou. Nada. Como se nunca tivesse existido.
— Que sua memória seja apagada da terra… — murmurou Delgron, ainda sorrindo, olhando diretamente para Freya.
Ela caiu de joelhos por um instante, não por fraqueza, mas pela dor esmagadora que tentou sufocar dentro do peito. A imagem de Rahjin — aquele que tantas vezes riu ao lado dela, que empunhava sua foice com orgulho — agora era apenas um vazio. Um silêncio sem rosto.
Ao lado, Damari gritava de dor, tentando estancar com dificuldade o sangramento do coto onde antes estava o braço esquerdo. A visão do sangue, da perda, do horror, quebrou algo dentro de Freya.
Sua fúria explodiu.
Ela avançou como um raio dourado, cada passo estremecendo o chão. A armadura, rachada e manchada, parecia cintilar com a própria luz da tormenta. Quando chegou diante de Delgron, desferiu um soco com toda a força. O impacto foi tão brutal que o chão se rachou sob os pés do deus da ruína. Delgron afundou um joelho, cuspindo sangue negro, ainda com o maldito sorriso estampado no rosto.
Freya não disse nada. Seus olhos eram duas luas queimando em fúria pura. Ela avistou a foice de Rahjin caída entre os destroços e a pegou, erguendo-a como se fosse uma extensão de sua dor.
— Você sorri — disse ela, com a voz grave, trêmula, tomada por uma raiva silenciosa. — Mas eu vou te mostrar como as estrelas choram quando um dos seus cai.
Delgron cuspiu sangue. O sorriso, antes arrogante, agora tremia entre a dor e o deboche.
— Nenhum de vocês… — sussurrou com a voz falha, os lábios rachados — foi divertido tanto quanto Arial Blake…
As palavras foram veneno, uma provocação final. Mas Freya não recuou. Seu olhar não se alterou, não houve hesitação, nem piedade — apenas o fogo inabalável da justiça. Para ela, Delgron já estava morto. Ele só não percebeu ainda.
Num único e certeiro movimento, girou a foice e a transformou, moldando-a em uma lança. Com ambas as mãos, fincou a lâmina sagrada no centro do peito de Delgron, enterrando-a até o cabo. O deus da ruína se curvou para frente, os olhos arregalados pela surpresa — e então, com um último esforço, Freya ergueu a lança num arco violento. A cabeça de Delgron voou pelo ar, desenhando um rastro de sangue escuro contra o céu encoberto. O silêncio caiu.
Arial permanecia em devaneios, consciente apesar do ferimento fatal que sofreu. Todos os soldados se reuniram ao redor, juntamente com Freya e Damari. Em seguida, surgiram cinco pessoas, três homens e duas mulheres — os líderes das grandes nações. Eles se ajoelharam diante de Arial, em gesto de respeito e homenagem. Em resposta, todos os soldados seguiram o exemplo dos reis e rainhas e também se ajoelharam.
— Você foi um grande guerreiro, talvez, o maior que qualquer um aqui já viu. Jamais esqueceremos seu sacrifício pela humanidade. Garantiremos que seu nome jamais seja esquecido enquanto este mundo existir — disse uma das rainhas.
A chuva ainda caia forte, uma batalha duradoura chegou ao fim essa noite. Muitas vidas foram perdidas. Durante décadas, o exército sombrio amedrontava a todos. Arial e Freya, foram vítimas desse mesmo exército. Então, uma vaga lembrança passou pela cabeça de Freya, de quando Arial falava da sua morte, queria morrer com honra, e que o feito, fizessem os soldados, reis e rainhas cantarem a antiga canção, cantada apenas para aqueles reconhecidos como uma lenda.
— O sangue… derramado pela liberdade e paz. — Entoou um soldado, enquanto sua voz ressoava pelos campos. — E os guerreiros que lutaram nunca nos esqueceremos jamais. — Ele parou por um momento, dando espaço para outra voz se juntar a canção. — . Reis e rainhas… — Entoavam em uma frase longa e emocionante. — Se curvam em respeito ao seu sacrifício. — O som de espadas sendo sacadas criou uma melodia única enquanto outro efeito dominó se espalhava entre os soldados. — Erguemos nossa espada, em homenagem ao seu feito… E cantamos esta canção, em louvor ao seu legado.
— Sua alma descansa agora nos braços das divindades, mas sua história viverá por toda eternidade. — Ecoava um coro de vozes, algumas lentas e outras rápidas. — Ele lutou com bravura, enfrentando a escuridão… E mesmo quando tudo parecia perdido, ele não hesitou. — Todos os olhares se voltaram para o céu, onde as nuvens se dissipavam e a chuva diminuiu, revelando um céu estrelado. — Que as estrelas brilhem mais forte, em homenagem a teu nome — cantavam eles. — E que os deuses celestiais te recebam em seus braços. — Houve uma pausa momentânea antes que continuassem. — Pois é uma lenda e um símbolo da coragem, e tua memória será eterna, e celebremos tua história, como uma lenda lendária.
O lugar voltou ao silêncio, interrompido apenas pelo choro e fincadas de espadas no chão. Freya se sentou na lama e colocou a cabeça de Arial em seu colo. Ela começou a chorar em silêncio, mas seus esforços para impedir foram em vão.
— Me desculpe… Freya — disse Arial com dificuldade. E essa foi a última vez que Freya escutou sua voz.

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