CAPÍTULO 23 — Escolhas
Sala de aula da faculdade de Paleontologia.
Quadro cheio de esquemas de fósseis.
— O Tyrannosaurus rex não era só força bruta… ele era cálculo, adaptação, domínio territorial. — Draven falava com brilho nos olhos.
Alguns alunos prestavam atenção.
Outros cochichavam.
Ele ignorava.
Sempre ignorava.
Desde o primeiro semestre, ele era o melhor da turma.
Notas impecáveis, pesquisas premiadas, artigos publicados.
Mas sempre havia algo além das notas.
Olhares atravessados.
Piadas baixas no corredor, muitas falas racistas…
— Impressionante… para alguém como você.
Ele sorria.
Seguia em frente.
Foi um amigo que acreditou nele de verdade.
— Draven, você tem muito talento e conhecimento. — disse certa vez. — Por que você não vira professor? Posso conseguir uma vaga para você!
Com indicação e muito esforço, Draven conseguiu a vaga como professor auxiliar.
E ele era bom.
As aulas lotavam.
Ele falava dos dinossauros como se fossem mitos vivos.
Paixão pura.
Draven se apaixonava cada vez mais por seu trabalho.
Mas o sucesso incomodava outros professores.
Alguns colegas não escondiam.
Comentários aumentaram.
— Ele só está aqui por cota.
— A faculdade está querendo parecer inclusiva.
Ele continuava dando aula.
Mas algo dentro dele acumulava.
Até aquele dia.
Ao fim da tarde.
Ele estava saindo quando ouviu gritos no estacionamento.
Seu irmão mais novo, Lucian, estava no chão.
Um aluno o empurrava, xingando.
— Fica no seu lugar, seu imundo, sua sorte que seu irmão protege você! — falavam enquanto chutavam Lucian no chão. — Seu tipinho me dá até nojo.
Draven chega e puxa o garoto pelo braço.
— O que você pensa que está fazendo? — Ele aperta o braço do garoto com força.
O aluno riu.
Empurrou Draven.
E então o soco veio, seco e direto.
O garoto caiu com um dente quebrado e a boca ensanguentada.
Mas não estavam sozinhos.
Celulares e câmeras erguidos.
Gravações.
Narrativas distorcidas.
“Professor agride aluno sem motivo.”
No dia seguinte, o vídeo estava espalhado.
Ninguém quis ouvir o contexto.
Ninguém quis saber do irmão ou o motivo por trás de tudo.
— A instituição não compactua com violência.
Demissão.
Sem chance de defesa, justificativa ou qualquer coisa.
— Eu falei diretor, que esse tipo de gente é perigoso.
Ele saiu carregando uma caixa com seus livros.
Fósseis miniatura, anotações, diploma, pesquisas.
No estacionamento, o irmão o esperava.
— Eu sinto muito…
Draven forçou um sorriso.
— Não foi sua culpa. — Ele põe a mão sobre a cabeça de Lucian. — Eu acabei agindo sem pensar.
Com o tempo.
Contas acumulando.
Portas fechadas.
Currículos ignorados.
O nome dele começou a vir acompanhado de “problemático”.
Draven acaba caindo na dependência do álcool.
À beira de uma ponte, com a mente vazia, antes de dar o último passo.
Foi quando a proposta apareceu.
— Vida complicada, amigo? — Um homem misterioso aparece do escuro.
— O que você quer aqui?
— Seu físico me surpreendeu, por que, no lugar de desperdiçar se jogando dessa ponte, você não vem aproveitar ele e fazer um dinheiro comigo?
A proposta parecia a solução para os problemas.
— Como isso vai funcionar?
Ele é levado para uma arena de luta clandestina.
Seu nome já estava na lista.
Primeiro round, levou diversos golpes, mas conseguiu se manter firme.
Enquanto descansava, olhava as lutas ao redor.
Aquele mundo era diferente.
Era o mundo que o condenou e acabou com sua carreira de professor.
Hoje, surge como a última carta na mesa.
Segundo round, entendeu os movimentos do inimigo.
Analisou.
Tenta replicar.
O mesmo golpe, porém com uma força monstruosa, quebra as costelas do adversário que cai no chão inconsciente.
O grande professor dos dinossauros.
Se torna o demônio negro das arenas.
Vitórias e mais vitórias consecutivas.
O dinheiro vinha como água.
Quando, após mais uma luta, uma nova proposta surge.
Um homem de terno rosa chega à arena.
— Eu tenho que lutar contra esse branquelo? — Draven debocha e ri.
— Tenho um desafio a você… — Ele tira o blazer com um sorriso. — Se eu ganhar, você vai trabalhar para mim.
— Você acha que pode ganhar?
O homem permanece em silêncio com um sorriso no rosto.
Draven se irrita.
Avança com força total, com a intenção de finalizar a luta rápido.
Com um simples movimento.
O homem gira o punho de Draven e faz o voar de cabeça para baixo ao ar.
— É sério que você é fácil assim?
Draven caiu ao chão e rapidamente se levantou.
— Seu desgra…
O homem aperta seu rosto e o atira ao chão novamente.
Cuspindo sangue, Draven se levanta novamente.
— Até que você é durão, estou surpreso!
Draven ataca novamente.
E mais uma vez vai ao chão.
De novo, e de novo, e de novo.
Todos estavam assustados ao redor.
O invencível demônio negro das arenas estava sendo humilhado por um homem desconhecido.
Ele segura Draven pelo pescoço.
— Você realmente vale a pena, encontro com você daqui a 3 dias para seu novo trabalho! — Ele gargalha.
E, pela última vez, joga Draven ao chão, mas dessa vez ele não levanta.
Três dias se passam.
Ele aparece no local combinado.
— Que bom que veio, seja bem-vindo à Ordem!
— Que trabalho você quer que eu faça?
O homem sorri.
Draven se torna um dos principais e mais fortes.
Entre os peões.
Roubos, golpes, lutas, guerras e tráfico.
Ele se torna o tanque de guerra para os crimes.
No presente.
Fumaça.
Destroços.
Draven está no chão.
O corpo está parcialmente queimado.
Respiração fraca.
Ossos expostos.
Katsu cai de joelhos.
A espada ainda quente e fumegando.
Yara sentada no chão, lábios ressecados, respiração controlada.
Rivna mal consegue ficar em pé.
Silêncio pesado.
Do outro lado…
Jasmim observa irritada.
“Aquele garoto da espada, desde quando ele podia fazer aquilo?” — Ela relembra Katsu estragando tudo.
— Não era para ele estar ali, não era para meu plano dar errado, ele era fraco!
Ela olha para Katsu.
— Por que esse leão despertou justo agora?
Rays limpa o sangue do rosto.
Lance caminha lentamente até o grupo.
Eles se reúnem, exaustos, feridos e cansados.
— Acabou. — Yara sussurra.
Draven está no chão imóvel.
Jasmim não conseguia mover um músculo.
— Todos estão de parabéns, nosso grupo é realmente forte! — Rays fala com um sorriso.
Lance ativa o comunicador.
— Precisamos de suporte imediato. Área comprometida. Dois alvos de alto risco.
Na prisão, James escutou pelo comunicador.
— Eles conseguiram? — Ele dá um leve sorriso enquanto os presos são levados para as celas. — Acho que conseguimos um bom grupo de jovens agora!
A prisão estava com diversos destroços, mas a luta já havia acabado.
Ainda no campo da mansão.
O chão começa a vibrar levemente e Jasmim percebe.
— É sério que você foi derrotada por crianças, Jasmim? — Um homem de roupas pretas e rosto enfaixado caminha lentamente em meio ao grupo. — Você já foi melhor que isso.
Todos congelam.
A pressão no ar muda.
A sensação de que um movimento errado poderia custar a vida.
— Isso é uma vergonha para a Ordem, vamos ter uma boa conversa.
Ele se aproxima de Jasmim e a coloca no ombro.
— Quem é o garoto da gravidade? Para eu não perder tempo!
Ela aponta para Lance.
Ele se vira lentamente e olha para o garoto.
— Esses olhos vermelhos… Shelford?
Lance treme as mãos e engole seco após ouvir seu sobrenome.
— Entendi agora! — O homem aparece na frente de Lance.
Ele acerta um golpe em seu pescoço e também o coloca no ombro.
— Se vocês têm amor à vida, acho melhor nem se mexer! — Lentamente, ele sai caminhando.
Todos ficam paralisados.
Rivna, com as mãos escondidas, consegue mandar uma mensagem para Jasmes sobre Lance ter sido capturado.
“Lance precisa de ajuda, foi capturado!”
Porém, tudo ainda estava sendo transmitido, e Arthur, que estava sentado no sofá de sua casa, vê tudo.
Com os olhos arregalados e paralisados.
Ele aperta seu copo ao ponto de quebrar.
— Aquele cara, por acaso, não tem medo de morrer?
Uma enorme pressão é formada, criando diversos cortes pela casa.
Arthur liga para James.
— Eu sei que vocês têm a localização dele pelo cordão da Nexus! Apenas me passe agora!
James sente um arrepio após ouvir Arthur com um tom de voz ameaçador.
— Nós podemos cuidar disso, bas…
— Não me faça repetir, James!
— Certo…
“Acho que não o escuto assim desde aquela época…” — James envia a localização de Lance para Arthur.
— Dessa vez eu vou chegar a tempo! — Ele estala o pescoço enquanto olha para o celular e sai pela porta de casa.

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