Eles voltaram a caminhar em direção à grande Torre de prata, Luke estava com o radar de sangue em mãos. Era um pequeno dispositivo com uma tela redonda que possuía um ponto vermelho no centro e uma linha que girava em volta dele.

    “O que é isso, Luke? Ganhou um item novo?” perguntou Sam, olhando com curiosidade para o objeto.

    “Sim, pelo visto, é um radar que rastreia sangue, acho que o Kevin tem um desses também.”

    Sam olhou intrigada:

    “Uh, isso pode ser bem útil, vamos ver…”

    Ela invocou uma faca prateada bem semelhante à presa negra e fez um corte superficial bem na ponta do dedo, e algo aconteceu…

    … O radar começou a piscar, e uma linha vermelha se formou de dentro da sua tela até a ponta do dedo ensanguentado de Sam. A linha tinha a cor bem forte e era grossa, porém era fluida e se movimentava como sangue.

    Luke deu alguns passos para trás e se afastou de Sam, conforme ele se afastava, a linha ficava mais fina.

    ‘entendi, quanto mais longe eu estiver da fonte do sangue, mais fina e mais fraca a linha vermelha é.’

    Sam franziu o cenho.

    “Você está vendo alguma coisa, Luke?”

    Luke olhou para ela, confuso.

    “Você não consegue ver? Tem uma linha vermelha que conecta você com o radar.”

    “Eu não vi nadinha.” respondeu.

    ‘Legal…’

    ***

    Eles estavam quase chegando na torre, Luke estava até agora pensando na sua recente luta contra a pantera-radar. Ele sabia que tinha ficado mais forte, mas não que seria capaz de matar um daqueles monstros sozinho. Afinal, se não fosse por Elliot, Luke teria morrido no primeiro dia em Automatuz por uma daquelas bestas, sua evolução em uma dúzia de dias foi notável.

    Mas ele também se dedicou muito, e estudou muito. Luke aprendia tudo muito rápido, não era de se impressionar que ele tenha conseguido copiar o movimento que Elliot usara para matar aquela pantera. Obviamente, o movimento de Elliot era impecável, ele tinha mais força, era mais veloz, mais preciso. Mas Luke conseguiu se virar de forma decente.

    Dando alguns passos mais para frente, em direção a Sean, Luke cutucou o homem.

    “Ei, você queria me dizer algo, o que era?”

    Sean se virou para ele enquanto caminhava.

    “Garoto, quem lhe ensinou sobre o rai?”

    Luke fez uma expressão de dúvida e respondeu:

    “Os autômatos do hotel, aqueles da ala de aprendizado. E um cara de Dravion me deu umas dicas também.”

    Uma expressão de surpresa tomou o rosto de Sean, ele ficou em silêncio por alguns segundos e disse:

    “Há quanto tempo você foi abduzido?”

    “Doze dias.” respondeu, ainda com uma expressão neutra e levemente confusa em seu rosto.

    Enquanto isso, a expressão de surpresa não saia do rosto de Sean.

    “Impressionante, geralmente as pessoas levam em torno de um mês para conseguir emanar o rai, e um pouco mais para utilizar o fluxo. Sua concentração de rai é gigantesca, uma raridade.”

    Nicollo também entrou na conversa.

    “Não é? Esses novatos estão cada vez mais absurdos.”

    Luke franziu o cenho.

    “Do que vocês estão falando?”

    Kevin estava acompanhando a conversa, mas sem dizer nada, quando Luke perguntou, ele suspirou e disse:

    “Eles estão falando sobre sua concentração de rai, Luke. A gente ainda não consegue sentir com tanta precisão quanto eles, mas tanto eu, quanto Sam e Clara já notamos que você tem uma concentração absurda de rai, e você também é o único de nós que consegue manifestar ele e utilizar o fluxo.”

    “Não sei como ele consegue, acho difícil pra caramba usar isso.” acrescentou Sam.

    Sean sorriu.

    “Você tem um grande potencial, garoto. Mas precisa de um mestre.”

    Luke estava olhando para baixo e mexendo seus dedos, ele parecia estar um pouco nervoso, muitas pessoas falando dele…

    “A-ah, sim, obrigado…”

    Com o tempo, eles continuaram a caminhada e Luke ficou um pouco para trás, junto de Clara. Ele estava constantemente olhando para as montanhas, estralando seus dedos e piscando muito seus olhos.

    Clara lançou um olhar amigável para ele.

    “Sinto falta do sol…”

    Luke demorou um pouco para perceber que Clara estava falando com ele, então se virou para ela e disse:

    “Ah… é, em Vaynes tem um sol, quando chegarmos lá, você vai poder ver ele.”

    “Mas vai demorar tanto, é o terceiro planeta, não é?” respondeu.

    “Sim, mas talvez a gente consiga chegar rápido, quem sabe?”

    Ele sabia que chegar rápido em Vaynes não era tão possível assim, ir de um planeta para o outro é um processo que leva muito tempo. Luke sabia que eles iriam demorar até mesmo para chegar em Dravion, mesmo com o suposto plano de Damian.

    Clara assentiu silenciosamente, e disse:

    “Bom, mesmo assim, acho que sinto falta do sol da terra, da praia, de tomar sorvete, caminhar de manhã…”

    Luke demorou alguns segundos para responder:

    “Bom, você pode tomar sorvete ainda, é só pedir na praça de alimentação, eu sempre tomo.”

    Clara sorriu.

    “Haha, eu notei, você tem alguma sorveteria específica para me recomendar?”

    “Avalanches, é uma sorveteria que também vende lanches. Se eu fosse você, eu pediria o de baunilha.” Luke respondeu enquanto olhava para a garota, mas logo desviou o olhar.

    “Baunilha? Haha, quem gosta de baunilha? Esse sabor nem tem graça.” disse Clara.

    Luke respondeu enquanto olhava para frente:

    “Bem, é o único que eu gosto, quem sabe seu paladar não tenha mudado devido às alterações no nosso corpo?”

    “Bom, eu vou experimentar quando eu tiver chance, mas eu gosto mesmo é de sorvete de menta.”

    Luke fez uma careta:

    “Credo…”

    ***

    Eles finalmente chegaram na torre de prata, era uma estrutura imensa que se estendia por alguns longos metros para cima, aos arredores, era possível ver cabanas, galpões e abrigos improvisados completamente abandonados e destruídos.

    Alguns redbats também podiam ser vistos descansando de ponta-cabeça nas vigas horizontais da torre, eram pequenos robôs que se assemelhavam aos morcegos, porém, eles tinham o tamanho de uma bola de futebol.

    Sean – que estava na frente de todos – analisou o ambiente e se virou para trás, falando baixinho:

    “Não destruam o núcleo deles.”

    Todos assentiram, Nicollo e Zaina se posicionaram ao lado de Sean, o rapaz sinalizou para Zaina, de repente, ela invocou duas presas prateadas – a mesma faca que Sam utilizou para cortar seu próprio dedo – e lançou as duas para o ar.

    Nicolo estendeu seu único braço em direção às adagas e se concentrou, enquanto elas ainda estavam girando no ar, ele começou a mover seu braço e girar sua mão na direção de uma das vigas em que os redbats estavam dormindo.

    Imediatamente, as adagas fizeram uma curva e começaram a ir na direção dos morcegos em alta velocidade. Elas giravam como hélices, se pareciam com dois discos prateados voando, e sem nem tempo de reação, elas passaram entre as pequenas criaturas, cortando a metade de seus corpos, deixando os núcleos intactos e os fazendo cair no chão.

    Luke e seus amigos olharam com surpresa para o que acabou de acontecer, principalmente Luke, afinal, era a primeira vez que ele realmente pôde ver de perto.

    ‘Magia…’

    Aí estava algo raro de se conseguir, era possível obter alguns feitiços diferentes se o indivíduo tivesse sorte ao abater algumas criaturas, mas a chance era bem baixa.

    Em Automatuz não havia tantas magias conhecidas, e era difícil encontrar um habitante que tivesse uma. Normalmente, o mais próximo de magia que todos conseguiam utilizar era o rai, que na verdade, era só uma “energia”.

    Nicollo e Zaina conseguiram derrubar quatro redbats neste ataque. O barulho de seus corpos metálicos sendo cortados foi o suficiente para chamar a atenção de outros que estavam dormindo perto deles, e de criaturas terrestres que estavam por perto.

    “Nós vamos pegar os morceguinhos, vocês cuidam dos inimigos terrestres.” disse Sean para Luke, Sam, Clara e Kevin.

    Luke assentiu, Kevin e Sam também pareciam animados, afinal, era raro um grupo deixar os novatos ficarem à vontade para lutar, Clara não gostava muito de combates.

    Luke invocou a serpente de prata, a mesma espada que usou para matar a pantera. Kevin invocou duas presas negras, Sam ergueu o braço para o lado e invocou um grande espadão negro que se assemelhava com uma enorme garra, e Clara invocou uma espécie de pistola branca com detalhes em azul.

    Essa pistola era bem rara de se conseguir, mas Clara tinha muita sorte.

    Todos eles ajustaram suas posturas e focaram em seus próprios inimigos para enfrentar, era hora de fazer por merecer os setenta salis.

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