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    — Aceitar esse conselho ou não, não seria suficiente — disse Vinigo depois de ouvir. — Meus irmãos não irão desistir ao chegar até aqui, como pode observar. Eles acreditam que podem domar sua cidade a força.

    Silver rapidamente apontou o dedo para Vinigo. Dante achou engraçado, era como ver Meliah e Degol antigamente se xingando no meio de algo importante.

    — Por que disse isso tudo pra ela? Nos deixar exposto não vai adiantar em nada. Precisamos derrubá-la, assim vamos conseguir o que viemos pegar.

    — Acha mesmo isso? — O rosto indiferente de Vinigo nem ondulou com a pressão rápida do irmão. — Não vamos ganhar uma luta sem derramar sangue. Eu avisei quando saímos de casa: vir até aqui seria arriscado.

    — E como vamos voltar para casa? — Micaela chegou mais perto. — Por que apontou aquelas armas para os soldados?

    — Porque eles são homens do conselho. Vieram aqui sem nos pedir permissão mesmo nós três filhos de Atechi. — Os três soldados ainda mantinham a mão nas espadas, mas não arriscaram tirar. — Eles vieram entender o que tem desse lado e repassar o mais importante. A fraqueza deles.

    — E acha isso ruim?

    A resposta partiu de Dante.

    — Pior impossível. — Ainda sentado ao lado de Jix, ele manteve a postura descontraída. — Por mais que tivessem conseguido chegar perto da Cuba, seriam derrubados por… talvez cinco maneiras diferentes.

    — Está nos subestimando? — A voz de Silver, o filho mais velho, era de longe a mais irritante. — Nós treinamos nossas habilidades para destroçar qualquer um que fique no caminho dos Novae.

    — Por isso perderiam. Acham que o mundo é pequeno, mas limitado ao que seus olhos conseguem enxergar. Perderiam e morreriam, sem ao menos terem a chance de voltarem para alertar esse tal de Atechi.

    Clara e Jix concordaram. Vinigo achou intrigante a confiança nas palavras dele.

    — Dante, não é? — Ele deu mais alguns passos adiante. — Eu vi quando retornou por um portal. Uma entrada e tanto.

    — Não foi minha primeira vez, sendo sincero. Já me acostumei com isso. — Mais do que gostaria, na verdade.

    — Vi também que sua habilidade se foi quando passou para uma jovem garota que utiliza os raios.

    — Parece que sua visão funciona. — Dante deu uma risada. — Eu estou em perfeitas condições. Consigo duelar ou batalhar, na medida que meu inimigo vier, e consigo cortar a cabeça de qualquer um que se diga suficiente para colocar Clara em perigo. — Ele levantou a mão. Apontou para um, depois para o segundo e fez isso até terminar em Vinigo. — Levaria vinte segundos, pelo menos.

    Por mais que tentasse ocultar que suas habilidades voltaram, a maneira como eles se portavam era de longe suficiente para derrotá-lo. A postura, a maneira que se comportavam, a preocupação por estarem em um ambiente novo.

    Tudo era motivo para ficarem aflitos. Um inimigo aflito era vulnerável.

    — Quer vir aqui e mostrar isso então? — Silver continuou latindo. — Se eu chutar sua bunda de volta, então posso dizer que acertei um ponto fraco desse lugar. Kappz é só um lixo travado que cheira a merda sempre que venta.

    — O vento vem da sua casa, por isso fico impressionado que esteja afirmando que não consegue limpar a própria bunda direito. Kappz é um lixo, e está aqui pedindo ajuda. Isso te torna o quê? Uma daquelas moscas que gosta de ficar comendo merda? — Dante abanou a mão. — E eu não preciso nem me mexer pra poder te derrotar. Está tempo suficiente parado em um lugar na cidade, na nossa cidade.

    Clara concordou.

    — Tempo necessário para que muita gente venha assistir.

    Vinigo entendeu o recado na hora. Micaela o viu levar a cabeça para os prédios ao redor. Em cima, das janelas, pessoas começaram a aparecer. Algumas sentavam nos parapeitos quebrados, outras escoradas nas paredes e pedras soltas.

    Algumas penduradas nas vigas, de cabeça pra baixo. Até havia um tipo de criatura diferente, feito de raízes, olhando para eles, no que parecia ser arbustos ambulantes. Eram dezenas deles, todos prontos.

    — Conheceu boa parte deles quando esteve na Cuba, Vinigo — disse Clara. — Esses homens e mulheres são a muralha de Cuba hoje. Eles estão aqui porque ameaçaram pegar o que é nosso, o que nós conquistamos. Entende agora?

    Era uma visão única. Dante se sentiu inspirado.

    Marcus tinha sua carabina apontada, o dedo fora do gatilho, mas aguardando. Heian tinha se colocado bem no prédio ao lado de Clara, a aura exalando pronta para disparar para frente. Duna, Arsena, Magrot, os três lado a lado. Depois da derrota no Hospital, eles passaram bom tempo preparando-se para uma batalha.

    Meliah e Degol, dois irmãos que juraram defender Clara a qualquer custo. Juno com Veronica sincronizada. Dinamite e vários dos seus colegas parados esperado por uma encrenca quente. Vários dos guerreiros vindo da Zona Cega, de Kalish, que tomaram Cuba como sua casa. Leonardo e Gerhman tinham tomado o chão, parando bem abaixo de Clara, ficando aposto.

    Havia outros que Dante tinha conhecido fazia pouco tempo, e claro, os irmãos de Rupestre. Sugadores que tinham se escondido por muito tempo, mas prestes a duelar se necessário.

    — Essa é a definição de força — concluiu Jix. — Palavras não são nada se não forem realizadas, garotos. Querem lutar e morrer por uma causa? Ótimo, escolham qualquer um ao seu redor e sejam felizes do outro lado.

    — Não há necessidade de um duelo — disse Vinigo, levantando a mão. — Eu entendi o recado.

    — O quê? — Silver girou, irado. — O que acha que está fazendo? Se voltarmos para o pai sem nada, ele vai mandar nos decapitar. Precisamos… de alguma coisa. Sabe disso melhor do que ninguém.

    — Sei bem do que nosso pai é capaz. Mas o homem naquele trono não é o pai. — Vinigo olhou para Clara mais uma vez. — Quando eu solicitei o casamento, você não aceitou. Não era por que você não queria, não é? Já está comprometida.

    Ela deu uma risada de lado, concordando.

    — Sou casada com essa cidade faz muito tempo. E essas pessoas todas são padrinhos e madrinhas.

    Dante negou na hora.

    — Não sou padrinho de ninguém.

    — Você é o marido — gritou Dinamite do outro lado, gargalhando. — Clara é a esposa e você é o marido.

    Juno deu uma risada e Arsena completou. Todos começaram a rir. Até Jix.

    — Ele tem razão — disse o velho para Dante. — Se Clara é a esposa. Você é o marido.

    O único parado sem sorrir era Vinigo. Ele observava Clara e Dante, ambos sorrindo um pro outro. Então, o alicerce da Cuba não era somente um. Ele percorreu todas aquelas pessoas.

    São todos eles, um pouco de cada vez.

    — Se você é o marido, então somos casados — brincou Clara. — Gostaria da minha aliança, hein.

    — Não faço ideia do que esteja falando. — O biquinho de Dante fez mais risadas ecoarem.

    Esse era o tipo de cidade que Cuba era. Um lugar cheio de vida mesmo nas crises. Um lugar onde confiar no outro era necessário.

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