Índice de Capítulo

    — Sim, estou apenas caminhando pela cidade e tentando encontrar a Beare em algum lugar. — Charlotte caminhava confiante ao lado de Jeremiah. — E você, o que estava fazendo antes de me encontrar?

    — Aquela espada que você me deu, alguém quebrou ela no meio lutando comigo e eu tentei encontrar alguma coisa pra substituir, mas… levei um golpe e não sobrou nada.

    — Hmmm, a cidade está tendo problemas recentemente com golpistas, mas não conseguem rastreá-los apropriadamente. Inclusive, o rei colocou uma recompensa sobre a cabeça de algumas dessas pessoas.

    — Se eu ver aquele barbudo maldito de novo, vai devolver meu dinheiro de um jeito ou de outro. Quero essa recompensa pra mim.

    Jeremiah continuava irritado pelo dinheiro que perdeu para no fim só ganhar um pedaço de argila. Sua suposta boa intuição para negócios não era tão boa assim. Ele pensou em pedir algo, mas nem teve tempo, foi Charlotte quem puxou o assunto casualmente.

    — Te consigo uma espada nova, sem problemas. — Ela passou a mão nos longos cabelos dourados. — Você merece por ter tido coragem de vir até aqui para ver Raman e eu.

    — Muito obrigado! — Jeremiah ficou tão sorridente que Charlotte se sentiu mais feliz.

    Capital de Raptra, Rigel, 03/05/029, às 12:32.

    Verion batia à porta de uma casa luxuosa, aguardando alguma resposta enquanto o restante do grupo esperava algo acontecer. Estavam todos, Jon, Elemenope, Jean e Lyria logo atrás dele, alguns degraus abaixo na entrada.

    — Boa tarde, tá aí? — perguntou Verion, alto e incisivo.

    O silêncio pesou por alguns segundos, quebrado por passos que se aproximavam. O estalo da tranca e o ranger da maçaneta prendeu ainda mais a atenção do grupo. Quando a porta se abriu, uma figura se revelou, tendo no rosto uma expressão que qualquer palavra além de rude seria insuficiente para descrever.

    A mulher de cabelos castanhos semicerrou o olhar e encarou todos como se quisesse que sumissem da frente de sua casa o quanto antes.

    — Como você me achou, Verion?

    — Foi fácil, você é bem conhecida por causa da guerra de anos atrás. — Coçou a nuca, tentando fingir estar descontraído. — Só perguntei por aí onde estava a Mirya Velgo.

    — Ela é sua mãe? — Lyria prestou atenção na aparência dela e recebeu um olhar péssimo que a fez desviar o olhar.

    — Sim.

    — Me diz logo o que você quer aqui e vá embora antes que eu te faça ir.

    Mirya estendeu a mão para frente e uma onda de frio se expandiu pela área, gerando cristais de gelo pelo solo ao redor de todos. Tornou-se difícil de respirar, o ar gélido deixou isso desconfortável.

    — Dinheiro, preciso de dinheiro pra pagar ele, o guia que me trouxe até Raptra… — Verion apontou para Jon.

    — Olha só, o ex-capitão Jon Vesiz… — Exibiu um sorriso cínico e deu um passo adiante. — É engraçado pensar que aquela criança chorona que conheci pouco tempo após a guerra virou um capitão da Guarda Real de Raptra… e ainda conseguiu perder o cargo que tinha…

    — Não vim aqui para falar da minha vida com você, nem ouvir sua conversa fiada. — A expressão de Jon ficou fechada. — Você abandonou seu país e foi viver na nação de Quilionodora, então não acho que tenha toda essa moral para julgar o que fiz ou deixei de fazer nos últimos anos. Quem fugiu de suas responsabilidades com nosso povo foi você. Estive aqui o tempo inteiro, destruí tudo que tinha e que eu era desmantelando meu Roha para salvar vidas ao ponto de ter sequelas irreversíveis… Enquanto isso, você vivia sua vidinha de casal no campo sem se importar com os que deixou para trás. Todos tratavam você como um exemplo a ser seguido por ter tido coragem de ir a uma guerra que nem era sua e lutar ao lado do país de Quilionodora contra Etinova. Pensávamos que era alguém que faria de tudo pela vida e pela justiça, mas desprezou tudo que esse país era, nos chamou de fracos antes de ir embora daqui!

    — Quantos sentimentos fortes, né? — Ela formou uma espada de gelo e apontou para o rosto dele. — Você tinha apenas 11 anos quando fui embora desse maldito lugar, que surpreendente é eu ter sido tão memorável para você ao ponto de me odiar ainda hoje. Não retiro nenhuma palavra do que disse no dia em que fui embora e abandonei esse lugar. Depois de conhecer o exército de Quilionodora e entender como eles eram superiores em comparação com o nosso… Era impossível não chamar gente da sua laia de lixo.

    Mirya avançou para um golpe contra o guia, mas sua lâmina foi parada, interceptada por Lyria. A figura de tinta formou sua foice e estraçalhou a espada de gelo com um único golpe. Não tinha como ser difícil, o ataque de Mirya não era sério e fatal como ela poderia fazer ser.

    — Não vai tocar nele… — Lyria disse em um tom protetor, deixando claro que estava disposta a lutar se necessário.

    Jon estranhou aquela atitude vindo dela, acreditava que ela o odiaria pela forma que a tratou nos últimos dias. O guia em seguida respirou fundo e tentou manter a calma.

    — Só me dá logo o dinheiro, seu filho me fez vir até aqui com ele por um caminho muito longo e complicado. Dá meu dinheiro e a gente some da sua frente de uma vez.

    — Certo, certo… também tenho mais o que fazer além de bater palma pra maluco dançar.

    Ela deu as costas para eles e voltou para dentro de casa. Escutaram o som de algo se fragmentando e perceberam que a foice de Lyria estava completamente congelada e se desmontando.

    — Que assustador, quando que ela fez isso? — Jean sentiu um arrepio estranho em notar que ela provavelmente poderia matá-lo em um piscar de olhos.

    — Ela até que é fortinha pelo jeito… — Elemenope disse sem muito interesse.

    Alguns minutos depois, Jon recebeu uma grande maleta repleta de dinheiro, muito mais do que precisaria. O excesso que veio junto foi por Mirya querer mostrar que era rica, diferente dele.

    O grupo seguiu por uma rua menos movimentada.

    — Verion, você não sente raiva de ser tratado assim pela sua mãe? — Pela primeira vez em dias a voz de Jon pareceu mais leve ao falar com ele.

    — Sinceramente, me machuca um pouquinho tudo que ela fez, mas acho que não consigo sentir raiva mesmo, só um pouco de tristeza. — Manteve o ritmo da caminhada sem olhar para trás. — Poder ser complicado dizer isso, mas acredito que ela tenha seus motivos pra ter abandonado eu e a minha irmã, e ainda estar nesse lugar aqui. Não tenho tempo pra pensar nessas coisas agora, é melhor eu só seguir com a minha vida.

    — …Tudo bem. — Jon colocou as mãos contra o rosto por um momento antes de parar de andar junto deles. — Preciso fazer uma coisa agora. Se por algum motivo quiserem me encontrar, vou estar no Parque Central de Rigel no fim da tarde.

    — Ok, nos vemos mais tarde — Verion respondeu em tom amigável, apesar da situação pesada.

    Seguiram caminhando pela cidade, Elemenope um pouco perdida porque sentia que deveria ter seguido Jon. Ela era nova no grupo e não tinha certeza se iriam querer ela com eles.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota