Capítulo 14 - Pawell
Após um breve momento de descanso, todos estavam prontos para se retirar da torre de prata. Pode-se dizer que a missão foi um sucesso, cada um havia derrotado pelo menos sete criaturas. Luke conseguiu cinquenta salis extras pelo desafio aleatório e um radar de sangue. Infelizmente ele não conseguiu nenhum outro item, afinal, não era tão simples assim.
Por outro lado, Clara possuía uma sorte absurda nesse quesito, a quantidade de itens que ela havia conquistado nesses poucos dias era enorme, conseguiu até mesmo uma pistola de plasma, uma arma bem rara e com chances baixíssimas de conquista. Ela poderia facilmente vendê-la por pelo menos quinhentos salis, armas de longa distância eram extremamente valorizadas, além disso, a munição dela era infinita. Porém, cada disparo demorava um certo tempo para recarregar.
Clara optou por não vendê-lo, ela não tinha tanta habilidade em combates corpo a corpo, se sentia mais segura atacando de longe.
Ela pediu para Sam treiná-la, já que Sam era bem forte e parecia ter uma certa experiência com combate antes mesmo de ser abduzida, mas Clara logo desistiu, os combates de perto não eram pra ela.
…
Luke ficou um pouco para trás enquanto todos estavam indo embora da torre, ele estava checando o local na tentativa de encontrar algo interessante. E pelo visto, ele conseguiu…
Algo brilhava no solo, era pequeno, estava um pouco soterrado. Luke franziu o cenho e foi checar.
‘O que é isso?’
O pequeno objeto possuía uma ponta que estava fora do solo, Luke tentou pegar com a mão, mas a maior parte do item estava soterrado, e o solo era duro.
Parecia estar lá a muito tempo…
Então ele conjurou a presa negra e utilizou sua lâmina para cavar e soltar o objeto soterrado. Ele passou a lâmina nas crostas de sujeira do pequeno item e terminou de limpá-lo esfregando-o em seu traje.
Era um pequeno objeto de prata, possuía oito pontas, era como um sol, e em seu centro havia uma parte recortada que se assemelhava à uma lua crescente, o objeto era bem simples, Luke se decepcionou um pouco, esperava encontrar algo raro, não uma coisa tão comum.
Afinal, quem não reconheceria o símbolo do exército radiante? Era só um broche.
Ele ouviu passos lentos e sutis atrás dele, logo em seguida, uma voz calma e grave:
“Você encontrou uma coisa rara, menino.” era a voz de Sean.
Luke se virou para ele, olhou para o broche e depois olhou para Sean novamente, com uma expressão confusa em seu rosto.
“Raro? Isso é só o símbolo do exército radiante, esses caras estão em todo lugar.”
Sean olhou o objeto por alguns segundos, depois disse com calma:
“Este é um broche bem raro, a torre de prata foi uma das primeiras bases que Ivanov usou no início de seu império, apenas membros importantes do exército ou pessoas próximas à ele tinham essas coisas.”
Luke pensou por um tempo, se isso realmente fosse verdade, significa que…
“Eu posso vender isso bem caro então…”
Sean riu.
“Eu lhe aconselho a guardar isso, pode ser útil no futuro.”
Luke assentiu, ele tinha razão, ter algo tão raro em mãos poderia ser muito benéfico, era melhor deixar guardado e esperar até que fosse verdadeiramente útil.
Analisando melhor o objeto, Luke notou algumas manchas escuras em sua superfície, ele pensou que era apenas sujeira, mas não, não era só isso, era sangue seco. Ele franziu o cenho e notou que havia algo entalhado debaixo do sangue, se parecia com um nome.
Ele utilizou a lâmina da presa negra para raspar o sangue seco, que revelou o nome entalhado no broche.
‘Pierro H. Conrad…’
Ele mostrou o nome para Sean, esperando que o homem reconhecesse o nome.
“Nunca ouvi falar…” respondeu.
Luke deu mais uma olhada no objeto e deu de ombros, o guardou em uma bolsa e se levantou.
“Enfim, vamos?” disse.
Sean assentiu.
“Vamos.”
E os dois alcançaram o grupo novamente, seguindo sua caminhada de volta para a cidade.
***
Por sorte, eles conseguiram chegar em segurança antes da corrolune. Ainda restavam pelo menos duas horas de puranoite quando chegaram na cidade, a caminhada de volta foi tranquila, não houve desafios aleatórios, não apareceram tantas criaturas e nenhuma outra grande ameaça.
Sean não os levou para a C.A.E, ele os levou até a casa de Pawell, que ficava na ala sul da cidade, um lugar invejável de certa forma, apenas pessoas que possuíam um bom patrimônio conseguiam comprar uma casa naquele lugar.
Humanos poderosos certamente poderiam tentar destruir as casas ou tomá-las para si, mas a segurança e organização de Automata era muito boa, existiam androides de elite que ficavam encarregados de lidar com baderneiros. Esses androides eram chamados de Vigilantes.
Essas criaturas espreitavam a cidade de cima dos edifícios mais altos, Luke nunca viu um, mas sabia que se tratava de uma máquina de mais de três metros de altura e altamente armada.
Ou seja, era muito difícil roubar uma casa ou desrespeitar as regras de Automatuz, como este é o primeiro planeta, os “organizadores” mantinham uma rigidez maior com ele.
Porém, os vigilantes só interfiriam em casos de destruição, eles não se importavam se acontecesse um assassinato, roubo ou coisa do tipo. Eles apenas protegiam algumas áreas importantes da cidade de serem destruídas, e nem eram todas as áreas.
…
A ala sul era muito bonita, havia muitas casas grandes e bem cuidadas, hospitais, academias e diversos lugares para suporte. Tudo possuía uma arquitetura futurista, com os edifícios em cores brancas ou neutras.
Havia até mesmo uma espécie de robô redondo e pequeno, que flutuava pelas ruas enquanto soltava um ar úmido, fresco e limpo através de saídas de ar situadas em sua carcaça. Havia vários deles flutuando pelas ruas.
Também havia autômatos armados que marchavam de um lado para o outro, protegendo as ruas.
Era realmente um lugar ótimo para morar…
Depois de uma boa caminhada, Sean os guiou até uma mansão branca, bem grande e imponente, não muito diferente das outras.
Ele tocou a campainha situada em um painel holográfico na porta, e depois de alguns segundos de espera, ela se abriu. Luke esperava que algum homem engravatado e pomposo abriria a porta, mas a pessoa que apareceu era bem diferente do que ele estava imaginando.
Era uma garota, parecia ter sua idade. Tinha cabelos lisos em um tom preto azulado, seus olhos grandes eram de um azul tão claro quanto o céu, e ela utilizava um traje comum por cima de seu corpo atlético. Era sem dúvidas uma pessoa agraciada pela beleza. Luke achou a garota um tanto quanto familiar…
“Pois não?” perguntou a garota, enquanto ainda estava do lado de dentro da casa, com a porta ligeiramente aberta.
Sean se aproximou e se curvou ligeiramente para cumprimentar a garota.
“Pawell está? Nós fizemos uma missão solicitada por ele.”
A menina abriu a boca para responder, mas fora interrompida…
Uma voz masculina e grave se manifestou de dentro da casa, logo em seguida, um homem alto – que aparentava ter cerca de dois metros – e forte surgiu ao lado da garota na porta.
“Opa, Sean! Nicollo, Zaina. Que bom vê-los aqui!”
Ele era pardo, tinha cabelos castanhos e curtos, uma barba volumosa muito bem cuidada, havia uma cicatriz de corte em seu olho esquerdo, seus olhos eram castanhos, utilizava roupas comuns, uma calça preta e uma regata branca.
Nicollo sorriu para o homem que aparecera.
“Eai, Pawell!”
O homem alto sorriu, saiu de dentro de sua casa e foi até o grupo de braços abertos. Cumprimentou Sean e Nicollo com um forte abraço e um aperto de mãos, e beijou a mão de Zaina.
“Deslumbrante como sempre, Lady Zaina.” disse, enquanto sorria para ela.
“Dá próxima vez eu vou dar um soco na sua boca.” Zaina afirmou com expressão séria, mas logo depois sorriu de forma sarcástica. “Se bem que você gostaria, né?”
“É claro.” confirmou Pawell, enquanto sorria de volta.
Ele se virou novamente para o grupo e sinalizou com as mãos para dentro de sua casa.
“Vamos, entrem. A corrolune já está a caminho, vocês podem ficar por aqui até a puranoite chegar.”

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