CAPÍTULO 06 - FLORESTA (1)
Oliver entrou na borda da floresta com o arco nas mãos e a garganta seca. Talruk ia à frente. Grande demais para passar despercebido, mas ainda assim pisava leve, desviando de galhos baixos como se já conhecesse o caminho.
“Senhor Talruk, eu não sei como usar arco e flecha…”
“Não se preocupe, garoto. Nada melhor do que aprender na prática, quando eu der o sinal, você coloca a flecha na corda e puxa, não deve ser difícil”
“Esse cara é estúpido? Ele acha que eu vou conseguir usar arco e flecha de primeira?” pensou Oliver, sem manifestar sua insatisfação.
Eles continuavam seguindo caminho adentro enquanto Talruk dizia.
“Aqui na floresta, se você achar um cervo, pode se considerar sortudo. Eu diria que o mais difícil de caçar, é ter sorte o suficiente pra encontrar uma presa, podem ter dias que você não vai encontrar nada. Também, não vamos muito fundo na floresta, pode ser perigoso, ficamos mais na borda, predadores não costumam se aproximar da parte da floresta que fica perto do vilarejo.”
“Sr. Talruk, que tipo de predadores tem na floresta?”
“Hmm… só ouvi falar em lobos, aqui é uma floresta tranquila, coisas verdadeiramente assustadoras podem habitar florestas maiores, mas não se preocupe com isso, basta subir numa árvore se encontrar lobos, eles não são bons escaladores”
Oliver franziu o cenho enquanto pensava.
“Será que eu sou um bom escalador? Se der azar de ficar no chão junto com o lobo, já era…”
Eles continuaram seguindo mata adentro quando repentinamente a atitude de Talruk mudou. Ele esticou o braço para trás e abriu a palma da mão, num sinal para que Oliver parasse.
Oliver congelou.
Depois de um tempo parados em silêncio, Oliver já podia observar a alma de algum ser vivo na mata à frente, a alma brilhava num tom alaranjado, indicando ansiedade.
Talruk puxou uma azagaia de seu cinto e a arremessou bruscamente em direção ao ser vivo. Um guincho cortou o silêncio. Oliver percebeu a alma se apagando, o que quer que tenha sido esse ser vivo, estava morto.
“Hahaha! Um coelho, foi fácil”
Talruk se aproximou do arbusto em que o coelho havia morrido, pegou a caça pelas orelhas e a levantou orgulhosamente.
“Sr. Talruk, você fez todo o serviço… eu não consegui ajudar em nada…” reclamou Oliver.
“Hmm… verdade… mas não se preocupe garoto, da próxima vez eu conto com você, pode atirar com o arco, mas lembre-se, se não matar com uma flecha, vai ser difícil pegar” explicou o homem.
Eles continuaram seguindo caminho ao redor da floresta, evitando adentrar ainda mais. Segundo Talruk, era perigoso.
O homem havia pendurado o coelho morto em seu cinto, depois de mais algum tempo andando, Oliver percebeu novamente uma alma. Para ele, era simples, as almas brilhavam mesmo através de objetos ou paredes. A floresta era simplesmente uma balada, cheia de cores das almas dos seres vivos, pássaros, insetos, pequenos animais.
Oliver não conseguia ver formatos de alma, ele via uma espécie de ‘esfera’, então não era possível distinguir nada pelo formato da alma. Talruk também percebeu algo, Oliver conseguiu observar, nesse tempo que estavam juntos, que o faro do homem era apurado. Quando ele indicou com um sinal que Oliver se preparasse, Oliver sacou seu arco e preparou uma flecha, eles estavam escondidos, o alvo na sua frente já podia ser visto, era um cervo. Parece que tiraram a sorte grande dessa vez.
Puxando a corda do arco e soltando logo em seguida, a flecha que estava preparada voou em direção ao animal, porém, passou reto por ele, errando e se cravando na árvore.
“merda!” exclamaram Oliver e Talruk em uníssono.
O cervo disparou e desapareceu no mato.
“Caramba moleque, você é muito ruim com arco e flecha!” disse Talruk, sua alma brilhava num tom azul, parecia decepcionado.
Oliver sentiu o rosto esquentar. “CLARO QUE EU SOU! EU FALEI QUE NÃO SEI USAR!” Oliver gritou, ele ficou insatisfeito com o comentário estúpido de seu instrutor.
Talruk levantou as mãos, como quem desarma uma briga.
“Tá bom, tá bom, pode se acalmar. Ainda podemos seguir os rastros do cervo e achar ele de novo. Quando a gente encontrar, pode deixar que eu atiro!” disse Talruk.
Talruk seguiu no caminho que o Cervo havia fugido, procurando rastros. O homem parecia ser um caçador experiente. Em poucos minutos, o cervo apareceu outra vez, parado, pastando sem pressa.
Talruk e Oliver avançaram devagar.
O cervo levantou a cabeça.
Não olhou na direção deles. Olhou para o outro lado.
E correu.
“Que merda tá acontecendo aqui?” perguntou Talruk, esse tipo de comportamento do animal era anormal.
Antes que ele pudesse pensar muito, Oliver viu 8 pontos negros se aproximando em alta velocidade. Antes que pudesse fazer alguma coisa, ele e Talruk ouviram.
“Auuuuuu”
Era um uivo, lobos estavam se aproximando.
“Caramba, Lobos! Garoto, pode subir na árvore!”
Talruk apontou para uma árvore próxima, indicando que Oliver subisse.
Oliver não perdeu tempo e escalou a árvore, para sua surpresa, ele não era um escalador ruim, parecia ter um certo dom para isso também.
“Que merda, logo na minha primeira caçada…” uma miríade de pensamentos se passava em sua cabeça.
Talruk subiu em outra árvore ao lado, com um movimento pesado e eficiente, como se aquele corpo tivesse feito isso a vida inteira.
Sete lobos apareceram entre os arbustos, circulando os troncos. Oliver viu as almas. Preto puro. E, misturado ao preto, um vermelho carmesim fino. Aquela cor preta, Oliver nunca tinha visto antes, mas soube instantaneamente ao ver pela primeira vez.
“Intenção assassina… essas coisas querem realmente nos matar!”
Os sete se moviam em volta, farejando, esperando.
Oliver contou de novo.
“Cadê o oitavo? Eu tenho certeza que eram oito…” pensou enquanto procurava pelos rastros do oitavo lobo.
Infelizmente ele não precisou procurar muito. Quando percebeu um lobo bem diferente, era tarde demais.
Com um movimento rápido, o oitavo lobo saltou na árvore e avançou diretamente no pescoço de Talruk.
O movimento foi tão rápido que não houve reação. O corpo do meio-orc caiu no chão com um baque.
Talruk não teve tempo de gritar.
Ele estava morto.

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