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    As equipes Pimenta e Lâmina enfrentavam bravamente os membros da Ordem do Gelo. No entanto, à medida que a batalha se tornava cada vez mais perigosa, Carter decidiu agir. Ele lançou uma rajada de vento para o alto, que explodiu em uma gigantesca detonação no céu.

    O sinal foi claro. Imediatamente, todos entenderam o que deveriam fazer, reunir-se com suas respectivas equipes e deixar o local o mais rápido possível.

    Assim, a equipe Pimenta seguiu por um caminho, enquanto a equipe Lâmina tomou outra direção. Furiosos com a fuga, os membros da Ordem do Gelo partiram em perseguição, exatamente como a Turma Cinco havia previsto.

    Enquanto corria pelos becos estreitos do Distrito Azul, Carter pegou seu celular flip e enviou uma mensagem para Einar, avisando que o plano havia funcionado e que agora eles poderiam seguir com a próxima etapa: resgatar as garotas.

    — Agora é com vocês… rezo para que tudo dê certo — murmurou Carter, desaparecendo pelas sombras do distrito.

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    Sentado sobre o corpo de um membro recém-morto da Ordem, Einar observava Greg e Sophia lidarem com os dois últimos inimigos. Chen, por sua vez, sentou-se no chão de pernas cruzadas, assistindo à luta com calma.

    — Que azar o deles… acabaram pegando os mais fortes — comentou Chen.

    — Infelizmente. Mas acredito que eles dão conta — respondeu Einar.

    As espadas colidiam freneticamente. Greg suava e já tinha alguns cortes espalhados pelo corpo.

    Preciso acabar com essa luta… agora! gritou mentalmente.

    De repente, Greg parou de atacar e abaixou a arma. O inimigo, porém, continuou avançando com golpes sucessivos. Greg havia percebido algo, quanto mais abaixasse a guarda, mais seus reflexos o ajudariam a desviar e mais previsíveis os ataques se tornariam. Pelo menos, era nisso que ele apostava.

    Swing!

    Um corte em forma de finta veio em direção à sua costela, mas Greg desviou. Outro golpe veio para o peitoral, e ele desviou novamente.

    — Como isso é possível?! — rugiu o membro da Ordem, desferindo vários ataques seguidos, todos esquivados. — Isso não pode ser!!

    O homem então executou um corte vertical, certo de que acertaria. Mas Greg apenas deu um passo para a esquerda, desviando com facilidade, e avançou com um ataque direto no peito do oponente.

    — M-maldito… — murmurou o sujeito antes de cair morto.

    Greg respirava pesadamente, passando o dorso da mão pela testa para limpar o suor.

    — Venci… mas eu não queria ter suado! — resmungou, chutando uma pedra ao lado.

    Foi então que ouviu alguém batendo palmas. Quando se virou…

    — Parabéns — disse Sophia, sorrindo. — Você é lento demais. Hohoho.

    Ela estava com um pé apoiado sobre o corpo do inimigo derrotado.

    Greg não respondeu de imediato. Apenas a observou de cima a baixo e percebeu que ela estava completamente ensanguentada, tanto do inimigo quanto dela mesma, além de estar muito mais suada do que ele, isso o fez rir.

    — O-o que foi?! Do que você está rindo? — perguntou Sophia, caminhando até ele com o rosto irritado.

    Greg continuava rindo enquanto ela começava a dar pequenos socos em seu braço.

    — P-prefiro… haha… m-matar meus oponentes com calma… do que ficar tão sujo quanto você! — disse Greg, entre risadas.

    Sophia ficou vermelha.

    — Ah, seu…!!

    Ela pulou nas costas dele, tentando aplicar um mata-leão.

    Einar e Chen começaram a rir da cena.

    — Apesar de eu não entender muito sobre relacionamentos… eles dariam um ótimo casal — comentou Chen, segurando o riso.

    — Com certeza — concordou Einar, também sorrindo.

    Nesse instante, o telefone de Einar começou a vibrar. Ele pegou o aparelho, leu a mensagem de Carter e seu semblante se animou.

    Levantando-se rapidamente, declarou: — Os desgraçados das equipes Pimenta e Lâmina conseguiram atrair aqueles idiotas para longe. Precisamos ser rápidos e procurar as garotas.

    Chen também se levantou.

    Greg e Sophia pararam de brincar imediatamente, assumindo expressões sérias.

    Agora era hora da caçada.

    Retornando aos corredores do prédio, o grupo passou a vasculhar cada sala e cada passagem com cautela. Portas eram abertas uma a uma, móveis revirados e cantos examinados. Para alívio de todos, nenhum outro inimigo apareceu.

    Foi então que Chen parou no meio do corredor e fechou os olhos. Sua respiração ficou lenta enquanto ela se concentrava em sentir mana ao redor. Um leve fluxo energético, fraco e irregular, atravessava as paredes do prédio. Após alguns segundos, ela abriu os olhos.

    — Elas estão por perto.

    Guiando a equipe pelo corredor estreito, ela os levou até uma pequena porta de madeira reforçada no fim de um dos corredores. Ela estava trancada. Greg avançou primeiro e, com um forte impacto no ombro, arrombou a porta.

    Dentro da pequena sala, a cena fez todos pararem por um instante.

    Aisha, de cabelos e olhos verdes e usando seus característicos óculos, estava ali. Ao lado dela estavam Zoe, da equipe Pimenta, e Maisie, da equipe Bramms. As três estavam amarradas com cordas grossas, com panos presos em suas bocas para impedir que gritassem.

    Seus uniformes estavam rasgados em vários pontos, e hematomas e cortes marcavam seus braços e rostos. Apesar disso, ainda estavam conscientes, embora claramente exaustas.

    Jogadas no chão frio da sala, elas ergueram a cabeça ao ouvir a porta se abrir. Quando reconheceram os rostos de seus colegas, um visível alívio tomou conta de seus olhares. Um suspiro coletivo escapou delas.

    Sem perder tempo, Einar e os outros correram até elas. Greg cortou as cordas enquanto Sophia retirava os panos de suas bocas.

    Assim que ficaram livres das cordas, Maisie apoiou as mãos no chão para se erguer. Suas pernas ainda tremiam pela exaustão e pelo tempo que havia passado presa ali. No instante em que conseguiu se equilibrar, ela correu em direção a Chen e a abraçou com força.

    — Eu estava com tanto medo, Chen… — dizia ela entre lágrimas.

    Chen ficou visivelmente comovida. Embora nos treinos estivesse sempre implicando com Maisie, corrigindo cada erro e exigindo mais dela, a convivência constante havia transformado aquela rivalidade em algo muito mais profundo. No fundo, as duas haviam se tornado quase como irmãs.

    Em silêncio, Chen passou a mão pelos cabelos de Maisie, acariciando sua cabeça para acalmá-la.

    Depois de alguns segundos, Chen fez a pergunta que todos ali também temiam ouvir a resposta.

    — Eles… tocaram em vocês?

    Sua voz saiu tensa. A simples possibilidade de que algo pior pudesse ter acontecido fazia seu peito apertar.

    Maisie rapidamente balançou a cabeça.

    — Não… — respondeu, ainda fungando. — Eles só bateram na gente… e nos deixaram aqui sem comida.

    Um suspiro coletivo percorreu o grupo. A tensão que todos carregavam diminuiu um pouco ao ouvir aquilo. Ainda havia ferimentos e marcas da violência, mas, pelo menos, as três estavam vivas, e agora estavam seguras.

    Einar então tirou três pequenas poções de cura de sua bolsa e as entregou a elas. As garotas beberam rapidamente. Em poucos instantes, uma leve aura esverdeada percorreu seus corpos, e parte dos ferimentos começou a fechar, aliviando a dor.

    — Precisamos sair daqui — alertou Chen, olhando para o corredor.

    Todos concordaram. Sem perder mais tempo, o grupo deixou a sala e começou a se mover rapidamente pelos corredores do prédio. Precisavam desaparecer dali o quanto antes, antes que os membros da Ordem que perseguiam as equipes Pimenta e Lâmina retornassem.

    — Estamos chegando na saída! — comentou Sophia, com um sorriso animado.

    Mas, quando estavam a cerca de cinquenta metros da saída principal do prédio da Ordem do Gelo, algo mudou.

    Uma sensação aterrorizante percorreu o grupo de Einar. Era uma intenção assassina densa e venenosa. O grupo também conseguia sentir um leve odor de sangue no ar.

    Ninguém precisou dizer nada.
    Todos pararam no mesmo instante. Era como se tivessem congelado no lugar. Nenhum deles conseguiu falar. Restava apenas esperar o pesadelo começar, observando em silêncio para descobrir que tipo de monstros estavam se aproximando.

    Tap… tap… tap…

    Passos ritmados ecoavam.

    Por fim, duas figuras atravessaram os grandes portões nobres e entraram no prédio. Agora Einar e os outros finalmente puderam ver quem estava chegando.

    O primeiro era um homem gigantesco, com mais de três metros de altura. Vestia roupas que lembravam as de um homem das cavernas, uma regata feita de pele de animal e uma espécie de toga rústica do mesmo material. Seus cabelos curtos eram negros e desgrenhados, e seus músculos eram colossais, absurdamente volumosos.

    Esse era Roz.

    Ao lado dele caminhava uma figura ainda mais inquietante.

    Um homem de cerca de um metro e noventa, envolto em vestes azuis. Nas costas, havia o emblema de uma flor morta. Um capuz da mesma cor escondia completamente seu rosto, impedindo qualquer um de ver sua expressão.

    Não havia dúvidas.

    Aquele homem era Oswin!

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