Índice de Capítulo

    Ao dobrar-se à luz, o amanhecer se revela em uma breve manhã. Deitada sobre um colchão tão macio, Aycity babava sobre o lençol enquanto uma faixa de poeira dourada batia em sua coxa exposta, refletindo-se suavemente.

    Tão exposta, ela sentiu falta de algo e então cerrou seus olhos, tentando despertar.

    Ela pôde ver a pele nua de Kevyn. Mesmo passando despercebido, ela sorriu e aproveitou o momento até voltar a dormir.

    Mas, como tudo que é bom dura pouco, uma mão tocou seu ombro e, ela foi chamada:

    — Aya… acorda, a gente vai fazer compras…

    Espontaneamente ela quis levantar, queria ir, mas, ela não teria essa capacidade. Com tanto sono ela se virou, revelando ainda mais de seu corpo coberto. 

    Quase tão branca quanto a neve, a luz empoeirada a tocava e se refletia sutilmente, suas coxas grossas e hipnotizantes, como uma ênfase de sexualidade.

    No entanto, Kevyn a cobriu e suspirou. 

    — Você não consegue acordar tão cedo, né? Eu já tava até arrumado, sabia?

    Voltando até o guarda-roupa, o príncipe coçou a cabeça e olhou seu reflexo no espelho. “Acho que é isso, então…”, brevemente ele tirou as suas e voltou às roupas de casa.

    Sabendo que iriam sair quando ela acordasse, ele dobrou suas vestes e deixou em cima da cômoda ao lado da cama.

    Mas, inesperadamente, Aycity estava de pé bem atrás dele, com um sorriso em seu rosto, ela observou quieta. Quando o garoto voltou para vê-la, ele percebeu que ela estava fingindo…

    — Ei, Aya, você…

    — Se eu fiz isso só pra te ver trocando de roupa? 

    Ela sorriu.

    Kevyn entrelaçou seus braços e fez uma cara séria.

    — Eu ia perguntar se você levantou rápido, mas isso faz muito mais sentido… — Cerrou os olhos. — Você deveria parar com isso, sabia? 

    — Não! Eh… — Desviou o olhar. — eu… obrigada?… 

    “Ela não toma jeito, acho que vou começar a trancar meu quarto por precaução”, Kevyn passou os olhos pelas coxas dela e rapidamente os desviou.

    — Não é pra você agradecer… — murmurou e virou a cara — pervertida.

    Aycity sorriu.

    「❍」

    Logo após se arrumar, de novo, Kevyn olhou para trás. “Eu tranquei a porta…”, indo até a saída, ele destrancou e passou pela fenda. 

    Do lado de fora, Aycity usava o vestido que ele havia ajustado.

    — Fuh~ muito obrigada. 

    Ela sorriu.

    — Hmph.

    O garoto passou por ela emburrado e desceu as escadas, no entanto, ela veio logo atrás. 

    Do lado de baixo, Humbra e Dayron também estavam “arrumados”, prontos para irem às compras.

    O garoto bocejou e falou:

    — Vamos.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Passando os finos dedos entre os fios negros do cabelo, uma mulher de franja quase perfeita caminhou… e então parou.

    A freada jogou suas mechas sombrias em meio ao vento, ela encarou o que estava em sua frente com solenidade, mas, inesperadamente, não achou o que queria.

    Após pesquisar um pouco, era impossível que suas informações estivessem incorretas. Notherite encarou a forja daquele mesmo garoto com quem esbarrou, mas estava fechada.

    A mulher fechou seus olhos, e tentou analisar os acontecimentos, mas então, um dos trabalhadores dos prédios ao lado passou. A mafiosa rapidamente tocou seu ombro e perguntou:

    — Ei, senhor, poderia me dizer quando a forja abre?

    — Bah! Ah! Bem… 

    O homem de terno branco e pele negra recuou seu olhar azulado. 

    Ele tentou lembrar-se, mas assim que conseguiu, seu braço percorreu o ar, como um estalo invisível transcenderam o contato, brevemente ele ergueu seu dedo e apontou para a placa da loja enquanto falava:

    — Seu olhar mostra hostilidade, senhorita.

    O rapaz encarou a líder da máfia como quem sabia muito bem o que ela veio fazer ali. 

    No entanto, ele sorriu e continuou:

    — Barbaridade-tcheê! Basta bombear aquela placa ali, o guri dessa loja é um bom piah, então… — murmurou de cabeça baixa — então saiba que não vou tolerar que atrapalhe os negócios dele.

    Ele cerrou seus olhos em ódio.

    “Ele me conheceu, vou precisar de um disfarce se a fama da máfia continuar crescendo”, Notherite fechou suas pálpebras e o respondeu levemente:

    — Só quero conversar com ele… 

    Ela suspirou.

    O homem negro elevou sua mão, tocando sua gravata, ele ajeitou-a sutilmente. 

    Antes de ir, disse uma última vez:

    — Se você não está aqui por causa do apelo feito pela Monarca, tudo bem por mim.

    Passo por passo, o rapaz se distanciou para voltar ao seu trabalho. No entanto, após ouvir: “Monarca”, ela encarou-o antes de partir.

    “Monarca se envolveu com o Calamith? Não posso deixar o garoto se atrelar com ela, é perigoso demais”, ela pensou e olhou para a loja entre os dois enormes prédios.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Entre as prateleiras e o piso incolor dos corredores de um supermercado, Kevyn empurrou seu carrinho de compras com certo rubor nas bochechas.

    “Eu sei que queriam vir… mas…”

    Um esqueleto e uma armadura viva, ambos de dois metros estavam logo atrás do príncipe dragão disfarçado, como ele manteria sua identidade assim?

    Pessoas com medo, servos curiosos.

    — O que foi, meu rei?

    Desajeitado, Kevyn pegou uma maçã e encarou-a com total seriedade, ainda inconformado, ele espremeu entre seus dedos, em busca de uma resposta decente. 

    Sem pretensão, ele pegou uma pequena sacolinha e a encheu com as frutas carmesim.

    Tênue, ele suspirou e encarou sua criação.

    — Eu não tô acostumado com isso.

    Ele lacrimejou.

    De repente, uma sombra muito rápida se aproximou com várias coisas em seus braços.

    Assustando-se, o príncipe se virou rapidamente e, então, percebeu que era Aycity cheia de mercadorias.

    — A-ah…

    — Posso levar?!

    Ela estava animada demais com tudo aquilo, sem resistir muito, o garoto deu um nó na sua sacola de maçãs e saiu andando.

    「❍」

    Dessa vez em outra loja, Dayron e Humbra olhavam as roupas sem saberem exatamente o que poderia servir em seus corpos.

    Kevyn observou atentamente, em silêncio, ele ocultou seus pensamentos, deixando tudo para seu subconsciente.

    Enquanto isso, Aycity estava por trás do vestuário encarando a si mesma, nervosa, ela tocou seu busto em busca de algo que não tinha. “Como vou superar a Night? Preciso de mais respeito!”, franziu a testa e estalou a língua.

    — Kevyn, Kevyn! — a garota chamou.

    — Hm?…

    Um breve momento de silêncio aconteceu, ela não respondeu, mas… após tomar coragem, falou:

    — Vem aqui!

    Se apoiando nos joelhos, o garoto ergueu-se um tanto cansado, se aproximou e então… uma mão veio, rápida e precisa, ela agarrou e puxou com tanta velocidade, que ninguém viria nem se quisessem.

    No entanto, do lado de dentro, Kevyn viu uma visão patética, quase poética, mas, ainda assim, péssima.

    Segurando a barra da camisa para baixo, ela queria usar roupas indiscretas, ou talvez era só uma tentativa? No fundo, a garota tinha achado uma camisa de um dos seus animes favoritos, mas era para crianças, então…

    — E-eu… — choramingou — não… nã-não cabe em mim…

    No fim, Aycity queria vestir uma roupa legal, mas não tinha mais corpo para aquilo… o príncipe aceitou, tocou o topo da cabeça dela mesmo vendo-a praticamente seminua e sorriu alegremente.

    — Se quiser, comprar uma camisa branca maior, eu desenho para você!

    — Sério?! 

    — Uhum. — Ele sorriu.

    Ao mesmo tempo que os dois tinham seu momento fofo, Humbra estava segurando sua capa para não botar fogo na loja, enquanto Dayron, curiosa, tentou botar uma camisa, mas ela não passou nem do seu capacete.

    「❍」

    — Eai?!

    De repente, um homem de cachecol vermelho surgiu em meio à praça de alimentação do shopping, era Gabriel. Epicamente ele caminhou até Humbra que, parado, olhou para o irmão de seu criador com indiferença.

    Silêncio.

    — Você é o Humbra, certo?! Cara, eu queria um cachecol assim!

    Gabriel acariciou as chamas solenemente, o general e o homem trocaram olhares, e nada mais.

    Do outro lado, Dayron, Aycity e Kevyn vinham com salgados em mãos, devorando tudo, a armadura viva parecia toda alegre com suas placas de ferro tremendo.

    O lorde encarou e sorriu com o momento, ele se aproximou, e perguntou:

    — O que estão fazendo?

    Os olhos do príncipe se moveram em agonia, ele olhou-o em maldição, e respondeu:

    — Fazendo compras. — Sorriu.

    — Ah! Posso participar?! 

    Animado, o mais velho levou a mão até a cintura e balançou seu corpo de um lado para o outro. 

    Vendo-o animado, Kevyn guiou algo até a boca, suculento, ele mordeu a massa e puxou o queijo derretido do salgado em sua mão, puxando, o garoto encarou seu irmão com todo o silêncio que conseguia.

    — AHHH! 

    Como um raio silencioso, Aycity cruzou toda a praça de alimentação, seu braço erguido foi um prelúdio da destruição. Então veio, o choque, a irá, a força, mas conforme o punho brandiu o vento…

    Gabriel ergueu a palma e guiou-a contra o corpo. O ataque veio, mas foi lentamente solvido. 

    — Aycity, querida, nunca mais faça isso na sua vida inteira.

    Breves olhares vieram, mas logo se foram, era a inevitável ignorância humana.

    — A-ah… — murmurou — certo.

    Kevyn observou atento, depois desses anos, fazia tempo que ele não se sentia em família, aquilo despertou algo que ignorou. 

    O garoto cerrou seus olhos tristes e sorriu enquanto dava meia volta e ia para a próxima loja.

    Por um breve momento, Humbra percebeu, mas ele apenas cruzou os braços quieto. “Guardando tudo como sempre, não é? Você está tão calmo, como consegue?”, pensou.

    「❍」

    Indo até uma loja de smartphones, Kevyn observou Aycity e Gabriel escolhendo. Seu olhar contagiado pelo caos não puderam entender, mas era interessante aquelas telas. “Eu vi isso na casa da Purryn, será que ela entende dessas tecnologias? Acho que vou falar com ela”, ele pensou e sorriu.

    — City, dizem que o novo Nierd é muito bom — afirmou Gabriel.

    — Eu sempre usei Enophi, não seria traição?! 

    Injustamente ela fechou os punhos, tentando não trair uma empresa bilionária. Por outro lado, o homem tentou argumentar:

    — Recomendo muito mais o Nie, eles têm um sistema operacional muito melhor que esse daí.

    — Hm… — Parou para pensar. — Kevyn! O que você acha?!

    Em meio ao chamado da garota, o príncipe observava um dos dispositivos. Seus olhos nus vibrando em intensidade podiam decifrar o que estava por debaixo da tela.

    Levemente interessado, o próprio os fitou de olhos cerrados, afinal, atrapalharam sua eutimia.

    — Pegue os dois se quiser, eu não me importo.

    A seriedade em sua voz era preocupante, um raro momento em que ele demonstrou tanta ignorância.

    Tola, Aycity pegou os dois, as palavras grosseiras do príncipe eram um alívio para a garota que, talvez já fosse acostumada com isso.

    Por outro lado, Gabriel recuou com medo de seu irmão mais novo, aquilo não poderia ser normal.

    Pateticamente ela pegou um celular a mais, se aproximou de Kevyn e ofereceu-o 

    — Vou te ensinar a usar um telefone, compra para você também.

    De relance o menino encarou-a e sorriu levemente.

    — Você vai, é? Eu aceito.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Após horas andando para lá e pra cá, Gabriel e Aycity se separaram e foram sozinhos. Obviamente, a garota iria treinar, mas não contou ao príncipe.

    Diante do anoitecer, Kevyn caminhou pela cidade sozinho. Sem a venda, olhou para o céu despreocupado. “Então você fumava para sentir essa calmaria, Daniel?”, observando a rua tão vazia, seu cabelo se tornou espectral, cada mecha em sua essência, mudou.

    O vento da noite era uniforme. “Emerald é enorme, me pergunto como não é considerado um país… ah, na real eu sei sim”, o menino observou uma gota de chuva cair.

    “Aqui é uma cidade só, eu consigo imaginar uma vila pequena se tornar uma cidade enorme como essa, mas a desigualdade social ainda existe por causa disso”, retirando um livro de Ouroboros de sua bolsa dimensional, o príncipe casualmente escolheu um ensino superior e começou a estudar ali mesmo.

    — Então é isso?

    Breve, Kevyn retirou “a caixa”, da bolsa dimensional e se agachou. Tirando um papel em branco, ele traçou o mapa múndi de cabeça, seus desenhos saíram errados, mas era somente um esboço. “Emerald é bem pequena, mas perto de Black-Tail, ela se destaca”.

    — Bem ao centro, Black-Tail é minúsculo.

    Kevyn suspirou e então guardou tudo. “Não importa, preciso terminar o que vim fazer”, ele caminhou, seus passos tênues chegaram a um beco, por ele, uma porta.

    Só atravessá-la viu Jeremy, e, quieto, apenas foi até às máquinas de núcleos.

    — O que está fazendo?

    Antes dele realmente alcançá-las, o homem veio até sua frente, sua face sorridente já falava por si.

    — Só vim pegar alguns núcleos… — disse Kevyn.

    O vendedor cerrou os olhos e sorriu ainda mais.

    — Claro, venha comigo, tenho uma máquina nova para você testar.

    Ele seguiu na frente, pronto para mostrá-lo.

    Sem questionar, o príncipe foi logo atrás.

    Através de seus passos, vieram a estar de frente para uma porta de madeira. Jeremy abriu-a e assim puderam passar por ela. Mais uma vez, algo surpreendente.

    Por um breve momento, Kevyn veio a arregalar seus olhos…

    Para eles, uma enorme máquina de núcleos, o homem estendeu sua mão para o garoto, e então proferiu:

    — Divirta-se.

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