— Porra. Devolver? Devolver o quê? — perguntei confuso com a frase dita pela criatura que ainda avançava em minha direção.

    Meu golpe não causou nada, aquilo foi inútil… Essa criatura é muito resistente, isso não faz sentido, esse bixo magricelo é um trem.

    — Você precisa focar nos ataques, Kenji. Não adianta só esquivar, ele não parece nada cansado… — Satoshi falou mentalmente.

    — Eu sei, mas isso é bem mais difícil que parece. Ele é rápido demais. — resmunguei enquanto tentava me distanciar da criatura.

    — Eu posso tentar transmitir mais energia, mas eu preciso que essa barulheira e confusão pare. Você precisa se concentrar, nós precisamos.

    — Tudo bem. — respondi mentalmente.

    Saltei para trás e me afastei em alguns metros. A criatura estava do outro lado do gramado e se batia novamente enquanto me encarava e tremia.

    — Devolve!!! — a voz firme e distorcida da criatura ecoou do outro lado do gramado.

    A pele da criatura empalidecia e logo em seguida se tornava levemente translúcida como se transitasse entre um estado e outro. Suas veias visíveis brilhavam as vezes e pulsavam como o coração.

    Esses gritos, essas pessoas estão atrapalhando… Me sinto cansado, preciso me concentrar e acabar com isso logo. Vamos lá Kenji… Limpe a mente.

    — Koda, evacue a multidão logo, preciso de silêncio. — falei em voz calma enquanto fixei meu olhar na criatura.

    — Estou tentando. — Koda falou de longe enquanto afastava a multidão aos poucos.

    O amontoado de pessoas seguiu com sua curiosidade e inconveniência. A cada flash das câmeras que fotografavam o momento eu me perdia diante da presença perturbadora do possuído.

    As vozes pareciam ter deixado uma marca, algo que ecoou na minha mente em sussurros que me atraíam na direção da figura ameaçadora.

    No momento que a luz de um flash perfurou meus olhos e pisquei instintivamente, senti uma pressão esmagadora em minhas costelas que me lançou violentamente alguns metros no gramado.

    A criatura havia me atingido, e aquele golpe potente fez com que uma dor constante tomasse conta de mim. O possuído seguia feroz e assustador, e continuava se golpeando e babando enquanto me encarava.

    — Levanta Kenji! Ele está vindo de novo!! — Satoshi exclamou enquanto minha visão turva encarava o monstro se aproximar rapidamente.

    Não consigo me mexer… Dói demais. Onde está o Koda nessas horas? Ele não consegue nem afastar essas pessoas… Que merda. Todo combate é assim, essa repetição… Eu sempre caio.

    — Acorda, moleque!!! — Satoshi exclamou novamente quando senti uma presença erguer meu corpo e o lançar para o lado na direção oposta da criatura que golpeou o solo.

    Como assim!? Que merda estranha foi essa?! Isso é o que Satoshi pode fazer?

    Enquanto ainda me questionava e assimilava a situação que acabara de acontecer, meu corpo se movia de forma desengonçada na direção oposta aos golpes rápidos da criatura e conseguia esquivar com sucesso mesmo que por pouco.

    — Isso é difícil sabia? Não consigo manter por muito tempo!

    Limpei a mente por alguns instantes, e sem pensar em nada apenas retomei o controle novamente. Precisava lutar.

    A dor não importa, o barulho e luzes não importam. Preciso aguentar até que eles saiam, depois disso eu arregaço com esse merda. É isso.

    A energia infundiu meu corpo e fortaleceu meus músculos, concentrada nos punhos e pernas para causar o maior estrago possível. Curvei meu tronco ao mesmo tempo em que coloquei meus punhos à frente e firmei meus pés no chão.

    — Vamos quebrar esse merda e salvar essas pessoas, somos Inquisidores afinal.

    — É assim que se fala. — Koda disse de longe com sua voz sombria enquanto amedrontava e evacuava a multidão que saía aos poucos.

    — É isso, porra. — falei enquanto avancei rapidamente na direção da criatura que correspondeu com outra investida furiosa.

    O monstro golpeou com suas unhas longas e afiadas que cortaram a superfície da minha testa quando me agachei e deslizei entre suas pernas para esquivar de seu golpe e a contra-atacar pelas costas com um soco rápido e poderoso que fez a criatura cambalear para frente.

    — Assim que se faz Kenji! — Satoshi exclamou alegremente enquanto transmitia mais energia para meu corpo.

    A criatura rapidamente se virou para mim novamente em um giro veloz acompanhando por um corte com suas garras na minha direção.

    Saltei rapidamente para trás e suas unhas afiadas rasgaram a pele do meu rosto de raspão. O corte atravessou a metade de meu rosto de uma ponta a outra na altura do nariz, e o sangue que descia da ferida banhava a parte de baixo da minha face.

    O monstro saltou rapidamente na minha direção antes que eu retomasse a postura e me atingiu com um golpe que rasgou minhas costelas. A criatura permaneceu próxima à mim e golpeou novamente com suas garras do outro lado do meu corpo.

    Que dor, porra! Esse merda maldito… Eu preciso ser mais rápido, ainda mais que ele.

    Quando notei o segundo golpe vir, me joguei ao chão e caí antes que as garras me alcançassem e rapidamente me levantei e saltei para longe da criatura antes que outro ataque feroz me atingisse.

    — As pernas dele Ken, tente danificar as pernas! — Satoshi exclamou e apontou uma possível fraqueza da criatura para mim enquanto eu me movia rapidamente ao redor do monstro.

    Rodeava a criatura rapidamente quando fui surpreendido com um golpe certeiro na minha direção. Talvez o monstro tenha adivinhado, ou apenas foi azar o meu. A figura se lançou em uma bocada voraz na minha direção e conseguiu atingir meu braço que coloquei à frente por puro reflexo.

    — Merda! — xinguei em voz alta enquanto a criatura ainda abocanhava meu antebraço que sangrava sem parar.

    — Devolva!!! — a figura gritou enlouquecida quando soltou a boca de meu braço e sua pele pulsou como um coração.

    A criatura rapidamente balançou seu braço longo na minha direção e aproveitou da curta distância para me agarrar e lançar uma mordida em meu pescoço.

    Reagi rapidamente e me esquivei por um fio. Mesmo agarrado e com a dor que percorria todo o meu corpo, reagi rapidamente e virei meu pescoço para o lado na direção oposta da mordida do monstro e revidei com um chute no joelho da criatura.

    A figura sentiu a potência do chute em seu joelho e cambaleou para trás com o golpe. Assim que o passo da criatura vacilou, firmei meu pé no chão, girei rapidamente e com a outra perna desferi um chute poderoso no outro joelho do monstro.

    — Vai se foder, maldito! — xinguei a criatura que gritava e grunhia de dor a cada golpe que a atingia.

    A pele da coisa pulsava como um coração e revelava veias brilhantes cada vez mais conforme ela gritava e enlouquecia.

    — Devolva!!!

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