Capítulo 1260: Vamos Apenas Chamar Isso de Destino
“Agradeço a oferta. Mas isso não será necessário. Não pretendo ficar aqui por muito tempo”, Izroth respondeu de forma despreocupada.
“Ha! O Haku tem bons olhos para as pessoas. É um dos melhores traços daquele homem. Eu nem sei se ele próprio percebe isso”, Pakdra disse com um sorriso.
Ela então continuou: “E então, o que um Ancião Honorário da Guilda de Boticários está fazendo no Distrito dos Mestres de Formação? Eu posso não saber muito sobre criação de itens e coisas do tipo, mas até eu sei uma coisa ou outra de como a roda gira nesta cidade.”
“Apenas alguns assuntos pessoais que preciso resolver. Mas já que você tocou no assunto, eu também estou curioso — o que alguém que pertence ao Clã Invicto está fazendo num lugar como este?” Izroth perguntou calmamente.
“Oh? Pensei que você fosse só um garoto interessante, mas parece que me enganei. Como você sabia que eu sou do Clã Invicto? É raro que as pessoas fora das Terras Selvagens falem esse nome, quem dirá saberem da sua existência”, Pakdra disse com um olhar afiado.
“Tive a sorte de recentemente cruzar o caminho de alguém das Terras Selvagens. Lutamos juntos no mesmo campo de batalha e acabamos nos tornando bem conhecidos. Talvez você o conheça? Ele atende por Hakros”, Izroth afirmou.
Claro, Izroth descobriu que Pakdra era do Clã Invicto através da sua habilidade Avaliação Divina. Dito isso, ele não estava exatamente ansioso para contar aos outros sobre as habilidades que possuía.
Apesar disso, as palavras que Izroth falou eram verdadeiras. Quanto ao que Pakdra deduziria daquelas palavras — seria inteiramente por conta própria dela.
“Hakros? O filho do Bakrasa?” Pakdra murmurou para si mesma.
“A força que vocês enfrentaram deve ter sido formidável para aquele garoto estar disposto a lutar com você. Afinal, aquela criança puxou à mãe. Ambos são maníacos por batalha que não gostam de dividir suas presas com os outros. Hahahaha!” Pakdra exclamou e soltou uma gargalhada revigorante.
“Ele com certeza era do tipo que ansiava por uma boa luta. Planejo fazer uma visita às Terras Selvagens um dia desses para cumprir uma promessa que fiz”, Izroth disse.
“Oh? Bem, promessas devem ser cumpridas. Quanto ao porquê de eu estar num lugar como este — vamos apenas dizer que o destino costuma ser imprevisível. Bem parecido com o nosso encontro de hoje”, Pakdra disse enquanto repentinamente jogava um pequeno objeto na direção de Izroth.
Izroth reagiu rapidamente e pegou o objeto. Apesar de não ter sido arremessado com tanta força, ele sentiu como se uma grande pedra tivesse colidido contra sua mão. Ainda assim, ele conseguiu segurá-lo sem problemas.
‘Este é um ganho inesperado.’
Izroth olhou para baixo para o objeto que apanhou. Era um pequeno entalhe de madeira fina. Porém, mesmo com uma olhada casual, era possível notar que não foi feito com qualquer tipo de madeira comum. A madeira foi esculpida na forma de uma mulher sem rosto vestida com robes e abraçando duas luas crescentes que se sobrepunham em direções opostas. Além do mais, a escultura estava cheia até a borda com uma feroz concentração de mana que se revelava em pequenas ondas.
“Quando finalmente tiver a chance de visitar as Terras Selvagens, se por acaso topar com alguém do Clã Invicto, apenas mostre isso a eles. Eles vão te tratar como convidado e te dar uma mão se estiver numa enrascada”, Pakdra explicou.
“Sou grato, mas por que você está me dando algo assim?” Izroth indagou com um olhar significativo.
“Como eu disse, apenas pense nisso como destino. Embora se isso não for bom o suficiente para você, então você pode dizer que eu te achei um tanto atraente. Hahahaha!” Pakdra disse enquanto deixava escapar mais uma gargalhada animada.
“Então, não pensarei muito no assunto”, Izroth respondeu de maneira despreocupada enquanto guardava o entalhe de madeira em seu inventário.
Izroth e Pakdra passaram os minutos seguintes conversando casualmente. Apesar de ser das Terras Selvagens, Pakdra falava com um impressionante nível de refinamento. Isso não significava que nas Terras Selvagens não houvesse indivíduos que soubessem manejar bem suas palavras com elegância. Era apenas um talento que não era necessário, ou sequer valorizado, num lugar como as Terras Selvagens.
Claro, havia a possibilidade de Pakdra ter aprendido isso durante o tempo que passou fora das Terras Selvagens para melhor administrar a estalagem da qual era dona. No entanto, Izroth tinha a sensação de que não era o caso, e que ela sempre havia possuído aquela aptidão.
“É frustrante, eu te garanto. Faz ideia de quanto tempo levei para convencer os anciãos do meu clã naquela época sobre a importância de coletar informações? Quando o assunto era lutar, eles entendiam por que a informação era importante sem o menor problema. Mas, fora disso, eles simplesmente não enxergavam o valor. Era como conversar com um Lótus de Areia. Não, pelo menos um Lótus de Areia eventualmente ergue as pétalas para fora da areia. Eles eram inacreditavelmente teimosos”, Pakdra suspirou pesadamente.
Ela continuou: “No fim, demorou um pouco, mas eu finalmente os fiz entender através dos resultados que produzi e do esforço que empenhei. Ainda havia aqueles que se opunham e achavam que isso ia contra o espírito de um verdadeiro guerreiro, mas, como não podiam achar defeito na minha força, eles não tiveram escolha a não ser aceitar. Cômico, não é? Todo aquele esforço para mostrar que a força nem sempre é a melhor resposta, e ainda assim foi exatamente a força que os fez aceitar que eu tinha razão no final.”
“Parece que você superou um grande desafio. Dito isso, é verdade que existem alguns caminhos onde a força não é o melhor método de abordagem. Contudo, se alguém não tem a força para realizar sua vontade, então isso será para sempre algo frágil que pode ser quebrado a qualquer momento pela vontade dos outros. A força nem sempre é necessária, mas se eu tivesse que escolher, preferiria contar com a minha própria força para alcançar o que precisa ser feito. Só que a força também vem de muitas formas. Quando a pessoa aceita isso, fica fácil perceber o quão impotente se é em vários aspectos”, Izroth disse enquanto o seu olhar parecia estar distante com as últimas palavras que ele falou.
‘Naquela época, eu era vulnerável de maneiras que nem sabia que existiam. Aprendi uma lição valiosa, mas o preço desse conhecimento foi grande demais.’
Pakdra concordou com a cabeça ao dizer: “Gostaria de ter tido você lá quando tentei explicar aos anciãos do meu clã. Eu não era exatamente a melhor, nem a mais paciente, em usar as palavras para convencer as outras pessoas. O que eu não conseguia resolver com palavras, eu resolvia com os meus punhos. Acredito que no final tudo acabou dando certo.”
‘Hm?’
De repente, Izroth sentiu que várias pessoas se aproximavam rapidamente da estalagem.
“Parece que alguns ‘convidados’ chegaram”, Pakdra notou, parecendo também detectar as presenças vindo na direção deles.
Alguns momentos depois, um homem corpulento entrou na estalagem. Ele tinha cabelo castanho curto e um par de olhos cinza claro. Ele vestia um conjunto de armadura prateada com o emblema de uma cabeça de leão gravada em branco no peitoral. Havia uma cicatriz profunda sobre o olho esquerdo e uma cicatriz mais superficial que atravessava a bochecha direita. Ele emitia uma aura intimidadora que faria a pessoa média fugir com apenas um único olhar.

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