Capítulo 5: Não Enforque o Artista
A luz da manhã atravessou o tecido das tendas, acordando os irmãos quase ao mesmo tempo. Os olhos, — um branco, outro preto — se abriram lentamente. Ainda sonolentos, eles se levantaram, se arrumaram em silêncio e caminharam até a mesa improvisada.
Roseta e Ré já estavam de pé. O cheiro de café recém-criado preenchia o ar.
— Bom dia. Então… qual é a nossa próxima parada? — perguntou Ré, sorrindo enquanto se sentava.
— Nem pensei muito nisso. — respondeu Pionla, a voz ainda pesada de cansaço.
— Vocês já viram a charada sem mim? — perguntou Bauvalier, igualmente exausto.
— Sim. Eu e as meninas vimos ontem à noite. — disse Pionla, tranquila, como se não fosse nada demais.
— Pelo menos deixa eu ver, né. — murmurou ele, revirando os olhos enquanto pegava o papel e começava a ler em voz baixa:
“Sobre uma terra de graças e sorrisos, onde encontraram minha máscara. Digo-te então: quem conseguirá fazer o palhaço sorrir? E quem terá coragem de fazê-lo chorar? Atrás da máscara, algo sempre precisa ser quebrado para avançar.”
Bauvalier recita a charada novamente
Roseta levou a mão ao queixo, pensativa.
— Madame Pionla… eu pensei bastante sobre a charada. Pelas referências a palhaços, máscaras e esse tom teatral, é muito provável que o destino seja o Circo das Maravilhas.
— Verdade… como é que eu não pensei nisso antes? — Pionla disse, agora mais animada. — Então está decidido. Próxima parada: Circo das Maravilhas.
— Suspeito que quem escreveu isso seja…. — Bauvalier ia falar mas Pionla corta
— Tia Rimuru, espero que seja ela, mesmo um eco ainda deve ter senso de humor. — Pionla diz alegre
Bauvalier devolveu o papel para Pionla. Ela tocou a mesa de leve, e toda a bagunça desapareceu num instante.
— Certo, mas precisamos pegar o caminho mais rápido. — disse Bauvalier, já mais focado. — Roseta, você ainda tem a foto do mapa, não tem?
Roseta entregou o celular aberto na imagem. Bauvalier colocou a mão sobre a mesa e bateu uma vez. A superfície se transformou, projetando um mapa tridimensional detalhado.
— Prontinho. Agora vamos ser rápidos. — disse ele, sério.
Ré se aproximou para observar melhor, com um pão inteiro na boca.
— Hm… hm…. — tentou falar, apontando para o mapa.
Sem paciência, ela arrancou o pão da mão dela e jogou dentro do chá. O pão se desfez instantaneamente.
— NÃO! Meu pãozinho! — Ré reclamou, indignada.
— Vamos ter um pouco de seriedade, Ré. E além disso, não se fala de boca cheia. — disse Pionla, claramente debochada.
— Tá, tá… — Ré cruzou os braços. — Mas o que eu tava tentando dizer é que dá pra ir por aqui.
Ela apontou para uma região do mapa.
— Pelo reino de Kuatia. Se tentarmos dar a volta, vamos ter que escolher: ou atravessamos a floresta dos relógios e enfrentamos chuva temporal… ou passamos pelo deserto de Piège. E, nesse caso, a demora não vai ser o nosso único problema.
O grupo ficou em silêncio por um instante, encarando o mapa flutuante.
— Pode até ser o caminho mais rápido, mas andar por lá sem alguém que conheça aquilo de cima a baixo é uma porr&, — disse Pionla, cruzando os braços. — E eu não sei andar naquele lugar.
— Devo concordar. — completou Bauvalier. — Circular por um território confuso desses só complica ainda mais as coisas.
Roseta assentiu em silêncio.
Ré ergueu uma sobrancelha, claramente incrédula.
— Me surpreende vocês não saberem andar no próprio país.
— E você sabe? — Pionla rebateu, olhando diretamente para ela.
— Não. — respondeu Ré, simples e direta.
Os três a encararam ao mesmo tempo.
— …mas conheço alguém que sabe. — completou ela, já puxando o celular do bolso.
Ré discou com rapidez.
— Fala aí, Ré. Tá precisando do quê? — a voz do outro lado era calma, quase preguiçosa.
— Sabe aquele favor que eu fiz pro seu pai? — disse ela, com uma risadinha. — Então… vou precisar cobrar.
— Que tipo de ajuda?
— Preciso de um guia. Me encontra na fronteira de Cogulux com Kuatia.
— Certo. Meia hora eu tô aí, — respondeu a voz. — Mas manda uma foto do lugar, tá, parceira?
A ligação caiu.
Ré se virou para o grupo com um sorriso vitorioso.
— Viram? Problema resolvido.
Pionla e Bauvalier estalaram os dedos ao mesmo tempo. As tendas, a mesa e os restos do café desapareceram como se nunca tivessem existido.
— Então é só esperar. — disse Pionla, agora mais tranquila.
— Um questionamento Ré, como você exatamente conhecesse essa ajuda. —- Roseta pergunta tranquila
— Meio que eu já foi pra Kuatia, e lá encontrei um senhor que estava morrendo, eu o salvei e então ele me levou a casa dele, a filha dele em gratidão disse que iria me ajudar com qualquer coisa. — Ela balança a mão tranquila — e por isso que é bom fazer o bem que aí pode vir em dobro.
— Que bom, que pelo menos parece ser uma guia muito boa. — Pionla diz alto
— Sim, ela é uma guia boa… e também faz parte de uma facção, mas isso não é nada. — Ré diz tranquila
— Como assim facção, você quer dizer que chamou uma criminosa para nos guiar! — Bauvalier diz irritado
— E uma facção, não quer dizer que ela é criminosa e sim que ela faz parte de um lugar que comete crimes, são coisas diferentes cumpricesse e criminoa não tem nada aver… — Ela diz nervosa
— Se você nos meter em algum problema Ré, eu juro que eu vou perder a minha última paciência com você. —- Bauvalier comenta irritado
— Nunca fiz nada para precisar ser tratada como a que mete a gente em problema, relaxa a cachola. — Ela diz com um risinho
Bauvalier se aproximou de Ré, falando baixo, quase ameaçador.
— Esperemos que essa sua “ajudinha” seja confiável, entendeu, Ré?
— Acho que sou mais confiável do que qualquer um dessa realeza. — disse uma voz desconhecida, carregada de deboche.
Todos se viraram.
Uma jovem estava parada ali como se sempre tivesse feito parte da paisagem, — traços que pareciam desenhados à mão, como se tivesse saído diretamente de uma folha de papel.
— Você chegou rápido, Alicex! — Ré disse, animada.
— Então… — Alicex abriu um sorriso torto, os olhos revelando um leve incômodo — estão prontos pra ir, malandros.

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