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    Ele, no entanto, não desistiu, continuou seguindo seu caminho. Manipulado ou não, vendido ou não, isso não o fez parar. Foi sempre ensinado que bater no mesmo ponto repetidas vezes uma hora o faz ceder. Dia após dia, ele continuou, passo a passo, batida após batida.  

    O Bibliotecário 

    PLA 

    Após os convidados, em sua maioria, irem embora, os restantes, Lorena e Amélie, se sentaram nos sofás recolocados. Glória lavava os pratos e Hans os enxugava e guardava. Enquanto isso, Matheus e Li se sentavam junto às outras duas. 

    — Então? — perguntou Li. 

    — Hm? — Lorena arqueou uma sobrancelha. 

    — Adorei a visita, mas conhecendo-a do jeito que eu conheço, duvido que tenham vindo aqui comer bolo… — disse, referindo-se a Amélie.  

    — Esperto como sempre, Jihan — respondeu a mulher forte. — Você está certo, não vim até Arcádia à toa, mas não é meu papel falar sobre isso… — continuou, virando-se para Lorena. 

    — Pois bem… na verdade, não é com você exatamente que vim falar, Jihan — falou. — O verdadeiro motivo pelo qual vim até aqui foi para falar com ele. — apontou para Matheus. 

    — Eu? Por que?  

    Lorena respirou e estalou os dedos. 

    SNAP 

    Imediatamente, um círculo de água cercou a casa, criando uma esfera que servia de barreira. A tonalidade do ambiente mudou para um azul pela translucidez da água. 

    — Agora podemos falar mais à vontade — disse a moldadora.  

    — Isso era realmente necessário? — perguntou o recém-promovido tenente. — Estamos em território Arcadiano. 

    Em resposta, Lorena apenas o encarou com estranheza, como se dissesse “Acha que eu não sei disso?”, o que fez com que o homem apenas desistisse.  

    — É necessário — Amélie, porém, o respondeu. — Nunca sabemos quem está ouvindo. 

    — Pois bem… prossigam — pediu Matheus. 

    — Primeiramente, tenho que avisar a todos vocês que estão escutando… — falou Lorena, se direcionando a toda a equipe presente, incluindo Fynn, Selene e Lisa. — O que estão prestes a escutar é de extrema confidencialidade, além disso, é extraoficial, por isso estou aqui e não lhes chamando oficialmente pelos canais da Facção, entendidos?  

    “Ela parece uma pessoa tão legal, mas é assustadora quando está falando sério”, pensou Li.  

    — Entendemos, todos aqui são de minha extrema confiança, afirmo com minha vida — disse o líder do grupo. 

    — Enfim… Matheus, você, mais do que todos os outros aqui, deve estar familiarizado com a geografia do continente, certo? — perguntou. 

    O homem acenou com a cabeça, confirmando.  

    — Então, deve conhecer o reino de Prima Claustra. 

    — Sim, é o pequeno reino neutro que fica na fronteira de Anpýrgio, seu nome, que significa Primeira Barreira, é devido ao fato de que ele também faz fronteira com as antigas terras áridas, o deserto que é este no caminho para se entrar no território demoníaco.  

    — Correto… fez bem o seu dever de casa… — elogiou. — Acontece que Amélie é nativa desse pequeno reino. 

    — Eu imaginei que sim — disse o homem. — Humanos altos e cabelos vermelhos é a genética mais comum entre o povo desse reino.  

    — O que mais você sabe? — perguntou Amélie. 

    Matheus pensou por um instante, apertando as próprias mãos. 

    — Enquanto meu pai estava vivo, ele me contava muitas histórias de lá — continuou. — Apesar de ser um reino pequeno, possuía um exército poderoso, todos sabiam lutar. 

    — Sim… afinal… — concordou a treinadora. 

    — É um reino que acredita que os demônios nunca foram eliminados, apenas estão aguardando uma oportunidade. 

    — Sim, por isso são marcados como pagãos pela Igreja de Yan, por não acreditarem na versão da igreja de que, durante os tempos antigos, abençoados pelo Deus, os homens ganharam essa guerra. 

    — Mas… — interrompeu Li. — Não teve um Avicci que apareceu durante o torneio? 

    — Assim chegamos onde queríamos — disse Lorena. — 1 mês atrás, no dia em que o Avicci, Triboulet, apareceu, todas as comunicações com o reino de Prima Claustra cessaram.  


    — Cessaram!? — exclamou Matheus. — Como assim? 

    — Para ser sincera, é um pouco pior do que isso, nada chega nem sai, mandamos batedores para averiguar a situação, mas nenhum deles retornou — explicou Lorena. — Tentamos todos os tipos de contato e nada. 

    — Ei, isso é uma coisa grande, não? — questionou Glória. — Como ninguém está sabendo disso? Digo, é um reino inteiro, não é apenas uma cidade, como esse tipo de coisa acontece? 

    — Porque estamos controlando o fluxo de informações… bem, não que fosse necessário, todos que vão não voltam, isso quer dizer que a notícia demoraria a se espalhar. 

    — Mesmo assim… 

    — Então — interrompeu Matheus. — Qual é a sua intenção em nos contar isso? Se é uma informação confidencial… digo, um reino inteiro… por que ainda não mandaram um Lorde para averiguar a situação?  

    — Matheus, você é mais inteligente do que isso… quantos Lordes você acha que temos em nossa facção? — questionou Lorena. — O que aconteceria se perdêssemos alguém desse calibre nesse momento… sabe muito bem que o equilíbrio de forças entre as raças e facções está em uma situação delicada… 

    O restante do grupo não entendeu muito bem, mas o líder deveria saber de alguma coisa, afinal, ele se calou diante do questionamento.  

    — Por que não um vice-lorde? — perguntou Hans. 

    — Esse é o maior problema… — disse Lorena. 

    — Não me diga… — Matheus arregalou os olhos.  

    — Um vice-lorde já foi mandado… perdemos contato com ele, porém recebemos alguma informação, dito isso, estejam cientes, a partir do momento em que souberem… não terão escolha a não ser participar da missão. 

    Os integrantes do grupo se olharam, mas não precisavam dizer uma palavra um ao outro. 

    — Estamos dentro — afirmou Matheus. 

    Tendo a afirmativa do grupo, Lorena tirou um dispositivo azul e cinza de dentro do seu bolso e injetou uma leve quantidade de Prana. Assim que o fez, uma voz soou do objeto. 

    “Não tem ninguém… está vazio…” 

    A voz estava trêmula, fraca. 

    — Isso é… 

    — Sim, o vice-lorde. 

    “Estou sozinho agora… tentei sair da cidade diversas vezes, mas eu sempre volto para o ponto inicial… mas não lembro como cheguei aqui” 

    Subitamente a gravação trocou para outro momento. A voz dessa vez estava fraca, extremamente exausta. 

    “Não sei quando foi a última vez que gravei, mas achei um dos meus subordinados… ele estava carregando uma cabeça… a cabeça de seu melhor amigo… eu estou cansado… faz quanto tempo que estou aqui… parece que já fazem anos… não dormi ainda… não posso…” 

    O dispositivo parou por um momento, e voltou rapidamente com uma gargalhada, até que, por fim, parou. 

    — Isso é tudo que sabemos. 

    — Dios mío, pobre hombre — disse Glória. 

    “Hm?” Li virou-se para Matheus, que estava ainda com os olhos arregalados. Glória o encarou levemente, percebendo algo. 

    — Está tudo bem, líder? — Encostando no ombro do brasileiro, o tirou do transe. 

    — Sim… estou bem… então, qual é a missão? — perguntou de imediato. 

    — Em uma semana partiremos, a expedição contará com 3 tenentes, 9 líderes de equipe e 20 novatos, incluindo a sua equipe, você e eu. 

    — 3 tenentes? — questionou Li. — Um vice-lorde se perdeu! 

    — Acalme-se, jovem — disse Amélie.  

    — Sim, um vice-lorde se perdeu, é exatamente por isso que o objetivo da missão mudou — explicou Lorena. — A expedição ao reino de Prima Claustra terá como objetivo apenas entender a superfície do problema, não lutaremos. Além disso, resgatar o vice-lorde perdido seria apenas um bônus, mas não podemos nos dar esse luxo… entendem? 

    — Sim… concordamos — afirmou Matheus. 

    Alguns integrantes do grupo olharam para ele, mas não o questionaram. Por mais que a equipe fosse democrática, não podiam simplesmente questionar o líder e tenente, especialmente em frente a Lorena. 

    — Por esse mesmo motivo, Amélie irá conosco, como uma nativa, ela conhece bem a região e será nossa guia. 

    — Contem comigo — disse a mulher.  

    — Enfim… 

    SNAP 

    Em um estalar de dedos, a grande barreira que cercava a casa caiu como chuva.  

    — Encerremos esse assunto por aqui… nos vemos em uma semana!  

    — Sim, senhora! — responderam em uníssono.  

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