(Os olhos da jovem se abrem. Ela acabou caindo no sono lendo um livro. Sendo diferente das outras garotas, ela lê livros — algo impressionante, né?)

    — Que voz é essa? O que me falta é a queda ter me feito começar a escutar vozes como a tia Rimuru.

    (A jovem dama não imaginava que, muito perto, acharia alguém que odiava.)

    — Tá, já tão gongando com a minha cara — Pionla olha ao redor e vê uma cafeteria normal.

    (A porta da cafeteria se abre. Um homem bonito e bem alto entra, com semblante sério e roupas ricas. Ele se senta em uma das mesas.)

    — Ricas? Essas roupas simples são de gente rica? Não me faça rir — Pionla vai até a porta da cafeteria e tenta sair, mas ao tocar na maçaneta uma dor imensa faz ela recuar. — Que porr@ foi essa?

    (O homem se aproxima dela, ficando atrás a poucos centímetros.)

    — Tem algo de errado, garota — a voz dele é séria, mas também perigosa.

    (A voz dele é grave, mas não perigosa, como alguns estão a insinuar.)

    — Estou ótima. Agora vai um pouco mais longe, tá meio que invadindo meu espaço — Pionla olha para baixo para encarar ele.

    — Se fazendo de difícil, não é? Eu gosto disso.

    Ele não se afasta. Na verdade, se aproxima ainda mais.

    (Ele solta um sorriso encantador, vendo nos olhos dela a excitação.)

    — Eu mandei se afastar! E essa voz que eu não sei de onde vem… sei lá, cale a boca! — ela fecha a mão em punho, com o rosto sério.

    (Ele prende os pulsos da jovem de maneira dominante.)

    — Eu avisei.

    Ela se solta do aperto e dá um soco na cara dele, fazendo-o cair para trás.

    — Pera… por que eu tô saindo na mão? Eu tenho isso!

    Com um pouco de dificuldade, Pionla invoca a tesoura e dá um golpe nele.

    O ambiente rasga como uma folha de livro.

    (A jovem faz um ato ruim, mas logo cai em cima de uma cama. Atrás dela há uma grande pintura… dela mesma.)

    — Pintura? Como assim…?

    Ela olha para trás e dá um pulo quando vê a tal pintura.

    — Que…?

    (A jovem não teve tempo de se impressionar com a grande expressão de amor na pintura. Um homem forte e belo aparece no quarto.)

    — Que bom que você acordou… mas você não vai sair.

    Ele tenta se aproximar, mas Pionla se afasta e segura a tesoura com mais força.

    — Esse papo de psicopata de novo, não.

    Ela abre e fecha a tesoura.

    Tudo rasga novamente.

    Ela cai no chão de um quarto com uma grande janela aberta.

    (Novamente a jovem age com agilidade exagerada. Mas mais uma vez ela teria sua “chance de amar”.)

    — Essa voz… cale a boca! Você tá falando merd@. Você tá inventando!

    Ela se levanta do chão e olha através da janela.

    — Tá bom… agora o que eu faço?

    Ela olha para a tesoura.

    De repente, ela se assusta quando sente alguém pressionando ela por trás. O corpo dele está próximo — um rapaz jovem e forte.

    — E aí, gatinha. O que tá olhando? Não tá olhando outro cara, né? Porque se estiver… você vai se ver.

    Ele cai para trás quando ela bate com o cabo da tesoura nas bolas dele.

    — Lá vamos nós de novo…

    Ela abre e fecha a tesoura no ar, fazendo o ambiente rasgar.

    Rasga.
    Rasga de novo.
    Rasga outra vez.

    Até que ela cai para frente.

    Uma mensagem aparece.

    BANIDO

    — Como assim eu fui banida… de “S/N com seu romance”?

    Pionla olha ao redor, confusa.

    — Então isso era um lugar…?

    Ela cruza os braços.

    — Que bizarro.

    (A jovem amargurada e triste deu fim em seu romance.)

    — Então aí está você, seu nadadorzinho xereta — Pionla pega no ar uma janela de texto. — Eu estava esperando para te transformar em retalhos.

    (Por favor, não faça…)

    — Shiu… já falou demais.

    Um corte rápido cala a voz dele.

    Que bom voltar ao meu trabalho integral.

    Agora que Pionla olha ao redor, ela vê Simulacrum no mundo virtual.

    — Que loucura…

    Pionla tenta fazer a tesoura sumir, mas não consegue.

    — Vou ter que segurar isso pelo jeito.

    Ela anda pela cidade digital. Algumas pessoas que usam aparelhos de levitação olham para ela e depois para uma tela na frente delas.

    Pionla nota isso.

    Ela entra em um beco e começa a escalar com cuidado para não ser notada. Ela sobe o suficiente para não ser vista de baixo, mas ainda consegue observar tudo de cima.

    — Agora… onde vocês estão?

    Pionla olha para cima e vê pôsteres de procurado dela e do resto do grupo.

    O vídeo de Opala começa a tocar.

    — Estão vendo eles? Eles vieram pegar algo que é nosso… apagar nossas luzes novamente. Agora vamos acabar com esses bugs do nosso sistema.

    O vídeo termina e começa a repetir.

    — Que merda…

    Ela se senta para descansar e olha para cima.

    Então fica surpresa ao ver uma enorme janela se abrir, e a própria Opala sair dela.

    O olhar de Pionla percebe o carretel preso na cintura dela. Fios dourados cobrem o torso de Opala, mas o carretel ainda parece inteiro.

    Pionla se esconde um pouco e começa a escutar.

    — Encontraram eles? Eu joguei eles bem perto da central, e a menina peão eu joguei naquele local literário. Não deve ser difícil encontrar eles — a voz dela parece bem mais calma que no último encontro.

    — Ainda nada, Madame Charmomilla. Pelo jeito pegaram uma rota diferente. E há pouco foi informado o banimento da menina peão — o subordinado diz enquanto ela flutua pelo ar como se fosse algo rotineiro.

    — Banida? Não me impressiona. Alguém como ela realmente não deve se dar bem com romances… amargurada como ela é.

    Opala solta um riso.

    — Deveria informar nossos soldados para patrulhar todos os cantos de Simulacrum?

    — Sim, faça isso. Sem os poderes deles vai ficar muito mais fácil… mas não subestime eles.

    Ela sorri.

    — Eu quero que eles paguem. E eu vou fazer isso.

    Ela olha para a cidade.

    — Mas acho que só soldados não vão adiantar. Talvez uma medida a mais não faça mal.

    Com um movimento da mão, fios de ouro surgem por vários cantos de toda a extensão de Simulacrum.

    — Ficará mais fácil achar eles.

    Ela se vira.

    — Agora vamos. Precisamos cuidar de assuntos mais urgentes.

    Pionla se move um pouco para longe de um fio que surgiu a poucos centímetros dela.

    Ela usa a tesoura para cortar.

    Assim que corta…

    Várias janelas se abrem na frente dela.

    Delas começam a sair fios tentando amarrá-la.

    — Ah, droga!

    Ela corre.

    Pionla sobe em um prédio e começa a pular entre os telhados. Em um salto maior, ela usa a tesoura para se prender na parede.

    Depois puxa o corpo para cima e chega a uma rua elevada onde existe um bar.

    Ela olha para a porta.

    — Talvez álcool seja bom… para algo que eu possa usar no futuro.

    Ela bate o cabelo para trás e dá um sorriso.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota