Logo depois de abrir a porta, Sam entrou em um cômodo pequeno, se parecia com uma cozinha compacta. Havia uma pia, uma mesa e algumas cadeiras. E também havia uma geladeira bem velha, na porta da geladeira, havia o desenho de uma seta apontada para esquerda.

    Sam olhou, confusa.

    ‘Ué…’

    Ela abriu a porta da geladeira, e não havia nada além de um doce pela metade e algumas garrafas de água… sem água.

    “Uh, doce, legal.”

    Então ela o pegou e começou a comer, enquanto encarava a porta por mais alguns segundos.

    “Ah! Será que é para puxar a porta pelo outro lado?”

    E então, quando terminou de comer o doce, ela colocou seus dedos na fresta da porta, do lado oposto de onde se abria.

    Ela fez muita força para abrir, e então, um estalo pôde ser ouvido, e Sam foi jogada para trás, caindo com a porta em cima de seu corpo.

    “Ai! Porra!”

    E a geladeira não mudou em nada. Ela pensou que poderia haver alguma magia secreta de portal no móvel, mas pelo visto, estava enganada…

    “Ah! A parede!”

    Ela se levantou e foi até a parede que ficava ao lado da geladeira, após analisar por alguns segundos, Sam viu que não havia depressão ou relevo na mesma.

    “Será que eu preciso quebrar?…”

    E então, abrindo seu painel, ela invocou a garra obscura e se preparou para dar um golpe destrutivo na parede, mas, foi interrompida quando alguém entrou no cômodo.

    “Céus! Você é imbecil mesmo, ou só se faz?!”

    Era Cassandro. Sam olhou para ele, com dúvida.

    “Como é que é? Eu não sou imbecil, seu imbecil!”

    O velho bufou e foi até a geladeira, arrastando-a para a esquerda, revelando uma porta secreta atrás dela.

    “Era só fazer isso, pirralha idiota! Você vai pagar pelo conserto da porta, entendeu?!”

    Sam soltou uma risada quando viu que era tão fácil.

    “Hahaha! Sério que era só fazer isso? Valeu, velhote!”

    E então, ela correu para dentro da porta secreta, e escutou a voz de Cassandro mais uma vez, gritando de forma mal humorada:

    “E você ainda teve a coragem de roubar um doce comido?!”

    Após passar pela porta secreta, Sam andou por alguns segundos em um corredor escuro e apertado. Ela se deparou com uma luz fraca na distância e a seguiu, levando-a até um pequeno cômodo.

    Havia vários estandes de armadura, algumas armas como espadas, adagas, tonfas e bastões pendurados na parede. Também havia granadas-radar, radares de sangue e alguns dispositivos que Sam não conhecia.

    Na parede do cômodo, havia um balcão velho com vários papéis jogados em sua superfície, junto de um senhor de idade que dormia sob ele, roncando alto.

    Sam ficou em silêncio, continuou olhando para as armas e armaduras. Ela até havia pensado em simplesmente roubar, mas ela sabia que estes itens provavelmente eram daquele senhor, ele poderia muito bem apenas recolhe-los.

    E então, ela se dirigiu até o balcão e balançou o ombro do homem.

    “Ei, tio, acorda aí! Tem cliente!”

    O homem se assustou, quase caiu de sua cadeira, mas manteve o equilíbrio com a ajuda de Sam que o segurou.

    Ele ajustou seu cabelo – que não era muito – e colocou seus óculos.

    “A-ah, bom dia! Quer dizer… boa noite, moça! Eu não estava dormindo, estava apenas checando alguns documentos de perto e…”

    Sam o interrompeu:

    “Relaxa, está tudo bem, vim aqui para dar uma olhada nas armaduras.”

    O senhor se levantou e foi até os estandes de armadura, as mostrando para Sam.

    “São essas as unidades que temos no momento, cada uma por uma bagatela de quinhentos salis! Não é ótimo?”

    Sam engoliu seco.

    “Q-quinhentos?… Quinhentos é muito caro para mim, você não faz por trezentos?”

    O senhor pensou por alguns segundos…

    “Quatrocentos e cinquenta.”

    “Quatrocentos, e não se fala mais nisso!” retrucou Sam.

    O velho estendeu sua mão para apertar a mão de Sam.

    “Fechado.”

    Então ambos apertaram as mãos, chegando em um acordo.

    Sam deu uma olhada nas armaduras.

    “Bom… agora eu preciso decidir qual eu quero.”

    O velho suspirou e assentiu.

    “Você fez um acordo sem nem saber se queria mesmo levar uma armadura… enfim, leve o tempo que precisar”

    Sam assentiu.

    Sam colocou a geladeira de volta no lugar, e passou pela porta secreta.

    Ela escolheu uma armadura branca, semelhante à armadura que Taylor utilizava. Também era parecida com sua armadura antiga. Na verdade, tanto a de Taylor, quanto sua antiga e atual, eram extremamente parecidas, uma era como a versão mais atualizada da outra, com a de Taylor sendo claramente a mais avançada.

    “Preciso encontrar o Kel…”

    E então, ela passou pelo balcão, se despediu de Cassandro e caminhou de volta até a saída do bar. Se despediu dos homens que ajudaram Kevin e ela a encontrar Nioc, e correu rumo ao ringue.

    Após correr por mais alguns minutos, Sam encontrou Kevin a esperando, perto da multidão de pessoas rodeando o ringue vazio, aguardando lutadores.

    Quando viu Sam, Kevin se assustou e correu na direção da garota, olhando para os lados, e a levou até um lugar afastado.

    “Kel? Está tudo bem?” perguntou.

    “Vista sua melhor armadura, conjure sua melhor arma, e vista isso por cima.” Kevin disse, enquanto entregava uma capa vermelha e rasgada na ponta para Sam.

    Sam, confusa, franziu a testa.

    “Uh… tá bom.”

    Kevin continuou:

    “Mas antes…”

    Ele pegou uma espécie de pincel preto e abaixou um pouco da gola do traje de Sam, pintando seu pescoço e parte de seu rosto com algumas linhas e padrões estranhos.

    “O que você está fazendo?…”

    Kevin terminou de pintar, deu uma analisada em Sam e respirou fundo.

    “Acho que isso serve… enfim, vá para o ringue e lute! Eu já até fiz seu cadastro.  E não se esqueça de usar seu codinome.”

    “Tá bom, eu já planejava fazer isso mesmo!” Sam respondeu.

    Ela se virou para ir ao ringue, mas então olhou para Kevin novamente.

    “Vai apostar em mim, certo?”

    Kevin assentiu.

    “Claro, por que não apostaria?”

    E então, ambos foram em direção ao ringue.

    Kevin se manteve longe de Sam o tempo todo, até ela se dirigir para o camarim onde ficavam os lutadores.

    Kevin estava de braços cruzados, de pé ao lado do ringue. Um homem alto estava ao seu lado, ele tocou seu ombro, sua voz grave:

    “Hunter, você tem certeza de que ela é uma marcada mesmo?”

    Kevin concordou com a cabeça.

    “Claro, eu já vi ela antes, é uma guerreira de Dravion com anos de experiência. Fiquei sabendo que ela veio até este lugar para procurar novos talentos para a guilda que está montando.”

    Ele fez uma pausa, olhando ao redor e vendo que as pessoas estavam o escutando. E então, um sorriso sutil apareceu em seu rosto, e ele prosseguiu:

    “Eu já vi ela de perto, céus… vocês sabem o real poder de um marcado? Ela simplesmente explodiu um lugar com quase vinte panteras-radar de uma vez, e saiu ilesa. Foi assim que ela salvou meu grupo quando pensávamos que íamos morrer. Por isso, quando fiquei sabendo que ela estaria aqui eu vim correndo só pra ver e apostar tudo nela!”

    Algumas pessoas murmuravam umas para as outras. Os boatos que Kevin criou, rapidamente começaram a se espalhar, e… aumentar.

    “É a primeira vez que vejo um marcado de perto!”

    “Não quero nem ficar tão perto do ringue, e se eu morrer?”

    “Bruttus não irá durar um segundo contra uma marcada, eu aposto tudo nela!”

    “Dizem que ela matou cinquenta autômatos com um único golpe!”

    “Eu ouvi dizer que ela venceu até mesmo um capitão radiante em uma batalha!”

    “Ouvi falar que ela gosta de dormir nos campos corrompidos, em plena corrolune!”

    Uma felicidade invadiu o peito de Kevin, era tão fácil assim espalhar um boato? Ver as pessoas comentando sobre, criando histórias mirabolantes e alimentando seus boatos… à essa altura, ninguém sabia mais de onde surgiram os boatos de Lady Scarlie. Já que todos estavam falando sobre.

    E interrompendo o murmúrio, a voz alta do narrador pôde ser ouvida por todos:

    “Atenção! A décima terceira luta da noite será lendária! De um lado, temos ele, o implacável! O exército de um só homem! Aquele cujos socos são mais poderosos que balas de canhões! Pode entrar, Bruttus!”

    E então, na arena subiu um homem careca e musculoso, de pelo menos dois metros de altura, com o rosto repleto de cicatrizes e o traje recheado de implantes tecnológicos. Ele bateu com os punhos duas vezes, fazendo com que o clangor de suas manoplas ecoasse pelo submundo.

    Algumas pessoas gritaram, torcendo por ele, mas era uma torcida não tão forte, na verdade, pareciam até com gritos de pena, até porque, ele não era a estrela da noite…

    O narrador prosseguiu:

    “E do outro lado, temos uma visitinha inesperada! Uma marcada! Lendária guerreira de Dravion! Pode entrar, lady Scarlie!”

    E então, a plateia foi à loucura, e gritaram ainda mais quando a jovem garota de cabelos vermelhos, usando uma armadura branca tecnológica debaixo de sua grande capa vermelha, entrou na arena. Ela também segurava a garra obscura.

    Sam estava suando frio, seu olhar assustado procurou Kevin pela platéia, mas não o encontrou.

    E então, ela engoliu seco e se virou para seu adversário.

    Ele sorriu, e disse com sua voz grave:

    “Bruttus… matar… você.”

    Sam engoliu seco e sentiu um calafrio percorrer por todo seu corpo. E então disse baixinho para si mesma:

    “Kevin… seu desgraçado, você me paga!”

    A voz do narrador gritou novamente:

    “Comecem!”

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