Sam respirou fundo e não demorou muito para que recupressase seu sorriso de entusiasmo. Idaí que Kevin enganou as pessoas para apostar nela e não em seu adversário que claramente era mais poderoso? Inicialmente, Sam ficou brava por ele duvidar tanto de sua capacidade

    … Mas agora ela estava animada para mostrar que ele não poderia estar mais errado.

    “Quero só ver a sua cara depois que perder seu dinheiro, seu desgraçado asquerosl, haha…” sussurrou baixinho, enquanto olhava para Kevin na plateia.

    E então, Sam apertou forte o cabo da garra obscura e focou no seu adversário. Ela não conseguia esconder que estava com medo, algumas gotículas de suor frio deslizavam por sua pele.

    Bruttus possuía tantas modificações em seu traje e tantos implantes em seu corpo, que se parecia com um monstro. Ele estava sorrindo de forma exagerada, e saliva escorria pelo seu queixo. No lugar de seus olhos haviam duas lentes mecânicas, mas o que mais assustava Sam, eram suas manoplas enormes.

    “Matar! Matar!” Bruttus gritava, com sua voz grave.

    E rapidamente, ele começou a correr em direção à Sam.

    “Droga…”

    Ela permaneceu parada, se colocou em base de combate e esperou até que Bruttus chegasse perto o suficiente, e então, ela desferiu um golpe horizontal com o espadão na direção do gigante.

    Porém, seu golpe fora simplesmente parado, Bruttus segurava a lâmina da garra obscura com sua manopla.

    “Espada sua, não machucar Bruttus! Guhahahaha!” ele gargalhou.

    E então, levantou sua outra mão livre para desferir um golpe na garota. Porém, Sam conseguiu ser ágil e soltou sua espada e enquanto se jogava no chão para desviar do golpe.

    “Droga, eu odeio essa arma!” reclamou.

    A plateia gritava:

    “Não esconda seu poder!”

    “Mate esse bastardo, Lady Scarlie!”

    “Ela deve estar apenas testando as habilidades dele…”

    “Será que ela é realmente tão poderosa quanto dizem?”

    “Provavelmente ela irá explodir o Bruttus assim que ter a certeza de que não irá recruta-lo”

    “Ela é uma gata!”

    Quando Sam escutava a plateia, ela tentava manter a postura e realmente fingir o disfarce, apenas por diversão. Então, ela se virou para todos e disse:

    “Não se preocupem! Estou apenas testando ele-”

    E tudo ficou escuro.

    A última coisa que Sam conseguiu escutar, fora um som de algo voando em sua direção, e por fim, sentiu uma forte dor em sua têmpora, frações de segundos antes de desmaiar.

    Kevin havia se retirado da plateia antes da luta acabar, e se dirigiu até a passagem da ala medica, onde os lutadores eram levados após as lutas.

    Logo depois da luta acabar, um grande painel surgiu ao centro da arena:

    Scarlie vs Bruttus

    Vencedor: >Bruttus<

    Todos os salis das apostas foram transferidos para os seguintes ganhadores:

    Kroupier.

    A plateia foi à loucura, todos xingando e brigando.

    “Quem é Kroupier?”

    “Quem foi o maldito que disse agora apostar naquela fraude?”

    “Eu quero meu dinheiro de volta!”

    “Lady Scarlie o caralho! Era uma farsante!”

    Kevin escutava a todos…

    … Enquanto sorria maliciosamente olhando para seus salis na conta.

    Nome: Kevin Spencer

    Codinome: Kroupier

    Salis: 3793

    Seu sorriso se abriu ainda mais

    “Jackpot…”

    Enquanto isso, Sam estava caminhando em sua direção, com a mão em sua cabeça enfaixada, desnorteada pelo golpe.

    Kevin se virou para ela.

    “Acordou rápido, você está bem?”

    Sam o encarou com um olhar sombrio.

    “Seu desgraçado… apostou na minha derrota, não foi?”

    Kevin deu de ombros com seu sorriso sarcástico.

    “A decisão de lutar foi sua, não te prejudiquei em nada, apenas lucrei por cima disso.”

    Sam suspirou, e logo em seguida sorriu maliciosamente.

    “Quero parte da grana.”

    Kevin riu.

    “Eu te compro alguma coisa. Enfim, e essa armadura? Comprou na loja daquele Nioc? Ela não parece meio, uh… velha?”

    Diferente de Sam, Kevin notou algumas marcas de ferrugem, amassados e arranhões na armadura nova de Sam.

    Sam assentiu.

    “Oh… eu acho que aquele cara é um charlatão que me vendeu uma armadura usada! Ela mais me atrapalhou do que ajudou, é pesada até demais e fica rangendo quando mexo os braços. Sem contar que as articulações estão duras e é difícil se mexer livremente…”

    Ela suspirou e olhou para trás.

    “Se eu voltar lá e espancar aquele velho vagabundo, ele me dá meu dinheiro de volta?”

    Kevin balançou a cabeça, com a mão na testa.

    “Você é muito boca suja, sabia? Enfim, agora já era, você deu mole… mas também não é de se impressionar que esse lugar duvidoso venderia coisas duvidosas, não é?”

    Sam concordou.

    “É, fui ingênua, mas eu também queria vir aqui para ver esse lugar, e com certeza eu vou voltar um dia, só para arrastar a cara feia daquele Bruttus no chão, nesse dia, você aposta tudo em mim, ouviu?”

    Kevin riu e assentiu.

    “Que seja, talvez eu acabe voltando para cá também, é um ótimo lugar para fazer uma grana.”

    “Mas as pessoas daqui sabem seu nome agora, elas vão te esganar se te virem…” Sam retrucou.

    Kevin riu e balançou a cabeça.

    “Haha! Isso nem é um problema, eles nem sabem que fui em quem inventou o boato, pois quando começou a se espalhar, várias pessoas começaram a inventar coisas também. E eu meio que fui só mais um na multidão.”

    Ele fez uma pausa e acrescentou:

    “E eu também disse à eles que meu codinome era Hunter, ninguém sabe que eu sou o traiçoeiro Kroupier.”

    Sam riu, enquanto batia a mão na testa.

    “Você é um trapaceiro maldito.”

    “Eu sei.” concordou

    “Enfim, vamos embora.”

    Luke e Clara estavam parados em frente ao beco que levava ao submundo, ambos estavam observando a situação das pessoas que estavam no local. Então se entreolharam, preocupados.

    Luke respirou fundo.

    “O que esperar da Sam, não é?…”

    Clara deu um passo para trás.

    “Olha, Luke, eu não vou entrar nesse lugar esquisito nem que me paguem. E você também não vai.”

    Luke assentiu.

    “Eu não estava com planos de entrar lá mesmo. Francamente… por isso eu sou contra em deixar a Sam andar sozinha por aí.”

    Enquanto conversavam, uma figura se aproximava deles, era um homem com cerca de quarenta anos, extremamente magro, seus olhos avermelhados e caídos, com vários dentes faltando e exalando um cheiro forte e ardente, seu nariz estava manchado de cinza, e parecia haver alguns pequenos pontos brilhantes em sua região.

    Ele simplesmente parou na frente dos dois jovens e os encarou, sem dizer nada.

    Luke desviou o olhar, Clara fez o mesmo, mas o homem permanecia lá. Então, Clara deu um leve empurrão no braço de Luke, sinalizando para eles saírem de lá. Quando ambos começaram a caminhar, o homem foi atrás.

    Clara fechou os olhos e respirou fundo antes de se virar para o drogado.

    “Uh… olá, precisa de alguma coisa?”

    O homem permaneceu em silêncio por alguns segundos, quando Luke abriu a boca para falar algo, o drogado simplesmente caiu no chão.

    Clara se assustou e automáticamente foi para trás de Luke. Luke encarou o homem caído e balançou a cabeça.

    “Esse cara está absurdamente chapado… não precisa ficar com medo.”

    Clara estava nervosa.

    “Luke, vamos dar o fora, esse lugar é muito suspeito!”

    Enquanto Clara dizia isso, era possível escutar pessoas brigando, rindo alto, gemidos, coisas se quebrando e tudo mais…

    Luke concordou.

    “Tem razão, eu que não vou entrar nessa convenção de drogados, espero que Sam e Kevin estejam bem. Vamos esperar eles no bar da lua.”

    Clara assentiu e se acalmou novamente.

    “Sim… sabe, as vezes eu acho que só não surtei ainda, por que a cada segundo aparece alguma coisa nova, e eu simplesmente não tenho tempo de surtar.”

    Luke sorriu sutilmente.

    “Nem me fale…”

    Desde que chegaram em Automatuz, Luke sentia muito medo e desconforto com tudo, porém, pelo fato de ter tantos humanos e o ambiente ser urbano, a sensação de estranheza diminuía muito, o que fazia com que as pessoas não surtassem tanto.

    E como havia notado anteriormente, a grande e esmagadora maioria das pessoas abduzidas, não pareciam sentir tanta falta da terra ou se importar tanto com isso, geralmente a maioria das pessoas se acostumava em questão de dias. Então a atmosfera da cidade não era tão diferente do que ele estava acostumado, a não ser pela arquitetura exótica.

    Afinal, eles ainda estavam em uma cidade com pessoas, havia trabalho, dinheiro, estudos, e os humanos, apesar de tudo, eram humanos.

    Luke se encaixava na parcela de pessoas que não sentia falta da terra, mas também sentia um grande desconforto em estar sempre cercado por multidões todos os dias, esse era um dos grandes pontos negativos de Automatuz, a falta de silêncio.

    Mas, havia algo que sempre motivava Luke, todos os dias, e que de certa forma, o deixava mais calmo e controlado. Essa coisa, era o seu desejo.

    Luke e Clara estavam sentados à mesa do lado de fora do bar da lua. Era uma estrutura bem grande, de pelo menos três andares gigantes. Era todo pintado e decorado com cores escuras em tom azulado e branco, adornado com detalhes dourados. Diferente da maioria dos estabelecimentos, que utilizavam autômatos como funcionários, neste havia apenas humanos.

    As mesas eram redondas e claras, e em sua superfície de pedra havia algumas manchas que imitavam crateras da lua. Também havia mesas vermelhas que imitavam a lua carmesim.

    Os dois jovens estavam apenas esperando seus dois amigos, quando enfim os viram se aproximar na distância. Clara apontou para eles.

    “Olha, Luke, eles voltaram, inteiros!”

    E então ela semicerrou os olhos para olhar Sam, que estava com a cabeça enfaixada.

    “Quase inteiros…”

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